Caíque Bueno, herdeiro de uma família tradicional e abastada, vê seu mundo, até então perfeitamente organizado, ser abalado ao cruzar com Mayara Gomes, uma garota de origem humilde, mas com uma determinação inabalável. Encontros inesperados dão origem a um amor proibido, mas o relacionamento é impedido por uma sociedade que julga pelas aparências e pelas diferenças sociais. Enquanto Caíque luta contra as imposições familiares e os preconceitos de seu meio, Mayara enfrenta os desafios diários de uma vida difícil e precisa lutar por seus sonhos. Quando boatos e crises ameaçam separá-los, ambos embarcam em uma jornada repleta de discussões e reviravoltas, na qual o verdadeiro valor do amor será posto à prova. "Em Busca do Seu Perdão" é a história de dois corações que, apesar de pertencerem a realidades tão distintas, vivem um relacionamento turbulento, marcado pelo afastamento e reencontro. No fruto do amor, encontram a força para dar uma segunda chance à sua história e alcançar um final feliz.
Leer másMayaraEu não sabia muito bem o que fazer com ele. Caíque tinha entrado na minha vida de uma forma que eu jamais imaginei: sem aviso, sem preparação. Tudo havia acontecido tão rápido, e agora que ele retorna, é uma segunda avalanche que me atinge. Estávamos ali, no mesmo espaço, dividindo algo que nem eu mesma sabia como lidar direito.A paternidade de Gustavo é o que nos une. Continuaremos fazendo tudo por ele, claro. A preocupação com o nosso filho se torna maior do que qualquer mal-entendido ou distância que existisse entre nós. Mas se eu fosse ser sincera, não esperava que Caíque fosse se importar tanto, eu não sabia o que esperar sobre sua reação quando soubesse do Gu, tenho me surpreendido positivamente quanto a isso.Caíque parece feliz. Nosso filho está feliz e eu claramente estou feliz. Por isso, fiz o esforço de deixar o passado de lado e aceitá-lo como um amigo, a fim de termos um bom relacionamento com um foco em comum: o bem-estar do Gustavo.Por isso, quando ele me ligou
Caíque— Faz tempo?— Que meus pais se mudaram? — Aceno. — Faz uns três anos. Nos falamos por telefone, Gu fala com eles. Sentimos saudades, mas foi bom para eles, sabe? Estão tendo uma vida mais leve se comparada com a que tinham aqui. Aproveitam mais, tem paz sendo só os dois na casinha deles.— Que bom. E a casa antiga ficou fechada?— Sim. Ela tem uns problemas documentais e ninguém estava com dinheiro para cuidar dessas burocracias. Os parentes queriam ficar na casa de graça, mas nem pagar as contas não queriam. Aí eu tomei as dores e coloquei todo mundo para correr, meus pais iam acabar pagando tudo para os outros morar por puro comodismo. — Ela revira os olhos. — Me tornei odiada por todos, mas eu não ligo. Agora estou juntando dinheiro para ajudar eles com esse assunto, quem sabe reformar e alugar daqui a um tempo, seria um valor extra para meus pais, ainda mais com o avanço da idade.— Bonito da sua parte ajudar eles.— Eles são bons pais e avós incríveis. Só não tiveram opor
Caíque— Você está com sono? — Mayara pergunta um tempo depois.— Eu não. E você?— Também não.Mayara sai sem falar nada, me deixando confuso por um momento. Até retornar com travesseiro e cobertor que usei anteriormente. Coloca no sofá e sai de novo, indo até a cozinha e voltando com a caneca de chá e uma xícara para ela.— Vou tomar um chá também, vai que o sono aparece — comenta. — Caso queira mais, só pegar. Aceito sua oferta. Ela senta na minha frente com a postura ereta, os olhos atentos por cima da beirada da xícara enquanto bebe o líquido morno. Ela me encara como se quisesse decifrar cada movimento meu. Como se estivesse esperando que eu dissesse algo que confirmasse suas suspeitas. Mas o que exatamente ela suspeita? Será que vê mais da confusão dentro de mim?Seguro a minha xícara com força, sentindo a louça contra minha pele. Tomo um gole da bebida, qualquer coisa para me dar tempo. Para não deixar escapar uma verdade que ainda não sei como nomear e que poderia assustá-la
MayaraEu estava prestes a apagar a última luz da sala quando escuto batidas na porta. O som me assusta. A essa hora? Meu coração dispara. Quem viria até minha casa tão tarde? Seguro a maçaneta, hesitante, e olho pelo olho mágico. Meu estômago dá um nó.Caíque.Abro a porta devagar, como se isso me ajudasse a processar o motivo da sua visita. Ele está ali, encostado no batente, as mãos nos bolsos da calça jeans escura, a expressão tensa. Os olhos escuros encontram os meus, e percebo o cansaço misturado à raiva contida. O maxilar está travado. Algo sério aconteceu.— Oi — ele diz, a voz mais rouca do que o normal.— Oi. O que você está fazendo aqui?Ele suspira e passa a mão pelos cabelos, bagunçando-os ainda mais.— Acabei vindo direto aqui, não pensei muito. Eu… Eu preciso de um pouco de paz. — Uno as sobrancelhas, estranhando sua explicação.— O Gu está dormindo — aviso, caso seja esse o motivo dele vir. — Mas se quiser entrar…Abro mais a porta e dou espaço para ele que aceita o co
CaíqueMeus pais sempre souberam como me pressionar. Mas dessa vez, não é sobre carreira, dinheiro ou a crise que enfrentamos. Mayara falou mais cedo sobre como o assunto chegaria até eles, mas não esperei que seria tão cedo.Estou sentado à mesa da cozinha desde que cheguei, por estar comendo um pão e tomando café, não me apressei em levantar quando os dois chegaram da rua, não querendo chamar atenção.Eu deveria estranhar quando os dois vieram me fazer companhia, não era o habitual. Ao menos, não agora que sou adulto. Fingi não estar pensando sobre os motivos deles estarem aqui, como se estivessem sua presa. Foi quando o meu pai não continuou sua cena, fechando o jornal e me encarando com aquele olhar avaliador. Minha mãe está ao lado dele, mexendo a colher dentro da xícara de chá, mas a expressão no rosto dela é tensa.— O que estão dizendo por aí é verdade? — meu pai pergunta, sem rodeios. — Você voltou para Mayara?Respiro fundo, sabendo que essa conversa seria inevitável.— Não.
MayaraO novo burburinho na cidade está ficando cada vez mais alto. O assunto que está na boca do povo? Eu, Caíque e Gustavo.Desde que Caíque voltou, só ouvi um comentário ou outro sobre o seu retorno, como ele era bonito, estava solteiro, era de boa família… O de sempre. Mas agora que ele começou a se aproximar de Gustavo, os olhares curiosos e os cochichos se tornaram inevitáveis e mais altos que os anteriores. E tudo piorou depois do nosso passeio ao museu.No fim do dia, ele nos ofereceu carona. Eu ia negar como sempre, mas Gustavo queria vir com o Caíque. Concordei e assim que chegamos, reparei o quanto chamamos atenção por estarmos andando juntos pelas ruas da cidade. Parece que nos esbarrarmos antes, não era nada de mais, até estar dentro do seu carro.Agora as pessoas não se importam em esconder ou serem discretas quando comentam sobre nós, fazem suposições, tiram conclusões precipitadas. Como se nossas vidas fossem um livro aberto para todos interpretarem do jeito que quiser
CaíqueO celular vibra ao meu lado na mesa, e meu coração dá um leve salto ao ver o nome de Mayara na tela. Afasto-me do computador e com pressa, desbloqueio a tela do celular para ver do que se trata a mensagem. Desde que Gustavo soube de tudo, começamos a nos falar com mais frequência, por causa dele é claro. Pergunto diariamente sobre ele, a rotina, quando podemos nos ver. Ela tem sido receptiva e sempre me deixa falar com meu filho, isso é um avanço para nós levando em consideração a nossa história. Tenho tentado dar espaço e deixar que as coisas aconteçam no tempo certo, ao mesmo tempo que lembro que estou por ali caso precise. Talvez ela precise de mim agora, por isso abro a mensagem sem demora.Mayara: Oi, Caíque. Lembra que o Gustavo comentou que a escola dele foi ao museu de ciências essa semana, mas ele não conseguiu ir porque estava doente? O que acha de irmos com ele? Ele está me pedindo muito (leia-se cobrando).Minha primeira reação é surpresa. Quando comentei que poderí
MayaraO dia amanhece silencioso. Abro os olhos devagar, sentindo o corpo pesado da noite mal dormida. O medo com Gustavo não me deixou descansar direito com preocupação do seu estado, fiquei acordando para conferir como ele estava, mas agora a casa silenciosa parece em paz.Olho para o lado e ele não está. Respiro fundo e saio do quarto, indo procurá-lo para ver se precisa de mim. Passo pelo banheiro e não o encontro, sigo pela cozinha vazia e vou até a sala.A cena que encontro me faz parar na porta.Gustavo está acordado, encolhido no canto sofá, e Caíque está ao lado dele, segurando um copo d’água. Meu filho pega o copo e toma um gole pequeno, volta a deitar no braço do sofá e descansa a cabeça na almofada, as pernas esticadas e os pés quase tocando o Caíque que fala com ele, a voz baixa e calma.— Sabe, você parece um super-herói se recuperando de uma batalha difícil — ele diz, como se fosse um segredo.Gustavo solta um risinho fraco.— Super-heróis não ficam doentes.— Claro que
MayaraO celular vibra em meu bolso, e meu coração dá um leve salto ao pegar o aparelho e ver o nome de Caíque na tela. Desde o encontro na praça, ele tem mandado mensagens de vez em quando, tentando se aproximar de Gustavo de forma sutil. Respiro fundo antes de abrir a mensagem.Caíque: Oi. Tudo bem? Como o Gustavo está?Passo a mão pelos cabelos, exausta. Me ligaram da escola, avisando que Gustavo estava com febre. Fui buscá-lo mais cedo e desde então, estou monitorando e tentando fazer baixar a temperatura, mas nada adianta. Agora, a febre subiu de repente, e ele não está nada bem. Hesito por um instante antes de responder, mas não faria sentido esconder isso dele.Mayara: Gu está doente. Está com febre e está bem abatido.A resposta vem quase instantaneamente.Caíque: Quer que eu vá aí?Olho para o sofá, onde Gustavo está deitado sob uma manta, os olhos semicerrados, o rostinho pálido. Ele não quer comer, não quer falar muito. Talvez Caíque ter sido presente antes não fizesse dife