Alice sabia que trabalhar para Victor Lancaster, um CEO implacável e controlador, exigia disciplina. Mas ninguém a preparou para Valentina Lancaster. Esposa ambiciosa, dona de uma beleza e personalidade enigmática. Uma presença forte por onde passa, até mesmo impossível de ignorar. No começo, Alice achava que tudo não passava de charme inocente de uma mulher extrovertida. Mas, Valentina não fazia nada por acaso. Os toques sutis, os sorrisos carregados de segredos, entre olhares demorados… tudo nela era intenso, como uma fragrância marcante. Seria apenas assuntos de trabalho, provocação ou um convite silencioso para algo a mais? Alice tenta ignorar, mas Valentina sabia exatamente como dobrar vontades. E quanto mais ela se rende, mais percebe que está presa em algo maior — seria isso um possível triângulo de poder, desejo e manipulação, onde ninguém escaparia ileso? Victor estaria envolvido ou era mais uma vítima, o que ele fará? E, no final, quem realmente está no controle desse jogo?
Leer másO vento assobiava entre as tábuas do estábulo, carregando o cheiro de feno seco e terra molhada. Victor encostou-se numa pilastra de madeira, olhando fixamente para Saulo antes de começar a falar. Sua expressão era dura, carregada de emoções contidas.— Não sei se você está lembrado dessa história, mas era uma vez dois garotos que perderam os pais em um acidente. Eles estavam começando a vida em um novo país, sem conhecer ninguém, sem ter a quem recorrer. Eram apenas dois rapazes e, de repente, se viram num orfanato, sem futuro, sem saída. — Victor tomou um gole de sua bebida e observou Saulo, que ouvia em silêncio. — O irmão mais velho, prometeu que sempre cuidaria do mais novo. Mas veja só o que aconteceu. — Ele riu, com um tom amargo. — O tempo passou e, um dia, o mais velho foi embora, sem explicações. Simplesmente desapareceu, abandonando o outro.Saulo ergueu os olhos, tentando argumentar:— Eu não podia fazer nada, Sérvio. Eu não tinha para onde ir, não tinha como sustentar nós
Rique aguardava ansioso para conhecer a família de Alice. A cada minuto que passava, sua impaciência crescia. Olhava para o celular, verificava o relógio e ajeitava a gola da camisa, como se cada detalhe da aparência fosse crucial para causar uma boa primeira impressão. Mas demonstrar que ele não era um homem superficial seria um desafio.Já Alice, por outro lado, não conseguia esconder o nervosismo. Mexia incessantemente nos cabelos, mordia os lábios e tamborilava os dedos na mesa, como se pudesse dissipar a tensão que sentia. O convite para que seus pais almoçassem na fazenda dos Lancaster havia sido um desafio. Regina e Saulo hesitaram em aceitar. Para eles, a diferença social entre sua família e a de Rique era um abismo intransponível. O que ele tinha a ganhar com uma garota que não poderia lhe oferecer muita coisa? Essa dúvida levantada por Regina ressoava na cabeça de Alice.Dias atrás.— Eu não sei o que você tem na cabeça, Alice! — Regina resmungou, franzindo a testa. — Você r
O ar na VIVA estava diferente, carregado de uma tensão que Alice sentiu assim que cruzou as portas. O saguão, normalmente tranquilo, hoje fervilhava com cochichos e olhares furtivos. No centro do burburinho. Dora, ocupava a mesa da recepção principal, organizando documentos com mãos que estavam levemente rígidas. Alice aproximou-se, os sapatos ecoando no piso de madeira. — Amiga... E aí? A secretária ergueu os olhos, surpresa. Seu rosto, normalmente composto, estava pálido. — Alice! Eu... não sabia que você viria hoje. — O que você está fazendo aqui? — Alice manteve a voz baixa, mas a pergunta veio cortante. Dora olhou em volta, antes de responder, como se temesse ser ouvida. — Foi ordem do RH. Chegou um e-mail no sábado à noite e recebi uma ligação, — transferência imediata. Quando cheguei aqui de manhã, Gaby já estava arrumando as coisas. — Ela foi demitida? — Não. Não foi isso... — Dora abaixou ainda mais a voz. — Parece que ela foi promovida como assistente pessoa
Naquela manhã, antes do meio-dia, Valentina fez o checkout. Partiram para almoçar com Rique. Era a primeira vez que Alice visitava o luxuoso apartamento dele. O prédio inteiro lhe pertencia, um símbolo claro de seu sucesso. O almoço foi caloroso, recheado de risadas e histórias compartilhadas. Quando chegou a hora de partir, Rique insistiu para que Alice ficasse e voltasse de jatinho com ele, mas ela recusou. Não queria deixar Valentina sozinha. Então, finalmente, se despediram.A viagem de volta foi silenciosa. Chegaram de madrugada, e Alice mal podia acreditar que, em poucas horas, precisaria estar no trabalho novamente. O cansaço era imenso para se pôr de pé. Porém, tinha que encarar a dura realidade. Mais tarde, o sol matinal entrava em ângulos agudos pelos vitrais do saguão, da Lancaster que pintava padrões geométricos no chão de mármore branco. Alice cruzou as catracas de acesso às 8h17, com passos rápidos, ainda sentindo o cansaço da viagem noturna e ajustando a pasta de couro
Ela sentiu as pernas fraquejarem, mas suas mãos permaneceram firmes nas dele, segurando a flor. Rique abriu então o estojo, revelando um anel de compromisso, com uma pedra central azul-safira cercada por pequenos diamantes que cintilavam como estrelas. — Alice, minha flor... eu não imaginava isso. Mas não quero mais esconder o que sinto por você. Quero declarar para o mundo o nosso amor, — continuou ele, os olhos nunca deixando os dela. — Então, você aceita namorar comigo? Alice olhou para o anel, depois para Rique, e então para as pessoas ao redor, todos parados, expectantes, alguns com os celulares levantados para capturar o momento. Seu coração batia tão forte que ela temeu que todos pudessem ouvir. — Rique... — seu nome saiu como um suspiro, carregado de emoção. Ele esperou, paciente, seus olhos implorando por uma resposta. E então, sem conseguir conter-se, Alice jogou os braços ao redor de seu pescoço, enterrando o rosto em seu ombro. — Sim, sim! Eu aceito estar com vo
Enquanto isso, em Veneza… no Porto de Marghera, onde o vento frio do outono cortava os canais como uma lâmina, erguendo pequenas ondas que batiam contra os pilares de madeira centenários. Victor caminhava com passos firmes pelas calçadas desertas, seu sobretudo preto balançando levemente com a brisa. O relógio de pulso de platina marcava quase meia-noite quando ele parou em frente a uma pequena rua, afastada dos pontos turísticos. Ali, onde as luzes dos postes eram mais escassas e o som das gondolas já não chegava, ele esperava por alguém, olhando para os lados com discrição.Uma figura envolta em um sobretudo bege com capuz surgiu da escuridão, com passos leves e rápidos sobre as pedras antigas. Victor não fez nenhum gesto de reconhecimento, apenas caminhou abrindo a porta de um carro alugado e discreto que estava estacionado por ali, sem nenhum detalhe que chamasse atenção. A figura entrou rapidamente, e seguiu para o volante e deu a partida, dirigindo sem pressa. Nenhuma palavra foi
O motor do Aston Martin DB11 de Oliver rugiu suavemente, enquanto subia a estrada sinuosa como um fantasma prateado, parecia um modelo feito sob medida para cortar a noite. Ele deslizava pelas curvas como se dançasse ao vento. Valentina estava sentada ao lado de Oliver, os dedos longos e delicados traçando padrões invisíveis na janela embaçada pelo frio da noite.— O que aconteceu? — Ele perguntou, sem tirar os olhos da estrada.Ela demorou a responder. Pressionou a testa, como se tentasse aliviar a tensão que sentia.— Eu não estava mais suportando ficar por lá… — disse, num suspiro. — E minha cabeça está latejando.Oliver não insistiu em continuar pressionando. Ele estava lhe conduzindo para um lugar onde poderia escapar e respirar melhor. O silêncio se instalou novamente no interior do carro, apenas o ronco suave do motor e o vento batendo nas janelas preenchendo o espaço entre eles. Ela fechou os olhos por um instante, deixando-se levar pelo movimento do veículo e pelas memórias q
O elevador desceu suavemente até o saguão do Hotel Estellar, suas portas douradas se abrindo para revelar Valentina e Alice em trajes impecáveis para o evento. Valentina vestia um vestido sereia em vermelho rubi, que cintilava a cada movimento, enquanto Alice optara por um modelado azul-marinho, elegante e discreto, mas que realçava seus olhos.— Pronta para arrasar? — Valentina ajustou uma pulseira no pulso, lançando um olhar envolvente para Alice pelo reflexo do espelho do elevador.— Estou um pouco nervosa — comentou Alice.— Aproveita, porque essa é a nossa chance de brilhar — Valentina respondeu, empolgada.Alice respondeu com um sorriso tenso, ainda processando como poderia conter a inquietude que sentia. Antes que pudesse responder, porém, os portões giratórios do hotel se moveram, e um vulto familiar surgiu sob a luz dos candelabros da entrada. Ele estava lá, elegantemente trajado em um terno preto, segurando um buquê de rosas brancas e vermelhas. Seus olhos brilharam ao avist
A luz da manhã filtrava-se pelas cortinas da suíte, tingindo o quarto com tons dourados. Alice despertou primeiro, sentindo o corpo levemente dolorido por ter dormido no sofá. Espreguiçou-se, sentindo a rigidez nos ombros, e virou-se para olhar a cama. Valentina ainda dormia profundamente, os fios de cabelo espalhados pelo travesseiro, a respiração lenta e tranquila. Ela levantou-se devagar e foi até o banheiro.Ao sair, encontrou Valentina de olhos semicerrados.— Você acorda cedo demais! E esse barulho me incomoda. Por que abriu as Cortinas? — murmurou a empresária, cobrindo um bocejo com a mão.— Hábito. Aliás, nós não temos um longo dia pela frente, não é verdade? — respondeu, secando os cabelos com a toalha.Valentina, virou-se para Alice com uma expressão ainda sonolenta.— Isso é animador, reuniões tediosas. Espero que nada que vá demorar... muito. — Ela deu um sorriso preguiçoso, levantando-se.O dia prometia ser longo, mas ela não sabia se estava ansiosa ou apreensiva com o q