Era um final de semana tranquilo na fazenda dos Laucaster. A família estava reunida, aproveitando a atmosfera acolhedora do ambiente. Os pais de Valentina, Silvana e César Ramon, estavam acomodados no jardim, enquanto que Rique, acabava de chegar na residência se juntando aos pais. O sol filtrava-se pelas vidraças da estufa, iluminando suavemente as plantas e flores coloridas do ambiente. Valentina, logo cedo, resolveu passar a manhã pela estufa, cercada por suas plantas. Ainda vestida em um robe de cetim rosa e pantufas fofas, ela colhia algumas espécies e as depositou em um cesto de vime, organizando-as com cuidado, além de fazer anotações em sua pequena agenda sobre o crescimento dessas ervas. O aroma úmido das folhas e flores preenchia o espaço. Aparentemente seu amor pelas plantas era evidente nos gestos meticulosos. Naquele instante o barulho da porta se abrindo havia interrompido seu momento de paz. Era Rique, entrando com uma postura despreocupada, os olhos ligeiramente pregu
Alice estava em frente de casa quando o táxi chegou para buscá-la. Ela se despediu dos pais e entrou no carro, se recostou no banco, observando a cidade passar pela janela. O sol alto dourava os prédios e iluminou as ruas. O barulho das conversas entre turistas que aproveitavam o dia e o movimento de bicicletas cortando o trânsito criavam um ritmo peculiar à cidade. Ao chegar à VIVA Intensive, o edifício parecia maior na calmaria do dia. Alice respirou fundo e entrou. Ao chegar no escritório, Valentina entregou Alice para Rique levar para conhecer os imóveis, conforme havia prometido. Alice hesitou, perguntando se ela não iria. Ao telefone, Valentina apenas sorriu e disse que os acompanharia depois — precisava resolver algumas pendências. O primeiro apartamento era luxuoso demais para Alice. Embora encantador, não sobraria muito no fim do mês. O segundo ficava próximo ao movimento dos barqueiros, ela achou barulhento de mais para concentrar sua criatividade. Durante as visitas, A
A semana havia começado e Alice passou a sentir o novo ritmo de trabalho entre a Interprise e a VIVA, mal tinha tempo para respirar. O dia foi intenso, e ela percebeu que a transição entre os dois empregos exigiria muito mais do que imaginava. Pela manhã, trabalhava para Victor, lidando com reuniões, campanhas e um fluxo intenso de demandas. À tarde, na VIVA, Valentina exigia sua total dedicação na expansão dos projetos. A pressão vinha de todos os lados, e ela pegava se perguntando quanto tempo conseguiria manter aquele ritmo frenético. Saiu da VIVA depois das sete da noite, exausta, depois de entrevistar alguns candidatos para equipe de desenvolvimento. Valentina estava ausente, o que para Alice era estranho. Ela deixou a responsabilidade em suas mãos. O trajeto até em casa parecia mais longo do que nunca. O transporte lotado, o calor abafado e a mente distante com todas as novas responsabilidades contribuíam para seu cansaço. Quando finalmente chegou, encontrou a casa em silêncio.
A noite avançava sobre a cidade quando Alice se deu conta do horário. O escritório estava silencioso, apenas o som dos teclados e o zumbido suave do ar-condicionado preenchiam o ambiente. Ela suspirou, exausta, os olhos ardendo após horas na frente do computador. Estava prestes a desligar a máquina quando sentiu um movimento sutil na porta. Era Valentina, encostou-se ali, com o sorriso intrigante iluminado pela luz suave do corredor.— Alice, quando terminar, me encontre no meu escritório. Temos pendências a concluir. — Disse Valentina, num tom leve, quase provocativo.Alice massageou as têmporas, sem desviar o olhar da tela.— Valentina, já está tarde. Preciso ir para casa.— Eu te levo — insistiu, cruzando os braços. Seu olhar era intenso, quase desafiador.Alice hesitou. A ideia de prolongar aquela noite a fazia sentir-se
Valentina lançou uma proposta provocante no ar, deixando Alice em um beco sem saída, imersa na confusão de seus próprios sentimentos, como um raio em uma noite estrelada. Ela piscou algumas vezes, tentando processar o que aquilo significava. O que Valentina planejou era mais do que apenas uma proposta; era um desafio disfarçado de ajuda. Ela armou uma cilada. — Você tá maluca, Valentina? Eu precisava estar em casa! Olha só para mim, tô um desastre! Valentina sorriu de canto, dando alguns passos em direção a ela de forma relaxada. — E qual o problema? Você passou o dia inteiro trabalhando, em dobro, então nada mais justo do que ganhar uma folga amanhã. Eu mesma vou justificar. Alice abriu a boca para protestar, mas hesitou. Não podia negar que a ideia de uma tarde livre era tentadora. Seu corpo estava exausto, e seu cérebro, ainda processando tudo que acontecera durante o dia. Não sabia quanto tempo conseguiria aguentar essa jornada dupla. Valentina percebeu a dúvida e inclinou-
Valentina saiu do prédio onde havia deixado Alice, sentindo o vento noturno contra o rosto. Caminhou até o carro e, ao abrir a porta, o celular vibrou no bolso. Quando olhou o nome Victor brilhava na tela. Suspirou e recusou a chamada, jogando o aparelho no banco do passageiro. Não estava pronta para aquela conversa. Enquanto dirigia pelas ruas sossegadas, sua mente fervilhava. O loft, Alice, o laboratório, Victor. Tudo parecia se sobrepor, tornando difícil discernir no que deveria focar no momento. Ao chegar na mansão, notou que as luzes estavam apagadas. Um silêncio absoluto reinava no interior da casa, mas, assim que acendeu a luz da sala, viu Victor sentado na poltrona, à sua espera. Os olhos dele estavam sobrecarregados. — O que você estava fazendo até essa hora na empresa Val? — A voz dele era fria, carregada de desconfiança. — Trabalhando... — respondeu simplesmente, tirando os sapatos e esfregando os dedos contra o tapete macio. — Nos seus projetos? — Ele arqueou uma so
Na manhã seguinte, quando Alice chegou à sede da Lancaster o ambiente parecia mais carregado que o normal, e ela logo percebeu o motivo quando Victor apareceu no corredor. Ele não estava de bom humor. Seu olhar era cortante, e sua voz, fria.— Bom dia, Alice. Assim que terminar de organizar a agenda, vá imediatamente ao meu escritório.Ela sentiu um arrepio percorrendo sua espinha. Victor estava sério e calculista, uma combinação perigosa. Respirou fundo e tentou ignorar a inquietação que crescia dentro dela. Pelo menos agora seu expediente era reduzido, pensou, tentando se consolar. Ao longo da manhã, cumpriu suas tarefas com mais atenção que o normal, evitando ao máximo o escritório de Victor. No entanto, não poderia adiar o inevitável. Quando finalmente entrou na sala dele, encontrou-o sentado à mesa, concentrado no computador. Ele não levantou o olhar, apenas ordenou:— Feche a porta e sente-se. Esta conversa é particular.Alice obedeceu em silêncio, sua mente trabalhando rapidam
Alice chegou na casa dos pais com o coração apertado. Não era exatamente uma despedida definitiva, mas sair da casa onde cresceu para viver sozinha era uma mudança significativa. Ao chegar, encontrou sua mãe, Regina, na cozinha, terminando de preparar um bolo, enquanto o cheiro de temperos tomava conta do ambiente. — Olha só quem chegou! — Regina sorriu ao vê-la entrar. — Veio roubar comida ou realmente vai embora dessa vez? Alice riu, deixando a bolsa sobre o sofá, como de costume. — Dessa vez é sério, mãe. Vim pegar minhas coisas. Regina ergueu as sobrancelhas, mas havia um brilho de satisfação em seu olhar. — Seu pai está na garagem. Vai avisar pra ele que já pode começar a carregar o carro. Alice foi até o quintal, onde encontrou Saulo organizando algumas caixas. — Pronta pra deixar o ninho? — ele brincou, sem tirar os olhos do que fazia. — Meio que sim... meio que não, — ela admitiu. Ele deu um tapinha de leve no ombro da filha. — Você já tem idade pra isso, e sabe que