A noite avançava sobre a cidade quando Alice se deu conta do horário. O escritório estava silencioso, apenas o som dos teclados e o zumbido suave do ar-condicionado preenchiam o ambiente. Ela suspirou, exausta, os olhos ardendo após horas na frente do computador. Estava prestes a desligar a máquina quando sentiu um movimento sutil na porta. Era Valentina, encostou-se ali, com o sorriso intrigante iluminado pela luz suave do corredor.— Alice, quando terminar, me encontre no meu escritório. Temos pendências a concluir. — Disse Valentina, num tom leve, quase provocativo.Alice massageou as têmporas, sem desviar o olhar da tela.— Valentina, já está tarde. Preciso ir para casa.— Eu te levo — insistiu, cruzando os braços. Seu olhar era intenso, quase desafiador.Alice hesitou. A ideia de prolongar aquela noite a fazia sentir-se
Valentina lançou uma proposta provocante no ar, deixando Alice em um beco sem saída, imersa na confusão de seus próprios sentimentos, como um raio em uma noite estrelada. Ela piscou algumas vezes, tentando processar o que aquilo significava. O que Valentina planejou era mais do que apenas uma proposta; era um desafio disfarçado de ajuda. Ela armou uma cilada. — Você tá maluca, Valentina? Eu precisava estar em casa! Olha só para mim, tô um desastre! Valentina sorriu de canto, dando alguns passos em direção a ela de forma relaxada. — E qual o problema? Você passou o dia inteiro trabalhando, em dobro, então nada mais justo do que ganhar uma folga amanhã. Eu mesma vou justificar. Alice abriu a boca para protestar, mas hesitou. Não podia negar que a ideia de uma tarde livre era tentadora. Seu corpo estava exausto, e seu cérebro, ainda processando tudo que acontecera durante o dia. Não sabia quanto tempo conseguiria aguentar essa jornada dupla. Valentina percebeu a dúvida e inclinou-
Valentina saiu do prédio onde havia deixado Alice, sentindo o vento noturno contra o rosto. Caminhou até o carro e, ao abrir a porta, o celular vibrou no bolso. Quando olhou o nome Victor brilhava na tela. Suspirou e recusou a chamada, jogando o aparelho no banco do passageiro. Não estava pronta para aquela conversa. Enquanto dirigia pelas ruas sossegadas, sua mente fervilhava. O loft, Alice, o laboratório, Victor. Tudo parecia se sobrepor, tornando difícil discernir no que deveria focar no momento. Ao chegar na mansão, notou que as luzes estavam apagadas. Um silêncio absoluto reinava no interior da casa, mas, assim que acendeu a luz da sala, viu Victor sentado na poltrona, à sua espera. Os olhos dele estavam sobrecarregados. — O que você estava fazendo até essa hora na empresa Val? — A voz dele era fria, carregada de desconfiança. — Trabalhando... — respondeu simplesmente, tirando os sapatos e esfregando os dedos contra o tapete macio. — Nos seus projetos? — Ele arqueou uma so
Na manhã seguinte, quando Alice chegou à sede da Lancaster o ambiente parecia mais carregado que o normal, e ela logo percebeu o motivo quando Victor apareceu no corredor. Ele não estava de bom humor. Seu olhar era cortante, e sua voz, fria.— Bom dia, Alice. Assim que terminar de organizar a agenda, vá imediatamente ao meu escritório.Ela sentiu um arrepio percorrendo sua espinha. Victor estava sério e calculista, uma combinação perigosa. Respirou fundo e tentou ignorar a inquietação que crescia dentro dela. Pelo menos agora seu expediente era reduzido, pensou, tentando se consolar. Ao longo da manhã, cumpriu suas tarefas com mais atenção que o normal, evitando ao máximo o escritório de Victor. No entanto, não poderia adiar o inevitável. Quando finalmente entrou na sala dele, encontrou-o sentado à mesa, concentrado no computador. Ele não levantou o olhar, apenas ordenou:— Feche a porta e sente-se. Esta conversa é particular.Alice obedeceu em silêncio, sua mente trabalhando rapidam
Alice chegou na casa dos pais com o coração apertado. Não era exatamente uma despedida definitiva, mas sair da casa onde cresceu para viver sozinha era uma mudança significativa. Ao chegar, encontrou sua mãe, Regina, na cozinha, terminando de preparar um bolo, enquanto o cheiro de temperos tomava conta do ambiente. — Olha só quem chegou! — Regina sorriu ao vê-la entrar. — Veio roubar comida ou realmente vai embora dessa vez? Alice riu, deixando a bolsa sobre o sofá, como de costume. — Dessa vez é sério, mãe. Vim pegar minhas coisas. Regina ergueu as sobrancelhas, mas havia um brilho de satisfação em seu olhar. — Seu pai está na garagem. Vai avisar pra ele que já pode começar a carregar o carro. Alice foi até o quintal, onde encontrou Saulo organizando algumas caixas. — Pronta pra deixar o ninho? — ele brincou, sem tirar os olhos do que fazia. — Meio que sim... meio que não, — ela admitiu. Ele deu um tapinha de leve no ombro da filha. — Você já tem idade pra isso, e sabe que
O sol mal havia se firmado no horizonte, e Alice já estava a caminho da Enterprise para mais um dia de trabalho. A cidade despertava com seu ritmo, e o fluxo de pessoas nas ruas refletia a agitação de seus dias, marcados por desafios inesperados e a sensação de estar sempre alerta aos acontecimentos. Ao chegar à empresa, cumprimentou alguns colegas e se dirigiu ao seu posto, mas mal teve tempo de se acomodar antes que uma mensagem surgisse na tela do seu celular: "Alice, venha até minha sala, por favor." Era Victor. Ela pegou a pasta contendo a lista de funcionários e caminhou pelo corredor até a sala do CEO. Quando entrou, encontrou ele de pé, observando a cidade pela janela de vidro panorâmica. Seu humor parecia mais leve do que nos últimos dias, o que Alice considerou um alívio. Ele sempre lhe dava a impressão de ser um homem de fases – um dia irritado e sério, no outro, enérgico e comunicativo. — Trouxe a lista que pediu — ela disse, estendendo os papeis. Victor pegou o docu
O salão de beleza era um refúgio de sofisticação e bem-estar, com seu aroma envolvente de óleos essenciais e música ambiente suave, que misturava o tilintar de tesouras e o murmúrio de conversas animadas. Alice entrou ao lado de Valentina, sentindo-se um pouco deslocada naquele universo de luxo. — Segundo passo, Alice, esqueça a resistência — Valentina disse, tirando os óculos escuros e entregando-os a uma funcionária. — Você está aqui para se transformar e relaxar. Alice olhou em volta, observando mulheres bem vestidas, cabeleireiros habilidosos e manicures meticulosas. Valentina acenou para um atendente, que imediatamente conduziu as duas para cadeiras reclináveis na área de spa dos pés. — Começamos por aqui — Valentina disse, afundando-se no assento confortável. — Você não imagina o poder de uma boa pedicure. Alice hesitou antes de tirar os sapatos. Não era o tipo de coisa que fazia com frequência, mas, ao sentir a água morna envolvendo seus pés, soltou um suspiro involuntário.
A manhã na fazenda dos pais de Valentina era fresca, com o cheiro de terra molhada e café recém-passado se espalhando pelo ar. O sol dourava as copas das árvores, e o canto dos pássaros preenchia o silêncio sereno do campo.Valentina desceu para tomar café vestindo um robe de seda. Encontrou Silvana na cozinha, elegante como sempre, com um olhar atento enquanto mexia distraidamente o café na xícara.— O que houve? Você não foi dormir em casa? — a mãe comentou, sem rodeios.Valentina suspirou, servindo-se de uma xícara de café e uma fatia de queijo.— Não estava a fim. Resolvi dormir em um lugar tranquilo com o ar puro... isso é, até agora! Silvana arqueou uma sobrancelha.— E o Victor?Valentina deu de ombros, sem encará-la.— Ah, ele deve ter sobrevivido. A mãe respirou fundo, pousando a xícara na mesa com um pequeno estalo.— Val, de novo? Quantas vezes eu tenho que ter essa conversa com você? Vê se amadurece.— O quê?! Eu tenho que suportar tudo? Não dá...— Você se colocou nessa