Após pegar o marido na cama com sua meia-irmã, Luísa Rossini saiu de casa, mas seu ex se recusou a dar a guarda do seu filho. Atordoada, ela saiu pelas ruas de Bari quando, de repente, um mafioso entrou em seu caminho. “Assine o contrato e vou te ajudar a recuperar tudo o que perdeu”, ele falou num tom imperativo. “A partir de hoje, você tocará piano só para mim”, Don Morano ressaltou com possessividade. Após anos procurando pelo grande amor de sua vida, o mafioso a encontrou, mas Luisa parecia não se lembrar dele. Talvez fosse por isso que ela seguiu em frente e construiu uma família com outro homem. Contudo, Paolo Morano se recusava a deixá-la sair de sua vida outra vez. Será que Luísa aceitará a proposta do mafioso e se envolverá numa sinfonia de amor perigosa?
Ler maisEla parou. Olhou para a mão dele em seu braço, depois para o rosto.— Fala.Paolo soltou seu pulso com cuidado. Passou a mão pelos cabelos, respirando fundo.— Não sou bom com palavras...— Já percebi. — Ela esboçou meio sorriso.Paolo inclinou-se ligeiramente, reduzindo a distância entre os dois. Seus olhos a examinavam com intensidade contida, como quem tenta decifrar algo precioso, mas trincado.— Sei que você ficou com a casa…— Como soube?— Tenho olhos e ouvidos em toda parte.Luísa desviou o olhar, mas não recuou. — Não quero que volte para Japigia. Lá é muito perigoso.Suas mãos estavam frias, e ela as esfregava discretamente.— Eu sei me defender.— Não sabe de porra nenhuma — ele rebateu. — O seu ex e sua irmã podem continuar te atacando.Ela o encarou, e por alguns segundos, não houve som além do leve canto dos pássaros ao longe.Paolo ergueu a mão e afastou uma mecha de cabelo que escapava do coque improvisado dela. Seus dedos roçaram sua pele de leve.— Me deixa continua
A revelação feriu mais profundamente do que a traição de Marcos com a sua meia-irmã. Não conseguia digerir o fato de que aquele homem se aproveitou de sua inocência quando era mais jovem. A governanta entrou no cômodo, pigarreando discretamente, enquanto trazia a criança no colo. — Mamãe! — A voz infantil chamou. — Oi, meu anjo… — Tá chorando? — Não, é só um cisco que caiu nos meus olhos. Luísa levou a mão ao rosto e enxugou as lágrimas com a palma. Lançou um olhar carregado de desprezo na direção de Paolo, depois pegou o filho nos braços e saiu do ambiente. Ele não a seguiu. Julgou mais prudente permitir que o clima amainasse antes de retornar ao assunto que os havia dilacerado.❛ ━━━━・❪ ❁ ❫ ・━━━❜Uma hora depois, Luísa estava brincando com o filho no quarto. Estavam sentados sobre o carpete macio quando o toque insistente do celular interrompeu a leveza do momento. Ela se levantou, deixando o menino entretido com seu carrinho, e caminhou até a cômoda ao lado da cama. — Oi, Ca
— Sim — respondeu, por fim, a voz rouca, carregada de uma honestidade que ele não conseguia disfarçar. Voltando-se lentamente, encarou-a. Os olhos de Luísa buscavam os dele com avidez contida, como quem procura fragmentos de um passado esquecido. Paolo sustentou o olhar por alguns segundos, depois baixou os olhos, desviando para a mão dela, que ainda repousava sobre seu peito. Tocou-a com delicadeza e a afastou com gentileza, como se temesse quebrar algo frágil demais. — É melhor não tocar nesse assunto. — Não me recordo daquela noite — murmurou ela, apertando os lábios com leve angústia. — Mas algo dentro de mim reagiu quando te vi tocando e cantando aquela canção. É como se minha alma reconhecesse algo que minha mente ainda não alcança. Paolo arqueou ligeiramente as sobrancelhas. A sinceridade em sua voz mexia com ele. Passou a mão pelos cabelos escuros, num gesto involuntário de frustração. — Você se arrepende de ter passado a noite comigo há cinco anos? — Ela indagou. — Eu me
Com o passar dos dias, Luísa começava a aceitar a aproximação entre ela e Paolo. Por sua vez, o mafioso se sentia compelido a lhe revelar toda a verdade, mas a coragem o abandonava sempre que cogitava fazê-lo.Como se os entraves do processo de divórcio com Marcos já não fossem suficientemente exaustivos, Luísa demonstrava uma obstinação crescente em arrancar tudo o que pudesse do ex-marido e da meia-irmã. Tinha plena ciência de que não precisava daquilo, mas insistia em seguir adiante, movida por um desejo velado de se vingar por tudo o que fizeram com ela.Em certa manhã, Paolo adentrou a sala de música antes do horário habitual. Introduziu as mãos nos bolsos da calça de linho preta e, em silêncio, contemplou o piano à sua frente. Luísa não estava lá.Fazia muitos anos desde a última vez em que se permitiu tocar. Mas naquela ocasião, ele se sentiu impelido a se acomodar no banco e permitir que os dedos revisitassem as teclas, como velhos conhecidos reencontrando-se após uma longa au
— Posso voltar para o meu quarto?— Não, a partir de hoje, você vai dormir aqui. — Don Morano mandou sem admitir réplica. Incomodada, Luísa se deitou de costas para ele. Esperou até que Paolo cochilasse, mas ele saiu da cama e foi para a escrivaninha, onde se sentou na cadeira e começou a mexer no laptop. Sem opção, ela se enrolou nos lençóis até que as pálpebras pesaram.Ainda envolta pelo torpor do sono, Luísa piscou lentamente, sentindo a luz matinal beijar-lhe o rosto. A claridade invadiu suavemente o quarto através da imensa vidraça, sinal de que o dia mal havia começado. Seus olhos tentaram resistir por mais alguns segundos até que uma sombra inesperada bloqueou parcialmente a luz. Quando finalmente os abriu, deparou-se com a figura do homem nu que estava em pé, diante da janela, observando em silêncio a paisagem que cercava a propriedade.Ela esfregou os olhos com as costas das mãos, lutando contra a sonolência que ainda a dominava, tentando assimilar a cena diante de si. Paol
As mãos firmes afastaram os joelhos de Luísa, forçando-a a se abrir para ele. O olhar faminto percorria cada curva exposta, enquanto os lábios traçaram um caminho lento e pecaminoso por sua pele arrepiada. Ele espalhou beijos ao longo de sua coluna, enquanto os dedos ágeis exploravam o centro pulsante, deslizando pelo botão intumescido, pressionando-o, brincando com a umidade generosa que se acumulava ali. O corpo dela se arqueou, um gemido entrecortado escapando de seus lábios.— Molhadinha… — a voz grave veio carregada de desejo.A glande tocou sua entrada latejante e ele deslizou devagar, provocando-a, fazendo-a sentir cada centímetro se embrenhando em sua carne quente e receptiva. Recuava, deixando somente a ponta, para então se afundar novamente, mais fundo, mais intenso.Grunhiu contra os fios loiros, completamente tomado pelo tesão. Movia-se em círculos dentro dela, estimulando-a de todas as formas, fazendo-a estremecer a cada investida. A posse era completa, impiedosa, um jogo
A mão dele traçava o contorno de seu rosto com lentidão. Seus olhos buscavam a luz que vinha do corredor, como se pudesse encontrar um fio de lucidez. — Não! — Ele tentou resistir. Ao invés de se afastar, ele tomou o seu rosto por entre as mãos e roubou um beijo. Selvagem, quente e molhado. Ela quis recuar, empurrá-lo, gritar que o odiava, que aquilo era errado. Mas a boca de Paolo pressionava a sua com força. Os dedos dele escorregaram por sua cintura, buscando as coxas, e então, começou a puxar o tecido. Luísa mordeu os lábios de Paolo. Cravou as mãos no peito dele, tentando afastá-lo. Ele recuou, mas não perdeu o sorriso malicioso. Passou o dedo pelo próprio lábio, colhendo a gota de sangue que escorria. O olhar de Don Morano ardia de desejo. — Sempre consegui o que quis — falou ele, com um sorriso torto. — Mas você me obriga a lutar e isso me enlouquece — roçou a barba no pescoço dela, fazendo-a estremecer. — Por favor, não faça isso… não me machuque… Ele se afastou um pouco,
Apavorada, Luísa paralisou. — O que está fazendo no meu escritório? — Ele avançou, tocou em seus braços, levando-a para outro canto daquela sala. — Desculpe, só queria conhecer os cômodos da casa. Os olhos firmes e penetrantes se fixaram em Luísa. A desculpa esfarrapada não o convenceu. — Você já esteve no meu escritório outras vezes. — Ele apertou ainda mais os meus pulsos. — Por que voltou para fuxicar as minhas coisas? Os ombros de Luísa se contraíram. — Queria ver aquele documento que o senhor ia me entregar. Introduzindo os dedos nos cabelos, ele jogou os fios para trás. Por pouco, Luísa não encontrou o teste do exame de paternidade de Enzo. — Você mexeu na porra da minha mesa e quebrou o porta-retratos. — Desculpe, vou comprar outro. — Nunca mais mexa nas minhas coisas. — Revoltado, ele falou por entre os dentes apertados. O medo fazia o estômago de Luísa embrulhar. Queria fugir dali e encontrar algum lugar para se esconder. Nervosa, ela tomou coragem para se mover em
Quando anoiteceu, Luísa sentiu uma espécie de melancolia confortável naquele clima chuvoso. Ela se sentiu mais tranquila por saber que Paolo não estava em casa e que,, talvez, ele não retornaria naquela noite. A janela permaneceu aberta por tempo suficiente para o vento frio bater no rosto da mulher, levando-a a fechar a vidraça com um suspiro resignado. Luísa chegou mais perto do pequeno adormecido e ajeitou o cobertor sobre o filho, assegurando-se de que ele estivesse aquecido antes de sair dali em silêncio. Por volta das oito horas da noite, Luísa viu uma oportunidade para explorar aquela casa enorme. Os sapatos confortáveis roçaram levemente contra a madeira polida. A vastidão da mansão e o silêncio imprimiam um peso diferente daquele momento. No primeiro piso, ela se deparou com um longo corredor que já conhecia, sala de estar, saguão principal, sala de televisão, a sala de refeições e, por fim, a cozinha. Continuou a caminhar até o escritório onde esteve naquela tarde com D