Vittorio Moretti não era o mocinho dos contos de fadas. Ele não era gentil, muito menos alguém que oferecia carinho sem uma segunda intenção. Para Vittorio, as mulheres tinham um único propósito, e certamente não era o de conquistar seu coração. Criado para ser um soldado leal e implacável, Vittorio se tornou o caporegime mais temido da Cosa Nostra ao matar seu próprio pai, provando sua lealdade ao Don e consolidando seu poder. Seu nome passou a ser sussurrado com respeito e medo, e ninguém ousava desafiá-lo. Mas tudo muda quando, em um negócio perigoso, ele aceita a filha de um viciado como pagamento de uma dívida. Mia não era apenas a filha de um homem fraco — ela carregava um segredo que poderia abalar toda a máfia. Mia jamais imaginou ser arrastada para o mundo cruel de Vittorio, mas sua força e determinação logo mostram que ela não era apenas mais uma vítima. Tentando escapar de uma vida que não escolheu, ela descobre que, por trás da fachada impenetrável de Vittorio, há uma fera tão ferida quanto ela. Conforme os dois se aproximam, o desejo entre eles se torna uma força incontrolável, e Vittorio, acostumado a dominar, se vê perdendo o controle pela primeira vez. Enquanto os rivais dentro da máfia tentam usar Mia como uma arma contra ele, Vittorio precisará decidir se ceder ao sentimento por ela será sua maior fraqueza — ou sua única salvação. Entre segredos de família, traições e uma guerra iminente, será que Vittorio conseguirá manter seu poder? Ou será que Mia, com seu passado inesperado, acabará sendo a sua ruína?
Ler maisMIA— O senhor mencionou um diário? — Foi Vittorio quem quebrou o silêncio denso que nos envolvia. — Onde ele está?Meu pai soltou uma risada sarcástica e se virou para nós, os olhos sombreados por algo que eu ainda não conseguia decifrar.— Escondido — disse simplesmente, como se fosse óbvio.— Pai...— Foi nele que descobri tudo — ele continuou, a voz rouca de mágoa. — A verdade sobre você, sobre seu pai biológico... e sobre quem sua mãe realmente era. No início, me senti traído. Vivi anos ao lado de uma estranha. Uma mentirosa.Fechei as mãos em punhos
MIAAs mãos de Vittorio me mantinham de pé — firmes, seguras — como se ele soubesse que, sem elas, eu desabaria. Ele não segurava só meu corpo, mas também a avalanche de sentimentos que ameaçava me engolir quando meus olhos encontraram os dele… os olhos do meu pai.Eram sentimentos que vinham em cores.Vermelho. A raiva ainda viva e pulsante por tudo que ele me fez passar. Por ter me deixado com a máfia como se eu fosse uma peça de negociação.Azul. A tristeza densa de perceber que tantas das lembranças que eu guardava com carinho tinham sido construídas sobre mentiras.E roxo. A saudade profunda, sufocante, que apertava meu peito e me fazia querer correr, mesmo sem saber se para abraçá-lo ou para fugir de tudo aquilo.Mas então ele abriu os braços. E sussurrou, com a voz trêmula, mas cheia de amor:— Minha filha…Naquele instante, meus pés se moveram por conta própria. Meu coração se rasgou em mil partes e depois se reconstruiu, passo a passo, até que eu me aninhei em seu abraço.E f
MIALas Vegas se desvanecia no retrovisor, suas luzes vibrantes reduzindo-se a meros vestígios contra o horizonte dourado. Os arranha-céus imponentes agora não passavam de sombras distantes, engolidas pelo deserto infinito. Tudo o que restava era a estrada – longa, solitária, cortando a terra árida como uma cicatriz profunda.O sol castigava o asfalto, fazendo-o brilhar com ondas trêmulas de calor. De ambos os lados, cactos altos e esguios erguiam-se como sentinelas, suas flores avermelhadas desafiando a aridez. Arbustos secos, pedras avermelhadas e fragmentos de areia movidos pelo vento compunham a paisagem implacável, enquanto, ao longe, montanhas azuladas desenhavam silhuetas contra o céu sem nuvens.Desviei o olhar para Vittorio. Seu rosto era uma máscara de impassibilidade, mas o maxilar cerrado denunciava a tensão que lhe percorria os pensamentos. As mãos firmes no volante, os olhos fixos na estrada à frente. Um homem acostumado ao controle, mas cuja mente, agora, vagava por lug
MIADepois de nossa pequena diversão no banho, Vittorio cuidou de mim, lavando cada centímetro do meu corpo com uma paciência quase reverente. O banho, que deveria ser rápido, se estendeu além do esperado, porque, como sempre, o desejo nos arrastou de volta um para o outro. O toque de Vittorio era como gasolina, e eu era puro fogo — era inevitável nos consumirmos.Quando, por fim, nossos corpos cederam ao cansaço, ele me envolveu em uma toalha macia e me carregou para fora do banheiro, como se eu fosse algo precioso demais para tocar o chão frio. Suas mãos seguras me guiaram até a cama, onde me puxou para seus braços, envolvendo-me contra o calor de sua pele. Meu rosto encontrou repouso em seu peito nu, e por um instante, o mundo inteiro se resumiu ao som das batidas firmes do seu coração.— Você está bem? — Sua voz saiu baixa, rouca, carregada de algo que fez meu estômago se revirar.Apenas assenti, sem confiar na minha própria voz.Ele suspirou, e senti o peso do seu queixo se acomo
MIAÉramos uma confusão de nós.Caminhávamos aos tropeços até o banheiro, e, a cada passo, uma peça de roupa se desprendia do nosso corpo e caía no chão, esquecida, sem nenhuma delicadeza.Vittorio me guiava com mãos firmes contra minha pele nua, seus olhos negros percorrendo cada detalhe meu, como se quisesse me gravar em sua mente.Tatuar cada pedaço de mim na sua memória.Seus dedos capturaram uma mecha do meu cabelo e a enrolaram em seu indicador.— Eles me deixam louco, sabia? — Murmurou, levando a mecha escura até o nariz e inalando profundamente meu perfume.Soltei uma risada, e Vittorio ergueu as sobrancelhas escuras e perfeitas.— É só cabelo… como ele poderia te enlouquecer? — Provoquei, enquanto deslizava as pontas dos dedos pelo seu peito nu.Eu senti seu corpo estremecer sob meu toque, e aquilo me embriagou. Era quase inacreditável que eu, pequena diante da muralha de músculos à minha frente, pudesse deixá-lo assim. Trêmulo. Perdendo o controle.— Ah, meu amor… — As quatr
MIAAssim que Vittorio voltou de um longo dia reunido com Don Mauricio, fiquei esperando que ele fosse para o quarto. A curiosidade me corroía — eu precisava saber se ele havia descoberto algo sobre minha mãe e Greco. Além disso, queria falar sobre sua tia e o fato de ela ter conhecido minha mãe.Não bati na porta. Simplesmente entrei.Vittorio estava de costas para mim, desabotoando a camisa, os músculos bem definidos de suas costas se movendo com o gesto. Ele ergueu a cabeça ao me notar no reflexo do espelho e sorriu, malicioso.— Pensei que fosse me esperar tomar um banho antes — disse, virando-se para mim. — Mas, se está com pressa, podemos tomar juntos.Revirei os
VITTORIODurante toda a tarde, meus pensamentos giravam em torno de Mia e da revelação de que sua mãe havia sido casada com Greco. A verdade pesava sobre mim como um fardo impossível de ignorar. Isso mudava tudo. Mia não era apenas filha de um mafioso rival — ela era filha do Don.Ela estava no epicentro de uma guerra de poder, uma peça valiosa no tabuleiro da ‘Ndrangheta, mas também da Cosa Nostra. E Tomasio? Eu não tinha dúvidas de que ele desejava o trono do irmão. Era um segredo mal guardado que Greco estava muito doente. Mas e se não fosse uma doença comum? E se a mesma coisa que matou Miana estivesse matando Greco lentamente? Veneno?O pensamento me fez apertar os punhos, a raiva e a inquietação queimando sob
MIAO resto do dia foi um borrão.Vittorio passou horas resolvendo os assuntos dele. Pelo que entendi, a Yakuza — uma máfia japonesa — estava tentando expandir seu território, e Don Mauricio queria todos os capos à disposição. No entanto, antes de sair, Vittorio levou a fotografia da minha mãe, prometendo buscar respostas.Com isso, fiquei sozinha no meu quarto, espalhando as fotos sobre a cama, analisando cada detalhe, tentando enxergar a verdade escondida naquelas pequenas peças de um quebra-cabeça que eu nem sabia que existia. Meus olhos sempre voltavam para o rosto de Greco, procurando qualquer semelhança entre nós. As chances de eu ser filha dele eram enormes. E fazia sentido Tomasio querer me matar — eu era a herdeira de Greco. Se tivesse
MIAAssim que meus olhos pousaram nas fotografias espalhadas em minhas mãos, meu coração parou. O papel tremia entre meus dedos, e uma sensação sufocante tomou conta do meu peito.— O que… O que essas fotos significam? — minha voz saiu fraca, quase um sussurro. — Por que minha mãe está abraçada com essas pessoas?Lágrimas nublaram minha visão, borrando as imagens diante de mim. Antes que eu assimilasse o peso do que via, senti os braços de Vittorio ao meu redor, firmes, tentando me ancorar na realidade que ameaçava me engolir.— Mia, eu… — Ele parou, respirando fundo antes de erguer meu rosto com delicadeza, forçando-me a encará-lo. Seus olhos, intensos e carregados de um significado que eu ainda não conseguia processar, sustentaram os meus. — Acho que já podemos concluir que você é realmente uma de nós.Engoli em seco e voltei o olhar para as fotos, agora enxergando-as com uma clareza cruel.Numa delas, minha mãe estava abraçada a um homem. Seus dedos repousavam suavemente sobre o pe