Após um acidente que a deixou sem memória, Julia acorda em um hospital com o marido Otto ao seu lado, mas algo parece fora de lugar. Julia não se lembra de nada sobre sua vida, nem mesmo de Otto, o homem que diz ser seu marido. Em uma tentativa de reconstruir sua vida, ela começa a lidar com as lembranças fragmentadas que começam a emergir lentamente, e cada nova memória traz consigo uma mistura de sentimentos conflitantes. Otto, tentando manter a fachada de um marido dedicado, se dedica a cuidar dela, mas Julia sente que há algo estranho em sua presença. Ela começa a questionar a veracidade de sua relação, à medida que fragmentos de seu passado surgem com força. Memórias de uma vida antes do acidente começam a emergir, mas nenhuma delas parece completamente clara. Ela luta para entender o que aconteceu, o que é real e quem ela realmente é. Enquanto tenta recuperar as peças de sua identidade, Julia se vê cada vez mais dividida entre o que Otto lhe diz e as sensações que suas memórias despertam. À medida que as recordações do passado voltam à tona, um relacionamento que parecia sólido se torna incerto e cheio de dúvidas. Será que a verdade sobre o que aconteceu com ela é algo que está sendo escondido? Em meio à confusão emocional, Julia precisa aprender a confiar em si mesma e a navegar entre a dor da perda de memória e os sentimentos que começam a surgir com as lembranças que retornam. Mas a verdade está mais próxima do que ela imagina, e a recuperação de sua memória pode significar não apenas recuperar o que perdeu, mas também descobrir segredos que mudam tudo.
Leer másNa casa dos Green, o cenário era de extrema tristeza.Julia se largou no sofá e voltou a chorar. Grace sentou-se ao lado dela, colocando os pés da filha em seu colo. Nada foi dito. O silêncio era cortado apenas pelos soluços de Julia, até que ela foi vencida pelo cansaço.Grace não dormiu, tampouco saiu de perto da filha. Além de ser impossível pregar os olhos com a mente fervendo, ela aguardava o retorno da irmã. Não sabia como recebê-la, o que dizer ou o que esperar.Cansada de esperar, e com a luz da manhã começando a invadir a casa, Grace finalmente se levantou. Sentia-se impotente, sufocada pelo peso da dor, mas a única coisa que conseguiu fazer com convicção foi acender uma vela para Santa Maria, Mãe de Deus.Permaneceu ali, em silêncio, as mãos trêmulas entrelaçadas em oração. Implorava à santa que trouxesse conforto para sua filha, que aliviasse aquela dor sufocante. E, num desespero mudo, tentava barganhar com o divino—como se sua fé pudesse reverter o destino, como se houves
— Patrícia... Pelo que Otto contou, Julia vai precisar de ajuda — disse Grace, cabisbaixa após ouvir tudo.— Vai sim. E se quiser, posso te ajudar — respondeu Patrícia com gentileza.— Eu nem sei por onde começar...— Uma coisa de cada vez, Grace. Não precisa resolver tudo agora.Patrícia segurou a mão gelada de Grace e, nesse instante, ouviu sua barriga roncar.— Quando a Julia sair, vamos comer algo. Ela deve estar faminta... e você também — disse Patrícia com um sorriso.— Não precisa, não quero incomodar.— Imagina, não é incômodo nenhum.Apesar da noite difícil, a presença de Patrícia e Otto trazia uma sensação de leveza. Aos poucos, Grace foi se permitindo relaxar, e o peso que carregava parecia menos sufocante.Julia saiu da sala atordoada, completamente perdida nas imagens que se fixaram em sua mente. Estava exausta, o rosto ainda mais pálido, os olhos inchados de tanto chorar.Otto foi
Julia continuava nos braços de Otto quando a polícia chegou. Sentada no chão, imóvel, apoiava a cabeça no braço dele, que a envolvia como um escudo. O corpo tremia em meio aos soluços, mas ela não se movia.— A gente precisa sair daqui, Julia — Otto murmurou, a voz baixa, quase um sussurro.Ele esperou uma resposta. Nada. Não sabia como fazê-la levantar, como tirá-la dali. Então permaneceu ao lado dela, imóvel, sentindo o peso daquele silêncio.Matthew, afastado, conversava com os policiais. Pediu que avisassem seus pais e também os de Otto e Julia. Com a voz firme, relatou tudo o que haviam feito naquela noite. O policial ouvia atentamente, anotando cada detalhe.O som distante de sirenes rompeu o silêncio. Pouco depois, uma ambulância chegou, acompanhada por duas viaturas.Os profissionais conseguiram retirar Julia do local. Ela estava completamente inerte, muda, deixando-se conduzir sem resistência. Mas, mesmo assim, seus olhos só proc
— Rodei isso aqui tudo e nem sombra dela, Julia. Até eu tô ficando preocupado. — Matthew disse, olhando ao redor.— Ela não é de fazer isso... — Julia respondeu, a preocupação crescendo em sua voz.— Está ficando tarde, você precisa colocar gelo nesse pé. Vamos levar você para casa.— E a Lin? Eu não posso voltar para casa sem ela, minha tia vai surtar! — o desespero crescia em seu tom.Matthew e Otto não sabiam o que fazer. O parque estava esvaziando cada vez mais, e a garota sentada à frente deles precisava cuidar do pé machucado. No entanto, sua preocupação com a amiga só aumentava.— Se você aguenta andar, a gente pode dar mais uma volta, prestando mais atenção. O que acha? — perguntou Otto— Vamos fazer isso. — Julia respondeu, já tirando a bota do pé.— Agora, se a gente não encontrar ela, vamos todos para casa. Combinado?— Combinado.Julia estava determinada a encontrar a amiga. Toparia qualque
Era noite, e a brisa soprava suave, fazendo algumas folhas se desprenderem do chão. Não combinava nada com a animação dos jovens barulhentos que decidiram se encontrar no parque de diversões que tinha chegado à cidade.Uma turma com mais de dez jovens havia combinado de se divertir naquela noite de sábado.Chegaram cedo ao parque, e o grupo barulhento se divertiu ao máximo. Brincaram na maioria dos brinquedos, sentaram-se para comer hambúrgueres e bater papo.Durante toda a noite, Matthew não conseguia tirar os olhos de uma garota de óculos e cabelos longos. Ela o encantou de imediato.Ela ria alto, se expressava com facilidade, brincava com todos sem a menor vergonha. Transbordava animação, era gentil e parecia ser extremamente inteligente.Matthew a desejou no instante em que a viu.A garota animada avistou um carrinho de sorvete e correu até a fila, onde parte dos amigos estava. No meio do caminho, escorregou e caiu. Otto, que estava por perto, d
Otto sempre teve Matthew ao seu lado. Eles eram inseparáveis, não havia uma atividade que Otto não quisesse compartilhar com ele. Se fosse no parque, Matthew estava lá. Se tivesse algum novo hobby, era Matthew quem aprenderia com ele. Otto adorava dividir tudo com seu amigo. Para ele, a amizade era isso: a troca constante, a colaboração mútua, o fazer parte da vida do outro. — Você vai comigo, né, Matthew? — Otto perguntava com um sorriso, sempre esperando que o amigo estivesse ao seu lado para qualquer aventura.Matthew nunca hesitava. Ele sempre estava ali, seja para jogar futebol ou apenas para conversar sobre as coisas que vinham à cabeça dos dois. No entanto, enquanto Otto se sentia animado por ter um amigo tão presente, Matthew parecia mais calmo, talvez até um pouco distante em seus próprios pensamentos. Mas Otto nunca reparava nisso. Para ele, a amizade era natural, simples.Otto sempre foi o tipo de pessoa que queria incluir todo mundo nas suas i
Otto também vinha de uma família rica e influente, mas isso nunca foi motivo para agir como se fosse melhor do que alguém. Na verdade, ele tinha um jeito simples desde menino; a riqueza da família e o ambiente que o cercava não lhe enchiam os olhos.Otto sempre foi carinhoso, meigo, brincalhão, bom ouvinte, obediente, sincero. Sempre preferiu falar a verdade e arcar com as consequências de seus atos. Ele também era muito estudioso, se preocupava com o mundo e sempre nutriu o desejo de ajudar as pessoas.Isso era motivo de orgulho para seus pais.— Otto, querido, aproveite que você pode estudar por paixão, e não por necessidade. Não são todos que têm essa sorte — disse sua mãe, certa vez, quando ele ainda era pequeno.— Mas as pessoas não fazem o que gostam? — perguntou ele, com ingenuidade.— Infelizmente, não. A maioria estuda para conseguir um emprego, pagar as contas. Muitos nem têm a oportunidade de fazer uma faculdade.— Mas
Matthew Fisher sempre foi cercado pelo luxo. Sua família, uma das mais tradicionais e ricas da região, proporcionava-lhe tudo o que um garoto poderia desejar. Carruagens de prata, festas elegantes e uma mansão imponente foram apenas alguns dos privilégios que ele nunca precisou conquistar. Desde cedo, soubera que não precisava lutar por nada — tudo o que queria estava ao seu alcance, sempre servido em bandejas douradas. Contudo, havia um vazio, uma sensação de algo incompleto que ele nunca soubera como preencher.Esse vazio se tornava ainda mais agudo quando ele estava perto de Otto. Otto, com sua simplicidade desarmante, parecia ter tudo o que Matthew jamais teria — e de forma tão natural. Não eram as riquezas, nem os títulos, nem o poder que Otto possuía. Era algo mais profundo, algo que não podia ser comprado. Otto tinha uma confiança própria, um magnetismo sutil que atraía todos ao seu redor sem que ele sequer se desse conta disso. Ele era admirado por sua bondade genuí
Otto e Matthew brincavam juntos no campo da casa da família Fisher, um local vasto, rodeado por árvores antigas. Os risos dos meninos ecoavam pela área, se misturando com o som suave do vento nas folhas. Otto, com seu cabelo loiro desarrumado, era um garoto alegre, sempre com os olhos brilhando de curiosidade. Matthew, por sua vez, era mais introspectivo, mas sempre sabia como chamar a atenção de Otto com alguma piada ou história interessante.— Vamos ver quem consegue subir mais rápido naquela árvore? — propôs Matthew, apontando para a árvore mais alta do campo.Otto, com seu espírito competitivo e aventureiro, não hesitou.— Eu! — respondeu ele com um sorriso confiante.Os dois começaram a escalar a árvore, os galhos rangendo sob o peso dos meninos. Matthew, mais ágil, foi subindo com facilidade, mas Otto o seguiu de perto, sem desistir. Quando chegaram ao topo, ambos estavam ofegantes, mas o olhar de Otto era de pura satisfação.— Cons