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4 - O Milagre da Resistência

O primeiro a entrar em ação foi o doutor Cole, o neurocirurgião. Ele analisou a tomografia rapidamente antes de começar. A pressão intracraniana estava alta, um risco que não podia ser ignorado. Com movimentos firmes e precisos, realizou uma descompressão para aliviar a pressão, enquanto sua equipe o assistia com total atenção. O suor começava a aparecer em sua testa sob o brilho intenso das luzes cirúrgicas, mas Cole mantinha o foco.

— Certo, isso deve estabilizar. Vamos verificar mais alguma coisa. — murmurou para si mesmo, enquanto inspecionava a área com cuidado.

Após confirmar que não havia danos adicionais ao sistema nervoso central, Cole finalmente respirou aliviado. Ele se afastou da mesa cirúrgica e olhou para a doutora Martin, que já estava pronta para assumir a próxima etapa.

Doutora Martin entrou em ação com a precisão de uma artesã. As fraturas expostas eram graves, mas não intimidavam a experiente ortopedista. Ela começou reconstruindo as estruturas ósseas da perna, utilizando placas e parafusos com cuidado milimétrico.

— Isso vai segurar. Agora vamos para o braço. — comentou, enquanto ajustava suas ferramentas.

A articulação do braço estava gravemente danificada, mas Martin trabalhou com calma, reparando os ligamentos e fixando o osso quebrado. O tempo parecia correr contra eles, mas a sincronia da equipe fazia tudo fluir como uma máquina bem ajustada.

Horas se passaram, e finalmente o silêncio tomou conta da sala. Os dois cirurgiões se olharam, compartilhando um momento de alívio. Haviam conseguido estabilizar a paciente.

— Boa parceria, como sempre. — disse Cole, retirando as luvas.

— Sem dúvida. Agora, vamos respirar um pouco antes de encarar o caos lá fora. — respondeu Martin, com um sorriso cansado.

Depois de se limparem e registrarem os detalhes da cirurgia, eles deixaram o centro cirúrgico e retornaram ao setor de emergência. O que antes era um local relativamente tranquilo agora estava em completo alvoroço.

As macas ocupavam todos os cantos disponíveis, os sons de gemidos e instruções ecoavam pelo corredor. Enfermeiros corriam de um lado para o outro, tentando atender os outros envolvidos no acidente. Os cinco homens drogados e bêbados estavam sendo estabilizados, enquanto o motorista da ambulância organizava mais transferências de pacientes.

Cole cruzou os braços, observando o caos à sua frente.

— Bom, parece que nossa noite está longe de acabar. — comentou, com um misto de exaustão e determinação.

Martin olhou ao redor, respirando fundo.

— Bem-vindo ao plantão da tempestade, Cole.

Pérola, que teve a oportunidade de assistir à cirurgia, estava impressionada com tudo o que presenciara. Sua expressão de fascínio era inconfundível enquanto caminhava de volta para o setor de enfermagem.

— E aí? — perguntou Katy, a chefe dos enfermeiros, com um sorriso satisfeito no rosto, já sabendo exatamente o que Pérola responderia.

— Katy, eles são deuses! — exclamou Pérola, ainda maravilhada. — O jeito como trabalham juntos... Eles resolviam tudo de forma tão rápida e clara, como se já soubessem exatamente o que o outro estava pensando. A moça estava em um estado crítico, parecia impossível, mas eles conseguiram! São incríveis, de verdade.

Katy deu uma risadinha, balançando a cabeça.

— Eu te disse, não disse? Eles são os melhores. Mas agora, é a nossa vez. Você e eu, mocinha, vamos trabalhar juntas a noite inteira. E adivinha só? Você vai ficar de olho nela durante toda a noite.

— E os outros pacientes? — perguntou Pérola, ligeiramente preocupada com a carga de trabalho.

Katy suspirou, mas manteve o tom firme e profissional.

— Nossa prioridade é Julia. Descobrimos o nome dela enquanto estava em cirurgia. — Katy fez uma pausa e olhou nos olhos de Pérola. — Claro, você tem outros pacientes, mas ela é quem mais vai precisar de você agora. É uma sobrevivente, mas o estado dela ainda é muito delicado.

Pérola assentiu, absorvendo a responsabilidade que acabara de receber. Apesar de sentir o peso da missão, uma sensação de propósito tomou conta dela.

— Certo, Katy. Vou dar o meu melhor.

— Eu sei que vai. — respondeu Katy, sorrindo de forma encorajadora.

Katy e Pérola demonstravam uma dedicação impressionante. Apesar do fluxo intenso na emergência, conseguiam se dividir de maneira organizada para garantir que nenhum paciente ficasse desassistido e, especialmente, que Julia recebesse atenção redobrada.

O quarto de Julia foi estrategicamente posicionado em frente à pequena recepção onde os enfermeiros ficavam. Isso permitia que Katy e Pérola a monitorassem com facilidade. As persianas do quarto foram deixadas abertas, de modo que o monitor cardíaco e os sinais vitais de Julia estivessem sempre visíveis.

Mesmo com essa boa visibilidade, era comum encontrar um enfermeiro dentro do quarto, seja revisando prontuários, seja ajustando medicamentos ou simplesmente verificando a estabilidade dela. O cuidado com Julia era constante e meticuloso. Durante os dias seguintes, essa rotina se repetiu. Todos ali pareciam determinados a dar o melhor para a jovem que sobrevivera a um acidente tão grave.

Enquanto isso, no setor de triagem, o chefe da cirurgia, acompanhado dos doutores Cole e Martin, finalmente localizou o marido de Julia. Ele estava deitado em uma das macas, com o olhar perdido e a expressão de quem ainda processava os acontecimentos.

— Podemos falar com o senhor? — perguntou o chefe, aproximando-se com um tom calmo e profissional.

O homem ergueu o olhar lentamente, seus olhos marejados, revelando um cansaço profundo.

— Sim... Por favor, me digam como ela está. — respondeu, sua voz embargada pela preocupação.

— Sua esposa já está no quarto. — começou o chefe, com a voz firme, mas compassiva. — A cirurgia foi longa, e o quadro dela ainda é muito delicado.

O homem engoliu seco, suas mãos tremendo ligeiramente enquanto segurava o lençol da maca.

— Mas... ela vai ficar bem? — perguntou com hesitação, a voz embargada pelo medo da resposta.

O chefe fez uma pausa breve antes de continuar, olhando-o diretamente nos olhos.

— Apesar das dificuldades, a cirurgia foi um sucesso. Os danos mais graves foram tratados, mas a recuperação dela exigirá tempo e paciência. Ela está em boas mãos, e faremos tudo o que estiver ao nosso alcance.

O marido suspirou, como se um peso imenso fosse parcialmente retirado de seus ombros.

— Obrigado... obrigado por salvarem minha esposa.

Doutor Cole, que estava ao lado do chefe, interveio de forma prática:

— Vamos colocá-lo no quarto com ela. Assim poderá fazer companhia e ajudar nesse processo. A presença de alguém próximo pode fazer toda a diferença.

— Isso mesmo. — completou o chefe. — Ela ainda está sedada, mas será bom para ela saber que você está ao lado quando acordar.

O homem assentiu rapidamente, os olhos marejados, claramente emocionado pela oportunidade de estar ao lado de sua esposa nesse momento tão difícil.

— Eu só quero estar com ela. Obrigado, de verdade.

Cole fez um sinal para uma enfermeira, que imediatamente se aproximou para conduzir o marido ao quarto de Julia. Enquanto isso, o chefe e Martin trocaram olhares, cientes de que a recuperação da paciente seria longa, mas esperançosos de que o pior já havia passado.

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