Dizem que a felicidade de um casal acaba quando uma tragédia acontece na vida deles. Felicity Bianco não acreditava nisso até sua vida virar de cabeça para baixo por uma perda na qual a fazia sentir uma dor inimaginável. Aquelas palavras estavam certas. Mas isso queria dizer que deveriam abaixar a cabeça e deixar que aquela dor destruísse uma união tão bonita? Oliver Barbieri não concordava. Um casamento era para sempre: na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte os separe. Ele sempre acreditou nisso e a esposa também sempre acreditou nisso, mas de repente, estava apenas ele acreditando, e apenas ele tentando salvar aquele relacionamento no qual sonhava junto da amada em um “felizes para sempre”. Seria difícil, seria doloroso, mas ele faria o que fosse para ter aquela felicidade de volta em sua vida e na vida de sua amada.
Leer másUm Ano Depois — Vamos lá, Olívia, não seja preguiçosa. — Não fale assim da nossa irmãzinha. — Ela tem que ser instigada a andar. Os trigêmeos insistiam nisso desde que Olívia fez seus sete meses. A escola lhes tomava o tempo, mas era só tirar um tempinho, que lá estavam eles, tentando fazer a irmãzinha dar seu primeiro passinho. Mas era sempre a mesma coisa no fim do dia. Ela tentava, tentava, e caía de bumbum no chão, isso quando ela não emburrava e desistia, o que vinha acontecendo muito. Esse era o motivo de Samuel chamar a irmã de preguiçosa. Ela podia desistir, mas ele não. Pelo menos até ela ficar irritada, porque quando acontecia, seu pai aparecia e a pegava no colo, fazendo suas vontades. Sim, Samuel e Benjamin diziam que o pai fazia as vontades de Olívia e que por isso ela havia se tornado uma bebezinha preguiçosa. E manhosa também. Como ela era manhosa. Se tirasse qualquer coisa de suas mãozinhas, algo que gostava muito, ela abria o berreiro como se alguém estivesse lh
As crianças vibraram — sobre os olhos e sorrisos de sua mãe — após rasgarem o papel de presente e descobriram o que havia dentro da caixa — que teve de ser empurrada por Felicity até onde os filhos estavam — e quase que imediatamente os três insistiram para que o pai — que saia do banho — montasse o pula-pula. E ele o fez após o café-da-manhã, que naquele dia em especial havia sido a refeição mais curta do mundo que fizeram juntos. Oliver deixou o “brinquedo” no jardim, a uma distância na qual ele e a esposa poderiam observar; principalmente por ser três e um. Por quase vinte minutos, Felicity ficou encostada sobre o batente da porta que levava para o extenso jardim de sua casa, de olho em seus três filhos que se encontravam juntos dentro do pula-pula, pulando juntos em meio a risadas e brincadeiras; uma delas, a que mais preocupou aquela mamãe cuidadosa; dois pulavam enquanto que o outro se deitava, sendo impulsionado para o ar. Claro que ela gritou pedindo por cautela quando viu su
Era cedo, bem cedo quando Oliver despertou, já energizado, principalmente por seus pequenos e elétricos filhos terem adormecido mais cedo na noite anterior. Sim, todos eles. Por incrível que pareça, até a menorzinha, já com seus sete meses e meio havia adormecido mais cedo. Tomou um banho relaxante e bem refrescante, enxugando os cabelos com a toalha e deixando-a sobre a pia antes de deixar aquele cômodo apenas de boxer, e só porque era cedo demais e impossível um de seus filhos — ou mesmo os três — aparecerem em seu quarto. Quando seus olhos fitaram a esposa, percebeu que uma estava descoberta, deitada de costas contra o colchão, com uma das pernas levemente flexionada, o que lhe dava a possibilidade de ver tudo que tinha abaixo da saia daquela camisola extremamente curta em sua opinião; não que estivesse reclamando, claro. Uma das alças estava caída, então parte do seio direito estava a mostra, quanto que o outro, ainda que tampado, ficava pressionado contra o tecido daquela vestime
Felicity estava no hospital desde as quatro da manhã. Já havia andado por todo o quarto, comido um lanche e agora esperava deitada sobre aquela cama hospitalar. Não sentia dor alguma e a dilatação estava mínima ainda. A bolsa estourou, ela sentiu aquela água descer por suas pernas e mesmo assim, ainda não estava pronta para ter sua filha. Sua garotinha. Ela não esperava que fosse acontecer logo naquele dia. Ainda faltava mais ou menos uma semana. Estava preparada, claro, tinha tudo pronto, mas achou que levaria mais um ou dois dias para sua garotinha nascer. Ela queria muito que a bebê nascesse no dia do aniversário de seu marido. Sonhou muito com isso. E só faltava algumas horas para que esse dia chegasse, então ela não estava nervosa ou mesmo pedia para que nascesse de uma vez, principalmente quando não sentia dor alguma. Mas estava ansiosa. Isso ela não poderia negar. Esperou tanto pelo momento em que tivesse seu bebê em seus braços finalmente. Só queria que ela esperasse só mais u
— Que nojeira é essa? Felicity até tentou responder ao marido, mas como estava com a boca cheia, tudo que ele escutou foi “nham,nham,nham”. Ou quase isso. Ele franziu o cenho, mas o motivo não era pelas palavras que tentaram sair dos lábios da esposa, mas sim pela “coisa” que ela comia com a boca mais deliciosa do mundo. Seria normal se ela comece tudo aquilo separadamente, mas ela havia misturado a torrada com molho de tomate, pasta de amendoim e nuttela. Junto. E misturado. Muito misturado. O estômago dele chega deu uma reviravolta. — Hum. Entendi tudo. — Está uma delícia. — Querida, delícia, eu tenho certeza de que não está. Ela apenas de ombros, continuando a comer. — Seus desejos estavam normais até ontem. Ela havia comido tomate com sal, manga com açúcar, kiwi com chocolate derretido, bolo de cereja com nutella. Até aí, tudo muito normal para ele. E os desejos nunca vinham acontecendo de madrugada, mas á noite. Depois das dez. Até há dois dias atrás, quando ele se levan
Felicity se sentia preparada como não sentiu quando descobriu a gravidez. O que era natural. Estava com medo. Um medo que era normal quando já havia perdido um filho. Filha. Mas não era assim que se sentia mais. Não com todo o cuidado que recebia do marido. Era como se todo aquele sentimento ruim tivesse desaparecido. Se olhava no espelho quase todos os dias. Fitava a própria barriga, tocava com ambas as mãos, e já imaginava a si mesma com um barrigão. Sabia que ainda levaria mais algumas semanas para ter aquela barriga de grávida, mas se sentia ansiosa para a chegada daquele momento especial. Alguns diziam que era estranho, mas ela havia se acostumado na última gestação. Era incrível como uma barriga podia crescer tanto em um mês. Menos de um mês. Com Lívia havia sido bem devagar. E nem havia crescido tanto também. Sua barriga não tinha ficado um terço do que a barriga de Laura quando ela teve o Levi. E o dela também era apenas um bebê. Uma engordou muito mais que a outra. Aquele s
A cada dia que se passava, mais as crianças se sentiam “em casa”, e seus pais se alegravam por isso. Os três gostavam de ajudar Felicity na cozinha, ajudavam de ajudar Oliver na arrumação da casa — que era feito por partes, já que a casa era tão grande — e adoravam dar banho na cachorrinha da família. Estavam mais abertos com relação aos avós e tios, e finalmente concordaram com uma escola. Foi um tanto complicado fazê-los aceitar, mas Felicity, com seu jeitinho de sempre, conseguiu convencê-los; mas precisou de persuasão e algumas palavras para que acontecesse. Eles também já não se importavam em dormir em quartos separados há quase quatro noites, mas ambos os pais precisavam colocá-los para dormir e lhes dar um beijo de boa noite todas as noites; havia sido um pedido muito fofo dos pequeninos e o casal concordou prontamente; não fariam diferente, afinal de contas. Aquele era o primeiro dia que apenas um dos pais colocava os pequeninos na cama — e o último que eles dormiriam em quar
O relógio na parede de uma das crianças — no caso, Benjamin —, dizia que já passava das 23h, o que queria dizer que estavam naquele quarto a quase duas horas e meia. Havia levado um tempo para que as crianças adormecessem finalmente. E como haviam prometido, ficaram mais um pouquinho até que tivessem a certeza de que eles estavam em um sono tão profundo que nada os acordaria. Haviam se deitado no canto da cama após os três se deitarem e Felicity contou uma história, como os pequenos haviam pedido. A escolha havia sido “Peter Pan”. Eles adoravam histórias de contos de fada e de super-heróis. Até mesmo Pérola, ainda que os preferidos dela fosse os das princesas. Quando acharam que podiam deixá-los, ligaram ambos os abajures e antes de deixar o quarto — com a porta totalmente aberta como haviam prometido — desligaram a luz central, mesmo que ambos tivessem uma criança em seus braços. Oliver levou Pérola para o quarto da frente enquanto Felicity levava Samuel para o quarto ao lado, deix
A primeira coisa que os trigêmeos fizeram após abrir cada um dos presentes que havia ganho dos amigos de seus pais — que agora eram seus tios — e seus avós e tios — que mesmo sendo um tanto estranhos para eles por enquanto, eles haviam os adorado —, foi insistir para que os pais os deixassem se fantasiar. As fantasias haviam sido os presentes que mais haviam gostado, assim como Théo e Alexander — que haviam dado de presente a eles — haviam dito que aconteceria. Seus filhos e os filhos dos amigos também gostavam. Todo dia uma fantasia nova, isso quando não estavam na creche. Os pequeninos haviam se encantado com as escolhas de seus “tios”, o que fez Thomy brincar sobre não estar gostando nada do que estava acontecendo, temendo perder o posto de “melhor tio do mundo”. E suas palavras acabou causando risadas de todos. Felicity, com seu jeitinho calmo e meigo de sempre, conseguiu convencê-los a deixar para mais tarde. Explicou que os amigos deles não estavam fantasiados e que se fossem