Davina manteve sua personalidade calma por muito tempo, mas agora que sua irmã fugiu, deixando um namorado furioso, uma enorme dívida e sua família despedaçada, ela precisará ser tudo menos boa. Gutemberg Ramsey quer vingança. Timmy diz que está apaixonado. Aaron é um perseguidor possessivo. E existe o poeta misterioso, mas ele está tão aprofundado em seus próprias tramas, que não enxerga os próprios sentimentos. Todos eles querem a mesma garota, embora os motivos sejam diferentes. Um quer vingança. O segundo quer uma chance. O terceiro precisa dela. O último quer usá-la. Ela acha que os garotos vão quebrá-la, principalmente Gutemberg, mas talvez eles a salvem.
Leer másDAVINAO auditório está lotado, mas me sinto estranhamente só enquanto caminho pelo palco. O diploma em minhas mãos é um símbolo de tudo o que conquistei, mas também de tudo o que perdi. Seis meses atrás, eu nunca teria imaginado estar aqui sem meu pai na plateia. Minha mãe não veio. Ainda está no sítio de Vincent, levando uma vida tranquila ao lado de outras mulheres que, como ela, carregam cicatrizes. Sinto saudades, mas compreendo. Ainda assim, ver minha avó sentada na primeira fila me traz um pequeno alívio.Quando ergo os olhos, encontro os rostos que se tornaram minha nova família. Timmy, com seu ar protetor e seu sorriso torto, veste um terno azul profundo que reflete sua ousadia e estilo. Meia-noite, ou Huxley, como o chamo agora, carrega sua aura de mistério em um terno vinho, sóbrio e imponente. Gutemberg, o Fantasma, que já não é mais tão fantasma assim, está em um cinza chumbo, impecável como o menino rico que sempre foi. Vincent, encostado, displicente, mas atento a cada
DAVINAGutemberg tomou a frente, a voz carregada de autoridade e tensão.— Davina está certa. Se prenderem Jimmy, ele não vai perdoar o dia de hoje. Ele retaliará, e a cadeia não será impedimento. — declarou, os olhos faiscando de convicção.Sem hesitar, ele colocou uma pistola na minha mão, pressionando-me para seguir com o grupo.— Vá com eles, eu vou procurar por Jimmy — ordenou.Mas eu me recusei. Aaron gemeu, o som fraco e de dor fazendo meu coração apertar. Timmy se adiantou, encarando meu rosto.— Aaron precisa de um hospital.Fiquei dividida, meus olhos oscilando entre Gutemberg e Aaron, com a vida se esvaindo em cada respiração lenta. Então, num gesto de urgência, Gutemberg se aproximou e beijou meus lábios com paixão abrupta. —Aaron precisa de você agora. —ele sussurrou com intensidade.—Eu vou com Gutemberg. Tenho minhas próprias contas para acertar com Jimmy!— Pryia, com os punhos cerrados e o olhar perdido, declarou com voz carregada de raiva.Todos nós olhamos para el
DAVINA— Davina. — Aaron falou, o tom evidentemente preocupado.Antes que eu pudesse reagir, três homens avançaram. Dois deles agarraram Aaron, o empurrando contra a mesa enquanto ele lutava para se soltar. Um soco acertou sua costela, e ele gemeu de dor. Outro golpe, agora no rosto, e o sangue manchou seu queixo.— Parem! — gritei, tentando avançar, mas mãos fortes me seguraram. Eu chutei e me debati, mas foi inútil.O tio de Vincent me segurou com facilidade, seus dedos apertando meus braços como ferro.— Eu gosto do seu espírito. Mas agora… — Ele ergueu a mão.Um golpe forte atingiu minha nuca. O mundo girou.O último som que ouvi antes de perder a consciência foi a risada cruel daquele homem.Acordei com o cheiro metálico de sangue e um latejar cortante na cabeça. A dor na minha cabeça era insuportável, como se meu cérebro estivesse tentando se expandir dentro do crânio. O ambiente era sufocante, composto por móveis escuros e paredes cinzas, com uma parede cheia de monitores exibi
DAVINAEu respiro fundo, me preparando para o que vem a seguir, mas no último momento, uma voz inesperada invade o fone. Uma voz que me faz prender a respiração, a garganta apertando instantaneamente. É Vincent.— Davina... — Ele diz, e a suavidade de sua voz me choca. — Meu tio fugiu. Está sendo protegido por Jimmy.O ar parece congelar por um segundo. Eu não sei se entendi direito, mas o que ele acabou de dizer? O que significa isso?A tensão no carro se intensifica. Aaron solta um resmungo irritado, as palavras saindo de sua boca em um tom baixo, mas cheio de desprezo.— Italianos fodidos... — Ele murmura, os olhos fixos na tela à sua frente.Mas o tom da voz de Vincent muda. Algo em sua fala, em seu jeito de se comunicar, muda completamente. Ele fala diretamente comigo, e sua voz carrega uma advertência, uma preocupação que me faz calafrios subirem pela minha espinha.— Cuide-se, Davina. Baby, eu... — Ele diz, e a seriedade é palpável. — É bom que vocês, idiotas, protejam, minha g
DAVINAEu sinto os olhos em nós enquanto descemos as escadas, os passos de Gutemberg firmes ao meu lado, os nossos dedos entrelaçados com naturalidade. O calor da sua mão na minha me dá uma sensação de segurança, embora eu saiba que, por mais que o toque dele seja suave, o que está por vir não será fácil. Cada degrau que descemos ecoa dentro de mim, cada movimento meu parece mais pesado que o anterior. Mas o que me surpreende é a calma dele. Como se ele soubesse exatamente o que fazer. Como se, de alguma forma, ele já tivesse aceitado o risco e soubesse que a batalha que se aproxima não é mais sobre escolha. É sobre obrigação.Chegamos ao fim das escadas e, ao olhar para a sala, vejo todos esperando. Timmy, com a expressão cerrada e os punhos provavelmente apertados. Aaron, sempre com olhar de cálculo, examinando tudo com a frieza de quem já está pensando no próximo movimento. E Meia-noite, que observa todos com a autoridade de quem já viu e fez de tudo. Nada está fora de lugar, e, po
DAVINANós temos um plano.Eu repito isso mentalmente enquanto ajusto a calça jeans apertada, sentindo o tecido moldar minhas pernas com uma precisão quase incômoda. O peso da faca contra a minha pele dentro da bota me traz uma estranha sensação de segurança. Timmy me ensinou a usá-la, golpes curtos, certeiros, direto onde dói mais. Eu lembro de suas mãos segurando as minhas, do calor do seu corpo quando ele sussurrava que, no fim das contas, o elemento surpresa era a melhor arma de todas.Deslizo a pistola para dentro da cintura da calça. Meia-noite me ensinou a manejá-la, ensinou a não tremer na hora de puxar o gatilho. "Se hesitar, morre", ele sempre diz.O clique discreto da porta se abrindo me faz erguer os olhos para o espelho. Gutemberg entra no quarto sem pedir permissão, como se pertencesse a ele. E talvez pertença, não o quarto, mas o momento. Seu olhar percorre meu corpo de cima a baixo, e tem algo estranho ali. Não é desejo, não é desaprovação. É algo no meio, algo carrega
DAVINAEu estava prestes a explodir. De novo. Mas, sério, quem poderia me culpar? Eu tinha acabado de escapar das garras de um sociopata, minha cabeça ainda latejava com os resquícios da adrenalina, e agora Timmy estava ali, de braços cruzados, cara fechada e a expressão de quem não ia ceder um centímetro.— Davina, você não vai a lugar nenhum.Seu tom era calmo, firme, e irritantemente seguro de si. Meu sangue ferveu.— Timmy, querido, devo lembrar que sou uma mulher livre? Eu sinto que algo aconteceu com Vincent! Eu preciso ir atrás dele!Ele deu um passo à frente, como se achasse que aquilo ia me fazer mudar de ideia. O que era ridículo, porque eu sou um maldito furacão quando coloco algo na cabeça.— Você acabou de ser sequestrada, Davina! — ele retrucou. — Você tem noção do que acabamos de passar para te tirar de lá? Não vou deixar você sair correndo atrás do príncipe da máfia como se isso fosse um episódio de novela policial.Oh, ótimo. Agora ele queria me dar uma lição de moral.
DAVINAEu não podia mais ficar ali escondida, assistindo tudo o que acontecia. Não podia deixar meu homem ser destruído pelas palavras de Jimmy. Ele não merecia isso.Sem pensar duas vezes, me levantei, saindo de onde estava me escondendo. O som dos meus passos ecoou pelo corredor, quebrando o silêncio carregado de tensão entre pai e filho. Quero dizer, irmão e irmão.Gutemberg congelou imediatamente ao me ver. O choque tomou conta de seu rosto, como se ele tivesse visto um fantasma. Seus olhos se arregalaram, o pânico tomando conta de cada centímetro de seu corpo.— Davina? — ele sussurrou, a voz cheia de incredulidade, como se fosse impossível que eu estivesse ali, diante dele.Jimm
DAVINAEstiquei a mão na direção de Pryia, sentindo o peso da frustração me consumindo, mas tentando manter o controle. Eu não poderia deixar que a raiva ou o desespero tomassem conta agora. Esse momento era minha única chance.— Me dá a chave, Pryia — disse, tentando soar mais tranquila do que realmente me sentia. Minha voz estava forçada, mas eu tinha que tentar. — Acabe logo com isso e me liberte. Sou sua irmã.Pryia me olhou com os olhos vermelhos, seu rosto carregado de uma culpa evidente.— Não posso.— sussurrou, sua expressão era de arrependimento, mas não o suficiente para fazer ela ceder. Ela estava presa às promessas de Jimmy, presa em algo que eu não poderia fornecer. — Pryia...Ela suspirou, se afastando um pouco, como se tentasse se convencer. — Tudo vai ficar bem, Davina. Jimmy não vai te machucar. Ele prometeu. Ele só precisa que você fique quieta. Que espere um pouco mais.Eu me levantei, sentindo a dor da tensão no meu corpo, mas a determinação me impulsionava. Meus