2. O que Aconteceu Comigo?

Acordo de repente, sentindo todo o meu corpo doer. A escuridão ainda me cerca, e me pergunto se ainda é noite. O silêncio é pesado, cortado apenas por um “bip” irritante. Tento me levantar, mas a dor rapidamente me atinge, provocando um gemido involuntário.

Ao tentar mover o braço esquerdo, sou tomada por uma dor excruciante, acompanhada pelo peso desconfortável de algo que o imobiliza. Meu coração dispara, intensificando o “bip” que ecoa nos meus ouvidos. Então percebo: estou em um hospital.

Com esforço, levanto o braço direito. Lentamente, toco meu rosto, tentando entender por que tudo continua escuro se estou acordada. Meus dedos encontram curativos sobre os olhos, e o pânico me atinge, frio e alucinante.

Luto para me sentar na cama, ignorando a dor latejante. Meus dedos deslizam pelo lençol até o botão de chamada. Pressiono-o repetidamente, desesperada por respostas.

Depois do que parece uma eternidade, ouço passos apressados se aproximando. A porta do quarto se abre e alguém se aproxima da minha cama.

— Sra. Ashford? — Uma voz masculina, calma e controlada, quebra o silêncio. — Como está se sentindo?

— O que... o que aconteceu comigo… com meus olhos? — pergunto, sentindo minha voz falhar pelo medo. — Quem é você?

— Sra. Ashford, sou o Dr. Freeman. A senhora sofreu um acidente, caiu da escada — ele explica, fazendo uma pausa antes de continuar. — Houve lesões significativas em seu rosto e, devido ao trauma em sua cabeça, sua visão foi a parte mais afetada.

— Isso significa que eu… estou cega? — pergunto, com a voz embargada, enquanto o pânico toma conta de mim. — Não, eu não acredito em você! Sebastian… Cadê o meu marido?

— Por favor, tente se acalmar. A senhora não pode…

— Não, eu não estou cega! — interrompo-o, negando a cabeça freneticamente enquanto sinto as lágrimas arderem sob os curativos. — Chame o meu marido, ele precisa me tirar daqui!

O médico suspira e se retira do quarto. Após alguns minutos encolhida, ouço o som da porta se abrindo novamente e passos apressados se aproximando. Logo, sinto o toque inconfundível do meu marido em minha mão, e isso é o suficiente para me acalmar.

— Estou aqui, querida — Sebastian diz em um tom calmo, e imediatamente sinto meu corpo relaxar.

— Sebastian… — minha voz falha entre os soluços. — Não estou cega… Eu não posso estar…

— Shh, querida — ele murmura, apertando minha mão levemente. — Está tudo bem. Estou aqui.

— Sr. Morgan — o Dr. Freeman começa, impaciente, mas Sebastian o interrompe rapidamente.

— Dr. Freeman, me permita acalmá-la antes de iniciarmos aquela conversa — ele diz, acariciando meus dedos. Ouço um suspiro pesado, seguido pelo som da porta se abrindo e fechando novamente.

— Sebastian… Por que ele está dizendo isso? Estou… realmente cega? — pergunto, sentindo o desespero crescer. Ele aperta minha mão e meu peito aperta com a resposta que sei que está por vir. — O que aconteceu comigo?

— Querida, infelizmente, com a queda… — ele pausa, respirando profundamente. — Você ficou três dias desacordada, teve algumas fraturas pelo corpo e, infelizmente, um trauma na cabeça que resultou em danos no nervo óptico. — Seu aperto se torna mais firme quando continua: — Eles ainda não têm certeza sobre sua visão. Estão fazendo tudo o que podem para reverter isso, mas também me disseram para nos prepararmos para todas as possibilidades.

— Possibilidades? — As palavras escapam em meio aos soluços. — Eu não quero ficar no escuro para sempre… Se for assim, prefiro que Deus me leve… Não quero… não quero!

Antes que ele possa dizer mais alguma coisa, ouço passos leves e a porta se abre novamente.

— Com licença, Sr. Morgan — uma voz feminina suave interrompe. — Preciso administrar o medicamento que o Dr. Freeman solicitou para a Sra. Ashford.

— Claro — Sebastian responde, mas sua mão não larga a minha. Sinto a presença da enfermeira ao lado da cama, e ela toca meu braço.

— Isso vai ajudar a senhora a relaxar e descansar um pouco — a enfermeira diz gentilmente.

— Não quero dormir agora… — sussurro. — Não posso…

Sinto a agulha penetrando minha pele e, lentamente, meus olhos começam a pesar. A sonolência logo chega, e tudo o que posso fazer é me agarrar à mão de Sebastian enquanto o sono me consome.

[…]

“Sebastian Morgan”

Observo Evie e solto um suspiro aliviado, mal contendo o sorriso de satisfação que ameaça se formar ao vê-la finalmente adormecida. Agora, terei algumas horas de sossego antes de decidir o que fazer com ela, agora que acordou.

A enfermeira, tão frustrada pela interrupção quanto eu, me encara. Sinalizo para a porta e, assim que saímos, ela abre um sorriso malicioso.

— Quanto tempo o efeito do calmante vai durar? — pergunto em tom baixo.

— Três ou quatro horas.

Excelente. Isso será mais do que o suficiente. Não consigo evitar um sorriso satisfeito, mas antes que pudesse voltar ao que estava fazendo, meu celular vibra no bolso.

— Volte para o quarto onde estávamos — ordeno, olhando para o visor. — Preciso atender essa ligação antes de voltar a te foder, delícia.

Ela umedece os lábios, obviamente tentada, e se afasta rapidamente em direção ao quarto ao lado de onde Evie está. Afasto-me um pouco antes de atender o telefone.

— Sebastian… onde você está? — A voz sedutora soa do outro lado, me fazendo sorrir.

— Estou fazendo meu papel de marido perfeito, linda. O que houve? Já está com saudades? — provoco, ouvindo-a suspirar.

— Por que você continua aí? Você já não disse que conseguiu transferir tudo para você?

— Quase tudo, mas com Evie viva, vou precisar dar um jeito de fazê-la assinar aquele maldito documento — respondo, cerrando os punhos. — Enquanto isso, não posso simplesmente abandoná-la, ou aquele velho enxerido pode desconfiar. Prometo te encontrar amanhã, OK? Se comporte até lá, minha putinha.

— Estarei ansiosa pelos seus toques, Sebastian. Até amanhã!

Guardo o celular no bolso, sentindo a frustração se misturar à satisfação de finalmente colocar meu plano em ação. No entanto, Evie não deveria ter sobrevivido àquela queda. Agora, em vez de uma mulher morta e um império no bolso, ganhei uma mulher cega e incapacitada…

— Ah, querida esposa… — resmungo, seguindo em direção ao quarto onde a enfermeira me aguarda. — Por bem ou por mal, a Majestic será totalmente minha. Ou não me chamo Sebastian Morgan.

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