Angeline é uma jovem de beleza angelical, com cabelos cor de fogo e olhos que refletem a luz da inocência. Em um mundo onde vive para agradar os outros, sua vida é uma sequência de desejos alheios, sufocando seus próprios sonhos. No entanto, assim como Lúcifer, o anjo que caiu da graça, Angeline está prestes a descobrir que até os mais puros têm um lado obscuro. À medida que a pressão de ser perfeita se torna insuportável, uma figura demoníaca aparece em sua vida, oferecendo a ela a liberdade que tanto anseia. "ᴠᴏᴜ ᴛᴇ ǫᴜᴇʙʀᴀʀ ᴅᴇ ᴅᴇɴᴛʀᴏ ᴘᴀʀᴀ ғᴏʀᴀ, ᴠᴏᴄᴇ̂ ɪʀᴀ́ ɪᴍᴘʟᴏʀᴀʀ ᴀ ᴍᴏʀᴛᴇ, ᴘᴇᴅɪʀᴀ́ ᴘᴀʀᴀ ǫᴜᴇ ᴏ sᴇᴜ Dᴇᴜs ᴀᴄᴀʙᴇ ᴄᴏᴍ sᴇᴜ sᴏғʀɪᴍᴇɴᴛᴏ. Vᴏᴄᴇ̂ ᴇ́ ᴍɪɴʜᴀ, Aɴɢᴇʟɪɴᴇ! E ᴇᴜ sᴏᴜ ᴏ ᴜ́ɴɪᴄᴏ ǫᴜᴇ ᴅᴇᴠᴇ ᴀᴅᴏʀᴀʀ." Atraída por essa sedução sombria, Angeline se vê dividida entre o desejo de conformar-se e a necessidade de se libertar. À medida que Angeline se aprofunda em um mundo repleto de sombras e tentações, ela precisa confrontar sua verdadeira identidade. Em meio a essa batalha interna, deve decidir se se tornará um símbolo de resistência ou se será tragicamente consumida por sua própria queda. Esta é a história de uma jovem que, ao tentar encontrar sua própria voz, corre o risco de se perder no abismo entre o bem e o mal.
Leer másA casa estava silenciosa demais, o tipo de silêncio que parece ecoar em cada canto, se infiltrando nos meus pensamentos. Eu passei pela sala, onde as sombras da noite já começavam a tomar conta, e encontrei Isabella no sofá, com os olhos cansados e a expressão fechada. Ela estava tão quieta, tão distante. Eu sabia que ela estava processando tudo o que aconteceu, mas ainda assim me doía vê-la assim. Eu não sou a mãe dela, nunca fui, mas eu me importava, de um jeito complicado, confuso. Sentei ao lado dela, tentando não invadir seu espaço, mas sentindo a necessidade de me aproximar, de oferecer algum tipo de conforto. Ela me olhou por um instante, seus olhos grandes e tristes, e então desviou o olhar, focando na televisão desligada à sua frente. Eu não sabia como falar com ela. Como consolar uma criança que viu sua vida ser virada de cabeça para baixo, que perdeu a mãe de uma forma tão cruel. — Isabella... — minha voz soou suave, mas tremia um pouco, como se eu estivesse tentando enco
A sede estava fria, como sempre. O cheiro de cigarro misturado ao perfume forte de madeira antiga pairava no ar. Eu não me importava com isso. Estava concentrado em outra coisa, tentando bloquear o que acontecia fora daquele escritório. Angeline, Isabella, tudo o que envolvia minha casa... nada disso me tirava o foco do que realmente importava: a máfia. A família. Meu império. Os homens estavam em silêncio, observando-me atentamente, como se estivessem esperando algo de mim. Eu não dizia nada. Não precisava. O simples movimento de minhas mãos sobre a mesa já era o suficiente para que todos soubessem que, embora minha mente estivesse distante, eu ainda estava no controle. Aquela reunião estava longe de ser comum. Giovanni, estava à minha frente, me aguardando para dar a palavra. Os outros homens que faziam parte da reunião estavam em seus lugares, atentos a qualquer movimento meu. — Don... — Giovanni começou, sua voz firme, mas com um tom de respeito que não deixava espaço para ques
Estávamos na rua, a brisa fresca da manhã batendo contra nossos rostos enquanto caminhávamos pelas calçadas de pedra. Isabella, com sua energia de criança, corria à frente, saltitando de um lado para o outro, como se o peso do mundo não a alcançasse. Sofia estava ao meu lado, seu olhar distante, mas por um momento, senti que ela também precisava desse respiro, dessa fuga, tanto quanto eu. — Ela está se divertindo, não está? — Sofia comentou, observando Isabella brincar com as folhas secas que havia encontrado no caminho. Assenti, mas meu coração não conseguia se livrar da inquietação. Tudo parecia tão normal, tão simples, mas no fundo eu sabia que nada era simples. A casa ainda estava carregada com o peso da morte de Olivia, e a frieza de Matteo só piorava a situação. Eu não conseguia ignorar o que ele havia feito com Isabella. A maneira como ele a tratou. — Ela parece mais leve assim. — respondi, olhando para Isabella, mas minha mente estava longe. A imagem de Matteo, com seu olha
Eu me escondi na penumbra, no canto escuro da sala, onde a luz fraca do telefone iluminava apenas o suficiente para ver minha própria expressão calculista. O ambiente estava pesado, como se o ar tivesse se tornado mais denso, mais difícil de respirar. Tudo ao meu redor estava em silêncio, mas eu sabia que o que acontecia do outro lado da linha era tudo o que importava agora. Segurei o telefone com firmeza, a voz baixa e grave do outro lado da linha chegando com clareza, mas carregada de mistério. Eu já estava acostumado com aquela voz, sempre oculta, sempre sem rosto. O que importava era o que estava sendo dito, e o que ainda não havia sido dito. — Eu sei o que estou fazendo. — Minha voz soou fria e segura, como sempre. — Angeline... Tenho certeza de que ela trairá Matteo. Não há como negar isso. O comportamento dela mudou, a maneira como ela se afasta de tudo e todos. Do outro lado da linha, uma pausa. A respiração ficou mais pesada, mas não havia respostas imediatas, apenas o sil
Eu fiquei ali, na escuridão do quarto de Isabella, ouvindo sua respiração suave e calma, tentando encontrar alguma paz no meio do caos que ainda estava acontecendo fora daquela porta. O peso da situação era inegável, mas naquele momento, o que eu mais queria era poder afastar todo o sofrimento que Isabella carregava. Ela não merecia essa dor, não merecia ser levada para esse mundo sombrio tão cedo. Ela dormia tranquilamente ao meu lado, completamente alheia ao que estava acontecendo. Isabella era só uma criança. Ela não tinha culpa de nada disso. Mas a maneira como Matteo havia conduzido tudo… aquilo me deixava sem ar. Ele não sabia, ou não queria, ser o pai que ela precisava. Ele nunca saberá, ou talvez nunca tivesse a capacidade. Eu me perguntava se ele realmente se importava com ela ou se ela era apenas mais uma responsabilidade para ele, mais uma parte do jogo que ele tinha que jogar. Eu sabia que Matteo era um homem complicado. Eu sabia que ele não sabia como lidar com os senti
Eu o olhei em silêncio, absorvendo cada palavra que ele havia dito. Havia algo diferente na maneira como Matteo falava sobre seu pai, sobre o que ele havia se tornado por causa daquele homem. Algo que eu nunca havia percebido antes. E, ao mesmo tempo, algo que me fazia entender melhor a dura realidade que ele enfrentava. Eu queria sentir raiva, queria gritar, queria dizer que ele ainda podia mudar. Mas, no fundo, eu sabia que ele estava certo. O homem que ele se tornou não era alguém fácil de amar, alguém fácil de entender. Ele era produto de um sistema que o havia moldado, e eu estava começando a ver como isso o destruía aos poucos. Ele era uma vítima, mas também um algoz. E, talvez, esse fosse o pior tipo de prisão: a que ele mesmo havia criado. — Então, é isso? — minha voz saiu mais fraca do que eu queria, mas não havia força para gritar. — Você vai continuar com isso? Com essa... frieza, Matteo? Vai continuar afastando as pessoas ao seu redor? Vai continuar me tratando como um o
A sala estava tranquila, a luz suave entrando pelas grandes janelas. O som do relógio no canto parecia mais alto do que o normal, como se o tempo estivesse se arrastando lentamente, me lembrando da tensão que pairava no ar. Eu não conseguia tirar o que aconteceu do meu pensamento. O tapa de Matteo ainda ecoava na minha mente, e o impacto não havia sido apenas físico. A raiva dele, a frieza... eu sabia que ele estava quebrado, mas isso não justificava o que fez. Não justificava a dor que ele causava, a dor que ele ainda estava causando em Isabella, e talvez até em mim. Sofia entrou na sala com uma expressão séria, seus olhos examinando-me como se tentasse perceber a raiz de minha angústia. Eu sabia que ela via mais do que apenas a superfície, e naquele momento, precisava de alguém com quem falar. Alguém que não fosse Matteo. Ela sentou-se ao meu lado, sem dizer uma palavra, mas a presença dela era reconfortante. Sofia sempre teve uma maneira de ser silenciosa e observadora, e parecia
Eu a conduzi até o jardim, onde o silêncio parecia mais suportável, e nos sentamos em um banco, perto de algumas flores. Isabella estava quieta, com os olhos baixos, o peso de algo que ela ainda não conseguia entender claramente estampado no rosto. Eu sentia que ela precisava falar, mas também sabia que as palavras dela viriam do fundo de um coração pequeno, tentando entender a imensidão do que estava acontecendo. Depois de alguns minutos, ela finalmente quebrou o silêncio. — Angeline... eu… eu queria pedir desculpa. — Sua voz era tímida, quase um sussurro. Ela olhou para mim com os olhos cheios de um medo que me fez apertar o peito. — Desculpa? — Perguntei, suavemente, sem saber onde ela queria chegar. Ela mordeu o lábio, olhando para as mãos, como se tentasse encontrar coragem. — Eu… eu falei que você me empurrou. Mas não foi assim, né? Eu menti. — Sua voz tremia, como se a confusão e a culpa estivessem amarradas nela. Eu a olhei, o coração apertado. Isabella era apenas uma cr
Eu estava sozinho, envolto por um silêncio que nada suavizava. Naquela tarde, o crepúsculo invadia as janelas da mansão sem oferecer qualquer conforto. Isabella se aproximou com cautela, os olhos curiosos denunciando uma dor que ela mal compreendia. — Papai, por que tudo está tão diferente? — perguntou, a voz trêmula mas esperando uma resposta que eu não sabia expressar com afeto. Eu a encarei sem mudanças na expressão, ciente de que precisava transmitir a verdade, ainda que minhas palavras soassem desprovidas de ternura. — Isabella, sua mãe não vai voltar. — declarei, de forma direta e fria, como se estivesse apenas afirmando um fato inalterável. Houve um silêncio breve enquanto eu observava a confusão se misturar à dor em seus olhos. Eu sabia que aquilo causaria sofrimento, mas não possuía o dom de amenizá-lo com palavras acolhedoras. Em vez disso, continuei com a mesma frieza controlada: — A ausência dela é permanente. Sei que é difícil compreender, mas é a realidade. Mesmo qu