— Pedro - ao ouvir seu nome pronunciado calmamente por aquele que conhecia por toda sua vida, Pedro sente seus olhos encherem de água, ele teria que aceitar a verdade, sua avó se fora e ele não estava ao seu lado.
— Entendo. - Fala finalmente dando um leve e triste sorriso.
— Não sei ao certo quando ela faleceu ou se realmente faleceu, a única coisa que sei é que em meio a toda essa loucura foi ela me deixou em um convento com essa carta. - Ísis se sentiu na obrigação de compartilhar com aquele jovem a sua frente o que sabia, ela estende a mão para Heitor que devolve a carta para ela. - Acredito que ela deva fica com você. - finaliza entregando a carta para Pedro, que com uma leve reverência agradece.
— Bom, é melhor irmos, logo anoitecerá e acredito que a princesa não esteja preparada para uma noite fria no deserto.
— E não seria bom para reputação da princesa pernoitar sozinha em meio ao deserto com 5 cavaleiros. - Fala o homem mascarado.
— Antes de irmos, não me recordo de ter se apresentado cavaleiro. - Heitor questiona ao homem mascarado.
— Ninguém importante. - O homem responde indo em direção ao pássaro em que chegou, este estava pousado a poucos metros. - Pedro irei à frente verificando se é seguro. - sobe no pássaro, saindo logo em seguida.
— Vamos?
— Tudo bem, mas antes preciso fazer uma coisa – Artur fala indo em direção a Ísis, então a surpreendendo a abraça como um amigo abraça o outro depois de muitos anos sem se encontrar.
Uma coisa Ísis não podia negar, se sentiu segura por alguns instantes naquele abraço, uma segurança que nunca havia experimentado em sua vida, mas com tal sensação também veio o desconforto, por diversos motivos: primeiro ela queria se iludir, se sentir protegida quando, na verdade, não estava, afinal já havia se acostumado a viver sozinha. Segundo ainda não estava convencida de tudo aquilo que lhe falaram e não queria iludir alguém que parecia tão feliz com a possibilidade dela ser essa pessoa pela qual ele procura, e ele sofreria mais por sua causa. E terceiro, algo no seu interior gritava perigo, mas ela sabia que tipo de perigo, ou quem era o causador de tal sensação.
Decidida colocar um fim em toda aquela situação, Ísis empurra Artur delicadamente, o que no primeiro momento não causa efeito, visto que ele a aperta mais em seus braços e afunda o rosto em meus cabelos.
— Senhor Castro me solta, por favor – Ísis pede com calma.
— Por favor, não me chame assim – Artur sussurra em seu ouvido, ele a esperou por muitos anos, poucos sabem o quão difícil foi para ele se casar com Marli Garcia.
— Por favor, me solta, senhor. – Ísis pede o empurrando novamente, dessa vez ele cedeu – peço que o senhor não me trate como se me conhecesse, eu posso não saber como vim parar aqui ou o que está acontecendo. Contudo, acredito que não seja correto o que acaba de fazer, não somos da mesma família, nem casados para o senhor me tocar de forma íntima e ao fazer isso em público minha honra pode ser manchada. – Ísis ciente que os cavaleiros a sua frente estavam convictos dela se tratar a princesa desaparecida, não insistiria no oposto, ela precisava de tempo não apenas para assimilar tudo aquila, mas também para encontrar uma forma de voltar para casa.
— Ela está certa General, não é correto abraçar em público uma dama, ainda mais ela não sendo de sua linhagem sanguínea – Heitor concorda com Ísis.
— Tudo bem, estão certos… me desculpe alteza – Artur fala em tom formal fazendo uma leve reverência, sendo seguido pelos outros dois, Ísis não conseguiu disfarçar o desconforto com a situação, apenas retribuindo a reverência.
— O tempo está fechando, e o sol já cairá, como já foi apontado – Pedro fala apontando para o pássaro que nos sobrevoava, o que pegou Ísis de surpresa, pois não vira quando o homem mascarado voltara. - não é bem-vista uma dama pernoitar com cinco homens.
— Sim, estamos perto do castelo, se nos apressarmos podemos chegar lá no meio da noite.
— Mas estamos sem carruagem, como levaremos a princesa? - Uriah fala chamando atenção de Ísis, pois a mesma se encontrava observando atentamente o voo do pássaro sobre suas cabeças.
— Trouxe um cavalo a mais conosco, espero que saiba cavalgar princesa – Fala Pedro mostrando um lindo cavalo negro devidamente selado.
— Sei, senhor Pedro – Ísis responde ja se direcionando ao cavalo, apesar de não conhecer aqueles cavaleiros, ela acreditava que se fossem fazer algum mal a ela ja teriam feito, e ficar no meio do nada não é uma boa opção. Contudo, ela estrava mais o fato de se sentir segura e tranquila em saber que o homem misterioso estava por perto. - E aí, garotão, vai ser bonzinho comigo?
— Parece que ele gostou de vossa alteza – Artur fala se aproximando de Ísis novamente.
— Parece que sim
— Então aprendestes a montar no convento?
— Não, aprendi a alguns anos com uns colegas da faculdade, sempre achei lindo, então quando estava na faculdade conheci um colega cujo pai tinha uma fazenda no interior do estado, passei a frequentar o lugar em todas as férias. - A dama teve que segurar a risada ao observar a expressão do cavaleiro a sua frente, pois, ele parecia em conflito, enquanto parecia um namorado enciumado, sua expressão estava confusa, como se não entendesse o que ela falara.
— Quer ajuda para montar?
— Não precisa – Fala montando o animal rapidamente com toda elegância que lhe fora ensinada.
— Pelo que me parece vossa alteza foi bem-ensinada, tem a postura de uma verdadeira princesa. – Pedro comenta montando em seu cavalo – Vamos nos apressar, temos um longo caminho.
— ARTUR – Uriah grita, chamando atenção de todos.
“A alma não tem segredo que o comportamento não revele.”Lao-Tsé— ARTUR – Uriah grita, chamando atenção de todos.— O que foi agora?— Tem certeza que ela pode cavalgar vestida assim?— Sei que minhas roupas não são apropriadas, mas não temos outra opção no momento, ou por ventura o senhor teria um vestido em sua posse para me trocar? - Com uma coragem que jamais imaginara ter, Ísis responde ao Uriah.— Como ousa falar assim com um homem? – Heitor fala, mas apesar de suas palavras pesadas, seu tom era calmo, ele a estava testando, queria saber como ela reagiria e o que responderia e Ísis sabia disso. — Com a autoridade de uma princesa, mais precisamente da princesa das terras onde o Duque se encontra – antes que Ísis tivesse tempo de responder, Uriah responde ao Duque – Me desculpe alteza – se desculpa se curvando, Ísis apenas retribui com uma leve reverência.— Todos prontos, então vamos antes que a noiteça. – Fala o Homem Mascarado. Artur segue a frente do grupo, seguido por Uriah
— General Castro, General Garcia. – Um dos soldados os cumprimenta assim que se aproxima, logo depois se vira para o Duque ao qual faz uma leve reverência, mostrando respeito aristocrata. – Estávamos a espera de vossas excelências, Duque Gonçalves, sua prima já se encontra no castelo. – Fala se dirigindo ao Duque, este apenas acena em concordância. O soldado, que até então não havia direcionado o olhar aqueles que se encontravam mais atrás, finalmente os nota. Sua atenção ficou demasiado tempo sobre a Dama ali presente, afinal apesar de todos os esforços de não permitir que qualquer parte de seu corpo ficasse exposta, um sobretudo era consideravelmente justo, o que demarcava bem suas curvas. Um pigarro chama atenção do soldado, afinal ele encarava constrangedoramente cada curva de Ísis, o que incomodou aos cavaleiros ali. O soldado, assim como os demais, direciona seu olhar para o autor do pigarro, recebendo o olhar ameaçador de Enzo, sua postura muda completamente, podia se dizer qu
— Pedro, não brinca com esse coração velho… não me diga – A Imperatriz fala, observando Ísis atentamente, com um leve sinal de Enzo, Ísis entende que esse é o momento de se apresentar. Delicadamente Ísis solta a mão de Enzo, e lentamente retira o capuz do sobretudo, somente agora revelando seu rosto, sem graça e com receio que seu sobretudo abra, a tornando o personagem principal de uma cena constrangedora, ela se curva perante o casal.— Chamo-me Ísis Duarte, e sinto-me honrada de estar na presença de Vossas majestades. - O cumprimento perfeito surpreendeu não somente quem observava, mas a própria Ísis, que não fazia ideia de onde aprendera. — É você mesmo? Minha princesa voltou para casa… Olha Antony, nosso bebê cresceu… - Anna fala para o marido, se aproxima lentamente da jovem, faz menção de tocá-la, porém, a mesma se afasta, não permitindo o toque. Uma névoa de tristeza passou pelo olhar da Imperatriz, mas logo a postura séria retornou, mas tal lapso não passou despercebido por
— Quem é ela? - questiona encarando a jovem.— Ninguém sabe ao certo. - Pedro responde novamente. - Alguns a chamam de fada, outros de bruxa.— Como assim? Por que ninguém faz nada? Tem uma estranha parada no meio do jardim. - Ísis questiona perplexa.— Não sabemos se ela está realmente aqui. - Enzo falar. - Aparentemente somente nós estamos vendo ela, o que pelo que sei não significa boa coisa.— Não significa boa coisa? Como sabe, se segundo vocês, ninguém sabe quem ela é?— “Era uma bela Dama, os cabelos de cor exótica, uma mistura do mais dourado do ouro com o mel mais puro já extraído das abelhas mais raras, sua pele tão branca como a neve. Suas vestes, uma união da realeza com a simplicidade camponesa, contudo nada é mais marcante que seu olhar penetrante, mas jamais esqueça a presença de tal Dama pode ou não ser um mau presságio.” - Pedro responde - Essa é apenas uma das muitas histórias em torno da Bela Dama misteriosa.Ísis nada comentou com os cavaleiros, mas um dos motivos
De joelhos, com um dos braços imobilizados, e com o joelho de Ísis a forçando para baixo, estava Maria, uma das bruxas mais temidas do reino. Ao notar a expressão de espanto nos rostos dos Generais ali presentes e principalmente do Imperador, um sorriso maléfico é esboçado no rosto da bruxa.— Quem é você e o que fez com a tia imperial? – Pergunta Uriah, o que causou um certo estranhamento por parte de Ísis, afinal nunca imaginou que Uriah poderia ser um membro da família real. Então o corpo da mulher abaixo de Ísis treme com a gargalhada emitida pela Bruxa. — É incrível o seu poder Princesa Duarte, estou infiltrada nesse castelo há quase 15 anos e ninguém notou, mas bastou um olhar seu e meu disfarce foi descoberto, e olha que nem chegaste a conhecer sua mãe, é realmente admirável… - a Bruxa fala ainda com um sorriso maléfico no rosto. Não era possível para Ísis ver o rosto da mulher, mas conseguia identificar maldade em sua voz.— Quem é você e o que fez a imperatriz? - Ísis pergun
— Por isso trouxe Ísis de volta logo que descobri que a Imperatriz Anna fora morta. - afirma Karen encarando todos no salão. - O reino precisa de uma imperatriz, levem-na para a prisão imperial. - Karen ordena aos soldados que ali apenas observava a cena, porém esse são impedidos por Ísis.— Disseste que ela não estava mais ali, - fala apontando para janela onde Enzo se encontra – disseste que ninguém deseja ver tal dama, algo me diz que sabe quem é ela?— Ah! Claro que sei, todos os seres que possuem alguma importância – a bruxa fala com certo orgulho em sua voz. - sabe. — De que dama falam? E quem pode ser mais importante que o Imperador? - Antony, mesmo ainda em choque com a notícia da morte de sua esposa, questiona a bruxa.— Seu nome é Sinis, não se sabe exatamente o que ela é, muito menos a dimensão de seus poderes, apenas que cruzar seu caminho pode ser desastroso. - A bruxa responde calmamente, mas Ísis sentia que essa calma era somente por fora, no fundo, ela parecia em pâni
“As Aparências Enganam? Não elas apenas tentam ti induzir a um novo '‘conto de farsas’'!”Jess Nesta— Quem pensas que é para dar ordens a princesa? Majestade, viste como esse mero soldado trata a princesa? E como ele tramou para a fuga da assassina da imperatriz?— General Castro, peço que se contenhas, sei que toda essa situação é um tanto quanto inusitada, mas temos que nos manter calmos. - Karen tenta apaziguar a situação.— Majestade, imagino que também precisas descansar um pouco? Por que não conversamos todos amanhã? - Pedro então se pronuncia pela primeira vez, então sem pronunciar uma palavra sequer o imperador sai do grande salão acompanhado de alguns soldados.— Sua Majestade amava muito a Imperatriz, descobrir que conviveu durante tantos anos ao lado de uma impostora, e que sua amada, na verdade, está morta foi um grande choque para ele. - Karen fala olhando para porta por onde o imperador havia saído. - Muitas coisas aconteceram hoje, e todos temos dúvidas, mas como Pedro
— Entendo, não tenho nenhum pedido especial, mas eu poderia comer em outro lugar? Não estou acostumada a comer no mesmo ambiente em que durmo. - Ísis explica calmamente, então Elena olha para janela e depois encara a princesa.— Acredito que esteja na hora do jantar de Vossas Majestades, eles devem estar reunidos no grande salão. - Responde calmamente. - Tudo bem para Vossa Alteza se juntar a eles?— Claro. - Ísis concorda, de certa forma estranhando o fato de tal proposta não ter sido realizada no início.Ambas seguem pelo caminho pelo qual vieram, ao descerem as escadas encontram com a senhora Karen acompanhada de uma bela dama, elas realizam uma leve reverência a princesa. O grupo segue silenciosamente para o salão guiados por Elena que andava um pouco mais a frente, mas para abruptamente levando Ísis a esbarrar nela levemente, mas antes que algo fosse falado, vozes exaltadas são ouvidas. Ísis se aproxima da porta onde Elena havia parado, no salão uma Senhora e sua Majestade discut