Todos os capítulos do Entre a honra e desejo - Saga irmãos Monteiro de Alcântara : Capítulo 1 - Capítulo 10
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01. Os Monteiro de Alcântara
Os Monteiro de Alcântara não eram apenas uma família — eram uma instituição. Dos salões elegantes do Rio de Janeiro aos campos dourados das fazendas de café no Vale do Paraíba, o nome Monteiro de Alcântara inspirava respeito, temor e, em muitos casos, inveja. Donos de vastas terras, aliados a políticos influentes e com raízes profundas no ciclo do café, a fortuna da família não era apenas antiga — era quase indestrutível. Joaquim Monteiro de Alcântara, o patriarca, fizera questão de reforçar isso em cada aspecto de sua vida. Rígido, inabalável e com uma visão clara do dever, ele carregava nas costas o peso do nome que herdara e que, um dia, passaria para seu primogênito. Não havia espaço para fraquezas, e certamente não havia espaço para escândalos. Era por isso que, naquela tarde abafada de janeiro, a Fazenda Boa Esperança estava em alvoroço. O salão principal, com suas paredes adornadas por tapeçarias europeias, ecoava com o som abafado de criados em movimento, preparando-se p
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02. O estranho do jardim
O calor da tarde pairava sobre a Fazenda Boa Esperança, denso e preguiçoso. Mesmo com as amplas janelas abertas, o ar morno se espalhava pelos corredores de mármore polido. Do lado de fora, os campos de café ondulavam sob o sol dourado, estendendo-se até onde os olhos alcançavam — um lembrete constante da riqueza dos Monteiro de Alcântara. No entanto, dentro da casa grande, nem mesmo a grandiosidade das tapeçarias importava para Cecília naquele momento. Sentada à penteadeira do quarto, ela encarava seu próprio reflexo, o coração batendo mais rápido do que deveria. As criadas trabalhavam a seu redor, ajeitando os últimos detalhes do penteado e do vestido de linho em um delicado tom de lavanda. Por fora, tudo parecia perfeito — mas dentro dela, uma inquietação crescia. Hoje, ela conheceria o homem que, segundo a vontade do pai, seria seu marido. "Eduardo Vieira de Sá." O nome ecoava em sua mente como um destino já traçado. — Está linda, senhorita Cecília — elogiou uma das cria
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03. Prometida do irmão
Maximiliano Vieira de Sá não acreditava em coincidências. Mas ali estava ele, recostado preguiçosamente contra a parede do salão principal da Fazenda Boa Esperança, observando a jovem que, minutos antes, quase desabara em seus braços — a mesma jovem que, agora, sorria delicadamente para seu irmão mais novo. Cecília. Ah, bela Cecília! O nome combinava perfeitamente com ela: suave, inocente… e irritantemente tentadora. Max deslizou a língua pelo canto da boca, ainda sentindo um vestígio do perfume floral que a envolvera quando seus corpos se tocaram. Jasmim, talvez. Ou algo ainda mais doce. O suficiente para provocar um homem acostumado a prazeres mais carnais — e nada inocentes. O decote do vestido lilás subia e descia sutilmente enquanto ela respirava, e ele não pôde deixar de notar a curva generosa dos seios empinados. Pequena, mas perfeitamente moldada. Feita para ser tocada. E, céus, ele tinha tocado. — O que está pensando, Max? — A voz de Eduardo interrompeu seu deva
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04. Um bom partido
O sol quente e intenso espalhava em tons dourados sobre a Fazenda Boa Esperança, iluminando os vastos cafezais que se estendiam até onde a vista alcançava. Cecília caminhava lentamente pelo jardim, com o braço delicadamente entrelaçado ao de Eduardo Vieira de Sá. Era um momento cuidadosamente arquitetado por sua mãe, Constança, que acreditava que a proximidade traria um laço mais firme entre eles. E Cecília, como a boa filha que sempre fora, estava disposta a tentar. — A fazenda de sua família é realmente impressionante — comentou Eduardo, sua voz firme e controlada. — Meu pai sempre falava com admiração do seu patriarca. Cecília sorriu de maneira polida. Eduardo era um homem atraente, com traços bem definidos e modos irrepreensíveis. Havia algo reconfortante em sua presença, uma estabilidade que qualquer jovem em idade de casamento deveria desejar. — Meu pai é um homem de princípios — disse ela, ajustando a saia do vestido azul-claro, cujos detalhes delicados ressaltavam sua fe
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05. O almoço
— Espero que esteja confortável entre nós, senhor Eduardo Vieira de Sá — a voz de Constança rompeu o breve momento de tensão, com a doçura calculada que usava ao avaliar qualquer possível aliado. — Mais do que confortável, senhora — Eduardo respondeu com cortesia impecável. — É uma honra partilhar a mesa com uma família de tamanha importância para nossa província. Vicente assentiu em aprovação. O primogênito Monteiro de Alcântara raramente sorria, mas parecia satisfeito com a resposta. — A importância vem do trabalho árduo — disse ele, ajustando a manga do paletó. — Meu pai sempre defendeu que os verdadeiros pilares de uma nação são a ordem e o dever. — Mais um discurso sobre ordem e progresso — murmurou Álvaro, o tom preguiçoso carregado de deboche. — Quem diria que o Império caiu há mais de uma década e ainda estamos discutindo isso. Vicente lançou-lhe um olhar duro. — Apenas aqueles que não se importam com o futuro da nação ignoram os rumos da República, irmão. — E aq
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06. Volta dos irmãos
Após o longo e cerimonioso almoço, a família Monteiro de Alcântara reuniu-se no pátio coberto para se despedir dos irmãos Vieira de Sá. Era um momento formal, mas os sorrisos cordiais e os murmúrios educados não disfarçavam a tensão que pairava no ar – ao menos para Cecília. — Foi um prazer recebê-los — disse Constança, com sua habitual elegância. Seus olhos escuros pousaram em Eduardo com aprovação. — Esperamos vê-los novamente em breve. — O prazer foi nosso, senhora Monteiro de Alcântara — Eduardo respondeu com um leve sorriso, inclinando-se em um gesto respeitoso. Maximiliano, ao lado do irmão, manteve-se em silêncio, mas seu olhar vagava sutilmente até Cecília, como se aguardasse uma última oportunidade de provocá-la. Cecília tentou ignorar o desconforto que lhe apertava o estômago. Desde o breve encontro no jardim, cada vez que cruzava os olhos com Max, sentia-se inquieta. É Eduardo quem importa, lembrou a si mesma. Vicente, sempre correto, dirigiu-se ao mais velho dos irmão
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07. Alguém que a faça perder o fôlego
Por um instante, o som dos cavalos avançando pela estrada de terra foi a única coisa que se ouviu. Eduardo manteve o rosto impassível, mas seus dedos apertaram as rédeas com um pouco mais de força antes de responder: — Eu acho que posso ser esse alguém. Creio que causei uma boa impressão. A convicção em sua voz fez Max erguer uma sobrancelha, surpreso e levemente divertido. — Ah, irmão… Sempre tão confiante. — Sua risada soou baixa e cheia de sarcasmo. — Talvez ela tenha ficado encantada com sua postura impecável e seu discurso sobre investimentos no Vale do Paraíba. — Não subestime minha capacidade de impressionar uma mulher, Max — Eduardo rebateu, a paciência se esgotando. — Nem todas são atraídas por fanfarrões sem rumo. Max inclinou a cabeça em uma falsa reverência. — Touche, meu querido irmão. Mas aqui vai um conselho: se quer conquistar uma mulher como Cecília, precisará de muito mais do que boas maneiras e conversas sobre política e administração. — E você se julg
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08. O tempo não espera
Os dias que se seguiram à visita dos Vieira de Sá trouxeram consigo uma mistura inquietante de expectativa e reflexão para Cecília Monteiro de Alcântara. Embora tentasse concentrar-se em suas obrigações domésticas e nos preparativos para o futuro, sua mente frequentemente vagava para aquele encontro marcante — e, em especial, para os dois irmãos que, de maneiras tão distintas, haviam atravessado seu caminho. Eduardo era, sem dúvida, o noivo ideal aos olhos da sociedade. Seu comportamento era exemplar, e após seu primeiro encontro o nobre rapaz passara a lhe enviar correspondências. As suas cartas, embora formais, demonstravam um interesse genuíno em conhecê-la melhor. Cecília se esforçava para retribuir com palavras igualmente polidas e cuidadosas, ainda que, em seu íntimo, sentisse que algo lhe escapava — um certo calor, uma centelha que fizesse seu coração disparar. Maximiliano, por outro lado… Pensar nele era um exercício perigoso, e Cecília se censurava toda vez que a memóri
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09. Amélia e Helena
A manhã na Fazenda Boa Esperança dos Monteiro de Alcântara começava antes mesmo do sol alcançar o céu em tons dourados. O aroma do café recém-passado se espalhava pela casa, enquanto os empregados já se movimentavam pelos corredores de madeira escura, preparando o dia para a ilustre família. No salão principal, Cecília e suas irmãs compartilhavam o desjejum sob a supervisão atenta de Constança, que, como sempre, mantinha a postura ereta e o semblante sereno. Mesmo entre paredes cobertas por tapeçarias francesas e porcelanas importadas, a mãe fazia questão de lembrar a todas as filhas da importância de seu comportamento. — As mulheres de nossa posição devem ser exemplos de graça e discrição — dizia ela, mexendo delicadamente o chá com a colher de prata. — Lembrem-se disso. Sempre. — Claro, mamãe — Helena respondeu, com a voz polida, mas com os olhos baixos, escondendo o leve sorriso de quem já tinha seus próprios planos. Amélia, por outro lado, revirou os olhos de forma quase imper
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10. Um verdadeiro libertino
A luz dourada do entardecer tingia as ruas da cidade com um brilho quente e decadente. Para Maximiliano Vieira de Sá, aquilo era apenas o prenúncio de mais uma noite de excessos – e ele pretendia aproveitá-la em todos os sentidos. No salão reservado do Clube do Progresso, um reduto exclusivo para homens ricos e poderosos, o som das risadas roucas se misturava ao tilintar de taças de cristal. O ambiente cheirava a tabaco caro, conhaque envelhecido e promessas ilícitas. Um lugar perfeito para um homem como Max. Recostado em uma poltrona de couro, ele observava a movimentação com aquele seu sorriso ladino e confiante. Era um homem que chamava atenção sem precisar se esforçar para isso. O cabelo castanho levemente desalinhado, o maxilar firme sempre coberto por uma sombra de barba, e os olhos castanhos-escuros que pareciam brilhar com um convite silencioso para o pecado. — Você perdeu, Max. — Antônio, seu primo e cúmplice de muitas aventuras, jogou as cartas sobre a mesa, revelando
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