03. Prometida do irmão

Maximiliano Vieira de Sá não acreditava em coincidências.

Mas ali estava ele, recostado preguiçosamente contra a parede do salão principal da Fazenda Boa Esperança, observando a jovem que, minutos antes, quase desabara em seus braços — a mesma jovem que, agora, sorria delicadamente para seu irmão mais novo.

Cecília. Ah, bela Cecília!

O nome combinava perfeitamente com ela: suave, inocente… e irritantemente tentadora.

Max deslizou a língua pelo canto da boca, ainda sentindo um vestígio do perfume floral que a envolvera quando seus corpos se tocaram. Jasmim, talvez. Ou algo ainda mais doce. O suficiente para provocar um homem acostumado a prazeres mais carnais — e nada inocentes.

O decote do vestido lilás subia e descia sutilmente enquanto ela respirava, e ele não pôde deixar de notar a curva generosa dos seios empinados. Pequena, mas perfeitamente moldada. Feita para ser tocada.

E, céus, ele tinha tocado.

— O que está pensando, Max? — A voz de Eduardo interrompeu seu devaneio.

Max se afastou da parede com um sorriso lento, treinado ao longo de anos de despreocupação. Olhou para o irmão — sempre tão impecável em seu papel de herdeiro ideal — e, em seguida, voltou os olhos para Cecília.

— Estava pensando que você, meu caro, tem muita sorte — murmurou, a voz carregada daquele tom rouco que deixava as mulheres inquietas.

O olhar de Eduardo era sério, sem um traço de humor. Claro que seria. Desde crianças, Max sabia que eles não poderiam ser mais diferentes. Onde Eduardo via dever e responsabilidade, ele via oportunidade para se divertir.

— Cecília é… encantadora, não acha? — O irmão ajeitou os punhos da camisa, sem perceber o olhar predatório que Max ainda mantinha sobre a jovem.

— Encantadora — repetiu Max, deixando a palavra pairar no ar. E tentadora, em todos os sentidos errados.

Foi então que Cecília, talvez sentindo o peso do olhar dele, ergueu os olhos. Por um instante, o mundo pareceu se aquietar.

Ela ficou imóvel, as bochechas ganhando um tom rosado sob sua atenção intensa. Ótimo, pensou Max, satisfeito com a reação. Havia algo fascinante em observar uma mulher como ela ruborizar — ainda mais quando ele sabia exatamente o que tinha causado aquilo.

Ela baixou os olhos depressa, como se quisesse apagar o momento. Mas ele já a tinha marcado em sua memória.

E aquilo era um problema.

— Ela está nervosa — comentou Eduardo, como se precisasse explicar a hesitação dela. — É natural, considerando as circunstâncias.

— Claro — respondeu Max, com um sorriso que não tinha nada de inocente. — Afinal, você é um homem formidável.

Eduardo não percebeu o sarcasmo, mas Cecília notou. Ele percebeu pela forma como os lábios dela se comprimiram levemente, como se estivesse tentando decidir se o odiava ou se estava apenas intrigada.

Talvez os dois.

— Não estrague isso, Max — o irmão advertiu, baixinho.

— Quando foi que eu já te causei problemas? — provocou, mas Eduardo apenas lançou-lhe um olhar de advertência antes de seguir em direção ao pai de Cecília.

Max suspirou. Claro que seria assim. Eduardo sempre tão correto. Sempre fazendo o que se esperava dele. E, por alguma razão, sempre recebendo as melhores coisas.

Inclusive, agora, Cecília.

Ele devia se afastar. Era o que qualquer homem decente faria.

Mas Maximiliano Vieira de Sá não era um homem decente.

***

Cecília tentava, em vão, ignorar a presença de Maximiliano.

Enquanto o Sr. Monteiro de Alcântara falava animadamente com Eduardo sobre terras e negócios, ela se sentia sufocada. Não pelo noivo em potencial — que era tudo o que qualquer moça de boa família desejaria —, mas pelo olhar constante e queimando em sua pele, vindo do outro lado do salão.

Dele.

Ela não deveria se lembrar do toque de suas mãos em sua cintura. Não deveria imaginar como seria se aproximar mais. E, certamente, não deveria se perguntar como um homem podia ser tão descaradamente ousado com um simples olhar.

— Senhorita Cecília? — A voz de Eduardo a trouxe de volta à realidade.

Ela piscou, tentando se concentrar no homem à sua frente.

— Sim?

— Gostaria de caminhar pelos jardins? — Ele ofereceu o braço com polidez.

Antes que ela pudesse responder, uma voz mais grave e muito mais familiar soou atrás dela:

— Cuidado, Cecília. O calor lá fora pode ser… perigoso.

Aquela voz.

Ela se virou devagar, encontrando Maximiliano a poucos passos de distância, os olhos castanho-escuros brilhando de diversão. Ele parecia relaxado, mas havia algo deliberado na forma como seu olhar percorria o corpo dela — como se já tivesse imaginado exatamente o que faria se a tivesse a sós.

Eduardo franziu o cenho, incomodado.

— Acho que ela pode lidar com um pouco de calor, Max.

— É claro que pode — respondeu Max, com um sorriso enviesado. — Mas não custa nada ser cuidadoso. Algumas flores… são delicadas.

Cecília sentiu o sangue ferver em suas veias — uma mistura de indignação e algo muito mais perigoso.

— Eu não sou uma flor frágil — disse, antes de pensar melhor.

O sorriso dele se alargou, como se ela acabasse de lhe oferecer um desafio.

— Não? — murmurou, inclinando-se ligeiramente na direção dela. — Que interessante…

Eduardo pigarreou, visivelmente tenso.

— Talvez devêssemos ir, Cecília.

Ela assentiu, pegando o braço do homem ao qual estava prometida, mas, antes de se afastar, ouviu Max murmurar suavemente:

— Até logo, florzinha.

O coração dela deu um salto traidor no peito.

E, pela primeira vez, Cecília teve certeza de uma coisa.

Estar prometida a Eduardo era o menor dos seus problemas.

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