06. Volta dos irmãos

Após o longo e cerimonioso almoço, a família Monteiro de Alcântara reuniu-se no pátio coberto para se despedir dos irmãos Vieira de Sá. Era um momento formal, mas os sorrisos cordiais e os murmúrios educados não disfarçavam a tensão que pairava no ar – ao menos para Cecília.

— Foi um prazer recebê-los — disse Constança, com sua habitual elegância. Seus olhos escuros pousaram em Eduardo com aprovação. — Esperamos vê-los novamente em breve.

— O prazer foi nosso, senhora Monteiro de Alcântara — Eduardo respondeu com um leve sorriso, inclinando-se em um gesto respeitoso.

Maximiliano, ao lado do irmão, manteve-se em silêncio, mas seu olhar vagava sutilmente até Cecília, como se aguardasse uma última oportunidade de provocá-la.

Cecília tentou ignorar o desconforto que lhe apertava o estômago. Desde o breve encontro no jardim, cada vez que cruzava os olhos com Max, sentia-se inquieta. É Eduardo quem importa, lembrou a si mesma.

Vicente, sempre correto, dirigiu-se ao mais velho dos irmãos:

— Espero que tenha encontrado nossa propriedade satisfatória, senhor Vieira de Sá.

— Com certeza, senhor Monteiro de Alcântara. — Eduardo fez um aceno discreto. — Foi uma honra conhecer sua família.

— Certamente. — Vicente estendeu a mão, firme e cordial. — Estou certo de que teremos muitas conversas produtivas no futuro.

Atrás deles, Álvaro deu um meio sorriso preguiçoso, claramente entediado com a formalidade do momento, Cecília também notou que Max permanecia impassível, as mãos cruzadas atrás das costas em uma postura deliberadamente relaxada.

Quando Eduardo voltou sua atenção para ela, Cecília sorriu com delicadeza, forçando-se a ignorar a presença do irmão mais novo.

— Foi um prazer conhecê-la, senhorita Cecília. Um grande prazer! — ele disse, com um calor discreto no tom.

— O prazer foi meu — respondeu, com uma leve inclinação de cabeça. — Espero que sua viagem de volta seja tranquila.

— Creio que será — Eduardo respondeu, e por um instante, ela viu algo suave e genuíno em seu olhar.

Era o suficiente, deveria ser o suficiente.

Quando Max finalmente se despediu, seu sorriso ladeado por uma expressão que mesclava charme e desafio, Cecília sentiu o rosto aquecer.

— Até breve, senhorita Monteiro de Alcântara — disse ele, as palavras escorrendo com aquela audácia fácil. — Tenho a sensação de que ainda nos veremos muitas vezes.

Apenas quando os cavalos partiram, levando os irmãos Vieira de Sá para longe, Cecília soltou o ar que nem percebera estar prendendo.

***

Na estrada para a Fazenda dos Vieira de Sá Maximiliano guiava seu cavalo com a habilidade despreocupada de alguém que nascera sobre uma sela, o corpo relaxado apesar do calor sufocante da tarde. A paisagem ao redor, com seus campos verdes e extensas plantações, passava quase despercebida enquanto sua mente se fixava em um único ponto: Cecília Monteiro de Alcântara.

— Não vai dizer nada? — A voz de Eduardo quebrou o silêncio.

Max arqueou uma sobrancelha, fingindo desinteresse.

— Sobre o quê?

— Sobre Cecília — respondeu Eduardo, sem desviar os olhos da trilha à frente. — Achei que você teria uma opinião.

— Ah, então você quer a minha opinião. — Max riu baixinho, o som carregado de sarcasmo. — E o que exatamente deseja ouvir? Que ela é uma dama adorável, bem-educada e perfeitamente adequada para um homem de sua estatura?

Eduardo lançou-lhe um olhar de advertência.

— Não brinque com isso, Max. Estou falando sério.

Max girou as rédeas do cavalo com leveza, seu sorriso diminuindo um pouco.

— Tudo bem. — Suspirou, como se lhe custasse admitir. — Ela é bonita. Tem aquele tipo de delicadeza que agrada os homens que gostam de donzelas inocentes.

— E você não gosta? — Eduardo perguntou, com uma nota de curiosidade na voz.

Max se inclinou um pouco na sela, rindo com deboche.

— Eu gosto de mulheres que sabem o que querem, irmão. E Cecília Monteiro de Alcântara… — Ele pausou, deixando as palavras pairarem no ar quente — …ela ainda não descobriu isso.

Eduardo não respondeu imediatamente. O silêncio se estendeu entre eles por um momento, até que ele falou em um tom mais baixo:

— Eu gosto dela.

Max parou o cavalo abruptamente, virando-se para encarar o irmão mais velho.

— Não me diga que já está apaixonado.

— Claro que não — Eduardo rebateu, irritado. — Mas eu a considero adequada. Seria um bom casamento para nossas famílias.

Max o observou por um instante, algo sombrio passando por seu olhar. Eduardo sempre fora o homem perfeito – o herdeiro ideal, o filho em quem seu pai depositava todas as expectativas. E, como sempre, Max era a sombra que ficava para trás.

— Você quer a verdade? — perguntou, em um tom mais áspero do que pretendia.

— Quero.

— Então aqui está: Cecília merece mais do que uma aliança de conveniência. E, francamente, eu não acho que você seja capaz de dar a ela o que realmente precisa.

Eduardo puxou as rédeas, seu rosto endurecendo.

— E o que, segundo você, ela precisa?

Max sorriu – um sorriso lento, preguiçoso e repleto de insinuações.

— Alguém que a faça perder o fôlego.

E, por Deus, ele sabia que poderia ser esse homem.

Se não fosse pelo fato de que ela estava prometida ao seu irmão.

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