Capítulo 36

— Ayla! Sai desse quarto agora! — A voz atravessou a porta, impaciente, insistente.

Afundei mais no travesseiro, meu corpo afogando na exaustão da noite anterior. Meu cérebro ainda estava preso em um sonho do qual eu já não me lembrava.

A luz do dia já vazava pela janela, irritante, invasiva.

— Ayla!

Grunhi, puxando o cobertor sobre a cabeça.

Que inferno.

Por que todo mundo tinha essa obsessão de me arrancar da única coisa que me dava paz?

Minha paciência se esgotou.

— Se for pra falar merda, dá meia-volta! — Minha voz abafada pelo travesseiro.

Ouvi um suspiro do outro lado da porta.

— Você não pode passar o dia inteiro trancada aí!

Posso sim. E eu vou.

Mas, claro, ninguém nunca me deixava em paz.

— Ângela… — resmunguei — Se você não me deixar dormir, eu juro que vou te assombrar quando morrer.

Ela bufou, impaciente, e eu quase pude visualizar seus olhos revirando no maior deboche.

Não demorou um segundo sequer para que a porta fosse escancarada.

O colchão afundou quando e
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