Collin Morris [Cinco meses antes]
Ando de um lado para o outro na entrada do hotel, estou pouco habituado com essa sensação de agitação me consumindo, não gosto de pessoas e muito menos de ficar em ambientes cheios, mas o meu trabalho, exige que eu fique me deslocando e viajando para lugares agitados como esse. Faz pouco tempo que cheguei a ilha de São Tiago, no arquipélago do Cabo verde. A Morris enterprise architecture, tem um novo projeto, a construção de um hotel a beira mar, o lugar é alegre, muito visitado por turistas e principalmente é lucrativo, tem tudo para dar certo esse negócio. O hotel que foi escolhido por mim para ficar, é de um dos meus sócios e sinceramente foi uma óptima escolha, ele é uma mistura interessante entre o rústico e o elegante. Sua entrada é iluminada por tochas acesas, um caminho de pedras vermelhas reveste a entrada até a porta principal do hotel. A vista a volta do hotel, é magnífica, mas nada substitui a deusa de ébano a minha frente, ela parece um anjo, concentrada nas luzes vermelhas das tochas. Seu rosto é eliminado pelas chamas incandescentes na entrada. Seu vestido balança no mesmo ritmo que as ondas do mar, ela é simplesmente estonteante. — Vai entrar ou quer passar esta maravilhosa noite aqui fora? — murmuro com um sorriso galante só para tentar chamar a atenção da deusa de ébano. Ela se vira para mim, olhando simplesmente o meu corpo de cima para baixo com descaramento. Ela não esconde sua satisfação ao me ver diante dela, ela não falou nada ainda, ainda está me estudando e comendo com os olhos. Começo a ficar desconfortável com seu descaramento. Eu sou um homem lindo, isso é algo irrefutável, mas ela me olhando e estudando desse jeito, deixa-me sem graça e constrangido. Não que eu me oponha a isso, mas é um pouco constrangedor, sem contar que ela é simplesmente a mulher mais linda que eu já na vida, apesar da pouco idade, ela claramente é maior de idade. Seu corpo é magro e esguio, seus seios são pequenos e firmes, eles se destacam na final camada de seu vestido. Ela tem um corpo tão perfeito que parece uma m*****a sereia, é impossível não ficar enfeitiçado por ela. Ela é tentadora e o mistério por trás de sua voz, torna as coisas mais interessantes ainda. Eu quero que ela fale alguma coisa, para que eu possa imaginar seus gemidos em meu ouvido, gritando e chamando por mim. — Estou a ver que és uma mulher de poucas palavras — falo com um esforço sobrehumana, para tentar deixar a minha voz mais firme que o normal. — Estava a decidir se saía ou não — ela finalmente fala alguma coisa e porra! Parece que ela nem está falando comigo parece que só está pensando alto demais. Sua cabeça ainda está firme olhando para o horizonte, sem demostrar nenhum tipo de atenção para mim. Porra! As mulheres geralmente se jogam aos meus pés, a minha fisionomia mediterrânea, sempre dá-me uma vantagem há mais que os outros homens, eu sempre estou um passo a frente que eles, mas porra! Essa m*****a deusa se ébano nem sequer se abala ao me ver. Se ela está abalada, então sabe fingir muito bem. — Se ficares aqui fora, não poderei te convidar para tomar uns copos — ergo uma sombrancelha para tentar parecer charmoso, quem sabe assim jogando um pouco de charme ela não nota a minha presença. Eu sou um homem bonito, que nunca foi rejeitado na vida. Estou estranhando essa deusa não estar se jogando aos meus. Eu sou um caçador nato, adoro um bom desafio e essa deusa está se tornando meu novo desafio. A deusa de ébano, sorri timidamente em minha direção, ela levanta seu pescoço de forma desconfortável, como se estivesse tentando dissipar a tensão sexual que nos cerca. Porra! A tensão sexual entre nós é tão alta que é praticamente impossível ignorar isso. Ela também percebeu o mesmo que eu, seu peito sobe e desce de forma lenta e rítmica, seus mamilos ficam eriçados, a blusa fina não faz muito esforço de esconder o que ela quer. Assim como eu, ela sente essa explosão de hormônios que tanto nos cerca. — Estás aqui de férias? — questiona só para puxar assunto. Está óbvio que sua questão, é só uma forma de distrair sua mente que provavelmente está criando cenários fantasiosos de nós dois nus e suados. Porra! Eu claramente estou pensando o mesmo que ela, a possibilidade de levar essa seria para a cama e passar a noite inteira admirando seu belo corpo, é extremamente atraente e totalmente satisfatório, talvez seja um caso de uma noite ou quem sabe mais, a única coisa que importa do momento e nós saciar-mo-nos de nossos corpos e desejos. — Algo do gênero — algo do gênero, é uma estratégia minha de não revelar a minha identidade. As pessoas geralmente chegam perto de mim quando sabem das vantagens que tenho a oferecer para elas, elas sabem que é benéfico ter um Morris do lado, então desde pequeno eu nunca tive amigos ou namoradas sérias, elas sempre vêem até mim, por causa do que tenho e não pelo que sou. Esse problema, já me rendeu várias lágrimas na adolescência, inclusive um quase casamento. No final de tudo, quando fomos investigar, nem o nome da pessoa era verdadeiro. Por essa e outras razões, eu dificilmente confio nas pessoas de primeira. Geralmente, eu não costumo fazer sexo sem compromisso ou por uma única noite, mas eu não sou contra quem é adepto de sexo sem compromisso. Para ser sincero, às vezes eu até costumo procurar por parceiras que não estão a procura de nada além de satisfação. Eu facilmente encontro essas mulheres nas baladas. A deusa de ébano não me parece alguém que faça essa tipo de coisa, ela parece uma menina romântica que espera ter pelo menos quatro encontros para finalmente chegar no sexo. Mas a química existente entre nós e inegável, é tão explosiva que chega a ser tateavel. Não vejo nenhum problema em fazer sexo sem compromisso com ela, o que pode acontecer de errado? Nós teremos uma noite de sexo, cada um vai seguir a sua vida e os nossos caminhos, jamais voltarão a se cruzar. Será positivo e benéfico para os dois, nós dois sairemos ganhando no final das contas. — Uma bebida seria bom — ela aceita finalmente. Seu sorriso sedutor, evidencia seus planos, é óbvio que ela sente o mesmo que eu e provavelmente esteja cogitando passar a noite comigo. Só espero que a nossa conversa e o copo que tomaremos, sejam o suficiente para jogar o meu charme nela e levá-la a cama, de onde ela não vai sair até que o galo cante. Seus olhos brilham em meio às chamas das tochas, ela tem um sorriso tímido mas ao mesmo tempo sedutor, ela está em conflito, sua mente e seu corpo para tentar saber quem vai levar a melhor. Meus olhos brilham também. Agarro seu cotovelo com delicadeza, tomando o cuidado para deixar uma leve carícia em sua pele. A acompanho da entrada do hotel, até a escuridão da noite. Ao nosso redor, as chamas das tochas dançam ao ritmo do funaná. De forma agitada e lenta, parece ser só uma dança qualquer, mas isso é extremamente inebriante e louco. A brisa marinha entranha-se nos seus cabelos, eles voam deixando seu pescoço a mostra, o mesmo brilha por conta do suor e porra! A fina camada de suor descendo por seu pescoço é tentadora e atinge diretamente o meu membro. — Vamos dançar primeiro, antes de beber — murmuro em seu ouvido, antes de a agarrar pelos braços e apertar-lhe contra o meu peito. A deusa de ébano respira ofegante com os meus movimentos, seus mamilos eriçados encostam em meu peito, eles estão esmagados e porra! Eu queria que seus seios estivessem esmagados por causa dos meus lábios. — Não é assim como as pessoas dançam Funaná — a deusa se solta de meu aperto e gira em torno do meu corpo. Seu cheiro me preenche a medida em que ela cerca o meu corpo, igual a uma felina faminta. Seus olhos nunca deixam os meus em nenhum momento e se antes eu estava enfeitiçado? Agora eu estou louco porra. Me mantenho estático no lugar, deixo que ela me conduza só nesta dança. A deusa da voltas ao redor do meu corpo, seus olhos ainda em mim. Ela dá uma última volta ao meu redor, até que fica a minha frente. A batida da música é enlouquecedora e rápida demais, a deusa coloca minhas mãos ao redor de sua cintura e se deixa conduzir pela batida, rápida e agitada. Ela tem um sorriso lindo e sugestivo nos lábios, ela está animada em fazer isso, está animada por poder dançar comigo. A mistura da música rápida e agitada, criam um frenesi em mim e porra! Estou tentando não parecer um animal selvagem para ela, mas com seu quadril se movendo tão rápido assim, ao redor das minhas mãos, é um verdadeiro teste para a minha sanidade mental. Seus quadris balançam no ritmo da música, rápido e contagiante. Acompanho cada um de seus movimentos com os meus olhos, meus olhos estão famintos e porra! Só falta babar nela igual a um cão raivoso. A deusa de ébano, continua dançando, até que a música pará e é substituída por uma mais calma. É esse o tipo de música que gosto e preciso, para conquistar ela de uma vez por todas, eu só precisava dessa oportunidade para colocar os nossos corpos e transmitir todo o calor que estou sentindo para ela. — Agora é a minha vez de conduzir você — minha voz sai grave demais, quase como um rosnado, quando sussuro em seu eu ouvido e trago seu peito ao meu, nos colando finalmente. A deusa de ébano, parece surpresa com a minha repentina mudança de estratégia, mas a timidez logo é substituída pelo desejo e um pouco de certeza. Ela assim como eu, quer isso. — Acho que essa batida merece um corpo no corpo — a deusa concorda com um sorriso tímido nos lábios. A resposta dela pegou-me de surpresa, não estava a espera de algo tão directo como isso, ela quer um corpo a corpo e não sente nem um pingo de vergonha em me falar. Adoro isso em mulheres, adoro quando elas não se fazem de rogadas e vão atrás de seus objetivos. Nossos corpos se encaixam perfeitamente, ao ponto de me deixar confuso, sem consegui perceber onde é que acaba o meu corpo e onde começa o corpo dela. Ela é extremamente pequena, mas as nossas alturas são quase similares, o que me facilita, apoiar meu rosto em sua cabeça. Meus braços a agarram com força e tento transmitir uma sensação de segurança através do meu toque. Quando finalmente toquei ela, seu corpo me pareceu assustado, mas assim que finalmente pude deixa-la tranquila, ela relaxou e me deixou conduzir a dança. A minha deusa de ébano, corresponde ao meu agarre e me rodeia o pescoço com os seus delicados braços. Porra! Esse encaixe é tão perfeito que, parece até que somos a mesma pessoa. É tão incrível que, não quero me soltar dela, se um simples abraço é tão perfeito assim, não consigo imaginar como será ao beijar os lábios dela. — És linda — Sussurro num tom de voz doce e calmo, mas Porra! Dizer que ela é linda é um eufemismo, ela supera todos os limites aceitáveis da beleza humana. O meu elogio parece pegar ela de surpresa, seu sorriso tímido e olhar totalmente hipnotizante deixam ela mais linda ainda. — Tu também és — retruca timidamente. Ela abaixa a cabeça e foge do meu olhar. Ela me chamou de lindo, não são várias as mulheres que falam que sou lindo, mas confesso que é divertido ouvir isso dela, talvez eu queira ouvir mais vezes algo assim saindo de seus lábios. — Lindo? Eu? — Indago sorrindo com humor — Não sei se me devo sentir elogiado ou ofendido — completo com uma sobrancelha arqueada. Só estou brincando, quero ver qual será sua reacção, talvez a minha noite termine mal por essa brincadeira. Mas é o que dizem, perco a melhor noite da minha vida, mas não perco a piada — Eu tenho certeza que não sou a primeira mulher a chama-lo de lindo — a minha deusa de ébano, fala com um sorriso sugestivo nos lábios. Porra! Ela é louca, ela deu a resposta que eu estava esperando ouvir, confesso que fui pego de surpresa. Mas seu sorriso sugestivo, foi magnífico. Eu não estou mais aguentando Esperar, preciso saber se vou ganhar a noite ou se vou passar ela chupando dedo e pensando nos mamilos eriçados dela na blusa. — Sabes? — faço uma carícia em suas costas e isso a obriga a prender a respiração — Tu também sentes isso? — continuo com a massagem em suas costas. Confesso que estou jogando verde, não sei se ela também sente essa atração explosiva entre nós. Não sei se só imaginei as coisas, mas porra! Eu não sou louco de ter criado todos os ofegos que ela soltou. O ambiente do nada torna-se insuportável, a química entre nós é explosiva. Ela sente isso, talvez esteja assustada com o que pode advir, ao nos envolvermos nessa noite quente, mas ela também me quer. Ela não me responde, provavelmente esteja pensando se deve ou não aceitar isso. — Vamos fazer alguma coisa para resolver isso? — insisto na questão, ela também está sentido a mesma coisa que eu, ela também sente a química explosiva existente entre nós. Eu só preciso que ela me dê luz verde para isso. — Gostaria de pensar que sim — ela fala tão directo que porra! O meu pau quase chora nas calças. Por um momento, eu pensei que ela daria para trás, mas não, ela é uma mulher decidida que sabe o que quer da vida. Ela não faz joguinhos de sedução ou truques, ela fala o que quer na hora.Collin Morris [Cinco meses antes]— És uma mulher directa, gosto disso numa mulher — completo num sorriso maroto e satisfeito. Só faltou pular de emoção e soltar alguns balões agora. Porra! A minha deusa de ébano concordou com a minha loucura, o que vai me garantir uma noite muito quente de sexo doce e selvagem ao lado dela. Não pensei que fosse realmente terminar assim a noite mas porra! Isso saiu mais do que o esperado, ela é um verdadeiro anjo sedutor e porra! Eu sou um verdadeiro fraco por cair no feitiço dela. — Porra! Onde está essa deusa de Ébano? — falo andando de um lado para o outro totalmente impaciente, ela não me deu um bolo, me recuso a aceitar que levei um bolo de uma maldita feiticeira de Ébano. Ela não pode ter feito isso comigo. Não sei o nome dela, não sei onde fica o quarto dela, não sei nada sobre ela, a única coisa que sei sobre ela é que ela é um verdadeiro pecado e uma verdadeira tentação para mim, não sei como vou resolver o meu problema de bolas roxas, mas
Manuela Cardoso O deus grego gostoso, tirou a camisa mostrando-me os ombros atléticos, um peito robusto e uma cintura cuja musculatura sugeria não se tratar apenas de um ocioso homem de negócios. A penugem salpicava-lhe o tronco e estendia-se até os mamilos, depois espessava á medida que descia para o umbigo até se estender precisamente acima do cós das calças. Observo-o com desejo a desapertar as calças, que ele deslizou até ao chão juntamente com as cuecas. A ereção ficou, por fim, libertada no meio de um escuro ninho de veludos. Meus olhos arregalaram-se maravilhados perante a impossível curvatura ascendente. Nem meu ex noivo ficam assim por minha causa. — Poderia alguém duvidar do meu desejo por ti, yineka mou? — ele desliza para a cama e abre as minhas pernas com seus joelhos. — Não! — sorriu para ele. — Desejo-te muito — diz ele com uma voz rouca antes de abaixar a cabeça e beijar me nos lábios. Meu corpo curvou-se para o receber. Tinha passado muito tempo desde a última v
Manuela Cardoso Acordei com a luz pálida do amanhecer invadindo meu quarto, uma claridade fria que contrastava dolorosamente com a chama intensa da noite anterior. Por um breve instante, permaneci imóvel, tentando agarrar cada resquício do êxtase que vivi – o calor dos beijos, o toque inebriante, os sussurros que pareciam prometer segredos proibidos. Contudo, ao abrir os olhos completamente, a realidade se impôs de forma brutal: a cama, que ainda exibia os traços de nossa paixão, estava estranhamente vazia.Eu me sentei na beira do leito, o coração acelerado, enquanto uma onda de confusão e desamparo invadia minha mente. Quem era aquele homem que me fez sentir tão viva, tão desejada? E, agora, por que ele havia desaparecido sem deixar vestígio ou sequer uma palavra de despedida? O vazio em minha alma ecoava o vazio do lençol, e, lentamente, uma sensação amarga de abandono começou a se instalar.Levantando-me com dificuldade, encarei meu reflexo no espelho. Havia nele os traços de uma
Manuela Cardoso Estou deitada na cama do hospital, minha mão direita continua aferrada ao celular, minhas lágrimas caiem sem parar. — Tenho que ligar para ele, não tenho escolha — murmuro para mim mesma, não tenho escolha, preciso ligar. Minhas lágrimas banham o meu rosto e minha roupa de hospital. Como será que Collin vai reagir a notícia? E se ele me expulsar de novo, como tinha feito há cinco meses atrás, se ele pensar que quero o dinheiro dele? Eu não posso me humilhar novamente. — Você precisa fazer isso Manu, seja forte — murmuro mais uma vez, para me encorajar. Pressiono a tecla de chamada, o celular toca por alguns segundos, mas não tenho coragem e desligo o celular. — Como está hoje, senhorita Cardoso? — os meus pensamentos são interrompidos pela enfermeira que entra em meu quarto sorrindo. — Bem — sussuro fracamente. — Já tem tudo organizado? — indaga controlando o soro que está conectado a minha veia. Engulo em seco, mas não respondo. — Sabe muito bem q
Sinto o peso do silêncio no carro enquanto deixamos o hospital para trás. O som constante do motor e o farfalhar tímido da chuva na lataria parecem marcar o compasso dos meus pensamentos inquietos. Collin dirige em silêncio, o olhar fixo na estrada à frente, enquanto as luzes da cidade se desfazem em manchas borradas pela janela.Após alguns minutos de tensão quase palpável, ele finalmente rompe o silêncio, a voz embargada por dúvidas e emoções contidas:— Manuela, eu… eu preciso te perguntar uma coisa. (A mão dele treme ligeiramente sobre o volante.) Esses bebês, serão realmente meus?Minhas mãos se apertam no encosto do banco, tentando segurar o turbilhão que se forma dentro de mim. Sinto um frio percorrer minha espinha, e minhas palavras saem trêmulas:— Collin, eu… Eu te juro que eles são seus. Cada batida do meu coração confirma isso.Ele solta um suspiro longo, e por um instante o silêncio volta a dominar o carro. Então, com os olhos fixos na imensidão da estrada, ele insiste:—
A sala de estar da mansão de Collin era ampla, fria e imponente. As paredes decoradas com retratos de ancestrais pareciam nos julgar, como se cada olhar pintado cobrasse a verdade dos nossos passos. Senti o peso do ambiente – e, sobretudo, o peso da história que nos unira de forma tão cruel – enquanto ele permanecia sentado em uma poltrona de couro escuro, os dedos tamborilando nervosamente na mesa de mármore.— Manuela, eu… — Collin começou, a voz hesitante, quase sufocada pelo silêncio que se instalara entre nós.Respirei fundo, tentando reunir forças para falar. Não éramos amantes, não tínhamos um romance; éramos dois estranhos que, por um impulso, passaram a noite juntos e agora teriam dois filhos. E, como se isso não bastasse, ele havia me demitido assim que soube daquilo. Eu não conseguia deixar de reviver a humilhação daquele dia, o frio na espinha, o desprezo estampado em seus olhos enquanto me dispensava sem cerimônia.— Você quer casar comigo? — a pergunta dele pairou no ar,
— E se eu não conseguir ser esse pai que você espera? Se a dúvida sobre a paternidade continuar corroendo minha alma?— Então, aceite que talvez nunca saibamos tudo. Mas não use essa dúvida como desculpa para se afastar. Nós não podemos deixar que o medo impeça que esses filhos tenham uma chance de conhecer quem realmente os gerou – ou, pelo menos, quem os criou com responsabilidade.— Eu… — ele hesitou, os olhos se perdendo em lembranças que eu jamais conheceria. — Você não entende, Manuela. Toda essa situação me destrói por dentro. Fui forçado a agir de maneira impensada, e agora tenho que pagar o preço por algo que, se pudesse voltar atrás, jamais teria permitido.— Você não tem o direito de me culpar por isso, Collin! Eu também sofri, e cada dia que passo é um lembrete do quanto fui deixada de lado. Você me demitiu sem nem uma palavra de explicação, sem sequer tentar entender o que se passava comigo.— Eu agi como achei melhor na hora – ele replicou, mas a voz falhou.— Melhor? Vo
Collin MorrisO sol já havia se posto em Cabo Verde, e a brisa noturna soprava através da sacada do meu quarto, trazendo consigo o cheiro salgado do oceano. Eu estava sentado na poltrona de couro escuro, um copo de uísque intocado ao meu lado, enquanto esperava a chamada conectar.Do outro lado da tela, a imagem do meu irmão mais novo, Louis, surgiu. Ele estava em seu apartamento em Paris, os cabelos desalinhados e uma expressão cética estampada no rosto. Assim que a conexão estabilizou, ele cruzou os braços e arqueou uma sobrancelha.— Então, finalmente decidiu me contar o que está acontecendo? — Ele inclinou a cabeça para o lado. — O que diabos você está fazendo em Cabo Verde?Eu inspirei fundo, passando a mão pelo rosto antes de responder.— É complicado.— Claro que é. — Louis soltou um riso seco. — Você some, aparece num país que nunca mencionou antes e agora me liga com essa cara de quem foi atropelado por um caminhão.Eu bufei, sabendo que ele não facilitaria as coisas.— Tem