Giovanni Bianchi era um homem machucado, um homem que conheceu um tipo de amor doentio e sádico. Um amor que o transformou no que ele era hoje, frio e sem coração. Mas por trás de toda a frieza e controle, havia um lado de Giovanni que quase ninguém conhecia.
Apenas duas pessoas no mundo conseguiam enxergar além da máscara do magnata implacável: sua mãe, Isabella, e sua irmã caçula, Antonella.
Com elas, ele era diferente.
Ainda que tivesse herdado a rigidez e a disciplina do pai, sua mãe sempre foi o seu equilíbrio. Isabella Bianchi era a única que ainda via nele o garoto que um dia acreditou em sentimentos, antes que as pessoas o tornassem tão cético. Sua relação com Antonella era ainda mais intensa. Dez anos mais nova, a irmã era sua fraqueza. Ele a protegia como um guardião implacável, certificando-se de que nada, nem ninguém, a machucasse.
Mas para o resto do mundo, Giovanni Bianchi era apenas o bilionário intocável, o homem de negócios dominador e implacável.
O aroma amadeirado do uísque pairava no ar do luxuoso escritório de Giovanni Bianchi. O bilionário girava lentamente o líquido âmbar em seu copo de cristal, observando as luzes de Nova York brilharem através da imensa parede de vidro à sua frente. A cidade girava abaixo dele, uma visão que costumava trazer satisfação, mas que naquela noite apenas reforçava o vazio silencioso dentro dele.
— A última acompanhante que me enviaram foi um desastre completo — disse Giovanni, com sua voz grave quebrando o silêncio. — Inconveniente, sem discrição e com uma necessidade irritante de atenção. Não é isso que eu procuro.
Do outro lado da sala, Victor Portinari, seu melhor amigo e advogado pessoal, levou uma dose de uísque aos lábios, com um sorriso divertido se formando.
— Você já deveria estar acostumado, Giovanni. Nem todas são exatamente… compatíveis com suas exigências.
Giovanni soltou um riso seco, balançando a cabeça.
— Eu não quero uma mulher que ache que pode me seduzir para conseguir algo mais. Eu preciso de alguém que entenda o papel dela. Uma acompanhante profissional, discreta, que saiba se portar e não crie expectativas.
Victor arqueou uma sobrancelha.
— Estamos falando de negócios ou de sua vida pessoal?
O olhar frio de Giovanni encontrou o do amigo.
— Você sabe que as duas coisas andam juntas para mim.
Victor sorriu de lado e descansou seu copo sobre a mesa de vidro.
— Entendido. Vou entrar pessoalmente em contato com o dono da agência. Quero garantir que ele entenda exatamente o que você precisa.
Giovanni assentiu, satisfeito.
— Ótimo. Não tenho tempo para distrações.
Ele se levantou e caminhou pela sala, parando diante da grande janela de onde via a cidade abaixo. Cada prédio, cada rua movimentada, lembrava-lhe do império que ele construiu.
Nada veio fácil.
Ele assumiu as empresas da família após a morte de seu pai, um magnata implacável que sempre o preparou para o trono. Mas o peso do legado nunca foi simples. Ele teve que provar a cada um dos acionistas, dos investidores e até mesmo a si mesmo que não era apenas um herdeiro, mas um líder capaz de multiplicar o império Bianchi.
E ele conseguiu.
Hoje, era um dos homens mais poderosos do mundo dos negócios. Respeitado, temido e odiado. Um nome que todos conheciam e que ninguém ousava desafiar.
Ele tomou um longo gole do uísque, sentindo o calor do álcool escorrer por sua garganta, e voltou-se para Victor.
— Certifique-se de que a acompanhante que escolherem para mim esteja à altura. Preciso que ela me acompanhe na viagem para a Itália sem inconvenientes. Quero também que ela saiba quem eu sou e o que sou.
Victor sorriu de canto.
— Considere isso feito.
O advogado se levantou, ajeitando o paletó, e caminhou em direção à porta.
— Quem sabe, dessa vez, a agência acerte?
Giovanni apenas sorriu de forma enigmática.
Ele não acreditava em sorte. Tudo em sua vida era questão de controle.
O que ele não imaginava era que, em breve, cruzaria o olhar com uma mulher que mudaria tudo.
O restaurante luxuoso estava banhado por uma iluminação quente e elegante, refletida nas taças de cristal dispostas sobre as mesas de linho impecável. O som discreto de conversas e risadas se misturava ao tilintar dos talheres, criando uma sinfonia refinada de sofisticação e exclusividade.Giovanni estava sentado em um dos melhores lugares do salão, girando lentamente o uísque em seu copo de cristal, seu olhar afiado varrendo o ambiente com impaciência contida.Vitor havia entrado em contato pessoalmente com o dono da Elite Diamonds, garantindo que a garota escolhida se encaixava em todos os requisitos do empresário. Mas Giovanni, um homem acostumado a exigir o melhor e aceitar nada menos do que a perfeição, permanecia cético.Por isso, ele marcou aquele jantar.Não gostava de surpresas.Não gostava de perder tempo.E, acima de tudo, não gostava de se decepcionar.Mas quando ergueu o olhar e viu a mulher atravessando o salão em sua direção, algo dentro dele estremeceu.Seu corpo ficou
Giovanni BianchiAssim que meus olhos capturaram cada detalhe dela, percebo que estou diante de algo muito além do que esperava. Sophia Romano não é apenas uma acompanhante bem vestida para um final de semana na Itália. Não… Ela é um pecado encarnado, um convite irresistível ao desejo.O vestido vermelho que desliza sobre suas curvas me provoca de uma maneira que nenhuma outra mulher conseguiu em muito tempo. É como se ela tivesse sido moldada para testar meu autocontrole, para atiçar um fogo que eu mantive adormecido. Seus cabelos negros presos num coque alto revelam a extensão delicada de seu pescoço. Sua pele suave, feita para ser marcada.E aqueles olhos?Verdes, intensos, hipnotizantes. Eles me encaram como se buscassem algo dentro de mim, como se tivessem o poder de enxergar além da fachada impenetrável que construí ao longo dos anos. Algo dentro do meu peito se contraiu com essa constatação.Ela não tem ideia do que acaba de despertar.Meu lado dominador, sempre presente, sempr
Giovanni não era um homem que se deixava impressionar facilmente, mas aquela mulher exalava algo que ele não conseguia definir.— Senhor Bianchi. — A voz dela era suave, mas carregava um leve sotaque que deslizou pela pele dele como um sussurro provocante.Ele não respondeu de imediato, apenas indicou a cadeira à sua frente com um gesto sutil, observando-a sentar-se com uma graça natural. O jeito que ela evitava seu olhar despertou um interesse que ele não esperava sentir.Levantando o braço, Giovanni chamou o sommelier com um aceno curto e direto.— A carta de vinhos, por favor.O homem prontamente entregou o menu, e Giovanni analisou as opções com o olhar afiado, como se cada detalhe importasse. Ele escolheu um vinho tinto francês, envelhecido, raro. Um clássico.Assim que o sommelier se afastou, Giovanni desviou o olhar para Sophia, deixando um sorriso leve surgir no canto dos lábios.— Devo confessar que, pela primeira vez, a agência superou as minhas expectativas.Sophia abaixou
Sophia mexia distraidamente na taça de vinho, com o olhar perdido por um momento. O restaurante estava cheio, mas nada ao redor parecia importar. Sua amiga, Amélia, sentada à sua frente, arqueou uma sobrancelha e inclinou-se sobre a mesa, ansiosa.— Então? Como foi o encontro com o empresário? — perguntou, quase sussurrando, como se o simples ato de mencionar o homem misterioso trouxesse perigo ao ambiente.Sophia soltou um suspiro, um sorriso contornou seus lábios rosados e delicados. Tomou um gole do vinho antes de responder.— Intenso. Ele me olhou como um lobo olha para a presa, Amélia. Como se pudesse me devorar ali mesmo, sem qualquer cerimônia.Amélia arregalou os olhos, largando o garfo sobre o prato.— Meu Deus, Sophia! Você está ouvindo o que está dizendo? Esse cara parece perigoso.Sophia deu um sorriso enigmático e balançou a cabeça.— Perigoso, sim. Mas também é irresistível. Há algo nele que me faz querer correr… e ao mesmo tempo ficar. Como se o perigo fosse a parte mai
A mala estava quase pronta. Vestidos elegantes, sapatos impecáveis, acessórios sofisticados… cada peça cuidadosamente selecionada pela personal shopper. Sophia olhava para tudo aquilo com um misto de fascínio e inquietação. O que mais a deixava desconcertada era a pequena sacola de seda preta, repousando discretamente sobre a cama. Lingeries finas, rendadas, escolhidas com precisão milimétrica.O sangue subiu ao seu rosto ao lembrar da expressão satisfeita da vendedora ao embalar aquelas peças. Como se soubesse exatamente para quem e para quê seriam usadas.Será que o senhor Bianchi espera isso de mim?A ideia fez seu coração disparar. Não que ele tivesse mencionado algo explicitamente, mas havia algo nele, mais precisamente, no olhar afiado, no jeito que sua voz deslizava sobre sua pele como um toque invisível. Ele a fazia se sentir desejada como nunca antes.Será que é isso que desejo?Sophia suspirou, apertando a borda da mala. O problema não era apenas Giovanni ser perigoso. O pro
O ronco do motor cortou o silêncio da manhã quando o carro preto parou em frente à casa. O veículo imponente, com vidros escuros e brilho impecável, parecia um prenúncio do que estava por vir.Sophia segurou firme a alça da pequena mala ao seu lado, sentindo o coração martelar dentro do peito. Era o momento em que tudo se tornava real.Atrás dela, Hanna envolveu sua cintura em um abraço apertado.— Vai demorar muito? — a garotinha murmurou, com a voz carregada de insegurança.Sophia fechou os olhos por um breve instante, aproveitando a sensação do calor da irmã contra seu corpo.— Vai passar rapidinho, meu amor. Quando eu voltar, vamos assistir aquele filme que você ama, combinado?Hanna assentiu contra seu peito, mas não a soltou.Blanca, parada ao lado das filhas, suspirou fundo.— Tem certeza disso, Sophia?Sophia engoliu seco e forçou um sorriso.— Eu preciso fazer isso, mãe.Blanca assentiu lentamente, mas seus olhos diziam tudo. Ela estava preocupada.Sophia afastou Hanna delica
A sala de reuniões da Bianchi Enterprises exalava poder. As janelas panorâmicas refletiam o skyline de Nova York, enquanto a mesa de mármore negro brilhava sob a iluminação fria. Os homens e mulheres ali presentes sabiam que estavam diante de um titã, e que Giovanni Bianchi não era um CEO comum.Sentado à cabeceira, com a postura impecável e o olhar afiado e frio, ele analisava as projeções financeiras exibidas no telão. Sua mente trabalhava como uma máquina de maneira precisa e implacável.Até que uma voz interrompeu o fluxo de seus pensamentos.— Acho que essa auditoria é um exag
Sophia RomanoPassei a tarde inteira presa dentro do quarto, como se atravessar aquela porta significasse mergulhar num abismo sem volta.Não quis explorar Paris, não quis sentir o cheiro das ruas, ouvir os sussurros românticos da cidade.Nada disso importava, porque eu estava esperando por ele.A cada minuto que passava, o ponteiro do relógio se tornava um lembrete cruel do inevitável:O reencontro com Giovanni Bianchi.O homem que eu não deveria desejar, mas desejava.Minha atenção voltou para a cama, para o vestido preto de seda que ainda descansava intocado, um