O ronco do motor cortou o silêncio da manhã quando o carro preto parou em frente à casa. O veículo imponente, com vidros escuros e brilho impecável, parecia um prenúncio do que estava por vir.Sophia segurou firme a alça da pequena mala ao seu lado, sentindo o coração martelar dentro do peito. Era o momento em que tudo se tornava real.Atrás dela, Hanna envolveu sua cintura em um abraço apertado.— Vai demorar muito? — a garotinha murmurou, com a voz carregada de insegurança.Sophia fechou os olhos por um breve instante, aproveitando a sensação do calor da irmã contra seu corpo.— Vai passar rapidinho, meu amor. Quando eu voltar, vamos assistir aquele filme que você ama, combinado?Hanna assentiu contra seu peito, mas não a soltou.Blanca, parada ao lado das filhas, suspirou fundo.— Tem certeza disso, Sophia?Sophia engoliu seco e forçou um sorriso.— Eu preciso fazer isso, mãe.Blanca assentiu lentamente, mas seus olhos diziam tudo. Ela estava preocupada.Sophia afastou Hanna delica
A sala de reuniões da Bianchi Enterprises exalava poder. As janelas panorâmicas refletiam o skyline de Nova York, enquanto a mesa de mármore negro brilhava sob a iluminação fria. Os homens e mulheres ali presentes sabiam que estavam diante de um titã, e que Giovanni Bianchi não era um CEO comum.Sentado à cabeceira, com a postura impecável e o olhar afiado e frio, ele analisava as projeções financeiras exibidas no telão. Sua mente trabalhava como uma máquina de maneira precisa e implacável.Até que uma voz interrompeu o fluxo de seus pensamentos.— Acho que essa auditoria é um exag
Sophia RomanoPassei a tarde inteira presa dentro do quarto, como se atravessar aquela porta significasse mergulhar num abismo sem volta.Não quis explorar Paris, não quis sentir o cheiro das ruas, ouvir os sussurros românticos da cidade.Nada disso importava, porque eu estava esperando por ele.A cada minuto que passava, o ponteiro do relógio se tornava um lembrete cruel do inevitável:O reencontro com Giovanni Bianchi.O homem que eu não deveria desejar, mas desejava.Minha atenção voltou para a cama, para o vestido preto de seda que ainda descansava intocado, um
Giovanni BianchiO hotel em Paris exala luxo e poder, mas para mim, é apenas mais um ambiente a ser dominado. Cada detalhe é absorvido, cada som, cada movimento, como uma máquina treinada para o controle absoluto. O aroma amadeirado do saguão, o tilintar sutil dos copos no bar à direita, o som abafado dos passos sobre o tapete felpudo, tudo registrado, analisado, catalogado.Controle é a base da minha existência.A gerente me recebe com um sorriso ensaiado, os olhos calculadamente subservientes enquanto me informa que tudo foi feito conforme eu havia delegado. Ela sabe quem eu sou. Sabe que não tolero erros. Não desperdiço palavras com gentilezas vazias, apenas inclino a cabeça em consentimento e me afasto, sem tempo ou paciência para conversa
A porta pesada do The Black Room se fechou atrás deles, selando Sophia em um mundo que não lhe pertencia, mas que, de alguma forma, parecia ter sido feito para ela.Seu coração batia frenético contra o peito, não por medo, mas pela promessa do desconhecido. O ar era carregado, denso com uma eletricidade que parecia vibrar em sintonia com seu próprio corpo. O perfume amadeirado de Giovanni envolvia seus sentidos, um lembrete constante da presença dominante dele, enquanto sua mão firme a guiava com precisão, pressionando a base de suas costas nuas.Ela sentia o calor dele, a força silenciosa que exalava de cada movimento, de cada toque, de cada palavra não dita.— Confie em mim, Sophia. — A voz dele veio baixa, um sussurro grave que reverberou por sua espinha como uma promessa perigosa.Ela engoliu em seco, seus dedos tremendo levemente, mas não recuou. Porque, apesar do desconhecido, apesar da tensão quase insuportável entre eles, ela queria aquilo.O quarto era um santuário de control
— Sophia… — Amélia chamou baixinho, puxando a cadeira e sentando-se ao seu lado. Seus olhos escuros estavam carregados de preocupação. — Você não pode continuar assim. Se matar de trabalhar em dois empregos não será suficiente, você precisa de uma solução real.Sophia apertou os olhos, sentindo as lágrimas ameaçarem cair.Jogou sobre a mesa, a carta do hospital onde informava o prazo final da cirurgia da sua irmã. Hanna, tinha apenas cinco anos e sofria de uma condição cardíaca grave que necessitava de uma cirurgia de urgência, apenas essa cirurgia salvaria a vida de Hanna e o tempo estava se esgotando. — E qual é a solução, Amélia? Eu já tentei tudo! Bancos, empréstimos, associações de caridade… ninguém quer ajudar. O hospital exige o pagamento antes da cirurgia. Se eu não conseguir esse dinheiro em dois meses, Hanna…Ela não terminou a frase, a dor que sentiu apenas em pensar na possibilidade de perder sua irmã era demais para ela. Amélia respirou fundo, hesitando mas pensou em al
Giovanni Bianchi era um homem machucado, um homem que conheceu um tipo de amor doentio e sádico. Um amor que o transformou no que ele era hoje, frio e sem coração. Mas por trás de toda a frieza e controle, havia um lado de Giovanni que quase ninguém conhecia.Apenas duas pessoas no mundo conseguiam enxergar além da máscara do magnata implacável: sua mãe, Isabella, e sua irmã caçula, Antonella.Com elas, ele era diferente.Ainda que tivesse herdado a rigidez e a disciplina do pai, sua mãe sempre foi o seu equilíbrio. Isabella Bianchi era a única que ainda via nele o garoto que um dia acreditou em sentimentos, antes que as pessoas o tornassem tão cético. Sua relação com Antonella era ainda mais intensa. Dez anos mais nova, a irmã era sua fraqueza. Ele a protegia como um guardião implacável, certificando-se de que nada, nem ninguém, a machucasse.Mas para o resto do mundo, Giovanni Bianchi era apenas o bilionário intocável, o homem de negócios dominador e implacável.O aroma amadeirado
O restaurante luxuoso estava banhado por uma iluminação quente e elegante, refletida nas taças de cristal dispostas sobre as mesas de linho impecável. O som discreto de conversas e risadas se misturava ao tilintar dos talheres, criando uma sinfonia refinada de sofisticação e exclusividade.Giovanni estava sentado em um dos melhores lugares do salão, girando lentamente o uísque em seu copo de cristal, seu olhar afiado varrendo o ambiente com impaciência contida.Vitor havia entrado em contato pessoalmente com o dono da Elite Diamonds, garantindo que a garota escolhida se encaixava em todos os requisitos do empresário. Mas Giovanni, um homem acostumado a exigir o melhor e aceitar nada menos do que a perfeição, permanecia cético.Por isso, ele marcou aquele jantar.Não gostava de surpresas.Não gostava de perder tempo.E, acima de tudo, não gostava de se decepcionar.Mas quando ergueu o olhar e viu a mulher atravessando o salão em sua direção, algo dentro dele estremeceu.Seu corpo ficou