Sophia mexia distraidamente na taça de vinho, com o olhar perdido por um momento. O restaurante estava cheio, mas nada ao redor parecia importar. Sua amiga, Amélia, sentada à sua frente, arqueou uma sobrancelha e inclinou-se sobre a mesa, ansiosa.— Então? Como foi o encontro com o empresário? — perguntou, quase sussurrando, como se o simples ato de mencionar o homem misterioso trouxesse perigo ao ambiente.Sophia soltou um suspiro, um sorriso contornou seus lábios rosados e delicados. Tomou um gole do vinho antes de responder.— Intenso. Ele me olhou como um lobo olha para a presa, Amélia. Como se pudesse me devorar ali mesmo, sem qualquer cerimônia.Amélia arregalou os olhos, largando o garfo sobre o prato.— Meu Deus, Sophia! Você está ouvindo o que está dizendo? Esse cara parece perigoso.Sophia deu um sorriso enigmático e balançou a cabeça.— Perigoso, sim. Mas também é irresistível. Há algo nele que me faz querer correr… e ao mesmo tempo ficar. Como se o perigo fosse a parte mai
A mala estava quase pronta. Vestidos elegantes, sapatos impecáveis, acessórios sofisticados… cada peça cuidadosamente selecionada pela personal shopper. Sophia olhava para tudo aquilo com um misto de fascínio e inquietação. O que mais a deixava desconcertada era a pequena sacola de seda preta, repousando discretamente sobre a cama. Lingeries finas, rendadas, escolhidas com precisão milimétrica.O sangue subiu ao seu rosto ao lembrar da expressão satisfeita da vendedora ao embalar aquelas peças. Como se soubesse exatamente para quem e para quê seriam usadas.Será que o senhor Bianchi espera isso de mim?A ideia fez seu coração disparar. Não que ele tivesse mencionado algo explicitamente, mas havia algo nele, mais precisamente, no olhar afiado, no jeito que sua voz deslizava sobre sua pele como um toque invisível. Ele a fazia se sentir desejada como nunca antes.Será que é isso que desejo?Sophia suspirou, apertando a borda da mala. O problema não era apenas Giovanni ser perigoso. O pro
O ronco do motor cortou o silêncio da manhã quando o carro preto parou em frente à casa. O veículo imponente, com vidros escuros e brilho impecável, parecia um prenúncio do que estava por vir.Sophia segurou firme a alça da pequena mala ao seu lado, sentindo o coração martelar dentro do peito. Era o momento em que tudo se tornava real.Atrás dela, Hanna envolveu sua cintura em um abraço apertado.— Vai demorar muito? — a garotinha murmurou, com a voz carregada de insegurança.Sophia fechou os olhos por um breve instante, aproveitando a sensação do calor da irmã contra seu corpo.— Vai passar rapidinho, meu amor. Quando eu voltar, vamos assistir aquele filme que você ama, combinado?Hanna assentiu contra seu peito, mas não a soltou.Blanca, parada ao lado das filhas, suspirou fundo.— Tem certeza disso, Sophia?Sophia engoliu seco e forçou um sorriso.— Eu preciso fazer isso, mãe.Blanca assentiu lentamente, mas seus olhos diziam tudo. Ela estava preocupada.Sophia afastou Hanna delica
A sala de reuniões da Bianchi Enterprises exalava poder. As janelas panorâmicas refletiam o skyline de Nova York, enquanto a mesa de mármore negro brilhava sob a iluminação fria. Os homens e mulheres ali presentes sabiam que estavam diante de um titã, e que Giovanni Bianchi não era um CEO comum.Sentado à cabeceira, com a postura impecável e o olhar afiado e frio, ele analisava as projeções financeiras exibidas no telão. Sua mente trabalhava como uma máquina de maneira precisa e implacável.Até que uma voz interrompeu o fluxo de seus pensamentos.— Acho que essa auditoria é um exag
Sophia RomanoPassei a tarde inteira presa dentro do quarto, como se atravessar aquela porta significasse mergulhar num abismo sem volta.Não quis explorar Paris, não quis sentir o cheiro das ruas, ouvir os sussurros românticos da cidade.Nada disso importava, porque eu estava esperando por ele.A cada minuto que passava, o ponteiro do relógio se tornava um lembrete cruel do inevitável:O reencontro com Giovanni Bianchi.O homem que eu não deveria desejar, mas desejava.Minha atenção voltou para a cama, para o vestido preto de seda que ainda descansava intocado, um
Giovanni BianchiO hotel em Paris exala luxo e poder, mas para mim, é apenas mais um ambiente a ser dominado. Cada detalhe é absorvido, cada som, cada movimento, como uma máquina treinada para o controle absoluto. O aroma amadeirado do saguão, o tilintar sutil dos copos no bar à direita, o som abafado dos passos sobre o tapete felpudo, tudo registrado, analisado, catalogado.Controle é a base da minha existência.A gerente me recebe com um sorriso ensaiado, os olhos calculadamente subservientes enquanto me informa que tudo foi feito conforme eu havia delegado. Ela sabe quem eu sou. Sabe que não tolero erros. Não desperdiço palavras com gentilezas vazias, apenas inclino a cabeça em consentimento e me afasto, sem tempo ou paciência para conversa
A porta pesada do The Black Room se fechou atrás deles, selando Sophia em um mundo que não lhe pertencia, mas que, de alguma forma, parecia ter sido feito para ela.Seu coração batia frenético contra o peito, não por medo, mas pela promessa do desconhecido. O ar era carregado, denso com uma eletricidade que parecia vibrar em sintonia com seu próprio corpo. O perfume amadeirado de Giovanni envolvia seus sentidos, um lembrete constante da presença dominante dele, enquanto sua mão firme a guiava com precisão, pressionando a base de suas costas nuas.Ela sentia o calor dele, a força silenciosa que exalava de cada movimento, de cada toque, de cada palavra não dita.— Confie em mim, Sophia. — A voz dele veio baixa, um sussurro grave que reverberou por sua espinha como uma promessa perigosa.Ela engoliu em seco, seus dedos tremendo levemente, mas não recuou. Porque, apesar do desconhecido, apesar da tensão quase insuportável entre eles, ela queria aquilo.O quarto era um santuário de control
— Sophia… — Amélia chamou baixinho, puxando a cadeira e sentando-se ao seu lado. Seus olhos escuros estavam carregados de preocupação. — Você não pode continuar assim. Se matar de trabalhar em dois empregos não será suficiente, você precisa de uma solução real.Sophia apertou os olhos, sentindo as lágrimas ameaçarem cair.Jogou sobre a mesa, a carta do hospital onde informava o prazo final da cirurgia da sua irmã. Hanna, tinha apenas cinco anos e sofria de uma condição cardíaca grave que necessitava de uma cirurgia de urgência, apenas essa cirurgia salvaria a vida de Hanna e o tempo estava se esgotando. — E qual é a solução, Amélia? Eu já tentei tudo! Bancos, empréstimos, associações de caridade… ninguém quer ajudar. O hospital exige o pagamento antes da cirurgia. Se eu não conseguir esse dinheiro em dois meses, Hanna…Ela não terminou a frase, a dor que sentiu apenas em pensar na possibilidade de perder sua irmã era demais para ela. Amélia respirou fundo, hesitando mas pensou em al