CAPÍTULO 0002
A mansão estava silenciosa.

Ricardo Albuquerque terminou o banho e, por hábito, estendeu a mão para pegar as roupas penduradas, mas encontrou o espaço vazio.

Antes, Catarina sempre deixava suas roupas combinadas e prontas para ele.

Só um momento de pausa, ele seguiu até o closet e vestiu um terno.

Mas após experimentar duas gravatas, sentiu que nenhuma combinava direito. No final, irritado, arrancou a gravata e desabotoou o colarinho.

Ele desceu das escadas, não encontrou café da manhã na cozinha, então saiu diretamente para o trabalho.

No escritório do presidente do Grupo Albuquerque.

Pela primeira vez, o assistente Hugo Almeida viu o Sr. Albuquerque tomar café da manhã no escritório. Enquanto ele comia, Hugo fazia o relatório do dia.

— Sr. Albuquerque, a reunião matinal foi cancelada. A Srta. Inês começou a trabalhar hoje. Conforme suas instruções, já organizei o espaço dela. A partir de agora, a secretária Inês será responsável pela sua agenda.

Ricardo levantou os olhos e viu, do lado de fora, Inês Rainha em seu elegante traje executivo.

Por um instante, seu olhar vacilou.

Aquela mesa… antes sempre pertencia à Catarina.

— …Hmm.

— Sr. Albuquerque, aqui está a lista de responsáveis pelo evento da equipe de projetos.

Ricardo abriu o arquivo e, ao ver o nome de Catarina na lista, franziu levemente a testa.

— Esse evento de joias é complicado e difícil de gerenciar. Ela quer provar que pode se sair bem fora do departamento de secretariado? Está tão acostumada a viver confortavelmente ao meu lado que perdeu completamente a noção da própria capacidade.

Ele já havia esquecido que Catarina, assim como ele, também se formou na Universidade A.

— Melhor assim. Quando ela fracassar no projeto, vai perceber que o departamento de secretariado é sua verdadeira zona de conforto. Hugo, reserve uma vaga para ela voltar.

---

Depois de desligar seis alarmes no celular, Catarina finalmente acordou às dez da manhã.

Na noite anterior, passou a madrugada se mudando, chamou sua melhor amiga para ajudar e contratou uma equipe de limpeza para arrumar tudo.

Anos atrás, tentou comprar de volta a mansão da família Vasconcelos, mas acabou de perder a oportunidade por causa de uma mudança repentina na agenda de Ricardo.

Mais tarde, ele comprou esta bela mansão independente para se desculpar. Catarina nunca chegou a morar nela, mas havia a reformado com antecedência. Ter uma casa própria lhe dava segurança.

Além dessa propriedade, Catarina também possuía um apartamento no centro da cidade e um BMW conversível.

Agora que o relacionamento havia terminado, ela levaria consigo tudo o que era seu.

Ela jamais cometeria o erro de se sacrificar e esperar que alguém o valorize.

Na cozinha, enquanto preparava o café da manhã, manteve o celular no viva-voz.

— Olá, sobre o vestido de noiva que encomendei… Cancele a entrega. Podem descartá-lo. Obrigada.

Beatriz Oliveira, sua melhor amiga, saiu do quarto bocejando e com a garganta seca.

— Bom dia. Fiz um chá de mel pra sua garganta.

— Obrigada, querida.

Na noite anterior, Beatriz ficou horas xingando do ex-namorado da Catarina por tê-la abandonado no meio dos preparativos para o casamento. De tanto falar, sua voz ficou rouca.

Olhou o relógio e perguntou com a voz fraca:

— Você não tem que ir para o trabalho? O Grupo Albuquerque faliu, por acaso?

— Fui transferida para o departamento de projetos e agora tenho folgas semanais. Além disso, pretendo pedir demissão.

Catarina trouxe duas tigelas de macarrão instantâneo com ovo frito e sorriu:

— A geladeira ainda está vazia, então vamos improvisar com isso.

— O seu macarrão sempre tem um gosto especial.

Beatriz comeu um pouco e perguntou casualmente:

— E o que você pretende fazer depois de sair do emprego?

O olhar de Catarina pousou sobre uma antiga foto da família Vasconcelos na mesa. Respirou fundo antes de responder:

— Desde que meu pai faleceu, evitei qualquer coisa que me lembrasse dele. Nunca mais toquei em design de joias…

Ela sorriu de leve.

— Ainda dá tempo de correr atrás do meu sonho?

— Claro que sim!

Beatriz segurou as mãos dela com firmeza.

— Catarina, a família Vasconcelos já foi a maior potência em joalheria de Cidade J! Suas mãos nasceram para criar designs, não para servir café pra ninguém!

A empolgação de Beatriz era contagiante.

— Quero abrir um estúdio. Você se juntaria a mim como sócia? Ainda não tenho capital suficiente.

— Eu estava esperando você me convidar! Se não chamasse, eu ficaria brava!

Com um sorriso convencido, Beatriz declarou:

— Peguei metade da fortuna do meu ex-marido no divórcio, mesmo só com os juros, vivo como uma rainha.

— Acredito no seu talento. O capital inicial fica por minha conta. Vamos fazer esse estúdio ser um sucesso! Vou começar os preparativos amanhã!

Beatriz ligou imediatamente para encomendar champanhe e flores para comemorar.

Com um estouro, a garrafa foi aberta, marcando o momento especial.

Vestidas com seus pijamas, elas ergueram as taças e apertaram as mãos com seriedade.

— Sra. Vasconcelos, que seja uma parceria de sucesso!

— Sra. Oliveira, que a riqueza nos acompanhe!

As duas explodiram em risadas e se abraçaram.

---

Segunda-feira, no 17º andar do Departamento de Projetos.

Antes da reunião, Catarina ouviu seu próprio nome ser sussurrado no banheiro da empresa.

— Você acha que a transferência da Catarina foi uma promoção ou um rebaixamento? O Sr. Albuquerque já tem uma nova secretária…

— Com certeza foi um rebaixamento. Por mais bonita que seja, ela não pode competir com uma universitária jovem.

— Então ela foi descartada pelo chefe? Não é à toa que dizem que ele está encantado pela nova secretária… Esse é o clássico caso de novo amor substituindo o antigo.

De repente, Catarina empurrou a porta e saiu.

As duas funcionárias ficaram em silêncio imediato, abaixando a cabeça.

Sem dizer nada, Catarina apenas seguiu seu caminho. Não precisava se justificar.

No escritório, Catarina apresentou um plano detalhado para o evento de joias.

O gerente do projeto, Sr. Fontes, não esperava que a "secretária caída em desgraça" fosse tão talentosa. Sua apresentação dos produtos era criativa e perspicaz.

Então, ele notou a carta de demissão sobre a mesa.

— Você foi transferida recentemente e já quer sair? Não quer reconsiderar?

— É uma decisão pessoal, mas fique tranquilo, cumprirei minhas responsabilidades até o fim do evento.

Catarina programou um cronômetro em seu celular.

O último mês de trabalho seria uma questão de princípios para ela.

---

Ricardo Albuquerque saiu cambaleando de uma reunião com amigos, claramente embriagado.

Acendeu um cigarro e pegou o celular para ligar.

Quando um Maybach parou à sua frente, quem saiu do carro foi o seu assistente.

— Ricardo, não era Catarina que vinha te buscar? — Perguntou Thiago Ribeiro, intrigado.

Catarina sempre estava disponível quando chamada.

— Sr. Ribeiro, a Srta. Catarina não faz mais parte da equipe de secretariado.

Os amigos se entreolharam, surpresos.

— Ricardo, vocês brigaram? Não estavam planejando o casamento?

O rosto de Ricardo ficou sombrio, e a embriaguez pareceu diminuir.

— Ela ficou paranoica de ciúmes e quis terminar. Cansei de tentar acalmá-la.

— Vocês cresceram juntos, foram amigos de infância. Como podem terminar por algo tão insignificante?

Thiago ao lado de Ricardo, acendeu um cigarro e sorriu:

— Vou ligar para Catarina, dar um empurrãozinho pra vocês se reconciliarem.

Ele colocou a chamada no viva voz assim que a ligação foi atendida.

— Catarina, o Ricardo está bêbado. Pode vir buscá-lo? Vou te enviar o endereço.

Após alguns segundos de silêncio, a voz dela soou calma e distante:

— Isso não faz parte das minhas responsabilidades. Ligue para outra pessoa.

A chamada foi encerrada. O ambiente ficou em um silêncio.

Ricardo, porém, soltou a fumaça do cigarro e riu com desdém.

— Para que essa encenação toda? Catarina só está tentando me forçar a procurá-la. — Ele balançou a cabeça, irritado. — Agora que você ligou, vai pensar que estou querendo voltar. Só complica as coisas.

Pedro Castro hesitou antes de perguntar:

— Ricardo, e se Catarina estiver realmente chateada? Ciúmes significam que ela se importa com você. Não custa nada dar um agrado.

— Não vou agradar coisa nenhuma! Dessa vez, foi ela que exagerou. Quando perceber que errou, ela que venha atrás de mim.

Thiago soltou um riso irônico:

— Tá se achando, hein? Todo mundo sabe que a Catarina nunca pensou em casar com outro homem que não fosse você. O casamento já estava sendo planejado. Você é o noivo, ela vai voltar.

Ricardo permaneceu tranquilo, certo de que Catarina jamais o deixaria.

Do outro lado da cidade, Catarina recebeu uma mensagem da mãe:

"Querida, marquei um encontro às 19h no Café Península para você. Tudo bem?"

"Sim, estarei lá."
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