CAPÍTULO 0006
Ricardo Albuquerque passou a noite inteira com dor de estômago, a sua cara não estava nada boa.

— Senhor, a refeição da manhã está pronta.

Dona Rosa trouxe uma tigela de capeletti e começou a limpar a casa.

Ricardo sentou-se à mesa e, enquanto ainda estava quente, deu uma mordida grande.

Talvez porque não conseguiu comer quando mais queria na noite anterior, agora, ao provar, o sabor já não era bem aquele que ele desejava.

— Da próxima vez, compre a mesma marca de antes.

— Senhor, os capelettis que o senhor costumava comer eram feitos à mão pela Srta. Vasconcelos. Mas isso dá muito trabalho, então achei que os do supermercado seriam iguais.

Ricardo comeu apenas dois.

Ele pousou os talheres e, de repente, levantou-se, dizendo:

— Não faça mais capelettis no café da manhã.

— Ah, então amanhã preparo pão de queijo e café.

A Dona Rosa não entendia. Quando a Srta. Catarina estava aqui, o senhor não parecia tão exigente com a comida.

Depois de limpar a cozinha, a Dona Rosa pegou as correspondências acumuladas na caixa de correio e as colocou na mesa de centro.

Ricardo Albuquerque desceu as escadas já vestido com seu terno. Ao passar pela mesa de centro, parou por um instante.

Seus olhos pousaram sobre uma carta no topo da pilha: um envelope enviado por uma butique de vestidos de noiva de alta costura.

De repente, sua mente foi tomada por uma lembrança vívida: Catarina, aninhada no sofá, folheando catálogos e discutindo cada detalhe com a estilista.

Vestidos de noiva feitos sob medida levavam meses para serem confeccionados, e até agora… ele ainda não fazia ideia de como seria o dela.

— Ricardo, desde pequena eu sonhava com o meu casamento. Esse seria o dia mais importante da minha vida… Quero realizar aquele desejo.

Ele ficou atordoado por um instante.

— Que desejo?

Ele segurou o envelope, hesitante por um momento.

Era algo tão distante?

Ele não se lembrava de Catarina Vasconcelos ter mencionado qualquer desejo sobre casamento quando eram crianças.

Eles cresceram juntos, e ele conhecia tudo sobre ela. Talvez fosse apenas um comentário sem importância na época.

— Catarina ainda está preparando o casamento comigo. Eu sabia, ela nunca mudou.

Bloqueá-lo era apenas uma birra passageira.

Ricardo colocou o envelope de volta, sem sequer abri-lo.

Ele não sabia que era um aviso da butique informando o prazo final para a destruição do vestido de noiva.

---

Escritório do Presidente.

A reunião das dez da manhã foi adiada em meia hora.

Atrás de sua mesa, Ricardo franziu a testa e repreendeu com severidade:

— Inês, você sequer revisa os documentos antes de trazê-los para eu assinar? Como pode cometer um erro tão grave no trabalho?

Inês Rainha estava impecavelmente vestida, com maquiagem bem feita, mas, diante da bronca, não teve coragem de levantar a cabeça.

— Me desculpe, Sr. Albuquerque…

Ouvindo sua voz trêmula, Ricardo suspirou e suavizou o tom.

— Não estou brigando com você. Você é nova aqui, cometer erros às vezes é normal. Mas, no futuro, você precisa ser mais responsável. Seu papel é facilitar meu trabalho, não o dificultar.

Pouco depois, Hugo chegou para assumir a tarefa de Inês.

Ricardo folheou rapidamente os documentos e ordenou com firmeza:

— As datas nestes dois relatórios estão erradas. Com o fechamento do trimestre se aproximando, os departamentos precisam ser mais cuidadosos. Hugo, vá revisar isso com a Cata…

Ele interrompeu-se no meio da frase.

O escritório ficou em silêncio.

Ricardo percebeu que chamou o nome errado. Sem levantar a cabeça, ajustou o tom e corrigiu:

— Você e Inês corrijam os documentos e, depois, notifiquem o Departamento de Projetos para a reunião.

— Sim, Sr. Albuquerque.

Hugo não precisava da ajuda de Inês para essa tarefa.

Deixada de lado, Inês saiu do escritório de olhos vermelhos.

Os outros funcionários da secretaria tentaram confortá-la:

— Inês, não fique triste. A secretária Catarina trabalhou aqui por anos, é normal que o Sr. Albuquerque ainda confunda os nomes.

— A Srta. Catarina também cometia erros no início. Foi com o tempo que aprendeu. Agora que você a substituiu, logo será indispensável para o Sr. Albuquerque. Tenho certeza de que será tão boa quanto ela.

Quanto mais ouvia, mais Inês sentia inveja.

Ela jamais perderia para Catarina!

---

Sala de Reuniões.

Catarina foi chamada de última hora para a reunião.

Sentada no fundo da sala, ela continuava trabalhando silenciosamente em seu celular.

— Sr. Albuquerque.

Ao som das saudações, Ricardo entrou com passos firmes.

Seu olhar foi diretamente atraído por Catarina.

Antes, ela sempre sentava ao lado dele nas reuniões. Agora, estavam separados por uma distância considerável.

Ela mantinha a cabeça baixa. Ele sabia que ela devia estar sentindo um vazio.

Por que ainda insistia em ser tão teimosa e não admitia seu erro?

Inês percebeu que Ricardo só olhava para Catarina.

Seus olhos brilharam com ressentimento.

Na apresentação dos departamentos, chegou a vez do Departamento de Projetos.

O Sr. Fontes não estava presente, então o vice-gerente trocou um olhar com Inês antes de falar:

— Catarina, os eventos que organizamos estão todos encaminhados, mas o seu, a Exposição de Joias, ainda não está definido. Faça um relatório sobre o andamento do seu trabalho.

Catarina levantou a cabeça calmamente.

Ela estava à frente desse projeto há apenas duas semanas, e o prazo já era apertado.

Essa apresentação não estava prevista, e ela não havia preparado nada.

Os olhares de todos se voltaram para ela.

Todos sabiam que sua transferência de setor foi resultado de problemas pessoais com Ricardo.

Ninguém acreditava que ela fosse competente.

— Claro.

Sem precisar de slides, Catarina expôs os detalhes da organização da exposição, destacando que conseguiu a participação da renomada Doutora Lorena, o que já gerava bastante repercussão.

Essa exposição representava suas aspirações e o caminho para seu sonho. Ela sorriu, radiante.

Os gestores presentes começaram a vê-la com outros olhos.

Ricardo entrecerrou os olhos preguiçosamente, ligeiramente distraído.

Ele não esperava que Catarina estivesse se esforçando tanto só para chamar sua atenção.

E, estranhamente, ao perceber isso, não ficou irritado. Pelo contrário, sentiu-se satisfeito.

O vice-gerente não esperava por isso. Catarina não havia se preparado, ela deveria passar vergonha diante de todos. Como acabou transformando a situação em uma oportunidade para se destacar?

Incomodado, ele tentou desmerecê-la:

— Mas você ainda nem garantiu um local para o evento, sem falar nas joias e designers que ainda estão pendentes. Planejamento no papel não adianta nada sem execução real.

— Sei disso.

Catarina manteve uma postura impecável.

O inesperado foi que Ricardo não gostou nada daquilo.

A apresentação dela era para ele, não para ser julgada por outros.

— Ainda há tempo para a exposição. Se precisarem de algo, podem reportar diretamente a mim.

Embora não tenha dito nomes, estava claramente falando para Catarina.

Ele também precisava lhe dar uma saída digna. Se não conseguisse concluir o trabalho, sempre poderia procurá-lo em busca de ajuda.

Mas ela nem ouviu. Estava ocupada revisando documentos no grupo de trabalho.

Quando a reunião terminou, Inês interceptou.

— O Sr. Albuquerque mandou você ir para o escritório. Aposto que não gostou da sua apresentação. — A última parte saiu carregada de inveja.

Catarina entrou no escritório.

A luz do sol nascente iluminava o vaso de plantas que ela costumava regar, agora quase morto.

Ela lançou um olhar rápido, sem dar importância. Virou para o Ricardo.

— Sr. Albuquerque, mais alguma coisa?

— Qual era o remédio para meu estômago? — Ele reclinou-se na cadeira, descansando de olhos fechados, com uma expressão claramente desconfortável, como se estivesse com dor no estômago.

Ele perguntou sobre remédio para o estômago, então, com certeza, estava sentindo dor.

Ela percebeu a insinuação dele, obviamente sabia que essa era uma oportunidade para demonstrar preocupação.

Catarina achou graça, mas manteve a calma ao responder:

— Esse tipo de coisa você deveria pedir para a secretária Inês. Se o Sr. Albuquerque não tem mais nada a tratar sobre o departamento de projetos, então já vou indo.

— Estou com dor no estômago e você nem se preocupa comigo...?

Ricardo abriu os olhos de repente, mas, antes que pudesse dizer mais alguma coisa, viu Catarina já saindo e entrando no elevador.

Por um instante, ele ficou paralisado. De repente, parecia que sua dor de estômago piorou.

Ela realmente não se importava mais com ele?
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