Catarina olhou para Leonardo tão abatido, ainda preocupado com tantas coisas, que no fim só conseguiu tomar a decisão que menos gostaria.— Com o Sr. assim... como é que eu posso ir embora tranquila?— Está tudo bem. Também nem estou com muita fome. — Enquanto falava, ele levou a mão inconscientemente ao estômago.Ao ver isso, Catarina suspirou. Seus passos, que já se afastavam, pararam, e ela voltou a se aproximar.Ela lançou um olhar para os remédios trazidos do hospital e disse:— Os antibióticos e analgésicos precisam ser tomados depois de comer. Tem alguma coisa na geladeira? Eu também não tomei café da manhã… então vamos considerar que o Sr. Cortez está me oferecendo uma refeição. Eu mesma preparo.Leonardo ergueu os olhos para ela, um leve sorriso aparecendo no fundo do olhar.— A Srta. Catarina não dormiu direito essa noite, não é? É melhor descansar um pouco.— O senhor está recusando o café da manhã comigo? — Catarina rebateu.Diante da pergunta, Leonardo não resistiu e riu,
— Está bem.Catarina olhou o relógio, encheu um copo de água e colocou todos os remédios que ele deveria tomar sobre a mesa.— O Sr. Cortez não vai ao trabalho hoje, né? Então, tome os remédios e descanse bastante.— Está bem.Leonardo deu meia-volta para atender o celular que começava a tocar.— Vou pegar uma chamada.Era o vice-presidente.Todos os assuntos da empresa seriam adiados por enquanto.Ao falar, seu olhar vagou involuntariamente em direção ao jardim da propriedade, onde as flores estavam sendo cuidadas.As rosas champanhe estavam florescendo muito bem.Leonardo se distraiu por um instante, imaginando uma desculpa para mandar um buquê à Catarina.Mas antes que desse ordem a algum funcionário, outro número apareceu na tela.Não estava salvo, mas ele se lembrava, era o número que Catarina usara no dia anterior para ligar, é de Beatriz.Leonardo fechou os olhos por um momento, respirou fundo e atendeu.— Srta. Catarina, a Srta. Beatriz ligou agora há pouco. Eu disse a ela que
As palavras de Catarina carregavam uma ponta de autoironia difícil de disfarçar.Beatriz, ao ouvi-las, não conseguiu segurar mais uns xingamentos direcionados ao desgraçado do ex.— Já passou. Não vai mais acontecer.— É.Passou mesmo?Catarina desbloqueou o celular e viu dezenas de chamadas não atendidas e mensagens no WhatsApp.Os mais insistentes eram Thiago e Pedro.Ela suspirou, como se estivesse resignada, mas não respondeu nenhuma.A notícia sobre o deslizamento de terra havia sido veiculada nos jornais, mas sua identidade não fora divulgada.As únicas pessoas que sabiam que ela esteve em perigo... só poderiam ter ouvido de Ricardo.— Catarina, o seguro disse que você precisa assinar pessoalmente. Vamos direto pra lá?— Vamos.Ela colocou o celular em modo silencioso e guardou na bolsa.Enquanto resolvia o seguro do carro, Beatriz recebeu outra ligação, dessa vez da obra.— Eu nunca imaginei que reforma fosse tão complicada assim.— É pelo bem do nosso estúdio. Vai lá resolver,
— Você ainda não me respondeu. Por que não voltou pra casa ontem à noite? Foi a Beatriz que arranjou um lugar pra você se esconder de mim? Você tem ideia do quanto eu me preocupei? Passei a noite em claro! É isso que você queria, não é? Me deixar desesperado, se vingar de mim?Ele não sabia o que realmente tinha acontecido com ela.Tudo o que tinha eram suposições fervendo dentro do peito.— Eu já disse, a minha vida não diz respeito a você.Catarina deu a volta por ele e foi direto abrir a porta do carro.Pelo retrovisor, viu Ricardo vindo atrás.Agora, ela estava mais alerta do que nunca. Jamais permitiria ser pega de surpresa de novo.— Ricardo! Aqui é um lugar público. Vai querer causar de novo?Ele não esperava que ela reagisse assim, como se estivesse em estado de alerta.— Catarina, não vai embora. A gente sempre termina a conversa pela metade…Enquanto falava, notou no banco traseiro do carro dela um pacote da casa de leilões, o mesmo tipo usado para as obras arrematadas.Ricar
Catarina finalmente voltou pra casa.Ela pegou a obra deixada por seu pai e a colocou no melhor lugar do ateliê.— Pai, me desculpa por ter demorado tanto pra voltar e seguir seu maior amor, o design. Agora você pode ficar aqui e ver meu crescimento dia após dia.Apesar de ter passado a noite no hospital, o espírito de Catarina estava bem.Sozinha, sentou-se em silêncio e começou a organizar os vastos materiais históricos sobre cultura tradicional.Ao anoitecer, Beatriz não tinha voltado, estava em um encontro.Catarina cozinhou um macarrão pra si mesma.De repente pensou em Leonardo, então mandou uma mensagem perguntando se ele podia atender uma ligação.Logo, o telefone tocou.— Sr. Cortez, o senhor descansou bem?Do outro lado, Leonardo vestia pijama e estava sentado à mesa do escritório, cercado de documentos a resolver.— Sim, muito bem. A senhorita queria falar sobre algo?— Queria perguntar sobre sua conta bancária, pra eu poder transferir o valor do leilão de ontem.Com o dinhe
Assim que abriram a boca, a rivalidade entre os dois ficou evidente.Ricardo estava sombrio e perigoso.— Você vive grudado na Catarina. Acha que assim vai conseguir tomar meu lugar?Eduardo parou de andar, ficou diante dele, tomou um gole de vinho e apenas sorriu, sem dizer nada.Mas para Ricardo, esse silêncio era a confirmação.— Sr. Souza, mesmo que a Catarina esteja se escondendo de mim agora, é só porque quer me provocar. Isso é o jogo entre nós. As mulheres gostam dessa sensação de serem disputadas, mas no fundo ela já escolheu. Ela nunca mudou.— Não pense que você pode se aproveitar da situação e subir na vida. Você não passa de um figurante no nosso teatrinho.Eduardo assentiu, como se tivesse entendido tudo.Percebeu que alguma coisa séria tinha acontecido entre Ricardo e Catarina.Mesmo sem ter ligação nenhuma com isso, Ricardo já o havia escolhido como rival.Eduardo não se explicou. Ao contrário, sorriu e devolveu com ironia:— O Sr. Albuquerque tá bravo porque não foi o
Sete anos de namoro com Ricardo Albuquerque e, finalmente, Catarina Vasconcelos queria se casar.Ela já tinha escolhido o vestido de noiva para si. Tudo o que esperava era que ele dissesse aquela frase.Seu primeiro amor, desde o estudante até o trabalho. Ela o amava tanto que já não tinha um mundo próprio, vivia à sombra dele.Uns dias antes, os boatos corriam soltos.Diziam que Ricardo estava muito próximo de uma estudante que ele mesmo patrocinava. Amigas alertaram Catarina para tomar cuidado.Naquela manhã, ela tinha um exame pré-nupcial agendado no hospital.Mas, ao chegar lá, deu de cara com Ricardo, que supostamente estaria em uma reunião, acompanhando a tal garota no exame admissional dela.A jovem reclamava da dor ao tirar sangue e, diante dos olhos de Catarina, ele passou longos minutos a consolando com todo o carinho do mundo.Os dedos de Catarina tremiam quando ela rasgou sua última ficha de reagendamento do exame.No telefone, a voz de sua mãe, Tânia Vasconcelos, soou hesi
A mansão estava silenciosa.Ricardo Albuquerque terminou o banho e, por hábito, estendeu a mão para pegar as roupas penduradas, mas encontrou o espaço vazio.Antes, Catarina sempre deixava suas roupas combinadas e prontas para ele.Só um momento de pausa, ele seguiu até o closet e vestiu um terno.Mas após experimentar duas gravatas, sentiu que nenhuma combinava direito. No final, irritado, arrancou a gravata e desabotoou o colarinho.Ele desceu das escadas, não encontrou café da manhã na cozinha, então saiu diretamente para o trabalho.No escritório do presidente do Grupo Albuquerque.Pela primeira vez, o assistente Hugo Almeida viu o Sr. Albuquerque tomar café da manhã no escritório. Enquanto ele comia, Hugo fazia o relatório do dia.— Sr. Albuquerque, a reunião matinal foi cancelada. A Srta. Inês começou a trabalhar hoje. Conforme suas instruções, já organizei o espaço dela. A partir de agora, a secretária Inês será responsável pela sua agenda.Ricardo levantou os olhos e viu, do la