— Você ainda não me respondeu. Por que não voltou pra casa ontem à noite? Foi a Beatriz que arranjou um lugar pra você se esconder de mim? Você tem ideia do quanto eu me preocupei? Passei a noite em claro! É isso que você queria, não é? Me deixar desesperado, se vingar de mim?Ele não sabia o que realmente tinha acontecido com ela.Tudo o que tinha eram suposições fervendo dentro do peito.— Eu já disse, a minha vida não diz respeito a você.Catarina deu a volta por ele e foi direto abrir a porta do carro.Pelo retrovisor, viu Ricardo vindo atrás.Agora, ela estava mais alerta do que nunca. Jamais permitiria ser pega de surpresa de novo.— Ricardo! Aqui é um lugar público. Vai querer causar de novo?Ele não esperava que ela reagisse assim, como se estivesse em estado de alerta.— Catarina, não vai embora. A gente sempre termina a conversa pela metade…Enquanto falava, notou no banco traseiro do carro dela um pacote da casa de leilões, o mesmo tipo usado para as obras arrematadas.Ricar
Catarina finalmente voltou pra casa.Ela pegou a obra deixada por seu pai e a colocou no melhor lugar do ateliê.— Pai, me desculpa por ter demorado tanto pra voltar e seguir seu maior amor, o design. Agora você pode ficar aqui e ver meu crescimento dia após dia.Apesar de ter passado a noite no hospital, o espírito de Catarina estava bem.Sozinha, sentou-se em silêncio e começou a organizar os vastos materiais históricos sobre cultura tradicional.Ao anoitecer, Beatriz não tinha voltado, estava em um encontro.Catarina cozinhou um macarrão pra si mesma.De repente pensou em Leonardo, então mandou uma mensagem perguntando se ele podia atender uma ligação.Logo, o telefone tocou.— Sr. Cortez, o senhor descansou bem?Do outro lado, Leonardo vestia pijama e estava sentado à mesa do escritório, cercado de documentos a resolver.— Sim, muito bem. A senhorita queria falar sobre algo?— Queria perguntar sobre sua conta bancária, pra eu poder transferir o valor do leilão de ontem.Com o dinhe
Assim que abriram a boca, a rivalidade entre os dois ficou evidente.Ricardo estava sombrio e perigoso.— Você vive grudado na Catarina. Acha que assim vai conseguir tomar meu lugar?Eduardo parou de andar, ficou diante dele, tomou um gole de vinho e apenas sorriu, sem dizer nada.Mas para Ricardo, esse silêncio era a confirmação.— Sr. Souza, mesmo que a Catarina esteja se escondendo de mim agora, é só porque quer me provocar. Isso é o jogo entre nós. As mulheres gostam dessa sensação de serem disputadas, mas no fundo ela já escolheu. Ela nunca mudou.— Não pense que você pode se aproveitar da situação e subir na vida. Você não passa de um figurante no nosso teatrinho.Eduardo assentiu, como se tivesse entendido tudo.Percebeu que alguma coisa séria tinha acontecido entre Ricardo e Catarina.Mesmo sem ter ligação nenhuma com isso, Ricardo já o havia escolhido como rival.Eduardo não se explicou. Ao contrário, sorriu e devolveu com ironia:— O Sr. Albuquerque tá bravo porque não foi o
Sete anos de namoro com Ricardo Albuquerque e, finalmente, Catarina Vasconcelos queria se casar.Ela já tinha escolhido o vestido de noiva para si. Tudo o que esperava era que ele dissesse aquela frase.Seu primeiro amor, desde o estudante até o trabalho. Ela o amava tanto que já não tinha um mundo próprio, vivia à sombra dele.Uns dias antes, os boatos corriam soltos.Diziam que Ricardo estava muito próximo de uma estudante que ele mesmo patrocinava. Amigas alertaram Catarina para tomar cuidado.Naquela manhã, ela tinha um exame pré-nupcial agendado no hospital.Mas, ao chegar lá, deu de cara com Ricardo, que supostamente estaria em uma reunião, acompanhando a tal garota no exame admissional dela.A jovem reclamava da dor ao tirar sangue e, diante dos olhos de Catarina, ele passou longos minutos a consolando com todo o carinho do mundo.Os dedos de Catarina tremiam quando ela rasgou sua última ficha de reagendamento do exame.No telefone, a voz de sua mãe, Tânia Vasconcelos, soou hesi
A mansão estava silenciosa.Ricardo Albuquerque terminou o banho e, por hábito, estendeu a mão para pegar as roupas penduradas, mas encontrou o espaço vazio.Antes, Catarina sempre deixava suas roupas combinadas e prontas para ele.Só um momento de pausa, ele seguiu até o closet e vestiu um terno.Mas após experimentar duas gravatas, sentiu que nenhuma combinava direito. No final, irritado, arrancou a gravata e desabotoou o colarinho.Ele desceu das escadas, não encontrou café da manhã na cozinha, então saiu diretamente para o trabalho.No escritório do presidente do Grupo Albuquerque.Pela primeira vez, o assistente Hugo Almeida viu o Sr. Albuquerque tomar café da manhã no escritório. Enquanto ele comia, Hugo fazia o relatório do dia.— Sr. Albuquerque, a reunião matinal foi cancelada. A Srta. Inês começou a trabalhar hoje. Conforme suas instruções, já organizei o espaço dela. A partir de agora, a secretária Inês será responsável pela sua agenda.Ricardo levantou os olhos e viu, do la
Catarina Vasconcelos estava indo pela primeira vez para um encontro arranjado.Para mostrar respeito, ao chegar em casa depois do trabalho, lavou o cabelo, trocou para um vestido azul-claro com franjas e fez uma maquiagem leve antes de sair.Assim que desceu do carro em frente ao café, recebeu uma longa mensagem de voz de sua mãe."Catarina, já perguntei tudo para você. O nome dele é David Costa, tem 28 anos, 1,78 de altura, trabalha no departamento de marketing de uma multinacional e ganha mais de 30 mil por mês. Nem gordo, nem magro, aparência comum, é um pouco introvertido. O tio Roberto disse que ele vai direto depois do trabalho. O sinal é uma rosa-branca sobre a mesa."Catarina riu discretamente. Por que sua mãe simplesmente não mandou uma foto em vez de criar esse enigma?O café não estava muito cheio naquele horário.Perto da janela, havia um homem de terno, e no copo sobre a mesa, uma rosa-branca.Sentindo-se um pouco constrangida, Catarina respirou fundo e caminhou até ele.—
O outro lado da linha ficou em silêncio por um momento.Ricardo sorriu de canto, esperando ouvir a resposta ansiosa de Catarina.No entanto, uma voz feminina desconhecida, um tanto hesitante, falou:— É o Sr. Albuquerque? A Catarina transferiu o número dela para a empresa. Ela disse que não quer ser incomodada durante o trabalho. Quando ela voltar, eu aviso que o senhor a procurou.Ricardo Albuquerque: "…"Até o horário de expediente terminar, o celular de Ricardo permaneceu em silêncio.O elevador apitou ao chegar ao 17º andar.O gerente do projeto, Sr. Fontes, saiu apressado para recebê-lo.— Sr. Albuquerque, o que o senhor faz no departamento de projetos?Normalmente, qualquer assunto era resolvido por telefone. Ele nunca aparecia pessoalmente.— Estava passando e resolvi dar uma olhada.Ricardo lançou um olhar para dentro, mas não viu Catarina.Sr. Fontes, percebendo a situação, prontamente respondeu:— Estamos com falta de pessoal no departamento de projetos. A exposição de joias
Catarina ainda nem teve tempo de dizer o seu assunto.Ao seu lado, chegaram dois empresários, também querendo agendar uma reunião com Sr. Cortez.“……”Realmente, ele é ocupado.A recepcionista, claramente experiente, manteve um sorriso profissional, respondeu:— O Sr. Cortez está muito ocupado no momento e não é possível aceitar novos agendamentos. Por favor, deixe suas informações, e eu entrarei em contato quando houver disponibilidade.Os outros estavam registrando suas credenciais de maneira formal.Catarina espiou de relance e percebeu que, como simples trabalhadora, ela não tinha qualquer vantagem ali."Sr. Cortez, sou a autora do design da peça “Menina dos Desejos” que foi leiloada pela família Cortez há quatro anos. Gostaria de exibi-la em uma exposição. Por favor, entre em contato comigo."O prazo para a organização da exposição era curto, e Catarina estava ficando ansiosa.Sempre que tinha um intervalo entre o trabalho, fosse de manhã, tarde ou noite, ela passava na empresa da