CAPÍTULO 0004
O outro lado da linha ficou em silêncio por um momento.

Ricardo sorriu de canto, esperando ouvir a resposta ansiosa de Catarina.

No entanto, uma voz feminina desconhecida, um tanto hesitante, falou:

— É o Sr. Albuquerque? A Catarina transferiu o número dela para a empresa. Ela disse que não quer ser incomodada durante o trabalho. Quando ela voltar, eu aviso que o senhor a procurou.

Ricardo Albuquerque: "…"

Até o horário de expediente terminar, o celular de Ricardo permaneceu em silêncio.

O elevador apitou ao chegar ao 17º andar.

O gerente do projeto, Sr. Fontes, saiu apressado para recebê-lo.

— Sr. Albuquerque, o que o senhor faz no departamento de projetos?

Normalmente, qualquer assunto era resolvido por telefone. Ele nunca aparecia pessoalmente.

— Estava passando e resolvi dar uma olhada.

Ricardo lançou um olhar para dentro, mas não viu Catarina.

Sr. Fontes, percebendo a situação, prontamente respondeu:

— Estamos com falta de pessoal no departamento de projetos. A exposição de joias ainda não tem local nem convidados definidos. A Catarina está cuidando de tudo pessoalmente. O senhor quer que eu ligue para ela voltar?

Nos olhos de Ricardo, passou um traço sutil de decepção, mas seu rosto logo se fechou.

— Quem perguntou sobre ela? E mais, Catarina Vasconcelos não é mais secretária.

Ao ver o chefe se afastar, Sr. Fontes ficou sem entender o motivo da visita.

---

No dia seguinte.

Catarina estava fazendo um café antes da reunião.

Ao entrar na copa, viu Inês Rainha remexendo suas coisas.

— O que você está fazendo? — Perguntou, com voz fria.

Ao ouvir a pergunta, Inês respondeu com voz doce:

— Catarina, você sabe que agora cuido do Sr. Albuquerque. Ele nunca reclamou de nada, mas tenho medo de não estar fazendo um bom trabalho e acabar atrapalhando-o.

— E o que isso tem a ver comigo?

Catarina olhou para os grãos de café espalhados sobre a mesa e disse friamente:

— Inês, mesmo que eu não tenha lhe ensinado nada, o mínimo de educação você deveria ter. Isso aqui é o departamento de projetos. Se precisar fazer algo, volte para a secretaria.

O barulho atraiu os colegas fofoqueiros, que se aproximaram para espiar.

— Catarina, você ainda está chateada? — Inês perguntou com os olhos vermelhos, visivelmente constrangida.

Com a voz embargada, continuou:

— Trabalho como secretária apenas porque quero retribuir o apoio financeiro que o Sr. Albuquerque me deu. Nunca tive a intenção de tomar o seu lugar. Este café é um pedido de desculpas. Afinal, nesses últimos anos, com a sua experiência por tantos anos, ninguém faz melhor que você. Por favor, me ensine.

Segurando um bule de café recém-passado, Inês seguiu em direção a Catarina.

Catarina desviou rapidamente.

Inês, por sua vez, bateu contra a mesa, derrubando o café quente sobre a própria mão, deixando uma vermelhidão instantânea.

— Ai, está doendo...

— Inês!

A aparição de Ricardo fez todos os espectadores recuarem.

Ele correu para segurar a mão de Inês sob a água fria e, ao vê-la tremendo de dor, franziu a testa.

— Sua queimadura é grave. Eu te levo ao hospital.

— Não foi nada... Foi minha culpa. Não foi culpa da Catarina. — Inês chorava, soluçando. — Sr. Albuquerque, só estava pensando em aprender a fazer café com Catarina, que tonta eu sou.

— Inês, eu sei que você fez isso por mim.

Ricardo a confortou com voz suave.

Depois, voltou-se para Catarina com uma expressão sombria.

— Inês veio aprender com você e é assim que responde? Catarina Vasconcelos, deixe sua vida pessoal fora do trabalho. Você escolheu sair da secretaria, então fique agora no departamento de projetos. Não há mais lugar para você lá.

Sem se abalar, Catarina observou Ricardo amparar Inês.

Que bela encenação...

Inês está repetindo o mesmo truque. Mas ela ainda liga para isso?

— Espere um momento.

Ricardo parou e olhou para ela de cima, com arrogância.

— Percebeu seu erro? Se você puder corrigir suas falhas e se dar bem com a Inês, talvez ainda tenha uma chance de voltar.

— Eu só queria lembrar a ela...

Com um sorriso, Catarina apontou para a copa.

— ...ela precisa limpar isso antes de sair. Não queremos que o departamento de projetos fique inutilizável.

O rosto de Ricardo endureceu.

— Catarina Vasconcelos! Lembre-se das suas próprias palavras.

Ele pretendia dar-lhe uma chance de voltar. Mas, já que ela se recusa a aceitar, veremos quanto tempo aguenta antes de implorar para voltar.

— Chame a limpeza!

Com isso, Ricardo saiu com Inês.

Os colegas do departamento se juntaram ao redor de Catarina, curiosos para ver sua reação.

Respirando fundo, ela ergueu o celular e disse:

— A copa está interditada. O nosso café da tarde fica por minha conta.

Depois de tomar o café, Catarina iniciou a reunião.

Na exposição de joias, seis pessoas faziam parte da equipe dela.

Durante a discussão dos convidados, sugeriram:

— Podemos convidar a professora Lorena Ferreira, que é renomada tanto no exterior quanto em Cidade J. É a combinação perfeita de jovens talentos e designers consagrados, encaixando-se no tema "Herdando o Legado".

Catarina concordou:

— Eu mesma a convidarei.

---

Catarina Vasconcelos chegou à residência da professora Lorena Ferreira, carregando uma cesta de frutas.

Aguardou na sala de estar e, quando viu a elegante senhora de meia-idade descendo as escadas com um vestido de gala, levantou-se educadamente.

— Olá, professora Ferreira. Sou filha de Jorge Vasconcelos, a senhora se lembra de mim?

— Claro que me lembro. O Sr. Vasconcelos sempre dizia que sua filha tinha um grande talento para o design.

Lorena Ferreira sorriu de maneira afável.

— Estou aqui em nome do Grupo Albuquerque para convidá-la.

Catarina entregou a proposta que trouxera consigo e explicou:

— Sei que seus olhos não estão bem ultimamente e que até recusou a participação na Exposição Nacional, mas devo admitir que meu convite tem um toque pessoal, já que algumas das peças da exposição são suas.

Lorena, impressionada com sua apresentação, mostrou-se satisfeita com os detalhes do evento.

— Srta. Vasconcelos, por que não seguiu os passos de seu pai e se tornou designer de joias?

— Eu só tenho uma única obra.

Catarina virou para a última página da apresentação, revelando uma escultura de jade chamada “Menina dos Desejos”.

— Essa peça é sua?

Os olhos de Lorena brilharam de surpresa. Segurou as mãos de Catarina, emocionada:

— Quando essa escultura foi leiloada no exterior, eu estava lá. Mas o designer era anônimo. Consegui sentir que era uma criação feminina e repleta de calor. Depois de ser arrematada por um valor altíssimo, foi adquirida por um colecionador. Sempre me perguntei quem seria o artista. Então era você!

— Depois que meu pai faleceu, não continuei na área do design.

Com um sorriso sincero, Catarina explicou:

— Esta será minha última tarefa antes de deixar a empresa. Quero expor minha obra, então estou aqui para convidá-la. Espero que aceite.

— Claro, aceitarei o convite. Tenho certeza de que o Sr. Vasconcelos ficaria muito orgulhoso de você.

Após discutirem os detalhes da exposição, Catarina fez uma pergunta que estava em sua mente:

— Professora Ferreira, a senhora sabe quem adquiriu minha peça?

— Pelo que me lembro, foi a família Cortez.

Ao sair da casa da professora, Catarina entrou no carro e ligou para Beatriz Oliveira.

— Antes do meu divórcio, aquele traste mencionou que o herdeiro da família Cortez viveu anos no exterior. O filho mais velho deles faleceu tragicamente, e o patriarca começou a preparar o segundo neto como sucessor. Pelo que sei, ele voltou recentemente para Cidade J. Aposto que há uma fila de pessoas esperando para falar com ele.

— Mesmo que seja difícil encontrá-lo, eu preciso. Minha obra está nas mãos da família Cortez.

— Boa sorte, querida.

Catarina dirigiu diretamente para a sede do Grupo Cortez.

Ao chegar à recepção, entregou seu cartão de visitas e disse:

— Olá, gostaria de falar com o Sr. Leonardo Cortez.
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