CAPÍTULO 0008
— Sr. Albuquerque, você está querendo tudo ao mesmo tempo?

Eduardo não demonstrou qualquer receio diante do aviso de Ricardo Albuquerque, ao contrário, questionou ao sorrir:

— Ouvi dizer que você arranjou uma nova secretária e transferiu Catarina para outro setor. Se você e ela terminaram, então precisa aceitar que agora ela pode ter outros homens ao seu redor.

— Terminamos? Isso foi ela que disse?

O olhar de Ricardo ficou sombrio, seu olhar carregado de escuridão.

Ele não esperava que os pretendentes ao redor de Catarina Vasconcelos surgissem tão rápido.

O incessante zumbido dessas "abelhas" em volta dela irritava seus nervos, enchendo-o de frustração e raiva.

— Eu e Catarina nunca terminamos!

Desde a época da faculdade, eles estavam juntos. Sete anos inteiros, e Catarina nunca havia se afastado dele.

Ele era a pessoa mais importante em seu mundo. Não havia a menor chance de que ela realmente quisesse terminar.

— Sr. Albuquerque, acho que me entendeu mal. Meu encontro com Catarina aqui foi estritamente profissional. — Explicou Eduardo, mas logo mudou o tom. — Mas, com a beleza e a capacidade que ela tem, com certeza poderá escolher alguém novamente. Sr. Albuquerque, essa sua tentativa infantil de me impedir… é assim que você resolve as coisas?

— Sr. Souza, isso aí é só briga de casal, nada que não se resolva entre quatro paredes.

Thiago sorriu e acrescentou:

— Talvez você ainda não saiba, mas Catarina está organizando o casamento com Ricardo. Assim que a data for definida, Ricardo, não esquece de mandar um convite para o Sr. Souza.

Como amigo próximo dos dois e testemunha dessa relação, ele sabia melhor do que ninguém.

Um amor de infância que sobreviveu até aqui não poderia ser abalado por ninguém.

— No dia do meu casamento, Sr. Souza, você estará na lista de convidados. — Ricardo, confiante, seguro de si, como alguém que não teme nada.

— Somos todos amigos aqui, não há necessidade de criar atritos por causa de uma mulher. Melhor esclarecer esse mal-entendido e seguir em frente — Pedro tentou acalmar os ânimos.

— Tem tanta certeza assim, Sr. Albuquerque? — Eduardo sorriu, como se estivesse testando os limites dele. — Se Catarina escolher se casar com você, eu lhes desejarei felicidades. Mas se ela escolher outra pessoa... então, eu lutarei por ela.

— Você não tem nem chance, nem direito! — Ricardo afirmou com frieza.

Porém, aquelas palavras, como um espinho, se cravaram nos ouvidos dele, difíceis de ignorar.

Se Catarina não o escolhesse, quem mais ela poderia escolher?

Ele sempre foi a única escolha dela!

A conversa terminou de forma desagradável.

----

Enquanto isso, Inês segurava as chaves do carro, escondida por perto, ouvindo tudo.

Ela agora estava assumindo o papel de secretária pessoal de Ricardo.

— Sr. Ricardo, eu o levo para casa.

Ele hesitou por um instante ao entrar no carro.

Antes, sempre que Catarina vinha buscá-lo, Ricardo fazia questão de sentar no banco do passageiro, assim, a proximidade facilitava quando, embriagado, se agarrava a ela.

Mas agora, vendo Inês no volante, ele preferiu sentar-se no banco de trás.

O espaço no carro era fechado.

Ricardo não havia jantado, apenas bebido, e o desconforto em seu estômago só piorava. Frustrado, franziu a testa e abaixou o vidro da janela.

— Da próxima vez, não use um perfume tão forte.

— Tá bom. — Inês respondeu com um tom doce.

Quando saíram do estacionamento, Ricardo avistou de relance o carro esportivo de Eduardo, um súbito desejo de competir tomou conta dele.

— Não vamos para casa. Vá para a residência em Baía Cristalina.

Ele já tinha mandado Hugo investigar, sabia que Catarina estava temporariamente morando lá.

— O senhor quer ver a Catarina? — Inês piscou os olhos, disfarçando um sorriso malicioso. Decidiu mentir deliberadamente. — Hoje, eu ouvi a Catarina no telefone no escritório. Ela marcou esse encontro com o Eduardo propositalmente. Acho que queria que alguém visse.

— Você tem certeza de que ouviu Catarina dizendo isso?

Ricardo ficou surpreso por um momento e, então, riu.

Por pouco, ele quase caiu nessa armadilha!

Catarina sabia que eles estariam jantando ali e, mesmo assim, escolheu se encontrar com Eduardo no mesmo lugar.

Ela queria despertar a competição entre os homens, provocar seu ciúme.

Só podia ser isso.

Mesmo um pouco irritado, no fundo, Ricardo sentia-se mais feliz do que qualquer outra coisa.

Afinal, ninguém conhecia Catarina melhor do que ele.

Ele era seu primeiro amor, o único qual ela aceitaria se casar.

---

Enquanto isso, Catarina estava ocupada preparando um evento.

Nos dois dias seguintes, ela acompanhou pessoalmente sua equipe na montagem do local.

Ela estava tão atarefada que nem teve tempo de checar o celular. Às dez da manhã, ainda não havia tomado café da manhã.

— Querida, trabalhar de barriga vazia não dá! Trouxe um banquete para você! — Beatriz apareceu de surpresa, carregando um saco de McDonald's em uma mão e um projeto de design na outra.

As duas se sentaram nos degraus.

— O design do seu estúdio está incrível, não esperava menos do seu bom gosto, Srta. Oliveira.

Catarina dava mordidas no hambúrguer enquanto olhava rapidamente para a contagem regressiva no calendário do celular.

— Faltam só dez dias para eu sair do emprego, bem a tempo do fim da exposição. Depois disso, posso dividir as responsabilidades do estúdio com você.

— Só não se esforce demais.

— Vale a pena lutar pelos meus sonhos e objetivos. — Beatriz assentiu.

Definitivamente, muito melhor do que gastar todo seu tempo com um homem que não valia a pena.

— Catarina, ele está te incomodando no trabalho?

Ela sabia de quem Beatriz estava falando. Catarina apenas sorriu.

— Não, meu celular tem estado bem silencioso.

Enquanto isso, Ricardo passou dias sofrendo com dor de estômago.

Bebeu novamente no almoço de negócio. Dessa vez, seu corpo não aguentou. Foi levado às pressas para o pronto-socorro.

Somente Thiago conseguiu chegar ao hospital.

Ao ver que a situação não estava boa, ele imediatamente mandou uma mensagem para Catarina.

"Catarina, o Ricardo teve uma hemorragia gástrica e está no Hospital Central. Venha rápido."

Entrando na sala de emergência, Thiago olhou para Ricardo, pálido e fraco.

— Avisei a Catarina. Vocês podem estar brigados, mas assim que souber que você não está bem, com certeza virá cuidar de você.

Ricardo franziu a testa, mas não rejeitou a ideia.

No fundo, ele até esperava por isso.

Do outro lado.

O celular de Catarina vibrou com uma mensagem inesperada. Seu rosto mudou na hora, e ela se levantou apressada.

— Beatriz, surgiu um imprevisto. Preciso ir agora. Te ligo à noite.

Meia hora depois.

Hospital Central.

Ricardo estava na sala de emergência, recebendo soro na veia.

De repente, o som apressado de saltos ecoou pelo corredor, aproximando-se cada vez mais.

Ele abriu os olhos lentamente, esperando ver Catarina como antes, com aquela expressão aflita, correndo até ele, preocupada, sem hesitar.

No entanto, a porta se abriu, não era Catarina, e sim Inês, chorando e preocupada.

O olhar de Ricardo ficou imediatamente desapontado.

— Sr. Ricardo, o senhor está bem? — Inês perguntou com os olhos vermelhos.

Ele nem respondeu. Apenas olhou em direção à porta novamente.

Mas Catarina não apareceu.

Quando Thiago voltou do pagamento das despesas, percebeu a frustração nos olhos dele e tentou justificar:

— Talvez Catarina não tenha visto minha mensagem. Se ela souber que você está no hospital, com certeza virá. Vou ligar para ela de novo.

O rosto de Ricardo escureceu.

— Não ligue para ela! Eu não estou esperando por ela. Se ela perdeu essa chance, então que se arrependa sozinha!

Mas, naquele momento, ele não sabia se era apenas o estômago que doía…

Parecia que o coração também estava incomodando.

---

Catarina Vasconcelos dirigiu apressada até a sede do Grupo Cortez.

Chegando lá, correu até a recepção, ainda ofegante, perguntou:

— Oi, recebi uma mensagem dizendo que o Sr. Cortez voltou. Ele tem um momento para me receber agora?

A recepcionista lhe lançou um sorriso educado, mas resignado.

— Sinto muito, Srta. Vasconcelos, mas você chegou tarde. O Sr. Cortez já saiu novamente para resolver outras questões.

— Então… você sabe quando ele volta?

— Não posso dizer ao certo.

Ao ouvir isso, Catarina desanimou.

— Vou esperar no café do outro lado da rua. Se o Sr. Cortez voltar, por favor, me avise. Obrigada.

O café ficava no terceiro andar do edifício.

Sentada à mesa próxima à janela, Catarina tinha uma visão clara da entrada principal do Grupo Cortez.

Encontrar o enigmático Sr. Cortez parecia uma missão impossível.

Se não conseguisse fechar um acordo com a família Cortez a tempo, teria que cancelar uma parte essencial da exposição, a apresentação de sua obra.

Decidida a não perder tempo, passou a tarde trabalhando ali mesmo.

Foi quando, pelo canto do olho, notou um homem de terno sentando-se perto dela.

Instintivamente, ergueu o olhar e, para sua surpresa, reconheceu o rosto à sua frente.

— Sr. Costa?

David Costa. O homem com quem havia saído em um encontro arranjado.

O que ele estava fazendo ali?

Do outro lado da mesa, Leonardo Cortez esboçou um leve sorriso.
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