CAPÍTULO 0007
Ricardo Albuquerque sentiu um aperto no peito. Primeiro, ela o bloqueou, agora, nem sequer se preocupava com ele.

Era preciso admitir, dessa vez, Catarina estava interpretando bem a cena de um término.

Ela saiu rápido demais. Rápido o suficiente para parecer que estava fugindo, com medo de que ele percebesse alguma brecha em sua atuação.

Ela realmente queria terminar?

Impossível!

Do começo ao fim, não houve um verdadeiro desentendimento entre eles. Ela não chorou, não gritou, não fez escândalo... essa não era a postura de alguém que queria terminar de verdade.

Isso não passava de uma guerra silenciosa. E, nesse tipo de embate, quem ceder primeiro, perde.

Ricardo simplesmente não acreditava que Catarina realmente não se importava.

O elevador VIP parou no 17º andar.

O Sr. Fontes olhou surpreso para o presidente da empresa, que aparecia pela segunda vez ali.

Ele deveria explicar a situação da Srta. Vasconcelos ou ficar em silêncio?

O olhar de Ricardo varreu a sala, mas a mesa de Catarina estava vazia.

Ele não viu nada.

— Sr. Albuquerque?

— Apertei o andar errado.

Com o rosto fechado, ele voltou para o elevador e subiu.

Catarina devia estar escondida, sofrendo por ele!

---

No final da tarde, no restaurante da família Castro.

Os amigos brindavam com vinho tinto, mas todos podiam perceber que Ricardo não estava de bom humor.

Quando percebeu que a conversa começava a girar em torno dele, tomou um gole de vinho e respondeu sem muito interesse:

— A comida não está boa.

— Opa, aí já é sacanagem! — Pedro Castro riu e se levantou. — O nosso restaurante é conhecido justamente pelos frutos-do-mar! Pedi pro chef preparar o melhor que temos. Se não tá do gosto do Sr. Albuquerque, acho que vou ter que demitir o cara.

Thiago aproveitou a deixa e soltou com um tom provocativo:

— Que nada, o problema é que nosso Ricardo não gosta de frutos-do-mar com casca. Ele só come se alguém descascar pra ele e colocar direto na boca.

O olhar de Ricardo escureceu.

Ele nunca descascava frutos-do-mar. Com Catarina ao seu lado, seu prato sempre estava cheio de carne.

Vendo que ele ficou distraído, Thiago arregaçou as mangas e tomou a iniciativa.

— Ricardo, vem cá, eu te alimento.

Ele pegou uma grande pinça de caranguejo e a estendeu. Os amigos caíram na risada.

Ricardo ergueu o olhar, sem um traço de humor no rosto, e disse em tom baixo:

— Chega, ou nem o vinho vou conseguir beber.

— Desde quando você perdeu o senso de humor? — Thiago retrucou, recolhendo a mão.

Parecia que a ausência de Catarina realmente o afetava.

— Vocês ainda não se reconciliaram?

De repente, Thiago pegou o celular de Ricardo e começou a digitar enquanto dizia:

— Mandei uma mensagem para Catarina, dizendo que estamos jantando aqui. Ela nem me respondeu. Com certeza, quer que você vá atrás dela.

— Espera...

Ricardo tentou impedir, mas já era tarde.

Logo depois, Thiago olhou para ele, atônito:

— Catarina te bloqueou?

O silêncio dominou a mesa.

— Ricardo, parece que desta vez ela está realmente brava. Vai lá falar com ela. Se continuar ignorando, pode se arrepender depois.

Thiago abaixou a voz para aconselhá-lo.

— Não vou!

O coração de Ricardo estava um caos, mas ele se recusava a ceder primeiro.

Naquele momento, outro amigo voltou da entrada do elevador, depois de receber sua acompanhante, disse apressado:

— Acabei de ver Catarina lá embaixo!

— Quem disse que ela e Ricardo brigaram? Ela está aqui! Nosso Ricardo sempre foi a prioridade número um para Catarina!

O canto dos lábios de Ricardo se ergueu. A sombra em seu olhar desapareceu instantaneamente.

Mas... passaram-se dez minutos.

Catarina não apareceu.

— Será que ela não achou nossa mesa? — Pedro se levantou e foi conferir as câmeras de segurança. Quando voltou, hesitou antes de explicar:

— Catarina não está perdida. Ela foi para um camarote no quarto andar reservado pela família Souza.

— Espera aí... então ela não veio aqui para encontrar o Ricardo? Ela está jantando com outro homem? — Thiago falou sem pensar.

O silêncio caiu sobre a mesa.

O rosto de Ricardo escureceu na hora.

Por outro lado.

No quarto andar, no camarote.

Catarina exibia a apresentação do projeto em um tablet, mostrando os conceitos visuais do evento.

À sua frente, um homem de terno sob medida, gravata azul combinando com um elegante prendedor prateado, usava um relógio milionário. Sua aparência exalava posição.

— Sr. Souza, se não houver objeções ao contrato, podemos fechar o negócio.

O homem era ninguém menos que Eduardo Souza, presidente do Grupo Souza.

A família Souza e a família Albuquerque eram tanto parceiras quanto concorrentes. Além disso, o Grupo Souza possuía mais de dez hotéis cinco estrelas em Cidade J.

— Catarina, você até usa seu tempo de jantar para trabalhar. Tenho confiança total no seu projeto. Assinamos o contrato depois de comer.

Eduardo já havia solicitado os melhores frutos-do-mar do restaurante. A mesa estava cheia de pratos refinados.

— Tudo bem.

Depois de anos no mundo dos negócios, Catarina estava acostumada com esse tipo de interação social.

O evento de joias exigia preparações antecipadas.

Mas ela não tocou nos frutos-do-mar, comendo apenas alguns pratos quentes.

— Você não gosta de frutos-do-mar?

O olhar de Eduardo carregava uma insinuação.

— Quando jantei com Ricardo, vi você descascando frutos-do-mar o tempo todo. Pensei que gostasse. Quer que eu peça outra coisa?

Catarina nunca gostou de frutos-do-mar. E detestava descascar cascas.

— Não precisa pedir nada, daqui a pouco preciso voltar para a empresa.

Agora que não era mais a secretária de Ricardo, ela tinha liberdade. Não precisava mais usar salto alto. Até fez a manicure do jeito que gostava.

Não precisava mais se adequar ao gosto dele.

Eduardo percebeu a intenção por trás das palavras dela e foi direto ao ponto:

— Fiquei sabendo que você saiu do cargo de secretária e foi para o departamento de projetos. Com a sua competência, já pensou em vir trabalhar para a família Souza? Pode estabelecer suas próprias condições.

Isso era uma tentativa descarada de tirá-la da empresa?

Ou talvez… uma insinuação velada?

Catarina sorriu e respondeu com outra pergunta:

— Eduardo, você está sem secretária? Lembro que da última vez vi a Srta. Lima e a Srta. Moreira. Ambas são bem competentes.

A intuição feminina era certeira.

Mesmo se fosse um jantar de negócios, havia algo no olhar de Eduardo que denunciava suas intenções.

— Perdão, não me expressei bem.

Eduardo corrigiu-se com sinceridade:

— O cargo de secretária não faz jus a você. Seu currículo, sua origem, este evento são provas do seu talento. Minha proposta é para uma posição condizente. Pense nisso, você sempre será bem-vinda no Grupo Souza.

— Obrigada.

Catarina não respondeu diretamente.

Após o jantar, pegou o contrato assinado e se despediu.

— Sr. Souza, eu lhe envio um e-mail com os detalhes do acordo mais tarde. Com licença.

Hoje ela não estava de carro, então chamou um táxi na porta do restaurante e partiu.

Ao mesmo tempo.

Eduardo seguia para o estacionamento quando, no elevador, deu de cara com Ricardo.

— Sr. Albuquerque? Isso é uma coincidência ou você estava me esperando?

Ricardo semicerrava os olhos de maneira perigosa, seu olhar carregado de opressão e fúria enquanto encarava Eduardo.

— Sr. Souza, eu já te avisei antes, não tenha ideias erradas sobre Catarina. Ela é minha mulher.

Dada a parceria entre as famílias Albuquerque e Souza, encontros no círculo social eram inevitáveis.

E um homem sempre reconhece outro homem.

Eduardo cobiçava Catarina há tempos, isso não era novidade.

— Creio que houve um engano, Sr. Albuquerque. Hoje foi a Srta. Vasconcelos quem me procurou.

Ele sorriu e arqueou uma sobrancelha, o tom carregado de provocação.

Justo nesse momento.

Thiago e Pedro chegaram, percebendo o clima pesado entre os dois.

— Somos todos amigos aqui, levem isso na esportiva.

Pedro se colocou no meio dos dois, tentando aliviar a tensão. Ele também era próximo de Souza e, com um sorriso exasperado, comentou:

— Todo mundo sabe que Catarina é namorada do Ricardo. Não precisa tentar puxar o tapete, amigo. Mulher de amigo é território proibido.

Eduardo, porém, lançou a provocação final:

— Vocês acham que é Catarina quem quer me seduzir? Ou sou eu quem está seduzindo ela?

No mesmo instante, a fúria explodiu nos olhos de Ricardo.

Seu olhar escureceu, fixo em Eduardo, carregado de ameaça.

— Catarina é minha. Eu a mantive protegida ao meu lado por todos esses anos. Ela me pertence. E ninguém pode tocá-la!
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