CAPÍTULO 0005
Catarina ainda nem teve tempo de dizer o seu assunto.

Ao seu lado, chegaram dois empresários, também querendo agendar uma reunião com Sr. Cortez.

“……”

Realmente, ele é ocupado.

A recepcionista, claramente experiente, manteve um sorriso profissional, respondeu:

— O Sr. Cortez está muito ocupado no momento e não é possível aceitar novos agendamentos. Por favor, deixe suas informações, e eu entrarei em contato quando houver disponibilidade.

Os outros estavam registrando suas credenciais de maneira formal.

Catarina espiou de relance e percebeu que, como simples trabalhadora, ela não tinha qualquer vantagem ali.

"Sr. Cortez, sou a autora do design da peça “Menina dos Desejos” que foi leiloada pela família Cortez há quatro anos. Gostaria de exibi-la em uma exposição. Por favor, entre em contato comigo."

O prazo para a organização da exposição era curto, e Catarina estava ficando ansiosa.

Sempre que tinha um intervalo entre o trabalho, fosse de manhã, tarde ou noite, ela passava na empresa da família Cortez para tentar falar com ele.

A recepcionista já até a reconhecia.

— Srta. Catarina, o Sr. Cortez realmente não tem disponibilidade.

— Tudo bem, eu continuo esperando.

Catarina estava ficando desanimada. Esse herdeiro era realmente difícil de encontrar!

— Querida, a família do seu ex-marido, por acaso, não tem boas relações com a família Cortez? Será que não rola uma ajudinha pra me apresentar?

— Sua família pode até ter contato com eles, mas eu não posso falar com meu ex-marido.

Beatriz Oliveira espalhou sobre a mesa mais de dez plantas de imóveis comerciais.

— Querida, escolha um lugar que goste! O estúdio vai precisar de tempo para reforma, não podemos demorar muito mais.

Catarina olhou para as opções e gostou de todas.

— Estão ótimas, confio no seu gosto. Você decide.

— Adivinho, que você diria isso. Bom, já que estou cansada de escolher, escolho essa mais cara.

A decisão de Beatriz fez o corretor à beira de quase se ajoelhar de gratidão.

Nesse momento, o celular de Catarina tocou.

Era uma ligação de Thiago Ribeiro.

— Catarina, não esqueceu que hoje é meu aniversário, né? Reservei uma sala VIP, vou te mandar o endereço. Só falta você chegar.

Eles eram colegas da universidade.

— Ok, até logo.

Quando Catarina abriu a porta do camarote, não se surpreendeu ao ver Ricardo sentado ao lado de Thiago.

Naquele instante, Ricardo segurava um cigarro entre os dedos, um copo de bebida na outra mão. Seu olhar passou por ela sem sequer uma pausa.

— Catarina, que bom que veio! Senta aqui.

Thiago levantou-se imediatamente, tentando agir como pacificador. A intenção era óbvia.

Todos ali eram amigos em comum, e sabiam que Catarina e Ricardo haviam terminado pouco antes do casamento.

— Feliz aniversário, Thiago.

Catarina tinha se atrasado porque estava preparando o presente.

Ao retirá-lo da bolsa, sem querer, deixou cair no chão alguns projetos imobiliários dados pelo corretor.

— Obrigado.

Thiago aceitou o presente, mas, ao notar os papéis no chão, não perdeu a chance de brincar:

— Catarina, agora entendi por que anda tão ocupada para desaparecer dos encontros. Está organizando seu casamento, né?

Ao ouvir isso, Ricardo lançou um olhar de soslaio para ela, sem dizer nada.

A curva em seus lábios exalava um sarcasmo despreocupado.

— Catarina, senta aqui.

A sala estava tomada pela fumaça do cigarro. Catarina escolheu um assento próximo à porta para aproveitar o ar fresco.

Thiago olhou para os dois, que ainda fingiam ser estranhos um para o outro, e continuou a persuadir:

— Ricardo, não é fácil para a Catarina organizar o casamento sozinha. Vocês têm mais de dez anos de história juntos, não podem brigar por uma coisa tão pequena.

Os amigos estavam todos tentando convencer Ricardo a ser mais magnânimo como homem.

Ele colocou o copo na mesa, soltou a fumaça do cigarro e olhou diretamente para Catarina.

— Já que todos estão aqui, vou aproveitar para deixar tudo claro.

Seu tom era firme.

— Todo esse drama é porque você está sendo irracional. Você precisa admitir seus erros.

Catarina estreitou os olhos.

— A Inês veio de uma família humilde e teve que lutar muito para conseguir estudar. Você, por outro lado, sempre foi uma patricinha mimada, que nunca soube o que é esforço de verdade. Mas agora que sua família faliu, já passou da hora de deixar essa arrogância de lado.

Ao ouvir o nome da família Vasconcelos, o olhar de Catarina ficou instantaneamente frio.

— Nasci na família Vasconcelos, não tenho motivo para me sentir inferior.

Para ela, a família Vasconcelos e seu pai eram as lembranças mais calorosas do seu coração. Aquilo nunca foi sua fraqueza.

Mas Ricardo transformava sua intimidade em uma lâmina afiada.

— Ricardo, a Catarina também foi mimada por você. Isso é como um troféu seu.

Pedro também tentou ajudar Thiago a aliviar a tensão.

Nesse momento, o celular de Ricardo tocou.

— Inês, ainda está com febre? Ouça o médico e descanse. Fique quietinha, não saia por aí. Eu já estou indo te ver.

Ele pegou o paletó e se levantou.

— Preciso ir. Na próxima, eu pago a rodada.

Ao passar por Catarina, viu que ela estava de cabeça baixa.

Achou que finalmente estava refletindo sobre seus erros.

— Catarina, pense bem no que fez de errado. Se não admitir, não vou continuar com os preparativos do casamento. Pense direito.

Catarina ignorou sua saída.

Ela estava ali para jantar.

— Por que todos estão me olhando?

Pedro Castro tossiu duas vezes antes de dizer:

— Catarina, não precisa ser tão sensível. Afinal, a Inês foi uma estudante que o Ricardo patrocinou, é natural que ele se importe. Homem tem compromissos sociais lá fora, às vezes faz parte do jogo. O importante é que ele sempre volta para casa.

Thiago, com medo de que Catarina ficasse chateada, apontou para o plano de decoração em sua bolsa e perguntou:

— Tem algo em que possamos ajudar?

— Não precisa.

Catarina apenas sorriu.

Para eles, dado o relacionamento de infância entre Catarina e Ricardo, sabiam que ela era fácil de convencer. Agora, era só uma questão de definir a data do casamento e esperar para serem convidados para a festa.

---

Catarina trabalhava enquanto fazia uma chamada de vídeo com a mãe.

— Filha, como foi o encontro com David? Ele entrou em contato com você depois?

— Não, deve estar ocupado.

— O Roberto disse que ele nunca namorou, então deve ser tímido e não sabe como puxar assunto.

Tânia Vasconcelos olhou hesitante para o fundo da chamada, onde via o novo apartamento da filha.

— Filha, quando você era pequena, eu já percebia que você e o Ricardo eram muito próximos. Esses anos todos, você ficou sozinha em Cidade J e ainda trabalhou na empresa dele… Você e o Ricardo estão…?

— Mãe, eu pedi demissão.

O sorriso de Catarina foi firme.

— Quero um trabalho que eu goste. Já tenho idade para casar, ter filhos e realizar os sonhos que tive quando era criança.

Ela havia esperado pela pessoa errada.

Então muda um novo.

Ela não ficaria mais presa ao passado. Seu olhar agora estava voltado para o presente e o futuro.

Após desligar a chamada, continuou a preparar os materiais para o evento.

O celular vibrou.

Era uma mensagem de David Costa.

"Senhorita Vasconcelos, desculpe, estive muito ocupado com o trabalho nos últimos dias. Você tem tempo na noite de sexta-feira? Quero te convidar para jantar."

Ela riu discretamente e, enquanto digitava, comentou:

— Com certeza foi minha mãe conversando com o Tio Roberto. Os pais pressionaram, então ele teve que tomar a iniciativa de me procurar.

Ela sempre levava a sério todo o processo de um encontro arranjado.

"Tenho, me avise o restaurante."

"Combinado."

Do outro lado, o Ricardo sentiu fome no meio da noite, a ponto de seu estômago começar a doer.

O sanduíche que os empregados haviam preparado continuava intocado sobre a mesa. De repente, ele sentiu vontade de comer algo quente.

Ele se lembrou do capeletti em caldo quente que Catarina costumava fazer para ele.

Desceu as escadas e foi até a cozinha, revirou a geladeira, mas não encontrou nada.

Franziu a testa, pressionando a mão sobre o estômago incomodado, e pegou o celular para lhe enviar uma mensagem.

"Onde você comprava aquele capeletti que sempre fazia para mim?"

A mensagem foi enviada.

Mas um ícone vermelho apareceu.

“Mensagem enviada, mas recusada pelo destinatário.”

Ricardo: "..."

Ele foi bloqueado?
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