CAPÍTULO 02

Sempre aproveitávamos muito esses tipos de festas, mas em particular hoje, não estava muito a fim de beber. Tomei algumas cervejas, mas há algumas horas estava somente no refrigerante.

Olhei para Victória e percebi que ela bebera demais e estava um pouco embriagada, e vê-la feliz como estava me fez sorrir. Era completamente apaixonado por essa mulher, pela simplicidade dela levar a vida e pelo otimismo que cativava todos ao seu redor.

Procurei Caleb com o olhar e o encontrei rodeado por duas mulheres lindas. Esse não mudaria nunca, mas o amava também. Ele já fazia parte da minha família e minha mãe já o considera como filho pelo tempo que ele passava em minha casa. Entramos juntos para o mesmo time, mas nossa amizade era de antes mesmo da faculdade.

Na metade da madrugada, todos insistiram muito para irem a uma boate muito badalada próximo dali, cerca de meia hora de carro. Não estava muito a fim de ir, todos haviam bebido bastante e alguns não tinham condições de dirigir.

No entanto, Victória e Caleb insistiram tanto que terminei aceitando. Na metade do percurso, Victória, que estava sentada no banco de trás, começou a passar mal. Em um segundo que me distraí olhando para trás, para verificá-la, tudo aconteceu.

Quando voltei a abrir os olhos, vi pessoas estranhas ao meu redor, mas não conseguia mover meu corpo. Escutei muitas sirenes de ambulâncias, mas não sabia distinguir o que estava acontecendo.

Lembrava somente de Victória passando mal na parte de trás do meu veículo. Observei um senhor se aproximar de mim, com um olhar bem preocupado. Pude sentir algo escorrer pela lateral do meu rosto e até tentei mover minhas mãos para verificar o que era, mas não consegui.

Minha cabeça estava latejando muito, mas não consigo sentir mais nenhuma outra dor em meu corpo.

— Olá, meu nome é Anthony. Sou paramédico do 911. Você consegue me ouvir? — Perguntou aquele médico.

— Sim, consigo! O que aconteceu? — Perguntei um pouco confuso.

— Como se chama? E o que você lembra?

— Meu nome é Ethan Connor. Somente da minha namorada passando mal no banco detrás do meu carro.

— Onde você sente dor? — Ele perguntou, me analisando. Levando uma luz em minha pupila e verificando como eu reagia.

— Apenas na cabeça! — Disse, fechando meus olhos, incomodado pela luz.

— Consegue mover seus membros? Pernas e braços?

— Acredito que algo esteja prendendo ambos, porque não consigo movê-los. Como estão minha namorada e meu amigo?

Percebi o olhar de preocupação dele. Ele fez sinal para a pessoa que se encontra do meu outro lado. Nesse instante, comecei a sentir meus olhos pesados e, mesmo eles me chamando, não conseguia mais me manter acordado.

Quando voltei à consciência, estava em um quarto, parecia ser de um hospital. Escutei vários bips, mas somente conseguia mover minha cabeça. Acreditava que meus braços e pernas deviam estar presos por algum motivo.

Não existia ninguém naquela sala, e o fato de me encontrar amarrado começou a me deixar ansioso. Escutei os bips acima de mim ficarem mais altos, e rapidamente uma moça, provavelmente enfermeira, entrou no quarto.

— Calma, Sr. Ethan! Aguarde apenas um minuto que chamarei o médico para que ele venha falar com o senhor.

Ela saiu da sala, após verificar alguns aparelhos, e pouco tempo depois voltou acompanhada por um médico.

— Sr. Ethan, fico feliz que finalmente o senhor tenha acordado. Como o senhor se sente?

— Acredito que bem! Como estão minha namorada e meu amigo?

— Infelizmente, não dessas informações. O senhor foi o único trazido para esse hospital. Mas acredito que em breve o senhor obterá alguma informação. Me diga se sente algo aqui. — Ele me observava.

Não sei o que ele estava fazendo, mas não conseguia sentir nada.

— E aqui, o senhor consegue sentir algo? — Ele voltou a perguntar.

— Não, senhor!

— Certo, vou pedir para transferirem o senhor para um quarto, onde poderá receber a visita de seus familiares. No entanto, antes vou solicitar um exame de ressonância para termos certeza do que pode estar afetando seu corpo.

Após a saída do médico, algumas enfermeiras começam a desconectar alguns aparelhos de mim e me conduziram para outra sala. Elas me informaram que realizariam o exame de ressonância solicitado pelo médico.

Após esse momento, fui conduzido até um quarto. Instantes depois, minha mãe foi autorizada a entrar. Seus olhos estavam inchados e vermelhos, comprovando que ela devia ter chorado bastante.

— Calma, mãe, estou bem! Não chore! — Tentei acalmá-la, mas parecia ter o efeito reverso.

Ela me abraçou, mas não tinha como retribuir porque ainda estava com meus braços presos na cama hospitalar. Minha mãe soluçou e eu não conseguia compreender por que ela estava tão desesperada se eu estava bem.

Observei a porta de meu quarto ser aberta mais uma vez e por ela entrar o médico que me atendeu na sala anterior e uma mulher que eu acreditava também ser médica pela forma como estava vestida.

— Olá, Sr. Ethan, sou Meredith, médica-chefe do Sinai Medical Center. Como o Senhor se sente?

— Bem, doutora!

— Certo, Sr. Ethan. Fui informada pelo Dr. Gerald que o resultado de sua ressonância estava pronto e por isso estamos aqui. Pelo que fiquei sabendo, o senhor é jogador profissional de futebol americano. Uma estrela em ascensão. — Aquela médica disse e, pela forma como ela falou, fiquei um pouco constrangido.

— Não é para tanto, doutora. Me esforço para ser o melhor para meu time.

— Bem, Sr. Ethan, não temos boas notícias. Infelizmente, os exames mostram algumas lesões na medula espinhal e uma lesão do plexo braquial.

— O que isso significa, doutora? — Perguntou minha mãe, preocupada.

— Isso significa no geral que o Sr. Ethan vai precisar de muita fisioterapia para recuperar os movimentos, mas temos certeza de que, com alguns esforços em conjunto dele e de nossos profissionais, ele conseguirá recuperar esses movimentos.

Nesse momento, eu não escutava mais nada do que ela explicava à minha mãe. Como assim, eu vou ter que fazer muitas fisioterapias para recuperar os movimentos?

Minha vida sempre foi o esporte, principalmente o futebol americano. Foi ele que proporcionou a vida que tinha hoje. Se eu não puder correr, como vou praticar o esporte que tanto amo?  Eu comecei a sentir falta de ar, escutei os bips dos aparelhos ligados a mim, apitando freneticamente.

— Sr. Ethan, respire. Eu preciso que o senhor respire. O senhor está tendo uma crise de ansiedade. Tente respirar, Sr. Ethan. Respire e expire lentamente.

Olhei para minha mãe e percebi o desespero em seu olhar. Então, tentei focar na médica em minha frente e comecei a fazer o que ela me pedia. E tudo foi se normalizando novamente. Lentamente, os bips começam a diminuir.

— Nada é permanente, Sr. Ethan. Sei que pode ser desesperador, mas o senhor não estará sozinho. Temos uma equipe muito boa em fisioterapia, e aos poucos o senhor pode recuperar os seus movimentos. — Dra. Meredith explicou.

— Não vai ser preciso o senhor permanecer em nosso hospital. Se o senhor quiser, podemos orientar sua mãe e todo acompanhamento será feito de sua residência. — Aquele médico que nem lembrava o nome esclareceu.

— Eu prefiro assim, doutora. Sei que em nossa casa meu filho estará mais confortável. Não que aqui não seja, mas lá, ele estará mais à vontade. A senhora me informa o que é necessário e eu providenciarei. — Minha mãe disse, antes que eu pudesse dizer qualquer outra coisa.

Eu me mantive calado. Sem vontade alguma de falar ou interagir com ninguém. Fiquei olhando para o teto daquela sala, imaginando o que seria da minha vida de agora em diante.

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