Sempre aproveitávamos muito esses tipos de festas, mas em particular hoje, não estava muito a fim de beber. Tomei algumas cervejas, mas há algumas horas estava somente no refrigerante.
Olhei para Victória e percebi que ela bebera demais e estava um pouco embriagada, e vê-la feliz como estava me fez sorrir. Era completamente apaixonado por essa mulher, pela simplicidade dela levar a vida e pelo otimismo que cativava todos ao seu redor.
Procurei Caleb com o olhar e o encontrei rodeado por duas mulheres lindas. Esse não mudaria nunca, mas o amava também. Ele já fazia parte da minha família e minha mãe já o considera como filho pelo tempo que ele passava em minha casa. Entramos juntos para o mesmo time, mas nossa amizade era de antes mesmo da faculdade.
Na metade da madrugada, todos insistiram muito para irem a uma boate muito badalada próximo dali, cerca de meia hora de carro. Não estava muito a fim de ir, todos haviam bebido bastante e alguns não tinham condições de dirigir.
No entanto, Victória e Caleb insistiram tanto que terminei aceitando. Na metade do percurso, Victória, que estava sentada no banco de trás, começou a passar mal. Em um segundo que me distraí olhando para trás, para verificá-la, tudo aconteceu.
Quando voltei a abrir os olhos, vi pessoas estranhas ao meu redor, mas não conseguia mover meu corpo. Escutei muitas sirenes de ambulâncias, mas não sabia distinguir o que estava acontecendo.
Lembrava somente de Victória passando mal na parte de trás do meu veículo. Observei um senhor se aproximar de mim, com um olhar bem preocupado. Pude sentir algo escorrer pela lateral do meu rosto e até tentei mover minhas mãos para verificar o que era, mas não consegui.
Minha cabeça estava latejando muito, mas não consigo sentir mais nenhuma outra dor em meu corpo.
— Olá, meu nome é Anthony. Sou paramédico do 911. Você consegue me ouvir? — Perguntou aquele médico.
— Sim, consigo! O que aconteceu? — Perguntei um pouco confuso.
— Como se chama? E o que você lembra?
— Meu nome é Ethan Connor. Somente da minha namorada passando mal no banco detrás do meu carro.
— Onde você sente dor? — Ele perguntou, me analisando. Levando uma luz em minha pupila e verificando como eu reagia.
— Apenas na cabeça! — Disse, fechando meus olhos, incomodado pela luz.
— Consegue mover seus membros? Pernas e braços?
— Acredito que algo esteja prendendo ambos, porque não consigo movê-los. Como estão minha namorada e meu amigo?
Percebi o olhar de preocupação dele. Ele fez sinal para a pessoa que se encontra do meu outro lado. Nesse instante, comecei a sentir meus olhos pesados e, mesmo eles me chamando, não conseguia mais me manter acordado.
Quando voltei à consciência, estava em um quarto, parecia ser de um hospital. Escutei vários bips, mas somente conseguia mover minha cabeça. Acreditava que meus braços e pernas deviam estar presos por algum motivo.
Não existia ninguém naquela sala, e o fato de me encontrar amarrado começou a me deixar ansioso. Escutei os bips acima de mim ficarem mais altos, e rapidamente uma moça, provavelmente enfermeira, entrou no quarto.
— Calma, Sr. Ethan! Aguarde apenas um minuto que chamarei o médico para que ele venha falar com o senhor.
Ela saiu da sala, após verificar alguns aparelhos, e pouco tempo depois voltou acompanhada por um médico.
— Sr. Ethan, fico feliz que finalmente o senhor tenha acordado. Como o senhor se sente?
— Acredito que bem! Como estão minha namorada e meu amigo?
— Infelizmente, não dessas informações. O senhor foi o único trazido para esse hospital. Mas acredito que em breve o senhor obterá alguma informação. Me diga se sente algo aqui. — Ele me observava.
Não sei o que ele estava fazendo, mas não conseguia sentir nada.
— E aqui, o senhor consegue sentir algo? — Ele voltou a perguntar.
— Não, senhor!
— Certo, vou pedir para transferirem o senhor para um quarto, onde poderá receber a visita de seus familiares. No entanto, antes vou solicitar um exame de ressonância para termos certeza do que pode estar afetando seu corpo.
Após a saída do médico, algumas enfermeiras começam a desconectar alguns aparelhos de mim e me conduziram para outra sala. Elas me informaram que realizariam o exame de ressonância solicitado pelo médico.
Após esse momento, fui conduzido até um quarto. Instantes depois, minha mãe foi autorizada a entrar. Seus olhos estavam inchados e vermelhos, comprovando que ela devia ter chorado bastante.
— Calma, mãe, estou bem! Não chore! — Tentei acalmá-la, mas parecia ter o efeito reverso.
Ela me abraçou, mas não tinha como retribuir porque ainda estava com meus braços presos na cama hospitalar. Minha mãe soluçou e eu não conseguia compreender por que ela estava tão desesperada se eu estava bem.
Observei a porta de meu quarto ser aberta mais uma vez e por ela entrar o médico que me atendeu na sala anterior e uma mulher que eu acreditava também ser médica pela forma como estava vestida.
— Olá, Sr. Ethan, sou Meredith, médica-chefe do Sinai Medical Center. Como o Senhor se sente?
— Bem, doutora!
— Certo, Sr. Ethan. Fui informada pelo Dr. Gerald que o resultado de sua ressonância estava pronto e por isso estamos aqui. Pelo que fiquei sabendo, o senhor é jogador profissional de futebol americano. Uma estrela em ascensão. — Aquela médica disse e, pela forma como ela falou, fiquei um pouco constrangido.
— Não é para tanto, doutora. Me esforço para ser o melhor para meu time.
— Bem, Sr. Ethan, não temos boas notícias. Infelizmente, os exames mostram algumas lesões na medula espinhal e uma lesão do plexo braquial.
— O que isso significa, doutora? — Perguntou minha mãe, preocupada.
— Isso significa no geral que o Sr. Ethan vai precisar de muita fisioterapia para recuperar os movimentos, mas temos certeza de que, com alguns esforços em conjunto dele e de nossos profissionais, ele conseguirá recuperar esses movimentos.
Nesse momento, eu não escutava mais nada do que ela explicava à minha mãe. Como assim, eu vou ter que fazer muitas fisioterapias para recuperar os movimentos?
Minha vida sempre foi o esporte, principalmente o futebol americano. Foi ele que proporcionou a vida que tinha hoje. Se eu não puder correr, como vou praticar o esporte que tanto amo? Eu comecei a sentir falta de ar, escutei os bips dos aparelhos ligados a mim, apitando freneticamente.
— Sr. Ethan, respire. Eu preciso que o senhor respire. O senhor está tendo uma crise de ansiedade. Tente respirar, Sr. Ethan. Respire e expire lentamente.
Olhei para minha mãe e percebi o desespero em seu olhar. Então, tentei focar na médica em minha frente e comecei a fazer o que ela me pedia. E tudo foi se normalizando novamente. Lentamente, os bips começam a diminuir.
— Nada é permanente, Sr. Ethan. Sei que pode ser desesperador, mas o senhor não estará sozinho. Temos uma equipe muito boa em fisioterapia, e aos poucos o senhor pode recuperar os seus movimentos. — Dra. Meredith explicou.
— Não vai ser preciso o senhor permanecer em nosso hospital. Se o senhor quiser, podemos orientar sua mãe e todo acompanhamento será feito de sua residência. — Aquele médico que nem lembrava o nome esclareceu.
— Eu prefiro assim, doutora. Sei que em nossa casa meu filho estará mais confortável. Não que aqui não seja, mas lá, ele estará mais à vontade. A senhora me informa o que é necessário e eu providenciarei. — Minha mãe disse, antes que eu pudesse dizer qualquer outra coisa.
Eu me mantive calado. Sem vontade alguma de falar ou interagir com ninguém. Fiquei olhando para o teto daquela sala, imaginando o que seria da minha vida de agora em diante.
SARAHMeus pais sempre foram pessoas admiráveis. Apesar de sermos pobres, eles sempre fizeram questão de nos incentivar a estudar, porque para eles, isso era algo que jamais ninguém poderia nos tirar.Meu pai costumava dizer que — A lâmina de uma gilete é afiada, mas não corta uma árvore com tanta eficiência. E minha mãe completava a frase dele dizendo — O machado é forte, mas não corta os cabelos com tanta delicadeza. Eles sempre repetiam isso para mim e para meu irmão Caio.Eles nos diziam que todo mundo é importante de acordo com seus próprios propósitos. E que jamais deveríamos olhar para alguém com desprezo ou de cabeça baixa, exceto se fosse para admirar seus sapatos.Eu tinha o maior orgulho dos meus pais, eles poderiam não ter completado seus estudos, mas tinham uma grande sabedoria. Meu pai, mal conseguia assinar seu nome, mas levantava uma casa da planta em poucos dias e sem erros.Minha mãe, era um pouco mais estudada, porém, não conseguiu concluir seus estudos porque engra
Todos começam a sair lentamente, ainda comemorando o upgrade que ganharam. Percebi estar sendo observada enquanto seguia para a cozinha em busca de um copo de água. Precisava respirar fundo e buscar o restinho de paciência que existia no fundo do poço.— Você devia agradecer ao Pavão por permitir que a festa rolasse na casa dele. — Meu irmão disse, seguindo para a geladeira que terminei de fechar.— Se você não percebeu, já fiz isso. Mas se não fosse assim, eu seria a primeira a ligar para a polícia. Diria estar incomodada com a baderna, para que eles viessem até aqui acabar com sua festinha. — Nesse momento, meu irmão soltou uma gargalhada.— Depois de toda merda que eles fizeram, você ainda acredita que eles viriam? Você é muito ingênua, Sarah. Nessa comunidade, quem manda somos nós agora!— E eu não sei quem é pior, vocês ou eles. — Disse, automaticamente.Nesse momento, meu irmão levantou a mão para me bater, o que me fez encolher assustada. Apesar de ele ser mais novo, era homem,
ETHANNão notei quando os médicos saíram. Só me dei conta de que o tempo havia passado quando minha mãe se aproximou de mim e perguntou se desejava alguma coisa.— Sim, mãe! Quero sentir meu corpo novamente. Será que isso será possível?Minha mãe me olhou com tristeza, e sabia que, se fosse possível, ela trocaria de lugar comigo sem pensar duas vezes.Estava com muita raiva contida, e a única parte do meu corpo que eu desejava que não estivesse funcionando nesse momento era a única que não me deixava em paz… minha cabeça.— Vou chamar a enfermeira para mudar você de posição, isso vai ser bom para sua circulação. Se tudo dê certo, em breve estaremos em casa.— Obrigado, mãe! Talvez seja bom mudar de posição, já gravei cada detalhe desse teto. — Respondi com ironia.Minha mãe saiu sem falar mais nada. Após alguns instantes, ela voltou com duas enfermeiras. Nesse momento, senti meus lábios secos e tive vontade de beber água.— Mãe, a senhora pode pegar um pouco de água para mim?— Claro,
SARAHConseguia enxergar no olhar de Nayara todo seu receio. Para ser mais exata… todo seu medo. Como ela mesmo havia falado, William não era o tipo de cara que escutava um “não” e o aceitava. Ele sempre reagia mal quando isso acontecia.— E aí, princesa, conseguiu descansar depois que saímos? — Ele perguntou.— Consegui descansar por duas horas, depois que organizei a bagunça que seu grupo deixou em minha casa. — Respondi sem titubear.— E ainda assim, você veio para a faculdade? Posso deduzir então que ela é muito importante para você.— Não duvide disso. Meus pais batalharam muito para que eu pudesse entrar aqui e vou concluir meu curso em honra à memória deles.Nayara estava em completo silêncio. Não conseguia entender por que ela tinha tanto medo de William. Ela não fez nada de errado.— Vim te buscar para almoçar hoje comigo. — Ele simplesmente disse, não perguntou.— Preciso ir para casa, William. Tenho uma cliente agendada e não posso me dar ao luxo de não a atender.— Calma,
Me levantei, sentindo meu corpo inteiro querendo se rebelar contra aquele pedido. Não sabia o que ele poderia querer comigo e dei graças a Deus que ele me pediu para acompanhá-lo até um escritório e não para um quarto.— Sarah, precisamos conversar sobre a gente. — William disse direto e claro quando entramos em seu escritório, mas aquela frase parecia confusa para mim.— Sobre a gente? O que tem a gente, William? — Perguntei, me fazendo de desentendida.— Estou interessado em você e quero que você venha morar aqui comigo. Falei com seu irmão e ele disse que, por ele, tudo bem ficarmos juntos.— Você ficou louco? Morar com você? Quem você pensa que sou? Não é meu irmão que decide por mim e muito menos você, seu idiota. — Disse, perdendo o controle.— Do que você me chamou? Te trago aqui com todo respeito do mundo, dizendo que quero que você seja minha fiel e é assim que você se comporta? Quem você pensa que é?William retirou a arma das costas dele e, por um instante, imaginei que ap
Como permaneci imóvel, ele se afastou um pouco e colocou as duas mãos espalmadas ao meu lado. Nesse momento, fiz a única coisa que me restava, virei-me e fiquei de frente para ele, nos olhando.Se meu olhar pudesse matá-lo, ele estaria em um caixão, mas ele não entendeu isso. Ele simplesmente levou sua boca à minha e me beijou de forma avassaladora. Sabia que precisava fazer meus planos darem certo, mas nunca me imaginei ficando presa em uma situação daquela.As mãos dele seguraram minha cintura com certa firmeza e lentamente ele foi subindo-as até meus seios, apertando-os ainda por cima do vestido. Não sabia como fazer meu corpo não reagir de maneira involuntária àqueles estímulos.Por mais medo que eu estivesse naquele momento, meu corpo e minha mente estavam em sintonias erradas. E a forma como William estava me tocando começou a causar certas reações em meu corpo, principalmente na região entre minhas pernas.Sem eu perceber, um suspiro saiu de minha boca, causando um risinho daqu
A semana na faculdade havia acabado, agora eu era uma fisioterapeuta profissional. William estava tão ocupado resolvendo os problemas daquela invasão que muito raramente o encontrava.Boa parte das minhas roupas já estava na casa da Bruna, uma amiga. Nossas passagens também já estavam compradas. Precisava esperar só mais uma semana e estaria livre do William.Numa certa noite, durante aquela espera, após chegar do trabalho, fui surpreendida com pancadas na porta. Me assustei por conta do horário. Mas, escutei a voz do William, dizendo que se eu não abrisse, ele arrombaria.Aquilo me assustou, porque me perguntei o que estava acontecendo, apesar de nem sempre saber como explicar a volatilidade daquele homem. Assim que abri a porta, fui surpreendida por um William muito transtornado.— Você deve mesmo achar que sou um idiota, né, sua puta? — Ele perguntou, encarando-me com muita raiva.— Como é? Você está louco? O que aconteceu? — Perguntei revoltada pelo termo que usou comigo, mas tent
Minutos depois, William chegou de moto. Nayara pediu para eu ter calma e levar William a banho-maria só mais um pouco. Estávamos, enfim, deixando a comunidade e precisávamos que ele autorizasse nossa saída. Encarei ele descendo da moto e ele me analisou dos pés à cabeça.— Para onde você está indo, marrenta?— Estamos indo para uma festa na casa de nossa amiga da faculdade, William. Provavelmente voltaremos durante a madrugada.— Quem estará nessa festa? — Ele perguntou desconfiado, olhando para Nayara, que permaneceu no interior do veículo.— Quem provavelmente ela convidou, ué! — Precisava continuar a agir como sempre agira com ele.— Se eu souber que você andou se pegando com alguém, sabe o que acontece, né? — Ele ameaçou.— William, aceitei ser sua fiel, e não sou o tipo de mulher que sai de mão em mão. Imaginei que eu provara isso a você também! — Olhei para ele, deixando claro que não havia esquecido o que ele fez.— Você está certa, minha marrentinha. Não precisa ficar me lembr