Minutos depois, William chegou de moto. Nayara pediu para eu ter calma e levar William a banho-maria só mais um pouco. Estávamos, enfim, deixando a comunidade e precisávamos que ele autorizasse nossa saída. Encarei ele descendo da moto e ele me analisou dos pés à cabeça.— Para onde você está indo, marrenta?— Estamos indo para uma festa na casa de nossa amiga da faculdade, William. Provavelmente voltaremos durante a madrugada.— Quem estará nessa festa? — Ele perguntou desconfiado, olhando para Nayara, que permaneceu no interior do veículo.— Quem provavelmente ela convidou, ué! — Precisava continuar a agir como sempre agira com ele.— Se eu souber que você andou se pegando com alguém, sabe o que acontece, né? — Ele ameaçou.— William, aceitei ser sua fiel, e não sou o tipo de mulher que sai de mão em mão. Imaginei que eu provara isso a você também! — Olhei para ele, deixando claro que não havia esquecido o que ele fez.— Você está certa, minha marrentinha. Não precisa ficar me lembr
ETHANJá fazia um mês que estava em minha casa. Um mês também que vinha fazendo exercícios e mais exercícios, e o máximo que consegui foi um pequeno movimento dos dedos de uma das mãos.Cada dia eu estava me sentindo mais revoltado com tudo e com todos. A forma como os funcionários olhavam quando precisavam entrar no quarto e até a forma positiva como minha mãe encarava os acontecimentos, me tirava a paciência.Muitas vezes eles até evitavam entrar aqui para não ter que escutar meus gritos. Chegou em uma situação em que muitas vezes passava horas sozinho. E, sinceramente, eu preferia assim, não gostava de perceber o olhar de pena deles. Tinha certeza do que pensavam de mim… o coitado do aleijado.Era muito humilhante para mim ter que depender de alguém até para limpar minha bunda. Se eu tivesse uma oportunidade, eu mesmo tirava minha vida para não ter que viver dessa forma.Lembrei que uma vez até comentei com Victória sobre isso depois que assistimos ao filme — Como eu era antes de v
SARAHO tempo tem passado rápido demais. Comentavam que o povo americano era frio em relação às interações humanas, mas morávamos em um edifício que em sua totalidade eram estrangeiros, e tínhamos alguns vizinhos muito calorosos.Guadalupe era uma delas. Uma senhora mexicana que trabalhava como cozinheira numa mansão em um bairro rico aqui na Califórnia. Um amor de pessoa.Por esses dias, ela me disse que sua patroa estava muito triste com a situação do filho que sofreu um acidente e que havia perdido os movimentos do pescoço para baixo. Ela perguntou se eu poderia ajudá-lo, mas não podia afirmar nada sem antes verificar seus exames.Deduzi que o rapaz deveria ter sofrido alguma lesão na medula, e expliquei exatamente isso para ela… que precisava verificar as extensões das lesões que ele sofreu e analisar os exames feitos, para só assim poder dizer se poderia ou não ajudar.Na semana seguinte, a patroa dela mandou o motorista nos buscar no edifício em que morávamos para que eu pudesse
ETHANApós desligar aquela ligação, minha mãe comemorou. Fiz isso por ela, mas também estava muito curioso em saber o que aquela coisinha irritante poderia fazer para mudar meu quadro.O hospital sempre mandou os melhores especialistas para fazer meu tratamento. O que ela poderia fazer de diferente deles que poderia resultar em algo positivo? Estava com minha língua coçando para dizer a minha mãe que não tivesse tantas esperanças.Estava certo de que aquela coisinha irritante nada poderia fazer para reverter minha situação. Quando minha mãe saiu do meu quarto, deixando-me sozinho mais uma vez, me vi pensando naquela médica.Analisando bem, o que mais me irritou foi que comecei a notar o quanto ela era linda, não queria ter esses pensamentos a respeito dela. Quando a tratei com grosseria, imaginei que ela fosse se retrair, igual à maioria dos profissionais que estiveram aqui, mas me enganei completamente.Ela simplesmente olhou para mim, disse o que eu merecia escutar e simplesmente me
Após fazer uma avaliação por todo o corpo do Ethan e verificar algum ponto de sensibilidade, resolvi começar com os exercícios para seus braços. Aquela era a parte mais fácil do tratamento.Depois de quase uma hora, Ethan começa a reclamar. Pude ter uma ideia do motivo pelo qual ele ainda não havia recuperado os movimentos. Provavelmente o profissional parava quando ele começava a reclamar. Deixei ele na cama, fui até minha bolsa, peguei meus fones de ouvido e retornei até ele.— Como você não para de reclamar, mesmo não sentindo nada, estou colocando meus fones de ouvidos. Dessa forma, evito escutar sua voz irritante.— Você não se atreveria! — Ele disse, irritado.— Assista, então. — Disse, colocando uma música no meu celular e colocando meus fones de ouvidos.Depois disso, notei que ele parou de resmungar. Ele sabia que faria papel de bobo, falando sozinho. Continuei massageando, alongando e conectando os eletrodos do aparelho que trouxe em seu braço e ombro.A eletroestimulação aj
Algumas semanas haviam passado e meu trabalho com Ethan crescia a cada uma delas. Podia dizer que o mau-humor dele regrediu um pouco e ele se tornou menos ácido, porém os movimentos aparentemente não deram sinais ainda.Hoje faríamos novamente a massagem para podermos verificar se ele adquiriu sensibilidade em algum local. Os exercícios eram constantes, mas levam tempo para evoluir, porém, Grace estava muito animada.Pelo que parece, esse foi o maior tempo que um mesmo médico permaneceu com Ethan, sem ser dispensado por ele. Já tinha passe livre na casa e sempre que chegava, ia direto para a cozinha cumprimentar Guadalupe e sempre encontrava Grace lá também.— Bom dia a todas! — Disse, indo até Guadalupe, cumprimentando-a com um beijo.— Bom dia, minha menina!— Como amanheceu meu limãozinho hoje, Grace?— Azedo como sempre, Sarah! Não sei se o fato de hoje fazer seis meses do acidente ou se por algum outro motivo.— Não sabia desse fato, mas vou lá tentar fazer uma limonada. — Disse,
Fiz um sinal para Grace e ela saiu do quarto, muito irritada. Olhei para Ethan, que também estava do mesmo jeito. Levei minha mão até a mão dele e a segurei, ele virou seu rosto para mim. E eu sorrir, o fato dele olhar para mim, simplesmente porque segurei sua mão, demonstrava que ele sentia meu toque.— Sua mãe está somente se preocupando com você! Você sabe o quanto esse procedimento é importante. No seu caso, uma simples infecção urinária pode levar você à morte.— Eu sei, Sarah! Mas minha mãe parece que não tem noção do quão humilhante me sinto por precisar dela para isso.— Ethan, ela não vai olhar você como um homem inválido, ela olha você como um filho amado. Minha mãe costuma dizer que para os pais os filhos nunca crescem, que vamos continuar sendo seus bebês. Isso me fazia rir na época, mas como médica, já presenciei muitas dessas demonstrações para saber que isso é totalmente verdade.— Mas ainda assim, é humilhante. Minha mãe vai manusear meu pênis. Não posso concordar com
ETHANDepois do que falei, vi Sarah realmente muito chateada. Queria poder entender o que significava tudo aquilo. Fiquei feliz quando ela falou que me via como um homem atraente, porque de certa forma, mesmo eu lutando contra, meus sentimentos estavam mudando em relação a ela.Mas sei que não tinha chance alguma, porque continuava preso a uma cadeira. Depois de nosso pequeno embate, vi que ela se fechou e passei somente a observá-la. Quando bateram à porta, ela simplesmente foi lá e a abriu e vi minha mãe falando com ela.— Ele permitiu que você fizesse o procedimento? — Minha mãe perguntou preocupada para Sarah.— Sim, Grace, pode ficar tranquila! Estou saindo, vou para meu horário de almoço, assim que acabar eu retorno.Ela saiu sem nem me dirigir a palavra e aquilo doeu muito mais do que imaginei. Aconteceu algo grave em sua vida para ela ficar tão chateada comigo a esse ponto.— O que você fez com ela, Ethan? Por que a Sarah está tão chateada? — Minha mãe perguntou. Até ela havia