Ele fez um boletim de ocorrência, anexou a foto do meu irmão e do William, e eu assinei, confirmando tudo. A polícia aqui usava a tecnologia a seu favor — tudo era feito de forma online.Ethan pegou sua impressora, que imprimia via Bluetooth, só para que eu tivesse uma cópia do boletim. Como William era procurado pela polícia brasileira, também seria investigado sobre como conseguiu chegar aqui. Provavelmente, ele estava ilegalmente nos EUA e, se fosse pego, isso seria acrescentado à sua pena.Após fazer a denúncia e garantir que os seguranças estivessem cientes de que nenhum dos homens da foto poderia entrar — e que, caso aparecessem na portaria, a polícia deveria ser acionada — conseguimos relaxar um pouco mais.No horário do almoço, nos reunimos na cozinha como de costume. Mesmo estando um pouco mais calada, interagir com todos ali. Ethan, ao perceber meu silêncio, segurou minha mão e perguntou próximo ao meu ouvido se eu estava bem. Eu apenas confirmei com um aceno.— Tenho algo q
ETHANTalvez Sarah estivesse certa. Oito meses se passaram desde o acidente, e durante todo esse tempo me mantive recluso, me culpando pelas mortes de minha namorada e de meu amigo. Mas chegou o momento de deixar isso para trás e seguir em frente.Como ela mesma disse, consegui recuperar metade dos meus movimentos — muito mais do que eu esperava, considerando como estava antes. Agora, estava mais independente. Tinha minhas limitações, é verdade, mas nada mais me impedia de sair da cama.Afastei todas as pessoas quando tudo aconteceu, com exceção de minha mãe. Não queria que ninguém me olhasse com pena, achando que estava condenado a viver o resto da minha vida naquela maldita cadeira, mexendo somente o pescoço.Mas as coisas mudaram. Eu tinha minha família e queria me reaproximar dos meus amigos. Como Sarah disse, posso não voltar a jogar, mas isso não significa que precise tirar o futebol americano da minha vida. Ele me trouxe muitas alegrias no passado.Vi quando ela entrou no banhe
SARAHJá fazia uma semana que eu estava na casa do Ethan, e nossa convivência estava sendo incrível. A conexão entre nós era surpreendente… bastava um olhar para entendermos o que o outro queria dizer.Mesmo passando a maior parte do tempo juntos, respeitávamos aquele momento pessoal, quando cada um precisava de um tempo só para si, para pensar e refletir sobre a própria vida. E tanto eu quanto ele sabíamos o quanto isso era importante.Depois de alguns dias afastada do trabalho, decidi voltar. Era hora de retomar minha vida. Não permitiria que o medo do cretino do William me impedisse de exercer minha profissão ou de seguir em frente.Eu não podia viver presa em uma redoma enquanto ele estava solto, levando certamente a própria vida ou, pior, planejando como transformar a minha em um inferno.— Ethan, amanhã volto ao trabalho.— Sarah, você tem certeza de que é seguro? A polícia ainda não prendeu aquele idiota. — Ele argumentou, preocupado.— Eu não posso colocar minha vida em suspen
Após me arrumar completamente, fui até a cozinha e encontrei todos lá. O Sr. Manuel me olhou com carinho, Guadalupe e Grace sorriram, e então me sentei ao lado do Brian, que parecia um pouco sério naquele momento.— Dia difícil hoje? — Perguntei e ele me olhou com um meio sorriso.— Você não tem ideia do quanto! — Ele tentou evitar olhar para Ethan.— Tenho, sim! Por que você acha que só apareci agora? — Ele me olhou surpreso. — Mas vou te cobrir à tarde. Afinal, preciso conversar com esse homem das cavernas.Nesse momento, Brian começou a rir e, quando olhamos para Ethan, ele estava nos encarando. Eu simplesmente o ignorei. O olhar dele não me intimidava, então continuei a olhá-lo, até que ele fez um aceno negativo com a cabeça e desviou o olhar.Depois que Ethan terminou de comer, pediu licença e se retirou da mesa. Assim como os outros, Grace notou sua atitude. Ao terminar minha refeição, também me levantei e, antes de sair, toquei o ombro do Brian em um gesto silencioso, indicando
ETHANSarah estava radiante com dia de hoje. Acordei com seu despertador tocando bem cedo, o que me surpreendeu, já que ela costumava dormir até mais tarde. Mas sua empolgação não a deixou ficar muito tempo na cama.Ao notar que eu também havia despertado com o barulho, ela pediu desculpas, mas o sorriso em seu rosto fez tudo valer a pena.Sentei-me na cama e a observei escolher suas roupas e acessórios. Sua parte da cama já estava coberta por pelo menos dez peças de roupa que ela havia experimentado… e, para ser sincero, ela ficava linda em todas.— Ethan, você disse que eu estava linda nas cinco roupas anteriores! — Ela reclamou, cruzando os braços.— Mas é verdade. O que posso fazer se você fica maravilhosa em todas? Acho que até com um saco de batata você continuaria linda. — Retruquei, divertido.— Assim, você não me ajuda, amor! Qual você acha que fica melhor?— Faz o seguinte... tire essa blusa e esse short. — Sugeri, tentando esconder meu sorriso.Fingi que estava escolhendo o
As amigas de Sarah só aumentaram a animação que sempre toma conta da cozinha quando todos se reúnem. Elas brincaram e interagiram com todos sem qualquer distinção, mesmo sendo nossos funcionários.No início, os funcionários ficaram um pouco sem jeito por compartilharem o café da manhã com os convidados, mas Sarah logo quebrou o gelo, envolvendo a todos na conversa. Enquanto essa interação acontecia, notei o interesse de Brian em Nayara.Não sei se elas notaram, mas, como homem, percebi. De vez em quando, Brian lançava olhares discretos para Nayara, e, ao observar melhor, percebi que talvez o interesse fosse mútuo.Brian foi o primeiro cara que permiti se aproximar de mim como amigo depois do acidente. Apesar de ser meu enfermeiro, nossa convivência diária fez com que nos tornássemos parceiros.Quando todos terminaram o café, minha mãe fez questão de mostrar a casa para as meninas. Ela estava radiante por receber visitas, algo que não fazia há muito tempo, respeitando minha vontade.Di
Elas riram juntas, enquanto Sarah, corada, dava leves tapas na amiga. Eu não fazia ideia do que aquela expressão dita por Nayara significava, mas gravei na memória para perguntar a Sarah em outro momento.Ela então se aproximou, me deu um selinho e, com um sorriso travesso, estendeu uma colher cheia de chocolate. Lembrei-me de como havia gostado daquele sabor quando o provei dias atrás na cozinha.— Acho que estou mudando seu paladar… — disse Sarah, sorrindo. — Para alguém que não gosta de chocolate…— Começo a acreditar que sim.Minha mãe entrou na sala e também se serviu de brigadeiro. O tempo passou rápido enquanto a conversa fluía animada, e eu realmente estava me divertindo com aquelas mulheres.Eu havia marcado com os caras para o início da tarde, então provavelmente eles viriam direto do clube, após o treino, e chegariam famintos. Minha mãe avisou que já tinha pedido a Diego, o funcionário responsável pela área da piscina, para preparar a churrasqueira para as carnes e hambúrgu
Assim que me viu se aproximando, Sarah abriu um lindo sorriso. Nayara também sorriu e, discretamente, nos deu um pouco de privacidade.Aproveitei a oportunidade e a puxei para meu colo. Ela se acomodou sem hesitar, envolveu meu pescoço em um abraço, antes de me beijar. Retribuí o beijo com igual intensidade.Quando nos afastamos, ainda com ela em meu colo, movi a cadeira para longe do calor da churrasqueira, arrancando-lhe um sorriso.— Você está bem? — Perguntou, me analisando com atenção. — Está com dor?— Estou bem e sem dor! — Respondi, aproximando minha boca da dela e lhe dando um selinho. — Mas existe algo me incomodando. — Sarah me olhou com preocupação. — Kael, não tira os olhos de você! — Um sorriso travesso surgiu em seu rosto.— Percebi uma pitada de ciúme nesse comentário? — Brincou, me encarando divertidamente.— Ele que não tente ser esperto, porque eu o deixo fora do estadual. — Resmunguei, irritado. Ela me olhou surpresa.— Então, qual o plano? Quebrar uma das pernas d