Após fazer uma avaliação por todo o corpo do Ethan e verificar algum ponto de sensibilidade, resolvi começar com os exercícios para seus braços. Aquela era a parte mais fácil do tratamento.Depois de quase uma hora, Ethan começa a reclamar. Pude ter uma ideia do motivo pelo qual ele ainda não havia recuperado os movimentos. Provavelmente o profissional parava quando ele começava a reclamar. Deixei ele na cama, fui até minha bolsa, peguei meus fones de ouvido e retornei até ele.— Como você não para de reclamar, mesmo não sentindo nada, estou colocando meus fones de ouvidos. Dessa forma, evito escutar sua voz irritante.— Você não se atreveria! — Ele disse, irritado.— Assista, então. — Disse, colocando uma música no meu celular e colocando meus fones de ouvidos.Depois disso, notei que ele parou de resmungar. Ele sabia que faria papel de bobo, falando sozinho. Continuei massageando, alongando e conectando os eletrodos do aparelho que trouxe em seu braço e ombro.A eletroestimulação aj
Algumas semanas haviam passado e meu trabalho com Ethan crescia a cada uma delas. Podia dizer que o mau-humor dele regrediu um pouco e ele se tornou menos ácido, porém os movimentos aparentemente não deram sinais ainda.Hoje faríamos novamente a massagem para podermos verificar se ele adquiriu sensibilidade em algum local. Os exercícios eram constantes, mas levam tempo para evoluir, porém, Grace estava muito animada.Pelo que parece, esse foi o maior tempo que um mesmo médico permaneceu com Ethan, sem ser dispensado por ele. Já tinha passe livre na casa e sempre que chegava, ia direto para a cozinha cumprimentar Guadalupe e sempre encontrava Grace lá também.— Bom dia a todas! — Disse, indo até Guadalupe, cumprimentando-a com um beijo.— Bom dia, minha menina!— Como amanheceu meu limãozinho hoje, Grace?— Azedo como sempre, Sarah! Não sei se o fato de hoje fazer seis meses do acidente ou se por algum outro motivo.— Não sabia desse fato, mas vou lá tentar fazer uma limonada. — Disse,
Fiz um sinal para Grace e ela saiu do quarto, muito irritada. Olhei para Ethan, que também estava do mesmo jeito. Levei minha mão até a mão dele e a segurei, ele virou seu rosto para mim. E eu sorrir, o fato dele olhar para mim, simplesmente porque segurei sua mão, demonstrava que ele sentia meu toque.— Sua mãe está somente se preocupando com você! Você sabe o quanto esse procedimento é importante. No seu caso, uma simples infecção urinária pode levar você à morte.— Eu sei, Sarah! Mas minha mãe parece que não tem noção do quão humilhante me sinto por precisar dela para isso.— Ethan, ela não vai olhar você como um homem inválido, ela olha você como um filho amado. Minha mãe costuma dizer que para os pais os filhos nunca crescem, que vamos continuar sendo seus bebês. Isso me fazia rir na época, mas como médica, já presenciei muitas dessas demonstrações para saber que isso é totalmente verdade.— Mas ainda assim, é humilhante. Minha mãe vai manusear meu pênis. Não posso concordar com
ETHANDepois do que falei, vi Sarah realmente muito chateada. Queria poder entender o que significava tudo aquilo. Fiquei feliz quando ela falou que me via como um homem atraente, porque de certa forma, mesmo eu lutando contra, meus sentimentos estavam mudando em relação a ela.Mas sei que não tinha chance alguma, porque continuava preso a uma cadeira. Depois de nosso pequeno embate, vi que ela se fechou e passei somente a observá-la. Quando bateram à porta, ela simplesmente foi lá e a abriu e vi minha mãe falando com ela.— Ele permitiu que você fizesse o procedimento? — Minha mãe perguntou preocupada para Sarah.— Sim, Grace, pode ficar tranquila! Estou saindo, vou para meu horário de almoço, assim que acabar eu retorno.Ela saiu sem nem me dirigir a palavra e aquilo doeu muito mais do que imaginei. Aconteceu algo grave em sua vida para ela ficar tão chateada comigo a esse ponto.— O que você fez com ela, Ethan? Por que a Sarah está tão chateada? — Minha mãe perguntou. Até ela havia
Ela me olhou aguardando meu veredito, mas fiz uma cara de suspense e tive uma ideia para provocar aquela mulher irritante e atraente.— Acredito que preciso de mais um pouco para julgar melhor… — Provoquei.Ela me olhou de forma engraçada, mas não negou, levando novamente a colher com aquele doce à minha boca. Fiz cara de quem estava analisando e todos agora prestavam atenção em mim, o que me deu muita vontade de rir. Olhei para Sarah com um olhar sério.— Mais um pouco, por favor, estou com uma pequena dúvida. — A provoquei novamente.— Você está de brincadeira comigo, né? Você gostou tanto que está querendo comer o meu, mas não vou te dar mais. Você não comeu antes porque não quis.— Ninguém me ofereceu isso aí, não! Tenho certeza de que eu teria aceitado se tivessem me oferecido.Nesse momento começamos uma briga por conta daquela sobremesa, o que fez mais uma vez todos rirem novamente. Aqueles momentos com Sarah estavam sendo surpreendentes para mim. Eu estava realmente começando
Queria poder aprofundar mais aquele beijo, mas me contentei com o que ela estava me oferecendo. Após alguns instantes de nossa troca, senti novamente aquilo no meio das minhas pernas. Pela forma como ela interrompeu o beijo, aquilo não foi nada imaginário, ela também sentiu.Ela me encarou por um momento, o que me deixou desconfortável e tinha certeza de que a cor do meu rosto estava mudando. Estava parecendo um adolescente na puberdade, ou ainda pior, porque não tinha controle de nada no meu corpo. Não queria que isso funcionasse justo agora. — Ei, não precisa ficar assim! — Ela disse e olhei para todos os cantos, menos para ela. — Ethan! — Ela colocou a mão no meu rosto, me fazendo olhar para ela.— Não queria que isso acontecesse… — Tentei me justificar. Mas não tinha como.— Não precisa ficar assim… é normal que isso aconteça. Você lentamente vai ter controle de seu corpo novamente. Se alguém deveria ficar constrangida com algo, esse alguém sou eu, que não estou sendo ética. Temo
SARAHOlhei por um momento para o Ethan, me perguntando se aquele seria o melhor momento para falarmos. Alguns minutos atrás, tínhamos nos beijado, baixei minha guarda e somente fui a Sarah mulher.Aquela que um dia sonhou viver um romance com um cara legal e que viu tudo desmoronar do dia para a noite a ser notada por um idiota e não ter o direito de dizer “Não”. Reviver aquilo, o que acontecia sempre que eu falava sobre o assunto, era doloroso.— Ethan, o que posso falar por alto, é que minha vida não foi fácil, como você insinuou. Mas depois de um dia realmente maravilhoso que tivemos, não quero encerrar ele de forma triste. Prometo que em outra oportunidade, quando houve, falaremos a respeito.— Tudo bem! Vou respeitar seu momento. — Percebi que ele ficou um pouco chateado, talvez por imaginar que eu não confiava nele para falar.— Posso te garantir que a decisão de vir para os EUA não era nada que se passava por minha cabeça. Mas foi a melhor decisão que já tomei. Conheci pessoas
Tirei o sábado para fazer uma faxina em nosso apartamento. É o que sempre fazia quando algo me estressava. Estava de folga do hospital, então, quando a Nayara chegou em nosso apartamento, estranhou a falta de bagunça à qual ela já estava tão acostumada. — Entrei no apartamento errado? — Ela inclusive olhou para a porta para verificar o número, o que me fez rir.— Deixa de ser idiota, eu só fiz uma arrumação.— O que houve? — Ela olhou, me analisando.— Não houve nada! Você poderia somente aceitar que realmente estávamos precisando disso?— Você só faz esse tipo de faxina, Sarah, quando algo te incomoda. Aconteceu algo, isso é certo. Mas se você não quer compartilhar comigo, tudo bem. Saiba que estarei aqui caso precise.Era impressionante como Nayara já me conhecia tão bem. Realmente, eu estava estressada com toda aquela situação com Ethan, mas não queria dizer nada à minha amiga, pelo menos por enquanto.No entanto, não tinha como fingir que aquilo estava me enlouquecendo. Estava re