CAPÍTULO 04

Todos começam a sair lentamente, ainda comemorando o upgrade que ganharam. Percebi estar sendo observada enquanto seguia para a cozinha em busca de um copo de água. Precisava respirar fundo e buscar o restinho de paciência que existia no fundo do poço.

— Você devia agradecer ao Pavão por permitir que a festa rolasse na casa dele. — Meu irmão disse, seguindo para a geladeira que terminei de fechar.

— Se você não percebeu, já fiz isso. Mas se não fosse assim, eu seria a primeira a ligar para a polícia. Diria estar incomodada com a baderna, para que eles viessem até aqui acabar com sua festinha. — Nesse momento, meu irmão soltou uma gargalhada.

— Depois de toda merda que eles fizeram, você ainda acredita que eles viriam? Você é muito ingênua, Sarah. Nessa comunidade, quem manda somos nós agora!

— E eu não sei quem é pior, vocês ou eles. — Disse, automaticamente.

Nesse momento, meu irmão levantou a mão para me bater, o que me fez encolher assustada. Apesar de ele ser mais novo, era homem, e sua força nem se comparava à minha.

— Se você encostar um dedo nela, você não verá o dia amanhecer. — William se dirigiu ao meu irmão de forma muito tranquila, como se ele não tivesse ameaçando tirar a vida de uma pessoa.

— Ela está nos desrespeitando, Pavão. Essa vadia está cuspindo no prato que ela come.

— Eu não como nada de vocês, querido irmão. Tudo que eu tenho ou que eu preciso é graças ao dinheiro suado que ganho. — Tive coragem de dizer.

— Cale a boca, Sarah, antes que eu perca a minha paciência com você! — Meu irmão gritou.

— Caio, a partir de agora você vai morar em minha casa. — Aquele homem disse, mas seus olhos ainda estavam em mim. — Tem espaço suficiente para você lá e tenho certeza de que você terá mais conforto que aqui. Pegue o que você precisa e o demais, peço para alguém buscar aqui depois. — O tal William completou, olhando para meu irmão agora.

— Obrigado, Pavão! Não sei se conseguiria ficar ao lado dessa ingrata. — Meu irmão disse, preparando-se para sair.

— Deixe-me só te dar mais um aviso, Caio. — O William disse, mas se virou para mim e me analisou, depois voltou a olhar para meu irmão. — Se você encostar um único dedo na Sarah, eu quebro todos os ossos dos seus braços.

Isso pegou meu irmão desprevenido e me assustou também. Mas resolvi não dizer nada. Aquele homem voltou a me olhar enquanto estava bebendo água. Fiz de conta que não percebi seu olhar e tentei disfarçar meu nervosismo.

— A partir de hoje, você terá a casa somente para você. O que houve hoje não voltará a se repetir. Qualquer coisa que você precisar, você pode falar para os guris que o recado chegará até mim. Você é uma garota linda e merece viver como uma rainha. — Willian declarou.

— Não estou pedindo sua proteção, William. Nunca precisei disso e tenho certeza de que não vou precisar. Hoje, mais do que nunca, ficou claro que não posso mais contar com meu irmão, mas meus pais me ensinaram bem a ser uma mulher mais que suficiente para mim mesma.

— Você é marrenta garota, mas gosto disso em você. Não abaixa a cabeça para ninguém.

— Meus pais sempre me ensinaram que, se eu tivesse que fazer isso, fosse para admirar os sapatos da outra pessoa, e me desculpe, o seu não é muito admirável. — William soltou uma gargalhada estrondosa.

— Tenho que confessar, garota, você é atrevida, porém, admirável. Saberei se você precisar de algo, não será preciso você falar e nem pedir. Você conseguiu minha atenção e são poucos os que conseguem isso. Te ofereceria uma carona para a faculdade amanhã, mas tenho certeza de que você não aceitará.

— Você é um cara inteligente, William! — Falei de forma debochada.

— Sem problema, mas saiba que estarei à disposição quando você precisar. Quanto ao Caio, ele é um garoto esperto, ele só é imaturo às vezes. Precisa trabalhar mais sua paciência e descobrir que não pode jogar sozinho.

— Espero que ele saiba onde está se metendo. O que ele precisa aprender é que erros e acertos são consequências de escolhas. E dependendo dos erros, as consequências são irreversíveis.

— Bem profundo isso! Mas seu irmão sabe o que é melhor para ele. Agora ele está comigo e protegemos os nossos.

E assim ele saiu de minha casa. Me deixando ali sozinha com meus pensamentos. Sei que todas as escolhas do Caio foram devido à perda de nossos pais, mas eu também perdi meus pais naquele dia e nem por isso comecei a andar com marginais e traficantes.

Olhei para a casa completamente revirada e sabia que teria uma longa noite pela frente. Comecei a fazer a limpeza. Quando, enfim, terminei, olhei para o relógio e eu tinha somente duas horas para descansar. Nesse momento, deu vontade de matar o Caio afogado na privada.

Assim que saí para a faculdade, me senti observada, e aquilo começou a me deixar em pânico. Olhei para todos os lados, mas não via nada, mas aquela incomoda sensação continuava.

Isso só teve um fim, quando cheguei à faculdade. Fiquei me perguntando se aquilo era pegadinha da minha cabeça depois do que William me falou.

A Nayara, minha irmã do coração, estava me aguardando na entrada do meu prédio e, ao notar minha cara, sabia que algo não estava bem.

— O que foi, florzinha? O que tanto você procura com o olhar?

— Não sei, amiga, estou com a sensação de estar sendo observada desde o momento que saí de casa. Isso está me causando pânico. Não sei se é coisa da minha cabeça, mas a sensação é horrível.

— Calma, Sarah. Observei você chegando, mas não vi ninguém te seguindo. Vamos entrar, isso pode ser somente nervosismo, sua vida anda bastante agitada, você tem corrido muito nesse último período.

— Depois do que me aconteceu, não tem como ser diferente, eu não conseguiria concluir a faculdade e ainda mais agora que o Caio está envolvido com os negócios do William.

— Mentira… seu irmão entrou nessa roubada? — Ela me olhou assustada.

— Não só entrou, como ontem ele quase me agrediu, após nossa primeira discussão. Ele só não fez isso, porque o William o ameaçou.

— É o quer? — Nayara perguntou, sem acreditar.

— Pois é… O tal do William disse que, se ele encostasse um dedo em mim, quebraria todos os ossos dos braços dele. Nunca fiquei tão decepcionada com o Caio quanto estou agora. Ele matou o pouco do respeito que eu ainda tinha por ele.

— Por que o William te defendeu?

— Eu não sei, mas não foi só isso… ele disse que a casa agora era minha e que qualquer coisa que eu precisasse falasse com seus “guris” que ele receberia o recado. Disse ainda que eu merecia viver como rainha. Porém, deixei claro para ele que não precisava da proteção dele para nada.

— Sarah, quero estar errada, mas pelo que já ouvi falar do William naquela comunidade, só posso deduzir que ele está interessado em você. Toma cuidado, amiga, esses tipos de caras não aceitam não como resposta.

Olhei para minha amiga, sem saber o que falar. Lembrei-me da sensação que tive do momento que sair de casa até chegar aqui. Será que tudo isso estava ligado? Ele disse que saberia se eu precisasse de algo, mesmo eu não falando. Eu estava sendo monitorada a distância? Isso era loucura demais.

As aulas transcorreram normalmente e assim que saímos da faculdade, nos deparamos com o carro do William do lado de fora. William tinha um sorrisinho no rosto.

Ele chamava a atenção por sua aparência. Alto, forte, com todos os músculos no lugar certo, olhos castanhos claros, quase mel, barba muito bem aparada… lindo. Poderia dizer que, se não fosse quem ele era, eu poderia até me apaixonar se somente beleza importasse para mim.

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