Me levantei, sentindo meu corpo inteiro querendo se rebelar contra aquele pedido. Não sabia o que ele poderia querer comigo e dei graças a Deus que ele me pediu para acompanhá-lo até um escritório e não para um quarto.
— Sarah, precisamos conversar sobre a gente. — William disse direto e claro quando entramos em seu escritório, mas aquela frase parecia confusa para mim.
— Sobre a gente? O que tem a gente, William? — Perguntei, me fazendo de desentendida.
— Estou interessado em você e quero que você venha morar aqui comigo. Falei com seu irmão e ele disse que, por ele, tudo bem ficarmos juntos.
— Você ficou louco? Morar com você? Quem você pensa que sou? Não é meu irmão que decide por mim e muito menos você, seu idiota. — Disse, perdendo o controle.
— Do que você me chamou? Te trago aqui com todo respeito do mundo, dizendo que quero que você seja minha fiel e é assim que você se comporta? Quem você pensa que é?
William retirou a arma das costas dele e, por um instante, imaginei que apontaria para mim, mas ele a colocou sobre a sua mesa, me avaliando. Ele respirou fundo e baixou a cabeça, mas em seguida voltou a olhar para mim.
Estava encostada na porta e paralisada. A raiva dele transbordava pelos poros e tive certeza de que fui longe demais com meu gênio. Pensei no que Nayara me disse… precisava ganhar tempo.
— Já matei por muito menos do que isso que aconteceu aqui. — Ele disse, se aproximando ainda mais. — Porém, acredito que eu tenha sido direto demais e isso pode ter te assustado. — Ele sorriu.
Não sabia como funcionava a cabeça daquele homem, mas estava grata por ele imaginar que minha rejeição foi apenas por ele ser direto. Ele ficou diante de mim e tão junto que imaginei que ele fosse me beijar.
— Vou fazer o seguinte... irei com mais calma, pode ser? — Disse ele, parecendo outra pessoa completamente diferente agora.
Eu somente afirmei com a cabeça, porque minha voz sumiu completamente. Ele inclinou sua cabeça e levou seu nariz ao meu pescoço, inalando meu cheiro. Aquilo me causou verdadeiros arrepios e me perguntei o que faria da minha vida a partir daquele momento.
Sei que um “não” pode resultar em minha morte, mas um “sim” seria como me matar também, porque estaria indo contra todos os meus princípios.
Após ele inalar meu cheiro, nossos olhares se encontraram e ele olhou para meus lábios. Estava estagnada ali, prensada entre ele e a porta, não tive como agir quando simplesmente ele levou sua boca à minha. Correspondi, temendo pela minha vida.
— Você tem um gosto viciante! Muito melhor do que imaginei. — William disse, após interromper nosso beijo.
Ele me olhou com um sorrisinho nos lábios, porém eu permaneci séria, sem qualquer reação. Ele segurou-me pela mão e me arrastou até o sofá.
— Então, Sarah, você pode pensar melhor em minha proposta? — Ele perguntou, analisando-me.
— Sim, William, mas quero negociar. — Se eu precisava ganhar tempo, tinha que impor minhas regras também.
— Por que será que não estou surpreso com isso? — Ele disse com um sorrisinho no rosto.
— Eu aceito ser sua fiel, mas quero continuar morando na minha casa. — Não aceitaria me mudar para aquele local.
— Por que isso, Sarah? Aqui você teria bem mais conforto e seria tratada como rainha.
— Meus pais sempre me ensinaram que eu só deveria morar com um homem depois que ele oficialmente me fizesse sua esposa. — Disse, querendo ganhar tempo. Acreditei que ele não pensaria em casamento nem tão cedo.
— Mas eu vou anunciar a todos que você é minha fiel. Você não vai precisar se preocupar com isso. — Ele tentou argumentar.
— Não estou falando disso, William. Estou falando de casamento. E não vou deixar de trabalhar. — Disse por fim.
— Fiel minha, não vai precisar trabalhar! — Ele disse, determinado, seu humor mudando novamente. Percebi que ele era muito volátil.
— Sinto muito, William, mas eu não sou dessas que fica dependendo de homem. — Tentei soar o mais suave possível.
— E quem disse que você tem escolha? Posso muito bem pegar o que quero e pronto. — Eu sabia disso. Em nossa comunidade, diria até que ele estava sendo generoso comigo.
— Sei disso, William, mas você sabe que pode ganhar bem mais se respeitar minhas vontades. E uma mulher querer ser independente não é ofensa alguma para um homem, muito pelo contrário, mostra que eu não estou te usando para conseguir o que quero. — Ele pareceu refletir sobre meus argumentos.
— Mas algum tipo de exigência, princesa? — Perguntou por fim.
Mas eu sabia que não deveria esticar tanto esse cordão, porque ele poderia romper e eu seria a única a perder ali. Apenas neguei com a cabeça, acreditando que me sairia bem, se ele aceitasse todas as minhas exigências.
— Uma vez na semana, você dorme comigo! Você vai ter que me satisfazer, e nem venha com essa história que sua religião não permite. Sei que você não segue nenhuma e, mesmo que seguisse isso, não faria diferença para mim.
Claro que não poderia ser tão fácil assim, pensei comigo mesma. Ele não facilitaria minhas exigências dessa forma. Não tive como evitar ficar vermelha, não porque estaria quebrando alguma regra religiosa, mas porque ainda era virgem por opção.
Precisava ser direta com ele, mas como fazer isso sem o ofender? Precisava engolir meu orgulho e dizer a verdade, não existia outra maneira de contornar isso. Teria que dormir com ele e ele descobriria minha situação. Precisava ganhar mais tempo.
— Eu ainda sou virgem… — Disse, ficando ruborizada e sem conseguir encará-lo.
— É o quê? Acho que não entendi direito. — Ele pareceu realmente confuso. Eu já tinha mais do que idade para ter tido minha primeira vez.
— Você entendeu perfeitamente bem... — Estava irritada por aquela humilhação. — Eu sou virgem!
— Você tem 24 anos, como você ainda é virgem? — William perguntou, incrédulo.
— Não sabia que tinha uma idade certa para perder a virgindade… me perdoe por isso, senhor. Vou arrumar alguém que resolva esse problema. — Disse debochada e irritada.
— Um caralho que outro vai tocar em você! Arranco as duas mãos dele antes disso e meto uma bala no meio da testa. Venha aqui comigo!
Ele levantou-se, pegou sua arma e saiu me arrastando para fora daquele escritório até chegar à última porta daquele corredor. Ao abri-la, me deparei com um quarto e um frio subiu pela minha espinha.
William colocou a arma em cima da cômoda, retirou os sapatos e a blusa. Não podia negar que, em outra circunstância, ter a atenção de um homem com a aparência de William me deixaria lisonjeada.
Como disse, ele era muito lindo. No entanto, naquela circunstância e por tudo que ele representava em nossa comunidade, aquilo fazia o efeito reverso. Eu estava apavorada.
— Vamos, tire a roupa! — Ele disse, simplesmente.
— Por que preciso tirar minha roupa? — Perguntei, confusa.
— Vamos resolver seu problema! — Ele disse como se aquilo fosse um cálculo de matemática.
— Eu não tenho problema nenhum, seu estúpido. Eu não vou transar com você simplesmente porque você acredita que minha virgindade seja um problema.
Dei as costas a ele e tentei sair daquele quarto, mas assim que coloquei a mão na maçaneta, William me prensou na porta outra vez. Agora estava de costas para ele e conseguia sentir o membro duro dele contra minha bunda.
— Eu vou ter você na minha cama por bem ou por mal… você decide. Se for por bem, pode ter certeza de que serei carinhoso. Por mal, não sei se conseguirei controlar muito bem meu tesão. — Ele disse, esfregando-se contra minha bunda.
Como permaneci imóvel, ele se afastou um pouco e colocou as duas mãos espalmadas ao meu lado. Nesse momento, fiz a única coisa que me restava, virei-me e fiquei de frente para ele, nos olhando.Se meu olhar pudesse matá-lo, ele estaria em um caixão, mas ele não entendeu isso. Ele simplesmente levou sua boca à minha e me beijou de forma avassaladora. Sabia que precisava fazer meus planos darem certo, mas nunca me imaginei ficando presa em uma situação daquela.As mãos dele seguraram minha cintura com certa firmeza e lentamente ele foi subindo-as até meus seios, apertando-os ainda por cima do vestido. Não sabia como fazer meu corpo não reagir de maneira involuntária àqueles estímulos.Por mais medo que eu estivesse naquele momento, meu corpo e minha mente estavam em sintonias erradas. E a forma como William estava me tocando começou a causar certas reações em meu corpo, principalmente na região entre minhas pernas.Sem eu perceber, um suspiro saiu de minha boca, causando um risinho daqu
A semana na faculdade havia acabado, agora eu era uma fisioterapeuta profissional. William estava tão ocupado resolvendo os problemas daquela invasão que muito raramente o encontrava.Boa parte das minhas roupas já estava na casa da Bruna, uma amiga. Nossas passagens também já estavam compradas. Precisava esperar só mais uma semana e estaria livre do William.Numa certa noite, durante aquela espera, após chegar do trabalho, fui surpreendida com pancadas na porta. Me assustei por conta do horário. Mas, escutei a voz do William, dizendo que se eu não abrisse, ele arrombaria.Aquilo me assustou, porque me perguntei o que estava acontecendo, apesar de nem sempre saber como explicar a volatilidade daquele homem. Assim que abri a porta, fui surpreendida por um William muito transtornado.— Você deve mesmo achar que sou um idiota, né, sua puta? — Ele perguntou, encarando-me com muita raiva.— Como é? Você está louco? O que aconteceu? — Perguntei revoltada pelo termo que usou comigo, mas tent
Minutos depois, William chegou de moto. Nayara pediu para eu ter calma e levar William a banho-maria só mais um pouco. Estávamos, enfim, deixando a comunidade e precisávamos que ele autorizasse nossa saída. Encarei ele descendo da moto e ele me analisou dos pés à cabeça.— Para onde você está indo, marrenta?— Estamos indo para uma festa na casa de nossa amiga da faculdade, William. Provavelmente voltaremos durante a madrugada.— Quem estará nessa festa? — Ele perguntou desconfiado, olhando para Nayara, que permaneceu no interior do veículo.— Quem provavelmente ela convidou, ué! — Precisava continuar a agir como sempre agira com ele.— Se eu souber que você andou se pegando com alguém, sabe o que acontece, né? — Ele ameaçou.— William, aceitei ser sua fiel, e não sou o tipo de mulher que sai de mão em mão. Imaginei que eu provara isso a você também! — Olhei para ele, deixando claro que não havia esquecido o que ele fez.— Você está certa, minha marrentinha. Não precisa ficar me lembr
ETHANJá fazia um mês que estava em minha casa. Um mês também que vinha fazendo exercícios e mais exercícios, e o máximo que consegui foi um pequeno movimento dos dedos de uma das mãos.Cada dia eu estava me sentindo mais revoltado com tudo e com todos. A forma como os funcionários olhavam quando precisavam entrar no quarto e até a forma positiva como minha mãe encarava os acontecimentos, me tirava a paciência.Muitas vezes eles até evitavam entrar aqui para não ter que escutar meus gritos. Chegou em uma situação em que muitas vezes passava horas sozinho. E, sinceramente, eu preferia assim, não gostava de perceber o olhar de pena deles. Tinha certeza do que pensavam de mim… o coitado do aleijado.Era muito humilhante para mim ter que depender de alguém até para limpar minha bunda. Se eu tivesse uma oportunidade, eu mesmo tirava minha vida para não ter que viver dessa forma.Lembrei que uma vez até comentei com Victória sobre isso depois que assistimos ao filme — Como eu era antes de v
SARAHO tempo tem passado rápido demais. Comentavam que o povo americano era frio em relação às interações humanas, mas morávamos em um edifício que em sua totalidade eram estrangeiros, e tínhamos alguns vizinhos muito calorosos.Guadalupe era uma delas. Uma senhora mexicana que trabalhava como cozinheira numa mansão em um bairro rico aqui na Califórnia. Um amor de pessoa.Por esses dias, ela me disse que sua patroa estava muito triste com a situação do filho que sofreu um acidente e que havia perdido os movimentos do pescoço para baixo. Ela perguntou se eu poderia ajudá-lo, mas não podia afirmar nada sem antes verificar seus exames.Deduzi que o rapaz deveria ter sofrido alguma lesão na medula, e expliquei exatamente isso para ela… que precisava verificar as extensões das lesões que ele sofreu e analisar os exames feitos, para só assim poder dizer se poderia ou não ajudar.Na semana seguinte, a patroa dela mandou o motorista nos buscar no edifício em que morávamos para que eu pudesse
ETHANApós desligar aquela ligação, minha mãe comemorou. Fiz isso por ela, mas também estava muito curioso em saber o que aquela coisinha irritante poderia fazer para mudar meu quadro.O hospital sempre mandou os melhores especialistas para fazer meu tratamento. O que ela poderia fazer de diferente deles que poderia resultar em algo positivo? Estava com minha língua coçando para dizer a minha mãe que não tivesse tantas esperanças.Estava certo de que aquela coisinha irritante nada poderia fazer para reverter minha situação. Quando minha mãe saiu do meu quarto, deixando-me sozinho mais uma vez, me vi pensando naquela médica.Analisando bem, o que mais me irritou foi que comecei a notar o quanto ela era linda, não queria ter esses pensamentos a respeito dela. Quando a tratei com grosseria, imaginei que ela fosse se retrair, igual à maioria dos profissionais que estiveram aqui, mas me enganei completamente.Ela simplesmente olhou para mim, disse o que eu merecia escutar e simplesmente me
Após fazer uma avaliação por todo o corpo do Ethan e verificar algum ponto de sensibilidade, resolvi começar com os exercícios para seus braços. Aquela era a parte mais fácil do tratamento.Depois de quase uma hora, Ethan começa a reclamar. Pude ter uma ideia do motivo pelo qual ele ainda não havia recuperado os movimentos. Provavelmente o profissional parava quando ele começava a reclamar. Deixei ele na cama, fui até minha bolsa, peguei meus fones de ouvido e retornei até ele.— Como você não para de reclamar, mesmo não sentindo nada, estou colocando meus fones de ouvidos. Dessa forma, evito escutar sua voz irritante.— Você não se atreveria! — Ele disse, irritado.— Assista, então. — Disse, colocando uma música no meu celular e colocando meus fones de ouvidos.Depois disso, notei que ele parou de resmungar. Ele sabia que faria papel de bobo, falando sozinho. Continuei massageando, alongando e conectando os eletrodos do aparelho que trouxe em seu braço e ombro.A eletroestimulação aj
Algumas semanas haviam passado e meu trabalho com Ethan crescia a cada uma delas. Podia dizer que o mau-humor dele regrediu um pouco e ele se tornou menos ácido, porém os movimentos aparentemente não deram sinais ainda.Hoje faríamos novamente a massagem para podermos verificar se ele adquiriu sensibilidade em algum local. Os exercícios eram constantes, mas levam tempo para evoluir, porém, Grace estava muito animada.Pelo que parece, esse foi o maior tempo que um mesmo médico permaneceu com Ethan, sem ser dispensado por ele. Já tinha passe livre na casa e sempre que chegava, ia direto para a cozinha cumprimentar Guadalupe e sempre encontrava Grace lá também.— Bom dia a todas! — Disse, indo até Guadalupe, cumprimentando-a com um beijo.— Bom dia, minha menina!— Como amanheceu meu limãozinho hoje, Grace?— Azedo como sempre, Sarah! Não sei se o fato de hoje fazer seis meses do acidente ou se por algum outro motivo.— Não sabia desse fato, mas vou lá tentar fazer uma limonada. — Disse,