CAPÍTULO 06

SARAH

Conseguia enxergar no olhar de Nayara todo seu receio. Para ser mais exata… todo seu medo. Como ela mesmo havia falado, William não era o tipo de cara que escutava um “não” e o aceitava. Ele sempre reagia mal quando isso acontecia.

— E aí, princesa, conseguiu descansar depois que saímos? — Ele perguntou.

— Consegui descansar por duas horas, depois que organizei a bagunça que seu grupo deixou em minha casa. — Respondi sem titubear.

— E ainda assim, você veio para a faculdade? Posso deduzir então que ela é muito importante para você.

— Não duvide disso. Meus pais batalharam muito para que eu pudesse entrar aqui e vou concluir meu curso em honra à memória deles.

Nayara estava em completo silêncio. Não conseguia entender por que ela tinha tanto medo de William. Ela não fez nada de errado.

— Vim te buscar para almoçar hoje comigo. — Ele simplesmente disse, não perguntou.

— Preciso ir para casa, William. Tenho uma cliente agendada e não posso me dar ao luxo de não a atender.

— Calma, princesa, prometo que você não vai se arrepender. Qualquer coisa, pago o valor que você ganharia e você reagenda sua cliente.

— Não preciso de seu dinheiro. Além disso, quero ganhar meu dinheiro de forma honesta.

— O que você quer dizer com isso? Meu dinheiro não é honesto para você? — Ele perguntou, visivelmente alterado.

— Não é isso que minha amiga quis dizer, William. A Sarah só não gosta de dever favor a ninguém. Isso acontece até comigo, que sou como irmã para ela.

Nayara se pronunciou para minimizar a situação acalorada que ele protagonizou.  Ele a analisou e depois voltou seu olhar para mim. Mas não me sentia intimada por ele, afinal, não estava errada. Sabia como ele conseguia seu dinheiro e não iria compactuar com isso. Então, somente o encarei também.

— Você me encanta cada vez mais com seu jeito, marrentinha!

— Meu nome é Sarah e adoro o nome que meus pais me deram.

— Bem, não vou dar viagem perdida… vocês duas entrem aí no carro e depois deixo vocês em suas casas.

Nayara segurou minha mão e fez um sinal para que eu não resistisse e aceitasse aquela ordem. Ela entrou primeiro e me puxou para o interior do veículo.

Após um tempo, o veículo parou diante de um terreno que mais parecia abandonado, fiquei receosa pela nossa segurança. No entanto, após o portão ser aberto, observamos uma mansão belíssima que nunca imaginei existir ali, em nossa comunidade. 

Cresci e me criei na comunidade de Dourados e nunca havia visto ou ouvido falar sobre essa edificação. Imaginei que conhecia tudo ao meu redor e estava completamente enganada. Por fora, esse terreno parecia somente mais um abandonado pelo morador, fugindo da violência.

— Nayara, não fique com medo, vamos ficar bem. Eu prometo! — Tentei tranquilizar minha amiga e, ao mesmo tempo, acreditar em minhas palavras.

— Sarah, eu te falei que ele não aceitava não como resposta. Só não aconteceu nada até agora porque ele está realmente interessado em você. Isso é nítido, estou com medo não por mim, mas para onde isso vai te levar.

— Vou tirar nós duas dessa, fica tranquila.

— As princesas vão descer ou vão continuar de conversinha aí? — Aquele idiota perguntou, impaciente.

Abri a porta, descendo e revirando os olhos para ele. Não iria demonstrar estar com medo. Ele me olhou, tentando esconder um risinho querendo surgir em seus lábios. Comecei a perceber que ele gostava de me provocar e, quanto mais eu retrucava, mais ele me provocava.

No terraço, estavam duas de suas boqueteiras, que nada mais eram do que garotas que satisfaziam os caras sexualmente. Elas nos analisaram da cabeça aos pés, e percebi o olhar de desprezo de ambas para mim e Nayara. No entanto, eu e minha amiga somente as ignoramos.

— Oi, meu rei, sentimos sua falta! — A loira platinada disse.

— Que tal aquela seção de massagem agora? — Disse a morena peituda, toda manhosa.

— Não tenho tempo para isso, Lorena! Vaza que agora estou com visita importante.

Nayara me olhou com aquele olhar que diz — eu te avisei. Nesse momento, senti um frio na espinha e me perguntei como sairia dessa enrascada.

As garotas nos olharam com um olhar assassino e se pudessem, nos matava ali mesmo. Isso também me deixou apreensiva, porque sabia o que esse tipo de mulheres fazia para eliminar a concorrência e isso poderia me causar problemas.

— Estamos aqui te esperando faz tempo, aposto que essas daí nem sabe o que você gosta. — A loira, argumentou, não se dando por vencida.

— Já mandei vazar, e outra, respeite as damas que elas não são do nível de vocês. Da próxima vez que desrespeitar as minas, mando raspar a cabeça das duas. Agora sumam daqui, ou vão querer um incentivo? — Ele não precisou falar uma segunda vez. — Desculpem as vadias aí, elas acham que tem o que preciso.

Ele disse, olhando especificamente para mim, e eu o encarei sem dizer nada. William nos conduziu para o interior da mansão e pude observar o quanto ela era linda e muito bem decorada.

Não acreditava que ele entendesse de decoração, mas com toda certeza aquela sala foi muito bem projetada. Ele pediu para mim e Nayara sentarmos e ficar à vontade. Ele saiu dizendo que avisaria a cozinha para colocar mais um prato na mesa para Nayara. Minha amiga sentou ao meu lado no sofá e aguardou ele sair.

— Eu te disse que ele estar interessado em você!

— O que devo fazer agora, Nayara? Não vou me envolver com ele, essa não foi a vida que escolhi para mim. Não estudei tanto para acabar como mulher de bandido. — Disse, nervosa.

— Vamos ter que sair completamente da comunidade. Ele não vai aceitar ser rejeitado, Sarah, e você sabe o que isso significa para nós. Aqui, a voz dele é lei e ninguém é louco de questionar. Precisamos ganhar tempo e planejar.

— O que você está querendo dizer com isso? Você quer que eu aceite ser mulher de bandido? — Perguntei sem acreditar que ela pudesse estar insinuando aquilo.

— Não, Sarah! Quero dizer que você vai precisar levá-lo a banho-maria até termos um plano para escapar da comunidade. Se você não quer ficar com ele, você vai ter que ir comigo para os EUA.

— Meu Deus, Nayara, vou ter que deixar minha vida inteira para trás?

— É isso ou virar a primeira dama do tráfico. Ou quem sabe até coisa pior… você sabe o que quero dizer.

No momento em que responderia à minha amiga, William entrou na sala e, ao perceber minha cara assustada, perguntou se estava tudo bem. Somente confirmei com um aceno, tentando esconder todo meu pavor.

Ele pediu para acompanhá-lo até a sala seguinte. Nos deparamos com uma sala ainda maior e com uma mesa enorme muito bem arrumada. E antes de nos sentarmos, meu irmão adentrou na sala, surpreendendo-se com nossa presença ali.

— E aí, pavão, vejo que trouxe convidadas ilustres para o almoço. — Caio disse com um sorrisinho no rosto. — Bom te ver, irmã! Como vai, Nayara?

— Estou bem, Caio! Obrigada!

— Vamos se sentar e comer… estou morrendo de fome! — William disse, puxando minha cadeira para que eu pudesse me sentar.

Aquele ato me surpreendeu, não imaginei que ele pudesse ser tão cavalheiro nesse sentido, ou apenas estava tentando me impressionar, mas não cairia nessa. Meu irmão sorriu, negando com a cabeça, como se aquilo fosse uma piada para ele.

Comemos em silêncio e realmente a comida estava ótima. Mas não me iludiria com aquelas atitudes. Normalmente, caras como William simplesmente pegavam o que queriam e a outra parte, mulheres como eu, deveria se sentir orgulhosa por ter a atenção dele.

Eu e Nayara estávamos tensas, loucas para deixar aquela mansão. E quando pensei que tudo tinha acabado e que finalmente iria para minha casa, William disse que precisava falar em particular comigo.

Deu ordem ao meu irmão para levar Nayara para casa e me pediu para acompanhá-lo até o escritório. Somente não sabia se eu conseguiria caminhar até lá, devido à tremedeira que tomou meu corpo e que eu tentava disfarçar.

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