ETHAN
No jogo, quase sempre a felicidade de um começa na queda do outro. E não existe nada mais emocionante do que vencer a NFL. Coração acelerado, pupilas dilatadas, pressão nas alturas. Esse é o carrossel de emoções que o jogador vive ao marcar um touchdown. A euforia se traduz em comemoração. E nada mais justo do que comemorar.
— Cara, vamos para a casa do James. A comemoração vai ser lá. — Caleb gritou para mim.
— Beleza! Vou pegar a Victória e nos encontramos lá! — Afirmei.
Ao sair do vestiário, encontrei minha linda namorada me falando ao telefone, e descrevendo a emoção que sentiu ao me ver fazendo o touchdown que nos garantiu a vitória.
Assim que me viu, se despediu da amiga e correu para me abraçar, pulando alegremente nos meus braços. Precisei soltar a bolsa, para que nós dois não fossemos parar no chão, de tanto que era a euforia da Victória.
— Meu amor, estou tão feliz por você! — Disse ela, me beijando.
Eu e Victória namoramos há três anos, mas nos conhecemos desde a época da faculdade. Passei por algumas turbulências até chegar aqui, e ela foi uma de minhas grandes incentivadoras depois da minha mãe.
— Obrigado, princesa! Estamos indo para a casa do James, você vem ou precisa ir para casa?
— Não é todo dia que você ganha o NFL. Hoje é dia de comemorar! Claro que vou com você. — Disse ela, animada.
— Preciso somente passar em casa rapidinho e, de lá, seguimos juntos.
Ela assentiu e saímos. Prometi à minha mãe que, se vencesse, passaria lá antes de comemorar para lhe dar um abraço. Pode parecer tolo, mas se estou aqui hoje, é devido ao sacrifício dela, e eu jamais esqueceria esse grande detalhe.
Ao entrar em casa, me senti orgulhoso por proporcionar aquele conforto a ela, depois de tudo que ela passou para me manter na direção certa. Encontrei-a sentada no sofá em nossa sala de estar, foleando um de seus livros favoritos.
Minha mãe criou o hábito de não assistir a meus jogos. Ela dizia que isso iria acabar lhe causando um ataque fulminante. Ela só sabia o resultado quando eu entrava pela porta e olhava para ela.
Minha mãe não teve uma vida fácil, muitas vezes saía durante a madrugada para realizar suas faxinas e, quando retornava, muitas vezes dormia somente quatro horas por dia.
Durante toda minha vida, ela nunca me permitiu dormir sem uma refeição decente. Todos os livros que precisei para concluir meus estudos, ela se sacrificava para comprar. Puder dar um conforto a ela agora era o mínimo que eu poderia fazer.
Morávamos em Bel Air, em uma pequena mansão se comparada a outras da localidade. Meu salário como jogador profissional me permitia esse tipo de luxo e depois que me destaquei como quarterback tudo mudou ainda mais.
Tinha uma bela fortuna no banco, mas continuei mantendo a humildade que minha mãe sempre fez questão de me ensinar. No entanto, não abdiquei do conforto de morar em uma bela casa e ter à disposição alguns funcionários para que minha mãe não tivesse mais que trabalhar.
Assim que nossos olhos se cruzaram, ela soube que saímos vitoriosos. Ela se levantou e correu para me abraçar, me dando os parabéns. Seus olhos estavam turvos com algumas lágrimas que ela lutava para segurar.
Minha mãe não gostava de demonstrar o que estava sentindo, mas sei que naquele momento ela estava emocionada pela minha vitória. Depois que ela me soltou, abraçou Victória e perguntou como foi o jogo.
— Bom, no geral. — Falei.
— Bom? Foi emocionante, Grace, e seu filho foi o responsável pela vitória de hoje. Ele fez o touchdown que garantiu o troféu para seu time. Ele só não gosta de se gabar, mas ele foi o herói da partida hoje. — Victória disse, entusiasmada.
— Parabéns, meu filho! Sei o quanto essa vitória era importante para você. Eu nunca duvidei de sua capacidade, sempre disse que, se você realmente quisesse muito uma coisa e lutasse por ela, você poderia conseguir. Estou muito orgulhosa de você, meu amor. — Disse minha mãe, voltando a me abraçar e me beijando mais uma vez.
— Mãe, vamos sair para comemorar. Passei aqui somente para lhe abraçar e informar pessoalmente que vencemos. Estamos indo para a casa do James e provavelmente vamos dormir lá, porque pretendo beber. Então, não fique me aguardando chegar, descanse e amanhã encontro a senhora aqui novamente. Sua benção, mãe! — Disse, indo até ela e lhe dando um beijo na testa.
— Deus te abençoe, meu filho! Estou com meu coração um pouco apertado, então tenham cuidado. — Ela disse, preocupada.
— Tudo bem, mãe. Assim que chegar lá, envio uma mensagem informando que chegamos. Mas tranquilize-se, que teremos o máximo de cuidado.
Victória se despediu dela e saímos para encontrar os caras. Quando chegamos à casa do James, a festa já estava bombando.
Muita gente, som de qualidade e toda nossa equipe presente, além de comida e bebida circulando com garçons. Parecia que o James já estava preparado para nossa vitória. Peguei meu celular e enviei uma mensagem para minha mãe…
Ethan: Chegamos em segurança. Descanse. Amanhã estarei em casa.
Peguei uma bebida para Victória e outra para mim na bandeja do garçom que passou por nós. Encontrei os caras reunidos na beirada da grande piscina da mansão de James.
Todos falavam do touchdown decisivo. Quando Caleb, meu melhor amigo e um verdadeiro irmão, me viu, ele começou a gritar de onde se encontrava.
— Chegou o grande herói da partida!
E todos os caras vieram me cumprimentar mais uma vez. Observei uma abundância de mulheres ao redor dos caras. Dei graças a Deus porque Victória nunca se importou muito com isso. Sempre deixei muito claro meus sentimentos por ela e ela conhecia meu caráter.
Nunca deixei a fama me subir à cabeça. Sempre mantive meus princípios e acreditava que foi isso que fez ela me dar uma chance. Sentamos à mesa com todos e a conversa fluía normalmente.
Victória se dava muito bem com os caras e todos a respeitavam muito. Desde quando começamos a namorar, ela sempre me acompanhava nesses tipos de comemorações ou até mesmo em algumas reuniões informais que fazíamos. Ela já fazia parte da equipe.
Sempre aproveitávamos muito esses tipos de festas, mas em particular hoje, não estava muito a fim de beber. Tomei algumas cervejas, mas há algumas horas estava somente no refrigerante.Olhei para Victória e percebi que ela bebera demais e estava um pouco embriagada, e vê-la feliz como estava me fez sorrir. Era completamente apaixonado por essa mulher, pela simplicidade dela levar a vida e pelo otimismo que cativava todos ao seu redor.Procurei Caleb com o olhar e o encontrei rodeado por duas mulheres lindas. Esse não mudaria nunca, mas o amava também. Ele já fazia parte da minha família e minha mãe já o considera como filho pelo tempo que ele passava em minha casa. Entramos juntos para o mesmo time, mas nossa amizade era de antes mesmo da faculdade.Na metade da madrugada, todos insistiram muito para irem a uma boate muito badalada próximo dali, cerca de meia hora de carro. Não estava muito a fim de ir, todos haviam bebido bastante e alguns não tinham condições de dirigir.No entanto,
SARAHMeus pais sempre foram pessoas admiráveis. Apesar de sermos pobres, eles sempre fizeram questão de nos incentivar a estudar, porque para eles, isso era algo que jamais ninguém poderia nos tirar.Meu pai costumava dizer que — A lâmina de uma gilete é afiada, mas não corta uma árvore com tanta eficiência. E minha mãe completava a frase dele dizendo — O machado é forte, mas não corta os cabelos com tanta delicadeza. Eles sempre repetiam isso para mim e para meu irmão Caio.Eles nos diziam que todo mundo é importante de acordo com seus próprios propósitos. E que jamais deveríamos olhar para alguém com desprezo ou de cabeça baixa, exceto se fosse para admirar seus sapatos.Eu tinha o maior orgulho dos meus pais, eles poderiam não ter completado seus estudos, mas tinham uma grande sabedoria. Meu pai, mal conseguia assinar seu nome, mas levantava uma casa da planta em poucos dias e sem erros.Minha mãe, era um pouco mais estudada, porém, não conseguiu concluir seus estudos porque engra
Todos começam a sair lentamente, ainda comemorando o upgrade que ganharam. Percebi estar sendo observada enquanto seguia para a cozinha em busca de um copo de água. Precisava respirar fundo e buscar o restinho de paciência que existia no fundo do poço.— Você devia agradecer ao Pavão por permitir que a festa rolasse na casa dele. — Meu irmão disse, seguindo para a geladeira que terminei de fechar.— Se você não percebeu, já fiz isso. Mas se não fosse assim, eu seria a primeira a ligar para a polícia. Diria estar incomodada com a baderna, para que eles viessem até aqui acabar com sua festinha. — Nesse momento, meu irmão soltou uma gargalhada.— Depois de toda merda que eles fizeram, você ainda acredita que eles viriam? Você é muito ingênua, Sarah. Nessa comunidade, quem manda somos nós agora!— E eu não sei quem é pior, vocês ou eles. — Disse, automaticamente.Nesse momento, meu irmão levantou a mão para me bater, o que me fez encolher assustada. Apesar de ele ser mais novo, era homem,
ETHANNão notei quando os médicos saíram. Só me dei conta de que o tempo havia passado quando minha mãe se aproximou de mim e perguntou se desejava alguma coisa.— Sim, mãe! Quero sentir meu corpo novamente. Será que isso será possível?Minha mãe me olhou com tristeza, e sabia que, se fosse possível, ela trocaria de lugar comigo sem pensar duas vezes.Estava com muita raiva contida, e a única parte do meu corpo que eu desejava que não estivesse funcionando nesse momento era a única que não me deixava em paz… minha cabeça.— Vou chamar a enfermeira para mudar você de posição, isso vai ser bom para sua circulação. Se tudo dê certo, em breve estaremos em casa.— Obrigado, mãe! Talvez seja bom mudar de posição, já gravei cada detalhe desse teto. — Respondi com ironia.Minha mãe saiu sem falar mais nada. Após alguns instantes, ela voltou com duas enfermeiras. Nesse momento, senti meus lábios secos e tive vontade de beber água.— Mãe, a senhora pode pegar um pouco de água para mim?— Claro,
SARAHConseguia enxergar no olhar de Nayara todo seu receio. Para ser mais exata… todo seu medo. Como ela mesmo havia falado, William não era o tipo de cara que escutava um “não” e o aceitava. Ele sempre reagia mal quando isso acontecia.— E aí, princesa, conseguiu descansar depois que saímos? — Ele perguntou.— Consegui descansar por duas horas, depois que organizei a bagunça que seu grupo deixou em minha casa. — Respondi sem titubear.— E ainda assim, você veio para a faculdade? Posso deduzir então que ela é muito importante para você.— Não duvide disso. Meus pais batalharam muito para que eu pudesse entrar aqui e vou concluir meu curso em honra à memória deles.Nayara estava em completo silêncio. Não conseguia entender por que ela tinha tanto medo de William. Ela não fez nada de errado.— Vim te buscar para almoçar hoje comigo. — Ele simplesmente disse, não perguntou.— Preciso ir para casa, William. Tenho uma cliente agendada e não posso me dar ao luxo de não a atender.— Calma,
Me levantei, sentindo meu corpo inteiro querendo se rebelar contra aquele pedido. Não sabia o que ele poderia querer comigo e dei graças a Deus que ele me pediu para acompanhá-lo até um escritório e não para um quarto.— Sarah, precisamos conversar sobre a gente. — William disse direto e claro quando entramos em seu escritório, mas aquela frase parecia confusa para mim.— Sobre a gente? O que tem a gente, William? — Perguntei, me fazendo de desentendida.— Estou interessado em você e quero que você venha morar aqui comigo. Falei com seu irmão e ele disse que, por ele, tudo bem ficarmos juntos.— Você ficou louco? Morar com você? Quem você pensa que sou? Não é meu irmão que decide por mim e muito menos você, seu idiota. — Disse, perdendo o controle.— Do que você me chamou? Te trago aqui com todo respeito do mundo, dizendo que quero que você seja minha fiel e é assim que você se comporta? Quem você pensa que é?William retirou a arma das costas dele e, por um instante, imaginei que ap
Como permaneci imóvel, ele se afastou um pouco e colocou as duas mãos espalmadas ao meu lado. Nesse momento, fiz a única coisa que me restava, virei-me e fiquei de frente para ele, nos olhando.Se meu olhar pudesse matá-lo, ele estaria em um caixão, mas ele não entendeu isso. Ele simplesmente levou sua boca à minha e me beijou de forma avassaladora. Sabia que precisava fazer meus planos darem certo, mas nunca me imaginei ficando presa em uma situação daquela.As mãos dele seguraram minha cintura com certa firmeza e lentamente ele foi subindo-as até meus seios, apertando-os ainda por cima do vestido. Não sabia como fazer meu corpo não reagir de maneira involuntária àqueles estímulos.Por mais medo que eu estivesse naquele momento, meu corpo e minha mente estavam em sintonias erradas. E a forma como William estava me tocando começou a causar certas reações em meu corpo, principalmente na região entre minhas pernas.Sem eu perceber, um suspiro saiu de minha boca, causando um risinho daqu
A semana na faculdade havia acabado, agora eu era uma fisioterapeuta profissional. William estava tão ocupado resolvendo os problemas daquela invasão que muito raramente o encontrava.Boa parte das minhas roupas já estava na casa da Bruna, uma amiga. Nossas passagens também já estavam compradas. Precisava esperar só mais uma semana e estaria livre do William.Numa certa noite, durante aquela espera, após chegar do trabalho, fui surpreendida com pancadas na porta. Me assustei por conta do horário. Mas, escutei a voz do William, dizendo que se eu não abrisse, ele arrombaria.Aquilo me assustou, porque me perguntei o que estava acontecendo, apesar de nem sempre saber como explicar a volatilidade daquele homem. Assim que abri a porta, fui surpreendida por um William muito transtornado.— Você deve mesmo achar que sou um idiota, né, sua puta? — Ele perguntou, encarando-me com muita raiva.— Como é? Você está louco? O que aconteceu? — Perguntei revoltada pelo termo que usou comigo, mas tent