~ Gael Martinez (Hades) ~
O mundo da máfia não espera ninguém crescer. Ele te engole antes que você tenha a chance de entender quem é. Eu fui tragado por ele antes mesmo de aprender a amarrar meus sapatos. Aos dez anos, ainda um moleque, meu pai colocou uma arma na minha mão e apontou para o homem que supostamente nos devia algo.
— Puxa o gatilho, garoto. — Ele disse, a voz fria e sem emoção. — Ou morre como um inútil.
Eu puxei. Não hesitei.
O som do tiro ainda ecoa na minha mente às vezes, mas não sinto remorso. Nunca senti. Foi ali que comecei a entender como o mundo funciona: ou você domina ou é dominado. E eu nasci para dominar.
Minha mãe não viu isso acontecer, é claro. Ela fugiu assim que pôde, me deixando com aquele homem monstruoso que me moldou à sua imagem e semelhança. Nunca a culpei por ir embora. Na verdade, se tivesse a chance, provavelmente faria o mesmo.
Quando minha mãe fugiu, meu pai começou a me chamar de Hades. Na época, achei que fosse só um insulto, uma forma de jogar em mim a frustração que ele sentia por ter sido abandonado. Mas, quando descobri o significado desse nome, percebi que não era uma ofensa — era uma profecia. Hades, o deus do submundo, governava um reino de sombras, temido e respeitado, decidindo o destino das almas. Eu gostei. Porque, no fundo, sempre soube que era exatamente isso que eu nasci para ser.
Cresci em meio ao caos, aprendendo que confiança é uma fraqueza e que misericórdia é uma palavra que só existe para os fracos. Não foi difícil me tornar o que sou hoje: maldoso, traiçoeiro e calculista. Eu controlo cartéis, faço milhões em negócios ilegais, e não há um canto desta cidade que não conheça o nome Hades.
Mas não é só pelo dinheiro que eu faço isso. É pelo poder. Pelo controle. A sensação de ter tudo e todos sob o meu domínio é o que realmente me alimenta. O deus Hades, da mitologia grega, cresceu em um mundo que não escolheu, relegado às sombras enquanto seus irmãos governavam os céus e os mares. Mas ele fez do submundo o seu reino, governando com autoridade, frieza e domínio absoluto. Eu fiz o mesmo e sou o Hades deste mundo, o Don da Della Notte.
As mulheres vêm e vão. Algumas imploram para ficar, mas eu nunca permito que passem de uma noite. Exceto por Tiffany. Ela é diferente. Não porque eu a ame — amar não é algo que eu faço. Mas porque ela entende as regras do jogo. Sabe o que esperar e o que não esperar de mim.
E então há dias como hoje, em que negócios exigem mais que palavras.
Um dos meus clientes, um idiota chamado Luís, acha que pode me enrolar. Há meses ele deve uma quantia absurda, e o tempo de esperar acabou. Um dos meus homens me informou que ele possui uma fazenda, e o que ele não sabe é que eu não faço acordos. Eu tomo o que é meu.
Chego à fazenda sob o som da chuva e o cheiro de terra molhada, chutando a porta com força suficiente para fazê-la ceder de imediato. Dentro, o ambiente é humilde, com móveis simples e uma decoração que parece parada no tempo. Luís está lá, cambaleando, com um copo na mão e o rosto marcado pelo cansaço.
— Hades... O que está fazendo aqui? — ele pergunta, a voz carregada de medo.
Eu rio. É quase patético.
— Luís, vim pegar o que é meu. — Dou um passo à frente, e ele recua.
A discussão começa. Ele tenta argumentar, inventar desculpas. Reviro o lugar inteiro enquanto ele implora. Nada aqui vale muito, mas é a terra que me interessa. O que está sobre ela.
No final, quando a paciência se esgota, a pistola já está na minha mão.
— Eu vim pegar o que é meu, desgraçado. — Sem hesitar, puxo o gatilho. O tiro é certeiro, e o corpo dele cai no chão, inerte.
É então que vejo algo que não tinha notado antes. Um movimento no canto da sala.
Uma garota.
Ela está acuada, com os olhos arregalados, o rosto pálido. É loira, magra, com olhos profundos que me encaram como se eu fosse a encarnação do diabo. Talvez eu seja. Há algo na inocência dela que me intriga. Que desperta as ideias mais perversas na minha mente.
— Ora, ora, o que temos aqui? — murmuro, me aproximando dela com passos lentos, como um predador que avalia sua presa. Minha mão desliza pelas costas de sua mandíbula, a pele dela tão quente quanto delicada.Ela recua, tremendo como uma folha ao vento, e tenta afastar minha mão, mas sua força é quase inexistente. É patético, e ao mesmo tempo... intrigante.
— Para... por favor, para... — Sua voz quebra no meio do pedido, mal conseguindo formar palavras completas.
Um sorriso frio escapa dos meus lábios. Ignoro seus apelos como se fossem o zumbido distante de um inseto.
— Tudo que está nesta fazenda me pertence, Mia Béla — digo, minha voz baixa e letal. — E isso inclui você.
Não dou tempo para que ela reaja. Seguro seu rosto com firmeza, forçando-a a olhar para mim, e a beijo com uma brutalidade calculada. Sinto suas mãos fracas batendo contra meu peito em uma tentativa patética de resistência, mas é como se estivesse tentando derrubar uma muralha com um suspiro.
Quando finalmente me afasto, vejo o misto de ódio e terror em seus olhos. Isso deveria me incomodar, mas não. Na verdade, há algo perversamente satisfatório nessa reação. Algo que faz meu sangue correr mais rápido.
— Levem-na para o celeiro — ordeno, sem desviar o olhar dela. Minha voz ecoa como um trovão na sala. — Quero que fiquem de olho. Certifiquem-se de que não vá a lugar algum.
Ela grita, esperneia, mas é inútil. Meus homens a seguram pelos braços e a arrastam para fora da casa. Fico parado, observando-a até que sua figura desapareça na escuridão da noite. Há algo nessa garota que me intriga, algo que não consigo ignorar. Mas o quê?
"Merda", penso comigo mesmo, esfregando o queixo. Isso vai ser uma dor de cabeça monumental. Eu não sabia que aquele miserável do pai dela tinha uma filha, e agora essa responsabilidade caiu no meu colo. Uma garota magra, vulnerável, que não duraria dois dias em um dos meus bordéis.
Olho para a garrafa de whisky sobre a mesa e a pego, virando um gole generoso enquanto me permito alguns segundos para pensar.
O que fazer com ela?
Ela não parece ter utilidade prática. Não é forte, nem treinada. Uma mulher comum, frágil demais para o mundo em que eu vivo. Mas há algo nos olhos dela, uma chama que tenta resistir mesmo enquanto ela está apavorada. Isso... isso é interessante. E talvez perigoso.
Solto um longo suspiro e volto a encarar a noite lá fora. O vento uiva como um aviso, mas eu ignoro. Afinal, já tomei minha decisão. Essa garota pode ser um problema, mas problemas são o que eu sei resolver.
~ Summer ~O silêncio no celeiro é opressor, cortado apenas pelo som dos meus soluços abafados. Minhas mãos estão vermelhas de tanto esmurrar a porta, mas ela não cede. Minhas forças se esvaem, e eu desabo no chão de terra batida, sentindo a humilhação me consumir.Quanto tempo passou? Minutos? Horas? Não sei. Meu coração acelera ao ouvir passos do lado de fora. A porta range e, de repente, ele está ali — o homem que transformou minha vida em caos num piscar de olhos.— Quem é você? — minha voz falha, mas eu me forço a encará-lo.Ele sorri, um sorriso cheio de algo sombrio e predatório.— Seu dono, Mia Béla.Me levanto num salto, tentando passar por ele, mas sua mão firme agarra meu braço. Num movimento rápido, ele me joga ao chão como se eu fosse nada.— Não me machuque... — imploro, minha voz quase um sussurro, mas ele apenas ri, uma risada baixa e ameaçadora.Ele se aproxima novamente, e eu sinto o peso de sua presença. Ele me puxa de volta para cima, tão perto que posso sentir seu
~ Summer ~Acordo sentindo o peso do dia anterior como uma pedra no peito. O quarto onde estou é grande, mas frio, sem vida. As paredes brancas parecem me sufocar, e o silêncio é tão denso que quase ouço meus próprios pensamentos berrando.Caminho até o banheiro com as pernas trêmulas. Abro a torneira e deixo a água correr, tentando encontrar alguma normalidade em escovar os dentes. Uma, duas, três vezes. Escovo até minhas gengivas começarem a doer. Tento ignorar o gosto metálico do sangue e lavo o rosto com água gelada, como se isso pudesse apagar tudo o que aconteceu.Tomo banho em silêncio, deixando a água quente cair sobre mim. N&atild
~ Summer ~A dor ainda lateja no meu corpo. Cada movimento que faço parece um lembrete cruel do que aconteceu, do que ele fez. Não consigo mais ficar aqui. Preciso sair, nem que seja a última coisa que eu faça.Olho ao redor do quarto. É luxuoso, sim, mas não passa de uma prisão decorada. A janela está fechada, mas eu vejo o mundo lá fora. A liberdade está tão perto, e mesmo assim parece impossível alcançá-la.Respiro fundo. Preciso tentar.Espero até o sol começar a se pôr. A casa está mais silenciosa, os passos ecoam distantes. É a minha chance. Abro a porta
~ Hades (Gael) ~ Sentado em meu escritório, revisando alguns números de um dos meus negócios. As últimas semanas têm sido um caos, como sempre, mas é o tipo de desordem que eu aprendi a dominar. Controle. Poder. Isso é tudo o que importa.— Gael, o carregamento do porto está em ordem. — Marco, meu capo e braço direito, entra com sua postura rígida, como sempre.— Eu já disse pra me chamar de Hades — reclamo e volto a falar — Ótimo. Certifique-se de que a entrega seja feita sem erros. Não tenho paciência para incompetentes.Ele assente e sai, deixando-me sozinho. Depois de concluir os últimos detalhes, decido voltar para casa e descer ao porão. Ali é onde escondo os segredos mais sombrios, os erros que precisei corrigir e as dívidas que outros não puderam pagar. É aonde Summer se encontra.Passo horas lá, perdido em pensamentos e decisões e a observando sem que ela perceba. O ambiente é escuro, abafado, o cheiro metálico de ferrugem impre
~ Summer ~Acordo com o sol invadindo o quarto pela fresta da cortina. Depois da tempestade que minha mente viveu nos últimos dias, o silêncio da casa parece quase ensurdecedor. É como se o mundo ao meu redor estivesse adormecido, mas sei que, em algum canto, Hades continua me observando, mesmo que eu não possa vê-lo.Levanto-me, decidida a explorar o lugar. A casa é enorme, quase um labirinto, cheia de cômodos que carregam histórias invisíveis nas paredes. Preciso conhecer cada canto, entender onde estou e, principalmente, descobrir como sair daqui.Descendo as escadas, encontro a cozinha: ampla, bem iluminada, uma mistura de móveis rústicos e modernos que não combinam com a frieza deste lugar. Lá, está a mulher que trouxe minha comida há alguns dias. Ela corta vegetais em silêncio, mas sei que percebe minha presença.— Oi... qual seu nome? — arrisco, tentando soar amigável.Ela não levanta os olhos. — O patrão me deu ordens para não con
~ Hades (Gael) ~Com a determinação de um predador prestes a atacar sua presa, tiro minha roupa.— Você sabe o que vai acontecer aqui? — digo provocando-a e roço meus lábios nos dela.— Você vai me comer... — diz com a voz tremula.— Sim. Mia Béla.Pego sua mão e faço ela tocar meu pau que já está pulsando e vejo ela morder os lábios.— Alguém pode entrar aqui ou nos ouvir — diz se afastando.A encurralo na parede e tiro o vestido. — Eu não ligo.— Mas você é muito grande e eu.... eu... nunca fiz isso antes vai doer. Você vai me machucar?— Sim, você merece.Meus dedos traçam um caminho por sua pele, aproximo de seus seios e os aperto com força, arrancando um gemido de dor e prazer, ela inclina o corpo em minha direção, em uma expressão de submissão e desejo estampada no rosto.Abocanho seus seios com voracidade e intercalo entre sugadas e mordidas com uma brutalidade que faz ela tentar me empurrar, mas sem sucesso. Esse gesto na verdade alimenta ainda mais minha sede de estar dentro
~ Summer ~ Eu estou acabada. Não por causa da força bruta de Hades, mas pela confusão que ele deixou dentro de mim. Não consigo parar de pensar na festa, no jeito que ele me tocou, no controle que ele exerce sobre mim. O mais doentio disso tudo? Parte de mim gostou. E isso me assusta mais do que qualquer coisa. Se eu não sair daqui logo, sei que vou cair em uma teia da qual não haverá volta. Ele está me enredando, me envolvendo em sua escuridão, e, mesmo sem querer, estou cedendo. Não posso permitir que ele me consuma. Preciso sair. Mas fugir de Gael Martinez não é simples. Não posso apenas correr e esperar que ele me deixe ir. Ele é poderoso, perigoso, e tem olhos em todos os lugares. Se eu quiser sair daqui viva, precisarei ser mais esperta. Se não posso vencê-lo, vou me juntar a ele. É isso. Preciso entrar no jogo. Mostrar submissão, seguir suas ordens, enquanto busco informações que possam me favorecer. P
~ Summer ~Subo correndo para o quarto, o coração disparado e a mente em caos. Meu corpo ainda está em chamas, uma mistura confusa de raiva, medo e algo mais que eu não consigo - ou talvez não queira - nomear. Fecho a porta atrás de mim, trêmula, encostando-me contra ela enquanto tento recuperar o fôlego.Mas é inútil.Cada célula do meu corpo parece gritar pelo toque que tanto odeio admitir que me afeta. Odeio ele, odeio o que ele fez comigo, mas não consigo ignorar a forma como ele me faz sentir. É como se estivesse presa em uma teia que eu mesma ajudei a tecer.Sem pensar, deixo que meus dedos deslizem pela minha pele, tentando dissipar a tensão que me consome. Pego um estimulador clitoriano, que eu escondi no quarto e me deito na cama. Eu sei que é errado pensar em Gael, mas ele me deixou tão excitada e eu preciso de um alívio.À medida que as vibrações ganham vida, eu aumento o ritmo e rebolo contra o brinquedo deixando gemidos suaves escaparem da minha garganta enquanto eu o mov