7. Vestido Vermelho

~ Summer ~

Acordo com o sol invadindo o quarto pela fresta da cortina. Depois da tempestade que minha mente viveu nos últimos dias, o silêncio da casa parece quase ensurdecedor. É como se o mundo ao meu redor estivesse adormecido, mas sei que, em algum canto, Hades continua me observando, mesmo que eu não possa vê-lo.

Levanto-me, decidida a explorar o lugar. A casa é enorme, quase um labirinto, cheia de cômodos que carregam histórias invisíveis nas paredes. Preciso conhecer cada canto, entender onde estou e, principalmente, descobrir como sair daqui.

Descendo as escadas, encontro a cozinha: ampla, bem iluminada, uma mistura de móveis rústicos e modernos que não combinam com a frieza deste lugar. Lá, está a mulher que trouxe minha comida há alguns dias. Ela corta vegetais em silêncio, mas sei que percebe minha presença.

— Oi... qual seu nome? — arrisco, tentando soar amigável.

Ela não levanta os olhos. — O patrão me deu ordens para não conversar com você.

— Você sabe que, quando a polícia me achar, você será declarada cúmplice, não sabe?

Silêncio. Apenas o som da faca batendo na tábua de madeira.

— Eu só preciso de ajuda para sair desse inferno... Poderia ser sua filha aqui. Já pensou nisso?

Ela para por um momento, e vejo sua expressão vacilar entre culpa e medo.

— Meu nome é Lourdes — diz, baixinho, como se a simples fala fosse uma traição. — E eu vou te ajudar, mas não pode ser agora. Tudo tem seu tempo menina Summer.

Sinto um aperto no peito. Por um momento,  fico confusa, sem entender o que ela quis dizer. Mas eu desisto, pois, Lourdes não tem poder sobre Hades, assim como eu.

— Tudo bem — respondo, tentando esconder minha decepção. — Obrigada, de qualquer forma.

Saio da cozinha e continuo minha exploração. A frustração e o desespero se misturam, mas, de alguma forma, o simples ato de tentar me dá um pequeno alívio.

Eventualmente, encontro uma biblioteca. É o cômodo mais bonito da casa: prateleiras que vão até o teto, cheias de livros antigos, uma escada deslizante e, no centro, uma mesa de madeira maciça com um computador.

Começo a revirar gavetas e prateleiras, em busca de qualquer coisa que me dê informações. Então, encontro um envelope endereçado a "Gael Martinez".

"Então este é o nome dele. Bonito, não sei por que prefere ser chamado de Hades."

Olho ao redor, certificando-me de que estou sozinha, e me aproximo do computador. A tela está bloqueada, pedindo uma senha. Tentei algo aleatório — "1234", "password", até o nome de Hades —, mas nada funciona.

Suspiro, frustrada. Mais uma porta trancada no meu caminho.

O resto do dia passa em uma calma estranha. Não vejo o demônio que me atormenta, e, por um breve momento, quase me deixo acreditar que ele não voltará. Mas sei que é só uma ilusão.

Por enquanto, aproveito o silêncio. Afinal, o que mais posso fazer?

**********

Os dias passam, e cada vez mais me sinto aprisionada, como uma marionete nas mãos de Gael — ou Hades, como ele insiste em ser chamado. Hoje, o peso parece insuportável. Dois anos desde que perdi minha mãe. Dois anos desde que minha vida desabou como um castelo de cartas ao vento.

Naquele dia, tudo o que eu queria era um vestido. Apenas um instante para me sentir bonita, para me sentir... normal. Mas a vida tem uma maneira cruel de cobrar caro até pelos sonhos mais simples.

Ainda consigo lembrar do sorriso dela, sereno, enquanto dirigia. Sentada no banco da frente, ela olhou para mim como se quisesse dizer: "Está tudo bem, querida. Eu te entendo." Depois disso, veio o som dos pneus derrapando, o grito do metal se retorcendo, e o silêncio... O tipo de silêncio que nunca vai embora. Ela se foi.

Meu pai sobreviveu, mas se tornou apenas uma sombra do homem que era. Ele nunca precisou me culpar com palavras. A culpa estava em cada olhar vazio que me lançava, em cada conversa que deixou de existir, no peso insuportável do silêncio que tomou conta da nossa casa.

Hoje, o único desejo que tenho é ir ao cemitério. Quero ver sua lápide, falar com ela em silêncio, pedir desculpas de novo, como sempre faço. Mas antes que eu consiga pensar em como convencer Gael, a porta do quarto se escancara com a força de sempre. Ele entra sem pedir permissão, como se cada espaço da minha vida fosse dele por direito.

— Ei, senhor Martinez, eu queria pedir para ir... — começo, tentando não soar desesperada, mas ele me corta antes mesmo de terminar.

— Senhor o quê? — Ele rosna, a irritação queimando em seus olhos.

— Martinez... Gael Martinez. Não é esse o seu nome? — pergunto, sustentando seu olhar, desafiadora pela primeira vez.

A atmosfera no quarto muda. O ar parece mais denso, sufocante. Ele estreita os olhos e dá um passo em minha direção, os músculos de seu maxilar travando.

— Você andou mexendo nas minhas coisas, Summer? — Sua voz é baixa, mas cada palavra carrega uma ameaça palpável.

— E se eu tiver? — retruco, tentando não demonstrar o medo que vibra em cada célula do meu corpo.

Seus olhos ardem de raiva, e ele dá mais um passo, até que a distância entre nós desaparece. Sua presença é como um peso esmagador, e meu coração parece bater fora de compasso.

— Eu te avisei sobre ultrapassar limites, não avisei? — diz, a voz fria como gelo.

Quero recuar, quero fugir, mas me obrigo a ficar onde estou, a não demonstrar fraqueza.

— Você pode me manter presa aqui, Hades — digo, respirando fundo para não gaguejar — ou prefere que eu te chame de Gael? Mas não pode apagar quem eu sou. Nem o que eu sei.

Ele ri. Um som baixo, sem humor, que faz meu estômago revirar.

— Você acha que sabe alguma coisa, Summer? Você não faz ideia de quem eu sou. — Ele segura meu queixo com força, forçando-me a encará-lo diretamente nos olhos.

— Talvez eu saiba mais do que você gostaria. — As palavras saem como um sussurro, e, mesmo assim, cada uma parece uma explosão.

Ele me solta como se tivesse tocado em algo quente demais. Por um momento, seus olhos vacilam, mas logo se endurecem novamente. Sem dizer mais nada, ele se vira e sai, batendo a porta com tanta força que as paredes parecem estremecer.

Fico ali, parada, tentando respirar. Minhas mãos tremem, e minha mente corre em círculos. Talvez tenha ido longe demais, talvez tenha me colocado em perigo ainda maior, mas pela primeira vez sinto que o atingi, que abri uma pequena rachadura em sua armadura.

Horas depois, ainda estou na cama, encolhida, abraçando meus joelhos, quando ele volta. A porta se abre, e ele entra com sua habitual arrogância.

— Summer, hoje à noite você vai me acompanhar a um jantar de negócios — diz, direto, sem rodeios.

Levanto o rosto para encará-lo. — Hoje é um dia difícil para mim. Eu só quero ficar sozinha...

Ele ignora minha tentativa de apelo. — Não me interessa. — Em seguida, j**a uma caixa sobre a cama. — Vista isso.

Abro a caixa com mãos trêmulas. Dentro, um vestido vermelho. O tecido brilhante, provocante, com uma fenda que sobe perigosamente e as costas completamente abertas. Meu corpo se enrijece.

— Eu não vou vestir isso.

Ele dá de ombros, aproximando-se como um predador. — Ou você veste ou eu visto em você.

As palavras dele são um golpe. Ele me encara por mais alguns segundos antes de sair, deixando-me sozinha novamente. Mas suas palavras ecoam como uma maldição na minha mente.

Caio de volta na cama, as lágrimas correndo pelo meu rosto. "Mãe, me ajuda", penso, mas a voz em minha mente soa frágil, quase inútil. Sei que ninguém vai aparecer para me salvar.

O dia se arrasta, cada segundo mais lento que o anterior. Quando chega a hora, ainda estou sentada na cama, o vestido intocado ao meu lado. Estou usando o mesmo pijama de antes, com o olhar perdido em algum ponto do vazio.

— Summer, está pronta? — A voz dele vem da porta, grave, autoritária.

Fico em silêncio, recusando-me a responder.

— Mia Béla? — Ele insiste, o tom levemente mais suave, como se a máscara rígida tivesse deslizado por um segundo.

Mas a raiva dentro de mim cresce, supera qualquer traço de medo.

— Eu disse que não vou, caralho! — grito, levantando-me da cama.

Assim que as palavras saem da minha boca, percebo o erro. Ele atravessa o quarto como um furacão e me atinge com um soco no estômago. O ar escapa dos meus pulmões enquanto caio na cama, sem forças para reagir.

— Você gosta de me tirar do sério, não é? — Sua voz é fria e controlada, mas seus olhos queimam de raiva. — Eu não queria agir assim, mas você não me dá opção.

Ele me puxa da cama, rasgando meu pijama com facilidade. Tento lutar, mas sou muito menor, muito mais fraca. Sinto o tecido do vestido vermelho ser colocado à força em meu corpo. Quando tento pegar uma calcinha no armário, ele a arranca das minhas mãos e a j**a longe.

— Você vai sem isso — diz ele, casualmente, como se estivesse falando do tempo. — E passe maquiagem nessa cara, talvez melhore um pouco.

As palavras dele cortam como uma lâmina, mas eu engulo o orgulho e a vontade de gritar. Afinal, no jogo de poder de Gael, resistir parece sempre uma derrota antecipada.

Chegando ao evento, o contraste entre aquele mundo e o meu não poderia ser maior. O salão é um espetáculo de opulência, onde o luxo parece pingar das paredes e dos lustres de cristal. Homens em ternos impecáveis e mulheres em vestidos deslumbrantes flutuam pelo ambiente, como se fossem peças cuidadosamente posicionadas em um tabuleiro de xadrez. Sinto os olhares sobre mim, avaliadores e críticos, e, por um momento, tenho certeza de que sou um animal exótico exibido em uma jaula dourada.

— Esta é Summer, minha noiva — Gael anuncia com um sorriso calculado, segurando minha mão com força, como se quisesse me lembrar de que eu não tinha escolha.

Noiva. A palavra ressoa na minha mente como uma sentença. Não importa o quanto eu queira me afastar desse papel, ali, sob aquelas luzes brilhantes e os olhares penetrantes, é como se ele tivesse me selado naquele título. Meu estômago revira, mas mantenho o rosto impassível. Se tem algo que aprendi com ele, é que mostrar fraqueza é como derramar sangue na água.

Seguimos para uma mesa reservada, estrategicamente posicionada no centro do salão. A cada passo, sinto o peso das pessoas nos observando, avaliando quem eu sou e, principalmente, quem eu estou ao lado. Gael, claro, parece perfeitamente à vontade, comandando o ambiente como um rei que sabe exatamente o tamanho do seu império.

Ele puxa a cadeira para mim, mas o gesto é mais teatral do que gentil. Sento-me, e o tecido do vestido gruda na minha pele como se quisesse me lembrar do quão deslocada estou ali. Enquanto ele se envolve em conversas de negócios com os outros homens da mesa, faço o possível para parecer invisível.

— Então, Summer — uma mulher loira, em um vestido verde esmeralda, se inclina na minha direção com um sorriso que não alcança os olhos. — Como é ser noiva do homem mais cobiçado do país?

A pergunta é um golpe disfarçado de elogio, e todos na mesa sabem disso. Engulo em seco, sentindo o olhar de Gael queima na minha direção, esperando minha resposta.

— É... intenso — respondo, escolhendo as palavras com cuidado. O sorriso falso dela se amplia, mas seus olhos brilham como se tivesse acabado de me derrotar em um jogo que eu nem sabia que estava jogando.

— Ela é tímida — Gael intervém, sua mão pousando possessivamente sobre a minha coxa. — Mas está aprendendo rápido, não é, querida? — Seu tom é doce, mas o aperto em minha coxa é uma advertência clara.

Forço um sorriso e dou um leve aceno de cabeça, mas, por dentro, sinto a raiva queimando. Ele me mantém nesse papel, me força a ser algo que eu não sou, apenas para alimentar sua imagem.

Enquanto a noite continua, faço o possível para evitar interações. Minha mente trabalha incansavelmente, buscando qualquer fração de informação que possa ser útil para mim. Preciso encontrar uma saída desse inferno. Porque, mais cedo ou mais tarde, sei que algo vai ceder. E não será eu.

Seus dedos apertam minha pele, e eu me encolho. Ele se inclina, aproximando os lábios do meu ouvido.

— Abra as pernas — sussurra, com a voz baixa e carregada de autoridade.

Fecho os olhos, tentando me dissociar do que está acontecendo. Não posso gritar. Não posso reagir. Não posso nem mesmo respirar sem sua permissão. Então faço o que ele pede.

Ele desliza sua não para minha intimidade e começa a bombear meu clitoris. Tento fechar as pernas, mas sou impedida e ele enfia dois dedos em mim fazendo movimentos de vai e vem enquanto me bombeia e conversa com as pessoas da mesa com se nada acontecesse e eu me seguro para não me contorcer.

Ele se inclina e aproxima a boca do meu ouvido — Esta é a segunda parte da sua punição, agora discretamente vá para o banheiro eu quero te comer.

Sigo para o banheiro e ele vem logo atrás agarra meu vestido e o tira com brutalidade, o olho chocada.

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