Capítulo 4

Todo o meu corpo estremeceu. Abri os olhos que nem sequer havia percebido que estavam fechados e no instante que meu olhar se cruzou com os do príncipe, ele percebeu o aroma.

O macho se afastou repentinamente olhando ao redor e procurando a origem do aroma de Marius, assim como eu. E tão repentinamente como surgiu, ele desapareceu. O macho olhou em minha direção, sua expressão um misto de emoções e eu reconheci todas elas. Incredulidade, em seguida raiva e finalmente, ciúmes.

Demétrius estava se sentindo traído.

— Isso não é possível. Ele... — suas palavras morreram no ar.

Mas eu sabia que era possível. Marius estava vivo e estava perto daqui.

Tão perto que eu desconfiava que por um instante, ele estava aqui.

Meu coração batia descompassado e naquele momento tudo que eu ansiava era estar sozinha. Estar sozinha para que ele viesse até mim, para que eu o abraçasse, que o beijasse.

Mas o que eu mais desejava era seu perdão.

— Eu não irei com você. — falei.

Seu olhar se voltou imediatamente em minha direção e pela primeira vez eu o vi com raiva.

— O que? — ele disse entredentes.

Levantei o queixo e olhei firmemente em seus olhos verdes profundos.

— Você ouviu. Vou ficar aqui e ficarei bem.

O macho respirou fundo e ficou ereto, sua postura imponente.

— Você quer esperá-lo. — seu tom era de acusação.

Não neguei suas palavras.

E o silencio se instalou entre nós como uma cobra venenosa prestes a dar o bote. Eu esperei que o macho explodisse, que me acusasse de traição, que falasse palavras cruéis para mim. Que retirasse seu apoio, mas Demétrius não era assim.

O macho me lançou um último olhar e me deu as costas.

Demétrius fechou a porta com força, causando um baque.

Assim que a porta se fechou, inspirei tentando sentir o aroma que fazia o meu sangue correr mais rápido e meu coração bater mais forte. Que me fazia querer sair correndo até ele.

Nada. O aroma havia sumido, ao menos, no meu apartamento.

Mas será que eu conseguiria seguir o rastro? Agora que estava na academia, outros rastreadores estavam me ensinando que o rastro pelo cheiro era o primeiro passo para lobas como eu.

E se tornava muito mais forte para mim.

Corri até a janela tentando inspirar profundamente e sentir seu aroma, mas ele estava se afastando cada vez mais.

Arfei, segurando o impulso de correr atrás do aroma quando vi um carro parando em frente ao meu prédio. Era um SUV preto, igual aos carros que a realeza usava. As portas se abriram e vários machos grandes com roupas pretas e passos pesados saíram dele.

Frustrada eu os vi se espalharem pelo prédio e suas saídas, Demétrius não havia brigado comigo ou tentado me levar a força, mas havia enviado seus lobos para me vigiarem.

Eu sabia que aquilo não se tratava apenas de proteção contra Kilian  ou outros lobos negros que tentassem me ferir.

Aquilo se tratava de capturar Marius.

Maldito seja Demétrius!

Oh, ele estava roubando de mim a chance de reencontrar Marius, de ver com os meus próprios olhos que ele estava vivo!

Rangi os dentes de ódio e logo senti meus olhos arderem e as lágrimas descerem. Como ele podia ter tamanha ousadia? Como ele ousava me vigiar daquela forma?

Sai da janela e senti meu coração disparar de repente, minhas mãos começaram a tremer e eu percebi que estava tendo um novo ataque.

Aquilo havia começado quando voltei da prisão ao qual Clarisse me submeteu. E retornou mais forte quando Marius supostamente morreu.

Inspirei profundamente tentando retomar o controle da minha respiração, mas foi inútil. Eu não conseguia respirar e nada que eu fizesse fazia com que aquela sensação horrível de desespero e desamparo cessasse.

Quando minhas pernas começaram a tremer e eu me senti fraca, usei minhas últimas forças para me arrastar até o banheiro, entrando em completo desespero no box e ligando a água fria.

Me abaixei no chão gelado do azulejo e abracei meus joelhos, deixando que a água fria caísse sobre a minha cabeça. Desejando que de alguma forma ela levasse aquela sensação de sufocamento e esmagamento em meu coração embora.

Arfei, enquanto meus pensamentos sempre me levavam para o mesmo lugar. Para a cabana onde comecei a me apaixonar por Marius.

Selene estava agitada em minha mente, seus pensamentos novamente atropelando os meus, seus sentimentos entrelaçados com os meus, porque dividíamos o mesmo coração e a loba sentia a intensidade dos meus sentimentos por Marius.

“Ele está vivo. Era o cheiro dele. Temos que ir até ele.” ela dizia repetidamente e eu compartilhava de sua necessidade desesperada.

Mas como poderia ir atrás dele sabendo que diversos lobos me seguiriam? Como eu poderia fazer isso?

A água fria continuou a me envolver enquanto de modo gradativo, meu coração voltou a bater mais lentamente, minha respiração desacelerando enquanto meus pensamentos se tornavam mais claro à medida que os minutos passavam.

Eu apenas precisava de uma distração.

Vários minutos depois, olhei para a lixeira em um ponto cego das câmeras do corredor do primeiro andar do prédio. Respirei fundo e acendi o isqueiro colocando fogo no compartimento. A fumaça subiu para o teto e eu sabia que logo os alarmes disparariam, mas fui mais rápida e corri em direção ao alarme de incêndio o acionando.

Segundos depois, o corredor estava repleto de moradores saindo de seus apartamentos com seus rostos assustados e mais deles desciam das escadas até que tudo se tornou um caos.

Todas as saídas estavam repletas de pessoas e era difícil para os seguranças conseguirem me ver, mas eu os vi, tentando entrar para certamente ir até o meu apartamento.

Me desviei deles seguindo até a garagem e pegando a minha moto, coloquei o capacete e acelerei.

Inspirei profundamente e novamente consegui achar o rastro do aroma de Marius.

Segui para a pista seguindo o aroma fraco enquanto meu coração batia de modo descompassado.

Horas depois, segui por uma estrada de terra onde o aroma ficava mais forte.

Quando cheguei perto da clareira onde tudo havia começado, percebi para onde estava indo.

Marius havia retornado para a nossa cabana.

Há muito os guerreiros do rei Alfa haviam constatado que jamais voltaria aquele lugar, eu mesma não poderia imaginar que ele voltaria para aquele lugar.

Mas ali estava o rastro do seu aroma.

Peguei a trilha de terra e em certo ponto tive que descer da moto.

Corri em direção a pequena construção, meu coração batendo com força demais, minhas mãos suando e minha mente vidrada na esperança de reencontrá-lo.

Selene estava novamente lutando para assumir o controle, seus argumentos eram que ela era mais rápida que eu. Mas por alguma razão eu queria vê-lo como humana. Queria que ele olhasse o meu rosto primeiro.

E de repente, eu o vi.

O macho estava parado fora da cabana, de costas para mim enquanto socava uma arvore repetidamente. Seus ombros tensos e o suor iluminado pela lua descendo por suas costas.

Ele estava descalço e seus cabelos estavam do mesmo tamanho de quando o conheci. Um segundo depois ele paralisou e eu percebi que o macho devia estar sentindo o meu cheiro.

Lentamente Marius se virou, suas mãos com sangue de tanto socar a arvore.

Seus olhos de Jasper se fixaram em mim e seu olhar estava repleto de decepção.

Aquilo quebrou a minha alma.

— Marius? — arfei.

Sua expressão estava impassível, seu rosto uma máscara fria. Seus lábios retos não faziam qualquer menção de dizer uma única palavra.

E para a minha surpresa, ele se virou me dando suas costas e entrou para sua cabana.

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