Algumas fotos eram de Patrícia logo após descer da montanha-russa, com uma expressão de puro alívio, como se tivesse acabado de sobreviver a algo terrível. Júlia não conseguiu segurar o riso.Continuou deslizando as fotos até chegar na última, que era só dela. Quando ia desligar o celular, percebeu algo familiar no fundo da foto.Dois rostos conhecidos estavam entre os transeuntes capturados por acaso. Ela franziu os lábios, notando que Viviane e Rafael também foram fotografados. Na imagem, ela era o foco, mas os dois, de mãos dadas ao fundo, pareciam ser os protagonistas, com Júlia invadindo a cena sem querer....— Ana! Ana!Rafael segurava o abdômen, pálido e com a voz fraca, chamando por empregada.Mas a mansão estava silenciosa, sem resposta alguma.De manhã cedo, ele havia acordado com uma dor intensa no estômago, que lhe causava náuseas e um frio suadouro pelo corpo, mas sem conseguir vomitar.Era uma dor familiar, o velho problema de gastrite voltando à tona.Lembrando que hav
Do outro lado da linha, Júlia ficou um instante em silêncio, enquanto a imagem de Rafael de mãos dadas com Viviane surgiu em sua mente, naquela foto.Ela respondeu friamente:— Se está doente, vá para o hospital. Não sou médica.E ela desligou o telefone, sem demonstrar nenhuma emoção, como se estivesse falando com um completo estranho.Rafael cerrou os dentes, tremendo de raiva, e atirou o celular contra a parede, partindo-o.Ana, do outro lado, ficou chocada. Era o celular dela!A raiva pelas palavras de Júlia só fez a dor no estômago de Rafael piorar.Em um gesto de teimosia, ele subiu as escadas e se trancou no quarto, com uma amargura crescente.Ela realmente achava que ele não podia viver sem ela? Ridículo!Ana olhou para o celular quebrado e suspirou, pensando naquela ligação.Ela não entendia como Sr. Rafael conseguia ser tão cruel com uma moça tão boa quanto Júlia, e ele realmente a expulsou…Mais tarde, após terminar a limpeza, Ana bateu na porta do quarto de Rafael antes de
Bianca também ficou surpresa.Se fosse antes, seu irmão no hospital, Júlia já estaria ao lado dele, cuidando de tudo, com os olhos cheios de lágrimas. Mas desta vez, nem sinal dela.Com essa frase, um silêncio desconfortável tomou conta do ambiente.Rafael não disse nada, André e Bruno, que sabiam do que estava acontecendo, preferiram ficar calados.Foi Lucas que quebrou o gelo:— Eles terminaram. Vocês não sabiam?Fernanda franziu a testa:— Ainda estão nessa? Já se passaram dias! Que temperamento dela!Rafael ouviu e ficou ainda mais irritado.— Sra. Fernanda, dessa vez não vai ser fácil… — Lucas comentou, olhando para ela.Fernanda ficou mais zangada:— O que quer dizer com isso? Júlia agora está tão arrogante?Rafael interrompeu com a voz fria e o olhar duro:— Mãe, dessa vez foi de verdade. Fui eu que terminei.— O quê? — Fernanda ficou sem palavras.Bianca também estava incrédula.Pensando bem, essa briga da Júlia já estava durando muito tempo…Após sair do quarto, Fernanda nem e
Júlia chegou em casa e foi direto conferir a geladeira. Ainda tinha bastante coisa das compras de ontem.Decidiu preparar uma feijoada, um picadinho de carne, um arroz de forno, e para acompanhar, uma salada.Ela lavava e cortava os ingredientes com tanta destreza, o que deixou Victor, que não sabia cozinhar, impressionado.Ele disse:— Hoje em dia, a maioria das pessoas pede delivery ou come fora. É raro encontrar alguém que ainda cozinha em casa, como você.Júlia sorriu de leve:— Cada um tem seu jeito de viver. Eu só me acostumei a cozinhar para mim mesma.Victor observava o ambiente enquanto ela estava ocupada. A casa era pequena, mas bem-organizada e decorada com carinho.Na sala, havia uma estante pequena cheia de livros. Ele notou que eram livros técnicos, mas um em especial chamou sua atenção, pois era sobre física, algo que parecia destoar dos outros.Achou que olhar tanto o apartamento de uma garota era um pouco indelicado, ele desviou o olhar.Logo, os pratos estavam prontos
Apesar de a comida estar deliciosa, Victor não conseguia relaxar e comer à vontade.Mal terminasse de comer, já se apressou em se despedir e foi embora.A casa ficou subitamente silenciosa. Júlia começou a lavar a louça, mas as palavras de Bianca não saíam de sua cabeça.Úlcera no estômago…Com distraída, ela deixou um prato cair e quebrar.Ao tentar pegar os cacos, cortou o dedo. Sentindo a dor, as lágrimas começaram a cair sem que ela percebesse.Seis anos… Não foram seis dias, nem seis meses. Certos hábitos já estavam enraizados, e ao ouvir que Rafael estava no hospital, seu instinto foi se preocupar e querer ir vê-lo.Por sorte, a razão venceu o instinto.Júlia pensou que, com o tempo, iria se acostumar a não se preocupar mais e a não derramar mais lágrimas por ele.Eles passaram do amor ardente ao tédio de uma relação desgastada, até finalmente se separarem. Não sabia ao certo quando as rachaduras começaram a aparecer.Talvez tenha sido a primeira vez que ele quebrou uma promessa
No início de janeiro, o calor estava insuportável e o serviço meteorológico emitiu um alerta vermelho.A temperatura de 35 graus já havia persistido por uma semana, finalmente José conseguiu avançar em seu experimento após várias rodadas de cálculos e validações.Depois de muito esforço, ele conseguiu um momento para descansar, subiu as escadas até o sétimo andar para tirar um cochilo e recuperar as energias. De repente, ouviu um barulho vindo do apartamento em frente.Ele parou para abrir a porta por um momento. E se virou e olhou para a porta fechada, antes de bater suavemente:— Júlia, você está em casa?Nenhuma resposta. Ele bateu de novo.Ainda sem resposta.José hesitou por alguns segundos, considerando chamar a polícia, quando de repente ouviu o som da porta se destrancando.Júlia abriu a porta apenas o suficiente para aparecer por uma pequena fresta.Ela preguntou:— Algum problema?Seu rosto estava calmo, e ela parecia ter aberto a porta apenas pelas batidas inesperadas. Sua
Para Júlia, essa era uma oportunidade rara.— Se você se interessar, pode levar para casa e dar uma olhada com calma. Aqui tem todos os dados do experimento. — José colocou um pendrive na frente dela.Júlia levantou os olhos, seus olhos claros mostrando um leve brilho:— Obrigada, vou pensar com carinho.Às 10 horas, já era hora de Júlia voltar para casa.José a acompanhou até a porta.Júlia sorriu:— Eu moro logo em frente, não precisa me acompanhar.No entanto, José notou os dedos dela,onde havia um curativo, e comentou gentilmente:— Curativo não deve ficar muito tempo. Após passar um antisséptico, é melhor deixar a ferida exposto ao ar.Júlia encolheu instintivamente o dedo:— Obrigada. Vou fazer isso.José não insistiu mais, apenas fez um leve aceno de cabeça e então trouxe um pequeno vaso de suculentas cor-de-rosa:— Isso é para você.Júlia piscou surpresa, olhando para a planta com folhas gordinhas, que iam do verde ao rosa, realmente encantadora.Júlia não podia deixar de dizer
Depois de terminar a corrida matinal, Júlia tomou banho. Ao sair do bangeiro, percebeu que uma nova suculenta rosa havia se juntado às várias plantas verdes de formatos diferentes na varanda.Ela deu um leve toque na planta com o dedo, e a sensação macia e delicada lhe trouxe um certo alívio.O celular na mesa vibrou. Ela viu o nome de André Barbosa. Com curiosidade, atendeu o telefone:— Alô? Por que está me ligando a essa hora? Aconteceu algo?— Oi, Júlia, como você está?— Tudo bem. E você?Era a oportunidade perfeita!André se endireitou na cadeira e disse:— Ah, eu… não estou muito bem.Júlia franziu a testa:— O que houve?Ele disse:— Talvez seja o excesso de trabalho e umas bebidas a mais, meu estômago não está legal. Júlia, não sei o que está acontecendo, mas não consigo pensar em outra coisa além da sua sopa caseira… Estou com muita, muita vontade de tomar… Será que você pode fazer para mim?André não podia dizer que era Rafael quem queria a sopa, então estava sendo indireto