Heloísa Moura Acordo e procuro Vittorio pelo quarto, mas ele não está, ele não veio essa noite, será que foi embora? Uma tristeza tenta se apossar de mim, mas gritarias no andar de baixo tira meu foco. Coloco um robe por cima de minha camisola e desço para ver do que se trata. Quando estou no meio da escada consigo ver do que se trata, meu pai avança sobre o Vittorio fazendo acusações de assédio, que ele me usou. Tento falar mais as palavras não saem é como se algo me impedisse. Foi então que meu pai deu mais um soco no Vittorio e na pressa para ampara-lo, acabo tropeçando e a seguir todo não passa de um borrão. Vittorio Bianchi Acordo disposto a ser claro com o Hugo e se ele não aceitar vou perguntar a Heloísa se ela quer voltar comigo para Itália. Desço para a sala de jantar onde o Hugo e a Ava já se encontram, vou resolver isso de uma vez. — Bom dia, Hugo meu amigo como acordou? — pergunto tentando manter um tom casual, mas por dentro estou um caos. — Bom dia
Vittorio Bianchi A Heloísa volta a dormir e a enfermeira fala que é por conta dos medicamentos, saio um pouco para tomar um ar. Quando passo pela porta avisto Hugo e Ava ao longe quando me vê Ava se aproxima. — Como ela está? — Voltou a dormir, a enfermeira informou que ela está sobre efeito da medicação, mas amanhã ela já vai poder ir para casa. Ava, me faz o favor de arrumar as coisas dela, vou mandar alguém passar lá para deixar em meu apartamento. Falo, tentando resolver tudo de uma vez. — Vittorio, não seja irracional, ela vai precisar de cuidados e em casa podemos ajudar. — Não Ava, ele não me quer lá, e não ficarei longe da minha mulher, nem do meu filho. — Vocês estão de cabeça quente. De tempo ao tempo que vocês vão se resolver. Ava solta um suspiro pesado e cruza os braços, me olhando como se eu fosse uma criança teimosa. Mas eu não sou. E não vou ceder. — Vittorio, pelo menos pensa no que é melhor para a Heloísa — ela insiste. — Eu estou pensando. E o
Heloisa Moura Acordo com o som de vozes alteradas do lado de fora do quarto. Meu coração dispara, e um aperto na garganta me impede de respirar direito. Ainda estou fraca, mas forço meu corpo a se erguer na cama, ignorando a dor que percorre minhas costas. O dia já amanheceu. A luz do sol atravessa a janela do hospital, e o cheiro forte de remédios me lembra que ainda estou ali. Antes que eu possa me situar, a porta se abre com força, e meu pai entra no quarto, os olhos furiosos. — Você não vai a lugar nenhum, Heloísa! Vittorio está ao lado da cama, de braços cruzados, a expressão fria e tensa. Sei que ele está se segurando. Seu maxilar travado me diz que a paciência dele está no limite. — Pai… — Minha voz sai fraca, mas ele me interrompe. — Não, Heloísa! Você está frágil, vulnerável, e esse homem está se aproveitando disso! Sinto um frio na barriga. Minha cabeça ainda pesa por conta dos remédios, mas a indignação começa a crescer dentro de mim. — Não é verdade! — Não é? —
Vittorio BianchiCinco anos antes…Minha vida está ligada a família Moura desde que me entendo por gente, meus pais e os pais do Hugo eram amigos e fomos criados como irmãos já que não os temos. Embora seja cinco anos mais novo que o Hugo, temos uma ligação forte e após a morte dos nossos pais, ficamos ainda mais próximos. Ele se apaixonou pela Ava e se casaram, trazendo ao mundo a pequena Heloísa, ela é linda, não desgruda um minuto sequer de mim, hoje é seu aniversário de 15 anos e dentre tantos garotos da sua idade ela pediu que eu fosse o príncipe a dançar a valsa com ela. Fiquei feliz por essa escolha dela, mas não imaginaria que ter aquela garota em meus braços me faria tão bem.A música começa suavemente, e eu estendo a mão para ela. Heloísa sorri, seus olhos brilhando sob as luzes do salão. Sua mão pequena e delicada se encaixa na minha, e eu a puxo suavemente para mais perto, dando início à valsa.Nossos passos são sincronizados, como se tivéssemos feito isso mil vezes ant
Heloisa Moura Não sei como tudo começou, o que sei é que um belo dia acordei e comecei a olhar Vittorio Bianchi de uma forma diferente, ele para mim não era mais o tio Vittorio, era o homem com quem eu queria dar meu primeiro beijo.E daí que ele é mais velho.E daí que ele é amigo do meu pai.E daí que ele me vê como uma criança. Só quero um beijo, isso não é pedir demais.Minha mãe entra no meu quarto sem bater, como de costume, segurando um vestido longo de um azul profundo, quase real.— Feliz aniversário, minha princesa! — Ela sorri, os olhos brilhando com orgulho.Retribuo o sorriso, tentando conter minha ansiedade. Hoje é o meu dia, e de todos os presentes, apenas um me importa. Vittorio.Minha mãe me ajuda a vestir o vestido, ajeita meus cabelos em um penteado sofisticado e aplica uma maquiagem leve, realçando minha juventude. Durante todo o processo, minha mente está longe, imaginando o momento em que ele chegará. O momento em que dançaremos juntos.Quando desço para o salã
Vittorio BianchiNão sei o que se passa na cabeça dessa garota, só sei que ela está a brincar com fogo, vejo meus amigos indo para sala enquanto os empregados estão retirando a mesa, e pelo canto do olho vejo a Heloisa indo em direção aos fundos da casa.Minhas pernas tomam vida própria seguindo-a, desde quando ela se tornou essa menina-mulher, tão cheia de si?— Vittorio? — Ela me vê e me xingo por dentro, pois estou me tornando um idiota olhando-a assim.— Heloise, você precisa esquecer o que aconteceu entre nós. Não faz sentido...— Não fuja, tio, sei o que você sentiu o mesmo que eu, quando me beijou.— Heloisa, isso foi um erro. Um grande erro. — Minha voz sai firme, mas por dentro estou em ruínas.Ela avança um passo, me encurralando contra meus próprios princípios. Seus olhos brilham de teimosia e algo mais perigoso — uma convicção que me assusta.— Se foi um erro, por que está tão abalado? — Sua voz é um sussurro desafiador, e eu quase amaldiçoo o efeito que isso tem sobre mi
Vittorio BianchiNos tempos atuais...Eu não passava um único dia sem lembrar dela. Ainda assim, tentava me distrair a cada noite com uma mulher diferente, buscando, de todas as formas, arrancar aquela menina dos meus pensamentos. Já havia procurado por ela em todas as redes sociais, mas era como um fantasma, sem qualquer rastro digital.Meus devaneios foram interrompidos pelo toque do celular. Ao olhar para o visor, vi o nome de Hugo brilhar na tela.— Hugo, a que devo a honra dessa ligação? — disse, com ironia, pois fazia meses que não falava com ele.— Estou te ligando para fazer um convite — respondeu ele. — A Heloisa conseguiu terminar o curso de sommelier e passou com mérito, sendo a primeira da turma. Estou muito orgulhoso da minha menina.Ao ouvir o nome dela, senti todo o meu corpo reagir de maneira estranha. Um aperto no peito, um frio cortante na espinha, um desejo incontrolável de saber mais.— Desculpe, meu amigo, mas não poderei ir. A colheita das uvas está começando e e
Vittorio BianchiFico olhando para o vazio, como ele pode falar algo assim e agir nesta naturalidade, não posso ficar no mesmo ambiente que a Heloisa, não sei como ela está, hoje já é uma mulher, só de lembrar daquele beijo em seu aniversário meu membro dá sinais.Como vou permanecer debaixo do mesmo teto que ela e não pirar de vez?Eu passo as mãos pelos cabelos, tentando afastar os pensamentos que insistem em me assombrar. Hugo saiu do quarto como se tivesse soltado uma bomba e simplesmente seguido em frente, sem se importar com o estrago que deixou para trás. Mas o pior ainda está por vir.Não preciso esperar muito. A porta se abre novamente, e então, ela entra.Heloisa. Mais linda do que eu lembrava, tento me ajeitar na cama para que minha ereção não fique visível.Meu peito aperta ao vê-la depois de tantos anos. A garota que peguei no colo cresceu, se transformou em uma mulher que não deveria estar neste quarto, não me olhando assim, com aqueles olhos grandes e curiosos que parec