Hugo Moura Desde que o Vittorio chegou sinto algo estranho, primeiro a Heloísa estava arredia, acho que até magoada com ele e de repente os dois não se desgrudaram fico observando os dois até que Ava me chama. — Querida, você não acha estranho que o Vittorio e a Helô estão grudados demais não acha? Ava está ao meu lado, segurando uma taça de espumante, e sua expressão diz exatamente o que estou pensando. Meus olhos voltam para Heloísa e Vittorio, que parecem viver em um mundo próprio. Ela sorri para ele de um jeito que não vi antes, e ele a toca com tanta familiaridade que faz algo dentro de mim despertar. Cruzo os braços, franzindo a testa. — Também percebi — murmuro sem tirar os olhos dos dois. Ava arqueia a sobrancelha e inclina a cabeça levemente, analisando minha expressão. — E o que acha disso? Solto um suspiro e dou de ombros. — Acho… estranho. — Estranho como? Tomo um gole do meu próprio drink, tentando organizar meus pensamentos. Desde que Vittorio che
Heloísa Moura O olhar do meu pai pesa sobre mim como um julgamento silencioso. Ele não precisa dizer nada para que eu saiba exatamente o que está pensando. E, por Deus, eu não estou pronta para essa conversa.— Podemos conversar? — A voz dele é baixa, mas firme, carregada de algo que me faz engolir em seco.Lanço um olhar para Vittorio, que me observa em silêncio. Ele não diz nada, mas há algo nos olhos dele que me dá coragem.— Claro — murmuro, tentando esconder o nervosismo.Caminho com meu pai para um canto mais afastado. Sinto os olhares sobre nós, especialmente o de minha mãe, que provavelmente previu que isso aconteceria. Meu coração bate forte, mas mantenho a postura.Assim que paramos, meu pai se vira para mim.— O que está acontecendo, Heloísa?Seu tom não é acusador, mas há preocupação genuína em sua voz.Cruzo os braços, tentando manter minha expressão neutra.— Do que você está falando, pai?Ele solta um suspiro pesado, passando a mão pelo rosto.— Não me trate como um id
Vittorio Bianchi Caminho com a Heloísa pelas ruas de Nova Iorque e quando passamos pelo antigo prédio onde morei ela para bruscamente. — O que foi pequena?? — pergunto preocupado, imaginando que ela esteja sentindo alguma coisa. — O bebê está bem? Lembro que o Augustus me falou que ela não pode ter emoções fortes. — Sim, meu amor, é só que… Lembra quando você me balançava naquele balanço? Só então me dou conta que estamos em frente ao prédio onde por muitos anos foi meu lar. O lugar onde a Helô fugia, todas às vezes que seus pais a proibiam de algo. E essas lembranças me doem, pois lembro que sempre a vi como a filha do Hugo e agora ela é minha mulher.Por um instante, fico apenas observando Heloísa, perdida nas lembranças da infância. O brilho nostálgico em seus olhos faz meu peito apertar. Aquele balanço, aquele prédio, aquele passado... tudo era diferente agora. Ela não era mais a garota que fugia para minha casa em busca de refúgio. Ela era minha mulher. Minha.Seguro sua m
Vittorio BianchiO caminho de volta parecia não ter mais fim, podia sentir a tensão da Helô ao meu lado, por mais que esteja nervoso não irei deixar transparecer, pois tenho que ser o suporte que a Heloisa precisa. Chegamos na casa dos seus pais, a Heloisa sobe direto para seu quarto enquanto fico um pouco mais na varanda. Quando de repente ouço um copo sendo quebrado, sigo o barulho e vejo que veio do escritório do Hugo, abro a porta preocupado e encontro o Hugo embriagado.A cena diante de mim era desoladora. Hugo estava afundado em sua própria dor, com os olhos avermelhados e a garrafa de uísque pela metade sobre a mesa. Os estilhaços de vidro brilhavam no chão sob a luz amarelada do abajur, e o cheiro forte da bebida impregnava o ar.— Hugo... — minha voz saiu baixa, mas firme. Dei um passo para dentro do escritório, fechando a porta atrás de mim.Ele levantou os olhos pesados para mim, e, por um instante, vi algo além da embriaguez. Vi um homem destruído, esmagado pelo peso da p
Heloísa Moura Acordo e procuro Vittorio pelo quarto, mas ele não está, ele não veio essa noite, será que foi embora? Uma tristeza tenta se apossar de mim, mas gritarias no andar de baixo tira meu foco. Coloco um robe por cima de minha camisola e desço para ver do que se trata. Quando estou no meio da escada consigo ver do que se trata, meu pai avança sobre o Vittorio fazendo acusações de assédio, que ele me usou. Tento falar mais as palavras não saem é como se algo me impedisse. Foi então que meu pai deu mais um soco no Vittorio e na pressa para ampara-lo, acabo tropeçando e a seguir todo não passa de um borrão. Vittorio Bianchi Acordo disposto a ser claro com o Hugo e se ele não aceitar vou perguntar a Heloísa se ela quer voltar comigo para Itália. Desço para a sala de jantar onde o Hugo e a Ava já se encontram, vou resolver isso de uma vez. — Bom dia, Hugo meu amigo como acordou? — pergunto tentando manter um tom casual, mas por dentro estou um caos. — Bom dia
Vittorio Bianchi A Heloísa volta a dormir e a enfermeira fala que é por conta dos medicamentos, saio um pouco para tomar um ar. Quando passo pela porta avisto Hugo e Ava ao longe quando me vê Ava se aproxima. — Como ela está? — Voltou a dormir, a enfermeira informou que ela está sobre efeito da medicação, mas amanhã ela já vai poder ir para casa. Ava, me faz o favor de arrumar as coisas dela, vou mandar alguém passar lá para deixar em meu apartamento. Falo, tentando resolver tudo de uma vez. — Vittorio, não seja irracional, ela vai precisar de cuidados e em casa podemos ajudar. — Não Ava, ele não me quer lá, e não ficarei longe da minha mulher, nem do meu filho. — Vocês estão de cabeça quente. De tempo ao tempo que vocês vão se resolver. Ava solta um suspiro pesado e cruza os braços, me olhando como se eu fosse uma criança teimosa. Mas eu não sou. E não vou ceder. — Vittorio, pelo menos pensa no que é melhor para a Heloísa — ela insiste. — Eu estou pensando. E o
Heloisa Moura Acordo com o som de vozes alteradas do lado de fora do quarto. Meu coração dispara, e um aperto na garganta me impede de respirar direito. Ainda estou fraca, mas forço meu corpo a se erguer na cama, ignorando a dor que percorre minhas costas. O dia já amanheceu. A luz do sol atravessa a janela do hospital, e o cheiro forte de remédios me lembra que ainda estou ali. Antes que eu possa me situar, a porta se abre com força, e meu pai entra no quarto, os olhos furiosos. — Você não vai a lugar nenhum, Heloísa! Vittorio está ao lado da cama, de braços cruzados, a expressão fria e tensa. Sei que ele está se segurando. Seu maxilar travado me diz que a paciência dele está no limite. — Pai… — Minha voz sai fraca, mas ele me interrompe. — Não, Heloísa! Você está frágil, vulnerável, e esse homem está se aproveitando disso! Sinto um frio na barriga. Minha cabeça ainda pesa por conta dos remédios, mas a indignação começa a crescer dentro de mim. — Não é verdade! — Não é? —
Vittorio BianchiCinco anos antes…Minha vida está ligada a família Moura desde que me entendo por gente, meus pais e os pais do Hugo eram amigos e fomos criados como irmãos já que não os temos. Embora seja cinco anos mais novo que o Hugo, temos uma ligação forte e após a morte dos nossos pais, ficamos ainda mais próximos. Ele se apaixonou pela Ava e se casaram, trazendo ao mundo a pequena Heloísa, ela é linda, não desgruda um minuto sequer de mim, hoje é seu aniversário de 15 anos e dentre tantos garotos da sua idade ela pediu que eu fosse o príncipe a dançar a valsa com ela. Fiquei feliz por essa escolha dela, mas não imaginaria que ter aquela garota em meus braços me faria tão bem.A música começa suavemente, e eu estendo a mão para ela. Heloísa sorri, seus olhos brilhando sob as luzes do salão. Sua mão pequena e delicada se encaixa na minha, e eu a puxo suavemente para mais perto, dando início à valsa.Nossos passos são sincronizados, como se tivéssemos feito isso mil vezes ant