Lourenço abriu o portão de madeira maciça da garagem, enquanto eu observava seus braços fortes, totalmente tatuados. Quando percebeu que estava sendo analisado, ele escorou-se na moto e acendeu um cigarro:
- Se preferir ficar por aqui, sem problemas. Aposto que a diversão será ainda melhor. – Me olhou dos pés a cabeça enquanto tragava o cigarro, demonstrando o quanto me desejava.
E porra, eu devia estar feliz por aquele homem extremamente sexy e lindo querer me comer. Mas por que minha cabeça ainda doía, embora menos que meu coração?
- Eu conseguiria fazer uma ligação daqui? – Perguntei.
- Não.... Só do alto do morro mesmo – ele entendeu o recado e subiu na moto, dando a ré de forma habilidosa, sem ligá-la.
Assim que a estacionou ao meu lado, me ajudou a subir. Quando ele deu a partida, perguntei:
-
Lourenço pegou a cocaína e fez uma trilha com o pó branco entre meus seios. Nossos olhares estavam fixos um no outro quando ele inalou praticamente tudo, deixando alguns míseros resquícios em minha pele. E eu, que pensei já ter vivido de tudo na minha longa vida, acabara de servir como base de cocaína para um policial que se tornaria um delegado dentro de pouco tempo.Fiquei a imaginar se o delegado que me interrogou quando denunciei Jax já tinha feito aquele tipo de coisa também ou se só Lourenço se diferenciava de todos do seu meio de profissão.- Eu poderia cheirar você todinha. – Verbalizou, com a voz cheia de desejo.- Seria um tanto quanto estranho. – Eu ri.- Agora é a sua vez. E depois pularemos juntos, nós dois.- Eu não estou interessada em pular, Lourenço. – Deixei claro.- Mas está interes
Ele dizia “não”! Por que aquela conversa agora? E com tanto momento para me negar algo e vir com aquela história de “não”, por que justo naquela hora optou por ser rígido e não voltar atrás?- Já aprendi a lição, pai. – Minha voz soou fraca e me recriminei por aquilo, pois eu odiava que ele pensasse que eu pudesse não ser forte em qualquer momento que fosse.- Não, Danna. Você não voltará para a capital. Talvez eu não exija que fique em Machia por um ano, mas também não permitirei que volte em quinze dias.Engoli sem seco e fui andando a fim de me afastar das pessoas e impedir que ele ouvisse os gritos ao redor.- Ok! - assenti, não satisfeita – Então terá que me dar dinheiro.Ele riu:- Não, Danna, não me convencerá desta vez. Isla disse que
POV KILLIANEu ainda estava lamentando o fato de Danna ter quebrado o meu São Francisco de Assis quando ouvi a voz de Marialva me chamando no portão de casa.Fui atendê-la ali, não disposto a abrir a igreja, já que estava tarde e ela costumava ficar horas rezando e demorando a ir embora. Eu estava cansado. Havia sido um dia cheio de surpresas.Assim que cheguei no portão a vi com um pote enrolado em um pano de copa.- Lhe trouxe comida quentinha, padre. – Sorriu.Eu cheguei a sentir o cheiro de comida boa vindo de dentro do pote. Marialva cozinhava como ninguém.- É muita gentileza, Marialva. – Peguei o pote ainda quente quando nós dois ouvimos os sons ensurdecedores das motos.Nos viramos para a estrada e percebemos as várias motocicletas se aproximando. Não tinha dúvidas de que era a turma de Lourenço. Haviam mulheres nas caronas e
- Por que eu? Por que não o outro prefeito?- Eu já falei com ele e não resolveu.- E por que eu preciso resolver? Tenho cara de santa, por acaso?- Eu sou de Machia. A paróquia na qual trabalho pertence à Machia. Não há como eu não achar que você, como prefeita, é quem precisa tomar conta de tudo, Nicolle. E entenda que não é nada pessoal. Estou falando com a prefeita e não com a minha amiga pessoal.Ela riu, com ironia:- Está querendo dizer que votaria em Danna Dave, Killian?- Eu... Não disse isto. – Franzi a testa, confuso.- Tenho tanta responsabilidade por aquele orfanato quanto o maldito prefeito da cidade de Belém. Aliás, quando foi que você decidiu juntar crianças órfãs por aí sem ter condições de mantê-las?- Esta é minha funç&a
POV ISLA- Por favor, Danna... Me diga o que aconteceu ontem. – Pedi, ainda à mesa, percebendo o quanto ela estava abalada.Eu e Vanessa sempre nos demos bem e praticamente nunca tivemos segredos. No entanto eu sabia que ela me escondia coisas a respeito de Danna, já que para mim era claro que estavam tendo uma forte ligação, o que eu não esperava que fosse tão imediata, embora ambas tivessem o mesmo sangue correndo nas veias. E eu deveria estar feliz por aquilo, por aquele encontro de almas entre as duas, mas não queria que Vanessa me mentisse por conta de Danna.- Eu já disse que está tudo certo. – Ela garantiu, não me convencendo.Suspirei, furiosa. Eu vi que ela foi deixada em casa por Lourenço e que ficou horas trancada no quarto com Vanessa para depois irem juntas para o banheiro. Percebi o chuveiro ligado e sabia que elas não tinham tomado banho juntas a
Minha sobrinha não era o tipo de pessoa que se deixaria abalar por Nicolle Sturman, já que não a conhecia e não sabia o poder de persuasão que ela tinha. Aliás, elas me pareciam bem iguais: fortes, decididas e dispostas a fazer tudo pelo que queriam.- Ouvi boatos de que pensa em se candidatar à Prefeitura. – O tom de voz de Nicolle foi menos arrogante.Ok, agora “eu” precisava assimilar aquilo. Como assim Danna estava dizendo que seria prefeita de Machia? Ela não havia comentado nada comigo a respeito e certamente também não com Vanessa, ou minha filha teria me contado.Mas... Se fôssemos levar em conta o velho ditado que “A fruta não cai longe do pé”, minha sobrinha podia sim ser uma pedra no sapato de Nicolle Sturman, caso tivesse herdado o poder de discurso e convencimento do pai.- Sim, passou pela minha cabeça me candidatar,
POV DANNA DAVENos dias que passaram tive vontade de ver e falar com Killian. Mas não o fiz. Infelizmente... Ou “feliz (mente)” a presença dele não estava me fazendo bem e eu não estava sabendo lidar com algumas situações que vinham da nossa convivência como o ciúme e a forma como ele me tratava em prol de proteger outra pessoa.A rejeição era algo com que eu estava acostumada e sinceramente não era aquilo que me incomodava. Mas a dor causada pelas palavras que ele proferia a mim em detrimento de favorecer Juliana. E por ironia do destino, numa das primeiras vezes que eu lidava com a sinceridade, passava por mentirosa. E era justo um padre me tratar daquela forma, não acreditando em mim?Aliás, alguém acreditava em mim? Acreditar no sentido de crer que eu poderia ser uma pessoa a fazer algo de bom ou mesmo importante na vida. Eu sabia que sobre as coisas
- Sim. – Confessei.- Creio que esteja na hora de dar um basta nos encontros entre vocês, mesmo que sejam “coincidência”. Luane é minha amiga... E ela também foi receptiva com você e a deixou entrar na nossa relação de amizade. E amigos são leais... E não é por conta de um pacto de sangue, entende? É porque é o correto a fazer, ser leal a quem lhe é leal.- Eu entendi. E não vou mais sair com Lourenço. E isto não é só por Luane, mas também por mim.- Eu confio em você.- Confia?- Sim.Eu a abracei e nem sei ao certo o porquê. Senti seu cheiro já tão familiar e uma emoção invadiu meu coração. Poderia uma pessoa que eu conheci há tão pouco tempo já ter um lugar especial dentro de mim? Seria Vanessa, minha prima, que eu nunc