KATHERINEFiquei rígida por um momento, sem saber o que responder, com os sentimentos em conflito no meu peito.A alegria efusiva de conhecê-la, o nervosismo de me aproximar dela, o medo de como ela me trataria, se eu conseguiria reconquistar o amor perdido por mais de 10 anos e, agora...Agora, só restava a amargura de ver minha filha me tratando como uma inimiga, como uma estranha.—Eu sou sua mãe, Lavinia, e só quero o melhor para você...—Eu não tenho mãe! Você não tem o direito de se chamar assim! Saia do meu quarto, vá embora, vá embora! —ela começou a gritar comigo e a me jogar água.Uma esponja cheia de sabão acertou direto o meu decote, molhando o vestido e minha pele, espirrando no meu rosto.Cerrei os punhos em um tremor puro, meus olhos viajando dela, com seu ataque de rebeldia, até a tal "ama" parada no canto.Ela abaixou o olhar imediatamente, mas pude ver claramente: a zombaria e o deboche em seus olhos.—Saia do banheiro. Não vou repetir —disse com a voz fria, tentando
KATHERINEJá era noite.Eu estava encharcada de água, suja da poeira do caminho e extremamente cansada, mais mentalmente do que fisicamente.Entrei em uma pequena sala, com um jogo de móveis suntuoso e uma mesa para o serviço de chá.A decoração era requintada: quadros, cortinas pesadas, móveis entalhados em madeira nobre, até o teto era finamente trabalhado.Tudo muito bonito, mas havia detalhes perceptíveis para quem olhava com atenção: teias de aranha semiocultas nos cantos, o pó mal removido.Ao abrir o quarto, o cheiro de mofo e guardado invadiu minhas narinas, apesar de os lençóis estarem limpos.A pessoa que limpou este cômodo fez de tudo, menos limpar direito.Pelo menos deixaram a lareira acesa dentro do quarto frio.Quando abri o enorme armário de madeira, quase pensei que sairiam morcegos de uma caverna.Aquilo não tinha visto um sopro de ar em todo esse tempo.—Que Duquesa de meia-tigela você era, querida irmãzinha —murmurei suspirando.Peguei o vestido mais simples e com
KATHERINE—Ai! —Segurei o nariz à beira das lágrimas de dor e levantei o olhar para ver "a parede" com a qual eu havia trombado.Um homem de mais de 1,80m, com músculos poderosos sob a camisa branca que tinha alguns botões abertos, revelando seus peitorais sexys.A túnica preta com brocados prateados por cima o fazia parecer ainda mais imponente.Eu parecia uma coisinha, com meus escassos 1,60m, parada diante dele.Seus olhos azuis me encararam fixamente, tão intensos que comecei a ficar nervosa, pensando que ele poderia desconfiar.O aroma de sua colônia, uma mistura masculina com notas de bergamota, invadiu minhas narinas, dominando meus pulmões.—O que você está fazendo? —ele perguntou com a voz grave e fria, aquele tom rouco e autoritário.Dei um passo para trás; estávamos muito próximos. Eu precisava ser cautelosa.Esse homem… esse homem gritava perigo por todos os lados.—Esperando sua senhoria para o jantar —respondi secamente, virando-me e voltando ao meu lugar.A verdade era
KATHERINEOlhei com incredulidade para aquela mulher que eu havia expulsado na noite anterior e que, surpreendentemente, estava de volta, saindo do quarto interior.—Eu te dei uma ordem muito clara ontem. O que você está fazendo aqui? —perguntei com a voz baixa, tentando não causar uma cena na frente da minha filha.—Foi o Duque quem me contratou, e até que ele me expulse, eu não vou a lugar nenhum —respondeu com o maior descaramento do mundo.A menina começou a gritar para que eu parasse de importunar a sua ama, dizendo que ela era boa e que eu devia voltar para o campo. Mas eu não escutava nada.Só conseguia ver o rosto daquela mulher, cheio de segurança e desprezo.—Você disse ao Duque que eu pedi para você ir embora ou inventou alguma mentira?—Eu disse a ele que a senhora dispensou meus serviços, e ele ordenou que eu ficasse para cuidar da menina…Nem esperei ela terminar. Saí como um furacão do quarto.Com o maldito castelo, ele podia fazer o que quisesse, mesmo que seus criados
KATHERINE—Duquesa, desejava algo? —o insuportável mordomo foi quem abriu a porta.—Quero ver o Duque —respondi, já roçando a falta de educação, porque o tom superior dele me incomodava demais.—Sabe que precisa agendar um horário para ver sua senhoria. Posso marcar uma para a próxima semana…—É uma emergência e preciso vê-lo agora —enfatizei o "agora".Eu podia ouvir o som do Duque dentro da sala.Não sei se fazia de propósito, mas o barulho de objetos sendo movidos sobre a mesa e de papéis folheados era nítido.—O Duque está ocupado com a sessão matinal, não poderá ser hoje… Oiga, nmmm! —gemeu de dor quando enfiei o salto da bota fundo no pé dele.Aproveitando o descuido, o empurrei e entrei no escritório daquele arrogante.—Lamento interrompê-lo, sua senhoria, mas preciso tratar de um assunto urgente com o senhor —disse, controlando minha raiva."Eu sou Rossella, eu sou Rossella, eu sou a maldit4 submissa apaixonada da minha irmã!"Nem o mantra funcionava enquanto minha irritação c
KATHERINE—Sim, sua senhoria —o mordomo se retirou, fechando a porta.Ao ficar sozinha com ele, meu coração, por algum motivo, começou a ficar nervoso.Ainda mais quando o vi se levantar e caminhar até a janela, onde havia algumas bebidas sobre a mesinha.—Deseja algo para beber?—Não, não, Duque. Vim falar sobre nossa filha —fui direto ao ponto.—Nossa filha? —ele se virou com o copo na mão, erguendo uma sobrancelha com sarcasmo—. Aqui não há mais ninguém, Rossella. Não precisa fingir.Cerrei os punhos, suspirando.Era verdade, ele apenas criava uma criança imposta à força.—Bem, minha filha —corrigi friamente—, e justamente por ser só minha, acho que posso escolher quem a cuida e quem não. Não gosto da babá dela. Eu a expulsei do castelo.—A Sra. Elena tem cuidado dela desde bebê. Lavinia tem muito carinho por ela. Não pode demitir uma mulher honesta só porque sim…—Honesta?! Sabe o que ela disse para a menina enquanto a banhava? —dei um passo à frente, indignada, e comecei a conta
ELLIOTA babá de Lavinia gritava enquanto era arrastada pelos cabelos, segurados com força no punho inflexível de Rossella, até o patamar da escada.— Vai procurar mulher pro seu filho em outra casa, desgraçada! — gritou Rossella por cima dos gritos da Sra. Elena, que se segurava nos próprios cabelos com expressão de dor.De repente, no meio do tumulto, os olhos apavorados da mulher cruzaram com os meus.— Vossa Excelência, eu imploro! A Duquesa está me acusando injustamente! Eu só cuidei da sua pequena como uma mãe! Ela… AAAAHHHH!O grito estridente ecoou quando Rossella a empurrou sem compaixão, jogando-a escada abaixo, exatamente como eu fiz no dia em que ela chegou com o cadáver do contador.Eu nem sequer me abalei ao ver o corpo rolando entre gemidos abafados, as mãos se debatendo no ar, tentando se agarrar em alguma coisa, até cair com um som surdo no hall de entrada.Meu olhar não conseguia se desviar daquela mulher fria e implacável que descia as escadas com calma, logo atrás
KATHERINEMeu coração batia acelerado com a adrenalina percorrendo minhas veias.O Duque nos colocou sob sua proteção, ainda que fosse apenas um ato fingido.Como era bom sentir o poder de tomar decisões, de não ser apenas o fantoche de alguém, uma boneca sem vida.O poder absoluto que esse homem representava parado diante de mim... Olhei-o intensamente, reafirmando meus objetivos na mente, apesar das barreiras.Ele ordenou que a babá e o tal Theodore, que obviamente estava preparando o caminho para abusar da inocência da minha filha e depois passar de noivo a marido de uma nobre, fossem levados embora.Ideias tão macabras não ocorriam a um jovem de 14 anos, isso era coisa da mãe dele.O Duque finalmente se virou e voltou a me encarar, apenas por alguns instantes.Seus olhos azuis brilhavam com reflexos dourados, talvez pelo reflexo do sol.Passou ao meu lado sem dizer mais nada.— Obrigada, Vossa Excelência — sussurrei em voz baixa, sem esperar que me respondesse.Respirei fundo, ali