Capítulo 2
Ao chegar em casa, Lorena começou a arrumar suas coisas. No meio da arrumação, Gabriel apareceu:

— Lorena, assim que terminei os assuntos da empresa, vim direto para cá. Sentiu minha falta?

Ele segurava um grande buquê de rosas vermelhas e o estendeu para ela:

— Comprei especialmente para você. Sinto muito por não ter ficado com você até o final na loja de vestidos. Estou aqui para me redimir com a minha princesa.

Ao olhar para as rosas já ligeiramente murchas, Lorena sentiu uma mistura de raiva e vontade de rir. Era óbvio que aquele buquê era o mesmo usado no pedido de casamento que ele havia feito para outra mulher. Era isso que ela merecia na visão dele? Flores que já tinham cumprido o propósito e seriam descartadas?

— Está rindo de quê? — Gabriel perguntou, visivelmente desconfortável.

— Nada.

Lorena pegou o buquê, mas sua visão periférica captou algo ainda mais revelador: uma marca de batom no colarinho da camisa dele. O tom vermelho vibrante era impossível de ignorar.

Ela levantou a mão e apontou para o colarinho:

— Sua camisa está suja.

Gabriel olhou para baixo e, ao ver a marca, seu coração disparou. Era o rastro deixado por Helena quando ela o beijou. Tentando disfarçar, ele respondeu:

— Ah, deve ter sido sem querer. Talvez eu tenha encostado em alguma coisa.

— Entendi. — Lorena disse, sem confrontá-lo diretamente. — Tire a camisa, vou lavá-la para você.

— Não precisa, temos empregados para isso. Como eu poderia deixar você fazer algo assim?

— Os empregados não têm o mesmo cuidado que eu. Deixa comigo.

Pensando que havia escapado de uma enrascada, Gabriel sorriu, aliviado, e rapidamente deu um beijo no rosto dela:

— Lorena, você é maravilhosa.

Lorena pegou a camisa e, ao olhar para a marca de batom, deu um leve sorriso.

"Maravilhosa? Não. Você acha que sou ingênua."

Enquanto lavava a camisa, talvez por fazer mais força do que o necessário, o tecido cedeu, e a camisa rasgou.

Gabriel, ao ver o estrago, apenas riu e a abraçou com carinho:

— Não tem problema. Se rasgou, jogue fora. Compre outra para mim, e está tudo resolvido.

Ele trocou de roupa, mas o perfume feminino impregnado em sua pele ainda pairava no ar.

Lorena apertou os lábios e comentou, com um tom levemente irônico:

— Às vezes, as coisas antigas não são melhores que as novas?

— Concordo. — Gabriel disse, como se não tivesse entendido a indireta. — Essa camisa era ótima. Que pena que foi estragada. Eu até poderia usá-la mais algumas vezes. Você sabe, eu sou um cara muito apegado às coisas.

Lorena quase riu, mas por dentro sentiu uma pontada de dor. "Apegado? É mesmo. Ele é tão apegado que, mesmo depois de cinco anos, ainda guarda sentimentos pela mulher que o deixou. E eu? O que foram esses cinco anos para ele?"

Lorena ficou em silêncio, mas sua mente voltou ao passado. Quando era mais jovem, nunca faltaram pretendentes ao seu redor. Após se formar na faculdade, ela começou a trabalhar na empresa de Gabriel. No momento em que o viu pela primeira vez, seu coração vacilou.

Mas Lorena era orgulhosa demais para demonstrar interesse. Surpreendentemente, Gabriel pareceu encantado por ela, iniciando uma perseguição apaixonada. No início, ela resistiu, mantendo-se reservada.

Até que, um dia, houve um incêndio na empresa. Quando o alarme de incêndio soou, todos correram para evacuar o prédio. Lorena, paralisada pelo medo, não conseguiu se mover. Foi Gabriel quem voltou para buscá-la, carregando-a para fora do prédio em segurança.

Naquele momento, ela decidiu: ficaria ao lado dele para sempre.

Cinco anos haviam se passado desde então. Lorena nunca esqueceu o dia em que eles começaram a namorar. Naquela época, Gabriel jurou:

— Lorena, eu prometo a você. Eu só amarei você por toda a minha vida.

Enquanto ele fazia aquele juramento, Lorena chorava de emoção e respondeu:

— Gabriel, lembre-se do que está dizendo hoje. Se um dia você me trair, eu vou me casar com outro homem. E você vai se arrepender profundamente.

As palavras dele ainda ecoavam em sua mente, mas o coração dele já havia mudado. Ou talvez, desde o início, ele nunca tivesse pertencido a ela.

Lorena segurava a camisa rasgada nas mãos, mas o peso em seu peito parecia insuportável. As lágrimas começaram a rolar de seus olhos sem que ela pudesse controlá-las.

— O que foi? Por que você está chorando? — Gabriel perguntou, preocupado, pegando um lenço para secar suas lágrimas.

— Não é nada.

Era tudo. Gabriel havia quebrado sua promessa. E então Lorena ainda tinha a dela para cumprir: ela se casaria com outro homem.
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