Capítulo 4
Gabriel ainda hesitava ao telefone quando Lorena entrou na sala de repente:

— Com quem você está falando?

— Ah, é só o Bruno e o pessoal. Eles querem que eu vá tomar umas cervejas.

— É mesmo? Faz tempo que não os vejo. Acho que vou com você. Também estou precisando de uma bebida.

Lorena queria ver até onde eles conseguiriam manter a mentira caso ela estivesse presente.

Gabriel tentou de tudo para convencê-la a não ir, mas ela foi irredutível. Ele, frustrado, abaixou a cabeça e começou a mexer no celular, avisando Bruno e os outros sobre a inesperada visita de Lorena.

Quando chegaram à sala reservada no bar, Lorena notou de imediato os amigos de Gabriel. Eles estavam sentados, comportados como nunca, bebendo suas cervejas em silêncio. Não havia nenhuma mulher por perto, nem mesmo as acompanhantes habituais. Assim que a viram, todos se levantaram em uníssono:

— Boa noite, Lorena. Pode ficar tranquila, hoje não tem nenhuma mulher aqui, só nós, os rapazes.

Lorena ergueu uma sobrancelha, debochada:

— Quer dizer que eu, sendo mulher, não deveria estar aqui?

Os homens se entreolharam, sem graça. Gabriel rapidamente segurou a mão de Lorena, tentando aliviar a tensão:

— Eles não quiseram dizer isso. Só ficaram preocupados que você pudesse se entediar.

— Não tem problema. Só vim tomar uma taça de vinho e rever vocês. Como hoje é “noite dos homens”, eu bebo e vou embora. — Disse Lorena.

Lorena pegou um copo de vinho na mesa e o virou de uma só vez. Ela fingiu não notar os risos nervosos que passaram rapidamente pelos rostos dos amigos de Gabriel. Então, colocou o copo na mesa, virou-se e começou a sair.

Gabriel, fingindo estar com o coração apertado, a abraçou por trás e deu um beijo em sua testa:

— Tudo bem, amor. Eu volto logo. Vai pra casa e descansa, não precisa me esperar.

Lorena desceu as escadas com passos firmes. Mas, ao chegar no térreo, ela parou em um canto discreto e ficou à espreita. Não demorou muito para Helena aparecer, equilibrando-se em seus saltos altos e balançando os quadris enquanto subia apressada.

Lorena seguiu Helena até a porta da sala reservada, onde tinha uma visão clara do interior. Lá dentro, Helena não hesitou: sentou-se no colo de Gabriel.

— Gabriel, por que trouxe ela? — Reclamou Helena, irritada. — Tive que ficar escondida até agora! Você me deve aquele presente que te mostrei hoje. Quero agora, como compensação.

Gabriel riu e passou o braço em volta da cintura dela:

— Tá bom, dou dois pra você.

Helena deu um sorriso satisfeito e envolveu o pescoço do homem, beijando-o nos lábios.

— Isso aí é pra matar a gente de inveja, Helena! — Bruno gritou, rindo. — Desse jeito, nós, solteiros, vamos morrer de ciúmes.

— Ah, para com isso! — Gabriel respondeu, rindo. — Vocês também têm suas mulheres. Chama todas pra cá, vamos nos divertir juntos!

Logo, o ambiente se encheu de mulheres. Algumas sentaram ao lado dos homens, outras começaram a beber e brincar. A sala se transformou em uma festa barulhenta.

Eles decidiram jogar "Verdade ou Desafio". E, por coincidência, Gabriel foi o primeiro a ser punido.

Bruno, sorrindo provocativamente, lançou a pergunta:

— Gabriel, então conta pra gente: você gosta mais da Helena ou da Lorena?

Ao ouvir a pergunta, Helena não pareceu incomodada. Pelo contrário, ela sorriu e olhou para Gabriel, como se estivesse curiosa com a resposta:

— Fala a verdade, hein! E não esquece que eu sou uma paciente.

Gabriel respondeu sem hesitar:

— Lorena.

O sorriso de Helena desapareceu por um momento, mas ela rapidamente recuperou a compostura:

— Eu ainda estou aqui, sabia?

Gabriel deu de ombros, rindo:

— Eu gosto de você também, mas isso ficou no passado. Você decidiu me deixar cinco anos atrás. Agora, estou com Lorena. Estou me casando com você só porque é o seu último desejo. Foi o que combinamos. Depois disso, quem vai ficar comigo até o fim é Lorena. E trate de manter isso em segredo para a Lorena.

Lorena não aceitava nenhuma traição, nenhum tipo de deslealdade. Se ela soubesse que Gabriel estava tendo qualquer tipo de envolvimento com outra mulher, certamente terminaria tudo sem pensar duas vezes.

Por outro lado, Helena não podia ser ignorada. Ela havia voltado ao país gravemente doente, e seu único desejo antes de morrer era se casar com Gabriel. Afinal, ela já tinha sido o grande amor da vida dele. Como Gabriel poderia virar as costas para ela em um momento como esse?

Ele só precisava manter Lorena no escuro. Depois que Helena partisse, ele ainda estaria ao lado de Lorena, cuidando dela para sempre. Dessa forma, ninguém sairia machucado. Tudo seria perfeito.

Helena, enterrando o rosto no peito de Gabriel, mordeu os lábios com força para conter a dor. Fingindo calma, respondeu:

— Eu não me importo. Fui eu quem te deixou, afinal. Só de você me dar esse tempo, já me sinto feliz. Eu amo você, Gabriel, e também não quero machucar sua namorada. Então, prometo que todos vamos manter isso em segredo, está bem?

Do outro lado da porta, Lorena estava parada, imóvel. Seu rosto havia perdido todo o sangue. As palavras que ela acabara de ouvir eram como lâminas afiadas, cortando seu coração em pedaços. Ela sentia como se cada órgão do seu corpo estivesse sendo dilacerado. A dor era insuportável.

Ao ouvir a escolha de Gabriel, Lorena sentiu um nojo tão profundo que seu estômago se revirou. Ela queria vomitar. Nunca imaginou que o homem que amava há cinco anos fosse tão podre por dentro.

Encostada na parede, o corpo de Lorena tremia sem controle. A dor era tão intensa que parecia sugar toda a sua energia. Aos poucos, suas forças foram desaparecendo, e ela escorregou, sentando-se no chão. Não sabia quanto tempo havia passado até conseguir respirar novamente.

Com os olhos vazios, ela se levantou e começou a descer as escadas, como se estivesse em transe. Mas, após dar alguns passos, seu corpo fraquejou. Sem forças para continuar, ela caiu, rolando escada abaixo até desmaiar completamente.
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