— Eu quero que ela venha me ver. Quero que ela volte para casa comigo. — Gabriel disse, a voz rouca de desespero.— Isso não vai acontecer. — Michel respondeu friamente, tirando o celular do bolso. — Se você não for embora agora, eu vou chamar a polícia.— Chama! Chama a polícia! — Gabriel gritou, fora de si. — Lorena nunca vai me deixar ser preso! Ela não vai me abandonar, eu sei que não vai!— Vamos ver então.Michel não hesitou. Chamou os policiais, e, minutos depois, Gabriel foi arrastado para longe, mesmo enquanto continuava gritando o nome de Lorena.Dentro da casa, Lorena estava sentada confortavelmente no sofá ao lado da mãe de Michel. As duas conversavam animadamente sobre uma novela cheia de intrigas amorosas. Elas riam e comentavam como se nada estivesse acontecendo do lado de fora.De repente, o celular de Lorena tocou. Ela olhou para o número e viu que era da delegacia:— Srta. Lorena, por acaso a senhora conhece o Sr. Gabriel? Ele está aqui, visivelmente embriagado, causa
Depois que Lorena partiu, Gabriel saiu lentamente de trás da coluna onde estava escondido. Ele havia visto com seus próprios olhos a mulher que amava indo embora, e a dor no peito era insuportável, como se cada passo dela fosse uma facada em seu coração.Ele a amava tanto. Não conseguia esquecê-la, por mais que tentasse. Mas agora ela o odiava, não queria mais vê-lo e fazia questão de deixar isso claro.Mesmo assim, Gabriel não estava disposto a desistir. Ele decidiu que iria esperar por ela, o tempo que fosse necessário.Durante o mês seguinte, Gabriel mudou muito. Começou a tentar ser alguém melhor, na esperança de que, quando Lorena voltasse, ele tivesse uma nova chance. Quando soube que ela finalmente estava de volta, correu para o aeroporto. Mas, para sua decepção, não conseguiu encontrá-la. Um mês sem vê-la, e a saudade o consumia.Enquanto isso, Lorena, ao descer do avião, foi direto para o hospital. Gabriel, ao descobrir seu paradeiro, correu até lá. Quando chegou, viu Lorena e
— Pai, o senhor não disse que eu tinha um noivo de um casamento arranjado quando eu era criança? Pois bem, ligue para ele e pergunte se ele quer ser o noivo. Vou me casar no dia primeiro do próximo mês, e estou precisando de um.Do outro lado da linha, o pai dela Daniel ficou em silêncio por alguns segundos:— Você não estava planejando se casar com o Gabriel Costa e organizando o casamento? O que foi, ele fez algo com você?— Pai, só pergunte a ele.— Tudo bem, minha filha. Desde que você esteja certa da sua decisão, só quero que seja feliz.Com os olhos marejados, Lorena Borges respondeu com firmeza:— Eu serei, pai!Lorena havia amado Gabriel com todo o seu coração. Para ela, ele era o homem da sua vida, o destino que ela escolheu. O casamento já estava marcado, e ela sonhava com o dia em que se tornaria a esposa dele. Mas, há pouco, tudo mudou.Uma hora antes, Lorena vestia um deslumbrante vestido de noiva branco e se olhava no espelho. O caimento perfeito realçava suas curvas, tor
Ao chegar em casa, Lorena começou a arrumar suas coisas. No meio da arrumação, Gabriel apareceu:— Lorena, assim que terminei os assuntos da empresa, vim direto para cá. Sentiu minha falta?Ele segurava um grande buquê de rosas vermelhas e o estendeu para ela:— Comprei especialmente para você. Sinto muito por não ter ficado com você até o final na loja de vestidos. Estou aqui para me redimir com a minha princesa.Ao olhar para as rosas já ligeiramente murchas, Lorena sentiu uma mistura de raiva e vontade de rir. Era óbvio que aquele buquê era o mesmo usado no pedido de casamento que ele havia feito para outra mulher. Era isso que ela merecia na visão dele? Flores que já tinham cumprido o propósito e seriam descartadas?— Está rindo de quê? — Gabriel perguntou, visivelmente desconfortável.— Nada.Lorena pegou o buquê, mas sua visão periférica captou algo ainda mais revelador: uma marca de batom no colarinho da camisa dele. O tom vermelho vibrante era impossível de ignorar.Ela levanto
Depois de finalmente acalmar Lorena, Gabriel tentou, como de costume, beijar o canto de sua boca, mas ela o afastou.Ele ficou visivelmente constrangido, pigarreou e, tentando disfarçar, estendeu a mão pedindo algo:— Certo, e o meu presente? Você disse que tinha algo para mim.Lorena pediu que ele esperasse e subiu para o quarto. De lá, pegou os convites de casamento que havia escolhido junto com Gabriel semanas atrás. Com calma, ela riscou os nomes originais dos noivos e, no lugar, escreveu Lorena Borges & Michel Frota. Colocou o convite dentro de uma caixa e desceu as escadas.Ao entregá-la para ele, Gabriel franziu o cenho, curioso:— O que é isso?Ele tentou abrir a caixa, mas Lorena segurou sua mão, impedindo-o:— Só abra no dia primeiro do próximo mês.Ao ouvir a data, Gabriel ficou visivelmente tenso. A mão que segurava a caixa tremia levemente. Essa não era a mesma data do casamento que ele havia planejado com Helena?— Por quê?— Porque o dia primeiro do próximo mês seria o n
Gabriel ainda hesitava ao telefone quando Lorena entrou na sala de repente:— Com quem você está falando?— Ah, é só o Bruno e o pessoal. Eles querem que eu vá tomar umas cervejas.— É mesmo? Faz tempo que não os vejo. Acho que vou com você. Também estou precisando de uma bebida.Lorena queria ver até onde eles conseguiriam manter a mentira caso ela estivesse presente.Gabriel tentou de tudo para convencê-la a não ir, mas ela foi irredutível. Ele, frustrado, abaixou a cabeça e começou a mexer no celular, avisando Bruno e os outros sobre a inesperada visita de Lorena.Quando chegaram à sala reservada no bar, Lorena notou de imediato os amigos de Gabriel. Eles estavam sentados, comportados como nunca, bebendo suas cervejas em silêncio. Não havia nenhuma mulher por perto, nem mesmo as acompanhantes habituais. Assim que a viram, todos se levantaram em uníssono:— Boa noite, Lorena. Pode ficar tranquila, hoje não tem nenhuma mulher aqui, só nós, os rapazes.Lorena ergueu uma sobrancelha, de
— Socorro! Alguém caiu da escada! — Alguém gritou. Logo em seguida, uma multidão começou a se formar ao redor.Antes de fechar os olhos, Lorena viu Gabriel e os amigos dele, todos se afastando como se nada tivesse acontecido. Ao notarem a confusão, lançaram apenas um olhar rápido em direção à cena, mas continuaram andando. Como poderiam imaginar que a pessoa cercada pela multidão era a própria Lorena, que já estava inconsciente?Quando Lorena acordou, estava no hospital.Uma enfermeira estava trocando os curativos dela:— Você acordou?— Por que estou aqui? — Perguntou Lorena.— Ah, você teve uma queda de glicose e desmaiou. Foi um estranho que te trouxe até aqui, mas ele já foi embora. Qual o telefone de alguém da sua família? Posso ligar para avisar.— Não precisa.Lorena balançou a cabeça, enquanto o nome Gabriel ecoava em sua mente com um misto de nojo e desprezo.Com passos pesados, ela saiu do quarto em direção ao guichê de pagamento. Não tinha andado muito quando ouviu duas enfe
Ao ver o nervosismo de Gabriel, Lorena respirou fundo, tentando controlar as emoções, e disse:— Não é nada. Falei besteira. Eu não vou ter tempo naquele dia.Ela se virou para ir embora. Gabriel hesitou por um instante, levantando o pé para segui-la, mas Lorena o interrompeu:— Já que você está acompanhando sua amiga no hospital, não seria certo deixá-la sozinha. Eu consigo voltar sozinha, você não precisa se preocupar.Gabriel parou, olhando para ela enquanto se afastava. Sentiu uma dor súbita no peito, como se algo estivesse sendo arrancado de dentro de si.Helena, que estava ao lado dele, percebeu sua preocupação com Lorena. Ela se abaixou, fazendo uma expressão de dor exagerada:— Gabriel, estou com tanta dor... dói em todo o corpo. Você me leva para casa, por favor?Irritado, e ainda mais confuso por causa da atitude de Lorena, Gabriel perdeu a paciência. Ele afastou Helena bruscamente:— Se coloque no seu lugar, Helena. E pare de provocá-la.Lorena chegou em casa e, sem perder t