Capítulo 6
Ao ver o nervosismo de Gabriel, Lorena respirou fundo, tentando controlar as emoções, e disse:

— Não é nada. Falei besteira. Eu não vou ter tempo naquele dia.

Ela se virou para ir embora. Gabriel hesitou por um instante, levantando o pé para segui-la, mas Lorena o interrompeu:

— Já que você está acompanhando sua amiga no hospital, não seria certo deixá-la sozinha. Eu consigo voltar sozinha, você não precisa se preocupar.

Gabriel parou, olhando para ela enquanto se afastava. Sentiu uma dor súbita no peito, como se algo estivesse sendo arrancado de dentro de si.

Helena, que estava ao lado dele, percebeu sua preocupação com Lorena. Ela se abaixou, fazendo uma expressão de dor exagerada:

— Gabriel, estou com tanta dor... dói em todo o corpo. Você me leva para casa, por favor?

Irritado, e ainda mais confuso por causa da atitude de Lorena, Gabriel perdeu a paciência. Ele afastou Helena bruscamente:

— Se coloque no seu lugar, Helena. E pare de provocá-la.

Lorena chegou em casa e, sem perder tempo, começou a arrumar suas coisas. Aquele lugar não era mais suportável para ela.

Felizmente, não tinha muita coisa. Em pouco tempo, conseguiu colocar tudo o que era seu em uma única mala. Quando terminou, pegou a mala e desceu as escadas.

Ao passar pela mesa, viu o buquê de rosas que Gabriel lhe dera no dia anterior. Com um sorriso frio, pegou as flores e as jogou no lixo sem hesitar.

A empregada, que viu a cena, ficou confusa:

— Senhorita, essas flores não foram um presente do Sr. Gabriel? Você vai jogá-las fora?

Sem expressão no rosto, Lorena respondeu:

— Coisas que outros já usaram, eu não quero.

— Mas as flores estão tão bonitas... como podem já ter sido usadas?

A empregada não entendia e, por isso, não conseguia compreender o motivo de Lorena agir assim.

Sem paciência para explicar, Lorena subiu novamente para o quarto e começou a pegar todas as roupas, bolsas e presentes que Gabriel lhe dera ao longo dos anos. Colocou tudo em um grande saco preto:

— Leve isso e jogue fora.

— Jogar fora? — A empregada ficou boquiaberta. — Mas, senhorita, essas coisas eram as suas preferidas. Antes, você dizia que não usaria porque tinha pena de estragar os presentes que o Sr. Gabriel deu.

— Não entendeu o que eu falei? — Lorena então pegou suas joias e outros acessórios de alto valor e os colocou sobre a cama. — Doe isso também.

— Mas essas joias... todas foram presentes do Sr. Gabriel. Valem uma fortuna!

— Eu disse para doar.

O tom firme de Lorena fez com que a empregada não ousasse questionar mais nada. Sem demora, pegou tudo e levou embora.

Quando terminou de se livrar de tudo, Lorena abriu o celular e comprou uma passagem de avião. Ela havia decidido voltar para a casa de sua família. Partiria no dia seguinte.

Assim que finalizou a compra, o telefone vibrou. Era uma mensagem de um número desconhecido.

Lorena abriu e viu uma foto provocativa e explícita. Era Gabriel junto com Helena, em uma pose íntima.

[Lorena, se você não for burra, já deve ter percebido que a relação entre mim e Gabriel não é nada simples. Está curiosa para saber por que fomos parar no hospital? Foi porque nos machucamos enquanto fazíamos amor no bar. Estava tão intenso que acabamos nos cortando.]

[E mais: no dia primeiro do mês que vem, eu vou me casar. E o noivo? Não é ninguém menos que o seu namorado, Gabriel. Eu sou a primeira namorada dele, o grande amor da vida dele. Você não passa de uma substituta que ele usou nesses cinco anos de vazio.]

A cada palavra, a provocação ficava mais cruel. Lorena sentiu o peito apertar e não conseguiu controlar a dor que se espalhou pelo corpo ao ler aquelas mensagens. Cinco anos de relacionamento... como não se importar?

Com o celular nas mãos, Lorena tremia. Lágrimas começaram a escorrer por seu rosto sem controle.

Nesse momento, Gabriel entrou na casa. Ele se aproximou dela e a abraçou por trás, com a voz baixa e sussurrante:

— Lorena... por que está chorando de novo? Eu voltei. Não tem nada entre mim e ela. Eu só bebi demais ontem e acabei não voltando para casa. E a Helena... ela é só uma amiga que acabou de voltar do exterior. Só a encontrei hoje de manhã. Para de pensar bobagens.

Lorena ouviu as desculpas dele em silêncio. Levantou a mão para enxugar as lágrimas e, em seguida, desligou a tela do celular:

— Eu entendi.

Ela se afastou dele, empurrando-o levemente, e o olhou nos olhos. Aquele rosto que, há cinco anos, parecia tão puro e sincero, ainda era o mesmo. Limpo, bonito, com um sorriso que antes iluminava seus dias.

Mas o coração por trás daquele rosto... como pôde mudar tanto?
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