Javier
O Peso da Incerteza Os minutos pareciam horas. Cada batida de meu coração ressoava em meus ouvidos enquanto o hospital se tornava um lugar cada vez mais distante da realidade que conhecíamos. Maria, Laura, Jordana e Martina estavam agora sob os cuidados intensivos, mas a cada passo que eu dava pelos corredores frios, o peso da incerteza me esmagava mais e mais. A cada vez que passava pela sala de espera, sentia que havia algo mais pesado no ar, uma tensão crescente. O impacto da explosão não só abalou a estrutura do hotel, mas também destruiu a confiança que todos nós tínhamos na segurança e na estabilidade. Eu olhava para os rostos dos outros familiares que aguardavam notícias, e a cada olhada, eu via a mesma dor. Sabíamos que a vida que tínhamos antes disso jamais seria a mesma. No entanto, havia uma verdade inegável: todas estavam lutando. A força delas era inegável. E isso, por mais frágil que fosse, ainda era a nossa esperança. Primeiro, a notícia de Martina. Sua condição estava estabilizada, mas era difícil dizer se ela se recuperaria completamente. A explosão havia causado danos internos graves, e os médicos faziam o impossível para manter sua pressão arterial estável. Ela estava em coma induzido, e sua luta era silenciosa, como uma chama que, mesmo fraca, não se apaga facilmente. Laura estava melhorando, mas ainda não podia ser considerada fora de perigo. A queimadura no rosto e nos braços era severa, e a dor era evidente cada vez que ela tentava falar. No entanto, seus olhos estavam mais vivos, e seus dedos se moviam lentamente, um sinal de que ela estava voltando de um lugar distante. A respiração dela era agora regular, embora ainda tivesse que ser monitorada de perto. Jordana parecia estar se recuperando de uma forma que me deixava confuso. Ela estava consciente, mas exausta. Os médicos diziam que o trauma não era tão profundo quanto o de Martina, mas ela ainda estava em um estado muito delicado. Ela não falava muito, mas seus olhos seguiam cada movimento na sala. A expressão dela mostrava uma inquietude, como se estivesse tentando processar o que havia acontecido. Maria foi a última a acordar. Ela estava em estado de choque, o corpo e a mente aparentemente sobrecarregados pela intensidade do que tinha acabado de viver. Porém, quando seus olhos se abriram pela primeira vez, o alívio foi quase imediato. Sua expressão séria ainda dominava seu rosto, mas havia um leve sorriso, como se dissesse “estou aqui e não vou desistir”. Ela estava fraca, mas o olhar dela transmitia uma força inegável. Eu não sabia o que esperar. Cada uma delas tinha uma batalha interna que não podia ser vista. A pressão do trauma não era apenas física; era mental, emocional. A explosão tinha rasgado algo dentro delas, algo que jamais poderia ser consertado com remédios. O tempo seria o maior aliado agora, mas, ao mesmo tempo, o maior inimigo. As noites no hospital pareciam intermináveis. Cada vez que a luz do sol começava a nascer, eu olhava para o relógio e sentia que não estava mais vivendo, apenas existindo. Eu não sabia qual seria o próximo passo, mas tinha que manter a esperança. A ideia de vê-las de volta à sua plena força parecia um sonho distante, algo que poderia ser atingido apenas por uma reviravolta milagrosa. Martina, com sua força inabalável, foi a primeira a acordar completamente, mas estava longe de ser a mesma. Seu corpo ainda estava fraco e em recuperação, mas a mente dela estava alerta. Quando me aproximei de seu leito, ela olhou para mim com um sorriso cansado. — Estamos longe disso, não é? — ela sussurrou, a voz fraca. — Sim, mas estamos lutando. — Respondi, sentindo o nó na garganta. As palavras de Martina permaneceram comigo por horas. Sabíamos que não era o fim, mas a verdade era que a estrada à frente seria árdua. Ela ainda tinha muito para aprender, e o que nos aguardava não seria simples. Laura, por outro lado, estava mais consciente a cada hora que passava. Ela tentava manter a cabeça erguida, mas sabia que os dias à frente seriam difíceis. Suas queimaduras a deixavam em um estado de dor constante. Eu a via tentando disfarçar, mas a verdade estava ali, clara em seus olhos. Ela era uma lutadora, mas até os mais fortes precisam de descanso. Jordana era o mistério. Em momentos, ela parecia completamente fora de si, em outros, seus olhos ficavam fixos, como se estivesse tentando entender tudo o que aconteceu. Eu sabia que o trauma psicológico seria tão desafiador quanto as feridas físicas. E, no entanto, ela se recusava a permitir que isso a dominasse. Maria era a mais tranquila, mas eu sabia que o silêncio dela não significava que não estivesse lidando com sua dor. Seus olhos brilhavam com uma intensidade que não permitia que ninguém se aproximasse sem ser cauteloso. A explosão a havia mudado, mas o que eu mais temia era o que ela não estava dizendo. Em cada um daqueles quartos, havia uma luta silenciosa. Eu sabia que não seria uma recuperação fácil. O que tínhamos agora era apenas o começo, e o futuro era incerto. Mas, por alguma razão, a ideia de vê-las de volta ao que eram, fortes e resolutas, ainda me dava esperança. Estávamos juntos, e essa união, por mais frágil que fosse, era nossa maior força. A vida, assim como o tempo, é imprevisível. Não sabíamos o que nos esperava, mas um fato era certo: nada nos impediria de lutar.A Chegada e o Desespero dos Maridos A noite no hospital parecia interminável, uma sucessão de minutos que se arrastavam lentamente. Enquanto eu passava de um quarto para o outro, tentando me concentrar na recuperação de Maria, Laura, Jordana e Martina, os outros membros da família, que estavam aguardando informações, começaram a chegar. A tensão no ar era palpável, e a espera havia deixado todos à beira do desespero. Sabíamos que o pior já havia passado, mas ainda não podíamos comemorar. A recuperação das nossas mulheres estava longe de ser garantida. Heitor, com seus cabelos grisalhos e os ombros sempre tão firmes, estava mais abalado do que jamais vi. Ele andava de um lado para o outro no corredor, a cada segundo passando a mão na testa, tentando parecer calmo, mas seus olhos denunciavam o turbilhão interno. Sabíamos que ele tinha um coração forte, mas ver sua esposa Maria, uma mulher de personalidade tão marcante, entre a vida e a morte, o estava consumindo de uma maneira qu
Javier Forças e Juramentos A tensão no ar parecia densa, quase palpável. Cada um de nós estava absorvido pela dor da situação, tentando lidar com os medos de nossas mães, esposas, e figuras centrais de nossas vidas. O hospital estava silencioso, exceto pelos sons que vinham das máquinas de monitoramento e os murmúrios dos médicos, que falavam em voz baixa. Os maridos estavam exaustos, cada um à sua maneira, lutando para se manter firmes enquanto observavam o estado crítico de suas amadas. Era difícil ver nossos pais, figuras que sempre nos pareciam tão fortes, tão imponentes, agora fragilizados. Mas nós éramos seus filhos, e naquele momento, era nossa vez de ser a fortaleza. Javier, sentado ao lado de Laura, estava com os ombros caídos, os olhos fixos nela, como se não pudesse desviar o olhar. Ele tinha sido um líder implacável, mas ali, naquele hospital, era apenas um homem devastado, sem saber o que fazer. Luna se aproximou dele, com o semblante sério, mas os olhos determi
Javier O Processo de CuraVinte dias haviam se passado desde aquela noite infernal que nos separou do normal, desde o momento em que nossos mundos desabaram e nos vimos em um hospital, com a incerteza pairando sobre nossas cabeças. Durante esses dias, a dor foi constante, como uma sombra que nos acompanhava a cada passo, mas havia algo mais também. Uma leve sensação de esperança, que crescia a cada respiração de nossas mães, esposas e figuras centrais. Elas estavam sobrevivendo, lutando.Laura, ainda nas garras da recuperação, passava os dias em um estado delicado. Sua cirurgia no rosto, uma tentativa de restaurar a beleza que o fogo tinha lhe tirado, era uma batalha em si. Seus olhos, antes sempre cheios de vivacidade e energia, estavam agora rodeados por inchaços e marcas que denunciavam o que ela havia enfrentado. Mas ela ainda tinha sua força, aquela que nos inspirava, ainda estava ali. A cada dia, com o apoio dos filhos e do marido, ela vinha se fortalecendo, como uma árvore q
Javier A Recuperação e o Retorno para CasaOs dias de dor, tensão e esperança finalmente começaram a dar lugar a um novo ritmo. Laura já não estava mais imersa nas camadas de bandagens e curativos. Após a cirurgia e as semanas de recuperação lenta, seu rosto, embora ainda com cicatrizes visíveis, começava a se curar. As marcas deixadas pelas queimaduras ainda eram profundas, mas o progresso era visível. Sua pele estava regenerando, e as linhas que se formavam ao redor de seus olhos, resultado da dor, começavam a suavizar com o tempo. O mais importante: Laura estava viva, e seu espírito, aquele espírito inquebrantável, estava de volta.No dia marcado para sua alta, o hospital estava agitado. Ela havia passado os últimos dias com os filhos ao seu lado, recebendo apoio de Javier, que se mostrava cada vez mais dedicado. Mateus, Maurício e Luna, sempre presentes, não saíam de perto, acompanhando cada passo da recuperação e cuidando de sua mãe com uma intensidade comovente. Maria, Mar
O Retorno de Laura Luna A fazenda Feitiço do Sol Nascente nunca esteve tão cheia. Desde que deixamos o hospital, a família inteira se reuniu aqui para receber minha mãe. Que após lutar bravamente pela vida, volta ao lugar que a recebeu desde os dezoito anos, onde criou raízes, se apaixonou, casou, teve seus filhos, me criou e fez uma coleção de amigas e amigos. O tempo parece ter desacelerado nesses últimos vinte dias, mas, ao mesmo tempo, tudo mudou. Estou de pé na varanda principal, observando os carros se aproximando. Mateus, ao meu lado, cruza os braços, claramente tentando disfarçar a ansiedade. Ele sempre foi protetor com nossa mãe, e esse momento é importante para ele. Maurício também está inquieto, andando de um lado para o outro. José e Paola cochicham algo entre si, mas a verdade é que todos estamos nervosos. Quando o carro para, meu pai abre a porta para ajudar minha mãe. As cicatrizes ainda estão visíveis, mas os olhos da minha mãe transbordam uma força que m
Uma Nova VidaA noite cai sobre a fazenda, com uma magnífica lua cheia clareando os campos e todos se reúnem para jantar na mesa da varanda. A grande mesa está repleta de risadas, conversas animadas e um sentimento de união que há muito não sentíamos. Minha mãe está radiante, e ver Javier sorrindo novamente aquece meu coração.Mas minha mente está em um turbilhão. Olho para Théo, que me encoraja com um pequeno aperto de mão. Paola, ao meu lado, percebe minha tensão e levanta uma sobrancelha. Ela sempre me lê com facilidade.Levanto-me, batendo levemente um garfo contra a taça, chamando a atenção de todos. O barulho das conversas diminui, e todos os olhares se voltam para mim.— Eu tenho algo para contar.Théo se levanta ao meu lado, segurando minha mão com firmeza. Meu coração bate acelerado, mas quando olho para minha mãe, que voltou para casa depois de tanto sofrimento, e para meu pai, que passou semanas vivendo no limite entre a dor e a esperança, encontro a coragem que precis
O Primeiro BatimentoA brisa morna da noite percorre a varanda, misturando-se ao aroma do jantar recém-servido. A lua cheia ilumina os campos ao redor da fazenda Feitiço do Sol Nascente, banhando a terra em um brilho prateado.A conversa está animada como sempre em torno desta mesa que nos viu crescer! Quantas brincadeiras, almoços, jantares, planos e estratégias dividimos nesta mesa, e agora dividimos a alegria da chegada de mais uma vida que sentará nesta mesma mesa entre nós Mas, dentro de mim, um brilho diferente começa a nascer, um amor que cresce a cada segundo, pulsando em sincronia com o pequeno coração que bate em meu ventre.Os ecos das risadas ainda preenchem o ambiente após meu anúncio. Minha mãe, continua segurando minhas mãos, seus olhos brilhando de emoção. Ela acaricia meu rosto com ternura, e seu toque carrega o peso de tudo o que já enfrentamos.— Você vai ser mãe, Luna. Sua voz quebra levemente, e eu vejo um mar de sentimentos refletido em seu olhar.Meu pai
O primeiro Batimento 2 Paola, ao meu lado, cutuca minha cintura levemente, seus olhos brilhando em diversão. — Agora tudo faz sentido. Eu sabia que tinha algo diferente em você ultimamente! Ela ri, mas há carinho em sua voz. — A insolente Luna, agora mãe. Quem diria? Solto uma risada fraca. Quem diria mesmo? Há meses, tudo que eu conhecia era o fogo da vingança, a adrenalina das batalhas e o peso de um legado sombrio. Agora, dentro de mim, cresce algo puro. Algo que muda tudo. — Você precisa começar a se cuidar, Luna. A voz de María, minha tia, soa com doçura. — Os primeiros meses são delicados. Mal tenho tempo de responder antes que Javier solte um resmungo, cruzando os braços. — E isso significa que você não vai mais montar Sombra. Meus olhos se arregalam. — O quê? Sombra, meu cavalo, sempre foi uma extensão de mim. O pensamento de ficar sem montá-lo é insuportável. — Nem adianta discutir. Javier continua, seu tom inflexível. — É um risco desnecessário.